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Variações do 4-5-1 podem extinguir o centroavante de área?

25 de agosto de 2010 10

Não foram os contemporâneos da época que identificaram o ocaso da Idade Média. As modificações políticas, econômicas, sociais, catalisadoras da Idade Moderna tiveram diagnóstico anos depois. Nenhum cavaleiro saltou da montaria, agrupou seus homens, e disse: “voltem para suas casas, acabou a era medieval”. Transições históricas são percebidas com o distanciamento.

Assim acontece na História, assim também acontece no acompanhamento da evolução tática. Desencadeou-se um período de transformação no futebol. Para nós, contemporâneos, não há como se precisar os fatos, as datas, os protagonistas, ou ainda definir o que está acontecendo. Presenciar esta mudança nos obriga a arriscar, apontar tendências, prever. Como pode ter feito o mesmo cavaleiro, acredito, ao observar-se no espelho, contemplando toda a parafernália bélica de metal: “acho que este escudo vai sair de moda”.

A disseminação do 4-5-1 é o preâmbulo de um novo movimento tático. As equipes e seleções de melhor desempenho – seja no desdobramento para o 4-1-4-1, para o 4-3-2-1, ou principalmente para o 4-2-3-1 – prescindem do centroavante à moda antiga. Ao menos nas variações deste sistema percebe-se que o “homem de área” precisa se integrar à movimentação dos meias ofensivos, participando das combinações, das jogadas curtas, abrindo espaços, deixando a área para que os wingers possam se infiltrar, abrindo mão da referência.

Esta observação se ampara nas principais premissas ofensivas do 4-5-1 (reitero, principalmente no desdobramento para o 4-2-3-1): linhas adiantadas e movimentação do trio ofensivo de meio-campo. Para esta sincronia de jogadas curtas ter melhor resultado, a defesa adversária precisa se desorganizar. O centroavante de área facilita a marcação. O jogador que recua por dentro, abre pelos lados, troca de posição com qualquer dos jogadores da segunda linha, que entra na rotação das posições de frente, é mais útil. Sem perder a capacidade de conclusão dentro da área.

Exemplos: Chamakh, no Arsenal (4-2-3-1); Tevez, no City (4-1-4-1); Milito, na Inter (4-2-3-1); Van Persie, na Holanda (4-2-3-1). Combinam mobilidade para rodar posições com os meias e conclusão das jogadas para seguir conceituados como centroavantes, embora não presos na área.

Há, claro, exemplos contrários. Klose é centroavante à moda antiga e funcionou bem no 4-2-3-1 da Alemanha; Luís Fabiano teve bons momentos desta forma, na Seleção Brasileira. E também vale destacar: é uma projeção para o 4-5-1. E existem outros sistemas nos quais o “centroavantão” é imprescindível: o 3-5-2/3-6-1 à brasileira, que usa a ligação direta pelo alto buscando o rebote ofensivo.

Na Inglaterra, onde os cronistas esportivos são muito atentos à teoria tática, a participação do centroavante na rotação dos meias no 4-5-1 é conceituada por alguns como o embrião do 4-6-0. Não vejo desta forma porque o jogador de frente, apesar da movimentação, mantém seu posicionamento inicial ligado à frente da linha de meias, e quando recua para abrir espaços, a equipe sempre conta com o ingresso de outro jogador adiantado, mantendo a estrutura.

Para mim – posso estar enganado – exigem-se novas características do centroavante no 4-5-1 (mobilidade, agilidade, velocidade), mas a estrutura tática se mantém.

Comentários (10)

  • Álvaro diz: 25 de agosto de 2010

    Eu destacaria o que você coloca logo no início: ““homem de área” precisa se integrar à movimentação dos meias ofensivos” e por isso o centroavante precisa de mobilidade.

    Contudo, essa mobilidade é decorrente do aproveitamento de espaços e triangulações com os meias, não da bola.

    Ressalto esse ponto, pois muitos centroavantes de velocidade no Brasil têm a tendência de “cair para os lados” e acabam batendo cabeça com os meias-extremos. Ele deve procurar a combinação com o extremo e não a posição do extremo. Mas, para isso, precisa de muita inteligência futebolística!

