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Heat maps como ferramentas de auxílio à análise tática

31 de agosto de 2010 2

Assisti ontem a trechos do empate entre Bologna e Inter de Milão – 0 a 0 – no complemento da rodada inaugural do Campeonato Italiano 2010/2011. Uma oportunidade para compartilhar com os leitores do blog Preleção meu interesse pelas ferramentas de auxílio à análise tática. Para mim, a principal é a consulta a heat map’s (“mapas de calor”), oferecidos por alguns sites esportivos.

Pela TV, com a restrição dos planos das imagens, a análise tática é mais difícil do que a realizada presencialmente nos estádios. Por isso, não me constranjo em recorrer – quando necessário – às informações dos heat map’s – mapas de calor que registram os espaços ocupados pelos jogadores enquanto eles tiveram a bola.

Ontem, a Inter de Milão repetiu o 4-5-1 com linha ofensiva de três meias (ou 4-2-3-1) da estreia de Rafa Benítez. Sistema que havia dado lugar ao 4-4-2 com meio-campo em losango na derrota para o Atlético de Madri, pela Supercopa Europeia. Qualquer dúvida sobre a configuração – seria 4-2-3-1 ou ainda o 4-3-3 legado por José Mourinho? – é desfeita com a análise dos heat map’s dos wingers Eto’o e Pandev, conforme reprodução dos mapas disponíveis no site da ESPNvejam aqui.

Tanto Pandev pela direita, como também Eto’o na faixa esquerda, jogaram abertos, na linha intermediária ofensiva, e pouco ingressaram na área:

Na comparação com a área de atuação de Sneijder, fica evidente o alinhamento dos três meias ofensivos, no 4-2-3-1:

Mas os heat map’s nos permitem avançar nas conclusões, deixando o campo específico do posicionamento inicial e do diagrama tático, para uma análise de desempenho mais abrangente. Se o mapa registra em uma escala do amarelo ao vermelho (da menor para a maior intensidade) as regiões onde os jogadores tiveram posse de bola, o contraste entre as participações de Sneijder, Eto’o e Pandev é enorme.

Enquanto o ponta-de-lança holandês se desdobrou, movimentando-se em grande faixa central de campo, buscando os lados e voltando para receber o primeiro passe, Eto’o e Pandev praticamente não aprofundaram as jogadas, não ingressaram na área, e nem contribuíram com Sneijder na articulação ofensiva. Se uma das principais premissas do 4-2-3-1 é a aproximação dos meias da segunda linha, com rotação de posições, a Inter de Milão com Rafa Benítez facilita a marcação adversária sobrecarregando seu ponta-de-lança, abdicando da movimentação essencial, e tornando-se mais previsível ao adversário.

O heat map, ou qualquer outra ferramenta auxiliar, nunca vai substituir a análise das imagens – seja presencial, ou pela TV. Mas é um bom complemento para a ampliação da percepção do analista tático.

Comentários (2)

  • Ratofx diz: 31 de agosto de 2010

    Tem como tu citar aonde tu consegue os heat maps? Nunca consigo achar dados atualizados a respeito de jogos menos importantes.

    Resposta do Cecconi: bruxo, deixei um link para o heat map do jogo da Inter. É só refazer o caminho, não tem erro. E no blog já expliquei outras vezes, dá uma busca por “heat map” no “busca” do blog, que vai aparecer. Abraços;

  • juliano diz: 31 de agosto de 2010

    você não acha que deveria jogar o eto’o pela direita e o pandev pela esquerda? esse rafa benitez até entende de futebol, mas ele é muito nojento, ele acaba com o ambiente de todo jogador no clube…
    agora quer modificar a formação vencedora da inter…

    mesmo o mourinho por muito tempo deixou a inter jogando na formação do mancini… (4-3-1-2, só mudou definitivamente quando chegou o pandev)

    alias, sugestão pra post: como o milan vai tentar acomodar todas essas contratações novas, alguém vai sobrar no banco…

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