Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Wenger, o mestre do 4-2-3-1

24 de agosto de 2010 6

Se Arsene Wenger não é o criador do 4-5-1 com três meias ofensivos (4-2-3-1), é certamente a principal referência no desenvolvimento deste sistema tático. Muito antes de se tornar uma tendência na Europa, muito antes das seleções da Copa do Mundo 2010 influenciarem os treinadores brasileiros, Wenger transformara o 4-2-3-1 em padrão no Arsenal. Após uma temporada ruim, ele revitaliza a equipe londrina com a recuperação de jogadores, e com a chegada de Chamakh.

Assisti à goleada de 6 a 0 do Arsenal sobre o Blackpool no último sábado. Wenger deu uma aula prática sobre o 4-2-3-1. A equipe teve quase 60% de posse de bola, e criou no total 30 oportunidades, marcando seis gols. O adversário – obviamente muito inferior – chegou à área do time da casa apenas uma vez em todo o jogo.

São duas as principais virtudes deste 4-2-3-1 de Wenger no Arsenal: linhas adiantadas e movimentação dos meias ofensivos. O treinador posiciona a equipe no campo adversário, ao mesmo tempo retirando espaços com marcação em pressão alta na saída de bola (forçando o passe do adversário, induzindo-o ao erro) e proporcionando uma transição ofensiva imediata, pela redução do campo a se percorrer.

Adiantadas as linhas, encurralada a saída do adversário e recuperada a bola, o Arsenal aciona as engrenagens do quarteto ofensivo. No sábado, Arshavin (esq) e Walcott (dir) foram os wingers, com Rosicky na ponta-de-lança central. A eles soma-se o centroavante Chamakh, ex-Bordeaux, com boa mobilidade e velocidade sem perder a presença de área. E todos eles se movimentam sem parar, desorganizando o sistema defensivo.

Arshavin e Walcott dão preferência às diagonais. Foi nesta investida aguda em direção à área que Walcott marcou três gols. A diagonal também abre espaço ao apoio alternado dos laterais, incluindo no repertório as jogadas de linha de fundo. Rosicky mantém a posse de bola sob controle com passes curtos de lado a outro, e ganha o apoio dos volantes Diaby e Wilshere tanto na passagem de surpresa pela última linha, como também na recuperação do rebote ofensivo. Todos eles próximos, agrupados.

Uma característica deste Arsenal movediço e ágil é concluir as jogadas no setor oposto ao inicial. A equipe vai trocando passes e rodando posições até que a bola encontre um jogador desmarcado na faixa contrária de campo. Se Rosicky aciona Arshavin e Clichy na esquerda, aproxima-se da dupla para triangular, Chamakh pode recuar e levar consigo a marcação, chamando a diagonal de Walcott pela direita da área. É com toda esta sincronia de movimentos, com toda esta engrenagem ofensiva, que o Arsenal troca passes e abre espaços nas linhas adversárias.

Sei que o Blackpool é um time muito modesto – não testou, por exemplo, a competência do Arsenal na transição defensiva (jogar com linhas adiantadas abre o risco do contra-ataque rápido, e precisa de velocidade para evitá-lo) . E que a recuperação de todos estes jogadores do Arsenal, após temporadas de sucessivas lesões, ainda é uma incógnita.

Mas a amostragem inicial é promissora. Arsene Wenger ainda sabe como fazer um 4-2-3-1 funcionar. E, vale lembrar, Fábregas e Van Persie entraram apenas no segundo tempo.

Comentários (6)

  • Jnior diz: 24 de agosto de 2010

    Song é reserva. Koscielny tem atuado ao lado do Vermaelen. Wenger sofre com as lesões, principalmente do Rosicky. É característica deste técnico apostar em jogadores jovens e leves. Geralmente o time do Arsenal se caracteriza pela velocidade dos seus jovens atletas.