  • Eduardo diz: 25 de agosto de 2010

    Eu posso estar enganado, mas não foi a Grécia que já usou um esquema que foi considerado sem atacantes? Bem, não sei se foi ela ou um time, mas me lembro de uma história assim.

  • Douglas Campos diz: 25 de agosto de 2010

    Creio que sejam as novas qualidades do centro avante é que troxeram a tona essa dúvida. Mas nenhum time que ganhou os campeonatos internacionais nos ultimos tempos dispensou um jogador forte e combativo na frente. Rara as excessões como o barça e a seleção espenhola, mas no geral há sempre este “homem de área”.

  • Ângelo Garcia diz: 25 de agosto de 2010

    No Inter o Alecsandro faz também esse trabalho tático, que não aparece aos olhos de alguns torcedores, mas tenho certeza que na partida contra o Chivas sentiram muita falta dele apesar do Sóbis ser o melhor atacante do Beira-Rio.

  • Felipe MJ diz: 25 de agosto de 2010

    Concordo plenamente, para um melhor aproveitamento do 4231 e uma maior versatilidade de jogadas é necessário que o centroavante seja “completo”.

    E os exemplos que citou são ótimos, Cecconi.
    Me arrisco a citar também outros exemplos de atacantes que dariam certo nesse esquema: Rooney, Torres, Drogba, Dzeko, Amauri, Adriano, Gilardino, Forlán, Lisandro Lopes, Mario Gómez, Ibra, Eto’o, Roque Santa Cruz, Agüero, Benzema, Acquafresca, Pazzini, David Villa, Iaquinta, Fred, Cabañas…

    Tbm achas que a maioria destes pode executar essa função ?

  • Lucas diz: 25 de agosto de 2010

    Boa análise Cecconi,
    Acho que essa nova exigência que os centroavantes estão passando, semelhante ao surgimento do segundo volante, ou do “Stopper”. Atualmente, vejo a movimentação como chave do futebol.

    Entretanto, acredito que a existência ou não do centroavante referência, depende muito da característica dos “wingers”, se esses tiverem a característica de irem ao fundo e realizarem cruzamentos, aí este tipo de centroavante faz sentido.

    Concrdas?

  • Lucas Gutierrez diz: 25 de agosto de 2010

    O centroavantão nunca deixará de existir. Ele é imprescindível em qualquer grupo que quer ser campeão. Exemplo disso é o Mourinho atrás de caras como o Mário Gomes e outros do gênero.

    Esse tipo de jogador pode não ser o titular, mas é uma alternativa da qual nenhum grupo pode prescindir.

    Aliás, o atacante no 4-5-1 não precisa jogar como um meia, ele só precisa sair da área num movimento sincronizado, permitindo a entrada na área de um dos meias como elemento surpresa, nas costas do marcador que o seguiu.

    Eu gosto do 4-5-1, com um bom centroavantão, se for o Drogba melhor ainda.

  • Cauê diz: 25 de agosto de 2010

    O 451 sem centroavente exige um nível técnico muito elevado do quarteto ofensivo. Não é uma vitória tática, é uma forma de utilizar o maior número possível de craques, os fazendo ocupar espaços no meio-campo.

    A figura do “trombador” contibui para as tabelas simples, bolas altas e linha de fundo. Uma boa organização tática deve prescindir de muitos bons jogadores.

  • Vini KR diz: 26 de agosto de 2010

    acho que um dos principais motivos de existir o centroavante é exatamente para abrir espaços quando o time vem pelas laterais e pelo meio tocando a bola e ser a referência para cruzamentos.

    Nisso, o Alecsandro é craque, o gol do Giuliano contra o São Paulo na Libertadores é um exemplo, ele puxa a marcação e deixa o meia livre para finalizar.

    Perguntinha… com a saída de Taison, como o Inter deveria se organizar no 4-2-3-1? Já que o Sóbis joga centralizado?

  • Daniel diz: 27 de agosto de 2010

    Seria isto um prenúncio do fim dos tempos???…kkkkkk…

    Parabéns pelo trabalho Edu!

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