  • Pedro Breier diz: 24 de agosto de 2010

    Que atuação do Arsenal! O ‘problema’ agora é quem tirar do time pra entrada do Fabregas e Van Persie… Em princípio eu jogaria com Diaby e Wilshare de volantes, Nasri, Fabregas e Rosicky o trio de meias e Van Persie de centroavante… Acho que dá pra ganhar até de Chelsea e Manchester!

  • Ricardo diz: 24 de agosto de 2010

    Eduardo, parabens pelo blog, muito boas as análises. Vi que comentas, rapidamente, os possíveis problemas defensivos do sistema de jogo do Arsenal, pois a marcação adiantada do meio campo abre espaços generosos na frente da defesa. Qual achas a melhor forma de neutralizar este problema? Zagueiros e volantes velozes? Avanço da linha de zagueiros?
    Um abraço
    Ricardo

    Resposta do Cecconi: Ricardo, a linha de zagueiros também se adianta, muitas vezes jogando sobre a divisória. É preciso contar com dois zagueiros velozes, e manter um lateral preso à base (apoio alternado) para fazer a cobertura – ou em diagonal às costas dos zagueiros, ou com basculação defensiva. Abraços.

  • Aquiles diz: 24 de agosto de 2010

    Na época do Gilberto Silva era 4-1-4-1. Daí derivou o 4-2-3-1 do Arsenal. Que chocolate do Manchester City em cima do Liverpool, com o Yaya Toure fazendo uma função mais adiantada do que ele fazia no Barcelona. Ceconi, quando tu puder reanalizar a Inter de Milão nós agradecemos, porque acho que o Rafa deu uma modificada no esquema do Mourinho.

    Resposta do Cecconi: Cara, eu já analisei a Inter do Benitez, faz poucos dias. Dá uma conferida. Abraços.

  • Felipe MJ diz: 24 de agosto de 2010

    Bela análise Cecconi!! Todo dia tenho visitado seu blog e nunca me decepciono!!

    Mas então…
    Seria muito pedir para apontar as diferenças do 4231 do Mano Menezes na seleção brasileira para o 4231 dessa partida dos Gunners ?

    Vou listar algumas diferenças no meu ponto de vista e me digas se estou certo:

    Arsenal: Volantes mais à frente, mais na linha central do meio campo // Chamakh contribuindo de diferentes formas na fase ofensiva: recuando para criar espaços, rompendo a linha ou sendo a presença na área (eu diria um “avançado completo”)

    Brasil de Mano: Volantes com a posição de origem na intermediária defensiva ( um jogando mais de trinco e outro subindo mais ) // Diferente de Chamakh, Pato busca mais romper a linha defensiva e não costuma recuar muito para criar espaços (um “ponta de lança fixo” eu diria, jogando creio eu à la Ronaldo)

    Outra dúvida: Nessa partida do Arsenal, Wenger utilizou 2 box-to-box ou eram apenas 2 recuperadores de bola q também apoiavam ?

    Resposta do Cecconi: bruxo, esse adiantar das linhas mais incisivo no Arsenal se dá também pelo próprio comportamento passivo do adversário. Wenger vai tomando campo assim que o adversário permite. Mano Menezes é mais ortodoxo, mas quando pode – fez isso no Corinthians – sempre joga seu time para o campo adversário. No outro aspecto, Diaby e Wilshere são ambos apoiadores de boa saída, box-to-box’s se assim quisermos conceituar. Abraços.

  • Tiago diz: 25 de agosto de 2010

    Song não é reserva, ele é titular como primeiro volante, mas jogou improvisado pela falta de zagueiros disponíveis. Wilshere também não é volante e está sendo improvisado. Diaby está jogando como primeiro volante só agora, nas temporadas anteriores ele sempre esteve mais adiantado.

    Esse time do Arsenal é muito competente ofensivamente, mas ainda tem muito o que provar na defesa. Almunia não é confiável e tem falhado nos jogos decisivos, é difícil acreditar que o time atual pode ser campeão. Eu eu sou torcedor do Arsenal.

Envie seu Comentário