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As duas versões do 4-4-2 de Renato no Grêmio

02 de setembro de 2010 13

Assisti ontem à vitória do Grêmio sobre o Guarani, por 1 a 0, no Estádio Olímpico. Renato Portaluppi repetiu o sistema tático 4-4-2, com dois volantes e dois meias-ofensivos, e apresentou um princípio de modelo de jogo. Há um interessante balanço de posicionamentos, que envolve três jogadores, e oferece à equipe equilíbrio na transição ofensiva, ora utilizando-se de Fábio Santos na esquerda, ora chamando Gabriel ao jogo pela direita.

A formação inicial do Grêmio nos dois tempos da partida contra o Guarani teve o seguinte desenho no 4-4-2: Fábio Rochemback de primeiro volante, centralizado e pouco à esquerda; Adilson de segundo volante, mais à direita; Douglas centralizado na articulação ofensiva; Souza aberto pela esquerda; Jonas aberto pela direita, mais adiantado na comparação com Souza, configurando sua função de segundo atacante; e Borges no pivô central.

Esta distribuição de jogadores prioriza a saída pela esquerda, com as combinações de Souza e Fábio Santos. A contrapartida é o ingresso de Jonas na segunda trave, pela direita. Não por acaso, assim saiu o gol da vitória: Fábio Santos na linha de fundo, Jonas de cabeça na segunda trave.

Nos dois tempos, entretanto, Renato inverteu três jogadores: Souza passou para o lado direito (ao final, Leandro cumpriu esta função em seu lugar), enquanto Jonas e Adílson fizeram o movimento contrário, posicionando-se à esquerda na comparação com a formação original:

Desta forma, Gabriel entra no jogo. Fábio Santos fica mais preso à linha defensiva, enquanto Souza chama o lateral-direito ao apoio, apresentando-se às combinações. Jonas, do outro lado, segue ingressando na diagonal da faixa lateral à segunda trave, nas costas da defesa, movimentando-se nos espaços abertos pelo pivô de Borges.

É um balanço ofensivo que combina inversões sincronizadas de posicionamento entre três jogadores (Adilson, Souza e Jonas). É um modelo de jogo. Quem parte da premissa preconceituosa de que Renato “não é treinador” - seria apenas frasista, ou motivador – engana-se. Renato Portaluppi em poucos jogos desenha um modelo de jogo organizado, pensando ao mesmo  tempo na variação de jogadas ofensivas, e no sistema de coberturas durante a transição defensiva (contra-ataque adversário).

O certo, agora, é manter este sistema e esta estratégia. E aprimorá-la, com mais combinações, mais movimentos. Isto depende de repetição, insistência, e obviamente de resultados. Se os jogadores “comprarem a ideia”, aplicando-se no cumprimento das funções, o sucesso deste modelo de jogo servirá de argumento para sua adoção definitiva como a tática prioritária de Renato no Grêmio.

Pode-se, concordo, discutir se esta é a formação ideal, se alguns destes jogadores são os mais adequados para o cumprimento de determinadas funções. Isto faz parte do debate, porque envolve as predileções de cada um, seja jornalista ou torcedor. Mas seria injusto criticar Renato por falta de planejamento tático.

Comentários (13)

  • Eduardo Dorneles diz: 2 de setembro de 2010

    Estive no jogo ontem e observei outras movimentações, além destas: o Grêmio quando perde a bola no ataque demora para repor o sistema defensivo porque fica com um buraco no meio. Adilson fica muito longe de Fabio R. para cobertura. Da mesma forma, os zagueiros ficam muito atrás e longe dos laterais que sempre estão posicionados mais a frente. Não há aproximação do Borges. Há muita insistência com jogadas com Fabio S. e Souza… Bom, o resto todo que não funciona é problema técnico e não tático. Vi muitos jogadores tentarem resolver tudo sozinho e falhando. Vi o time do grêmio perder quase todas as divididas. Vi praticamente todos os jogadores falharem na tentativa de passar pelo adversário a drible. Vi erros de conclusão demasiados e mal aproveitamento da bola parada. Ou seja, vi tudo isso e não vi o GRÊMIO em campo.

  • Cristiano Sarmento diz: 2 de setembro de 2010

    Cecconi concordo integralmente com a tua analise. Entendo que o modelo que o Renato está aplicando é muito semelhante ao que o Paulo Autuori implementou o ano passado no Grêmio, e que nos jogos no Olímpico funcionava muito bem. O Douglas centraliza mais que o Tcheco, mas o desenho tático é bem parecido. Acho que o mesmo precisa de muita repetição, de um maior aprimoramento no toque de boa e da troca de alguns nomes dentro da escalação (A zaga não pode sair jogando a base de bicão que nem foi o jogo inteiro de ontem. Para esse formato tático é fundamental que a zaga saia jogando e tocando a bola, até por que os nossos meias são técnicos e não de força). Mas com o material humano que o Grêmio dispõe entendo ser a melhor disposição tática.

  • Ailson diz: 2 de setembro de 2010

    Cecconi, qual seria a função de Adilson nessa virada de lado, jogando sempre às costas de Jonas e no lado contrário de Souza? Empurrar Jonas, pegar a segunda bola? Você não acha que este movimento de lateral + meia + articulador deixa o time capenga para um lado? O ideal para adiantar na segunda bola não seria Rochembak?

  • Andre Peixoto – Sta Maria diz: 2 de setembro de 2010

    Prezado Eduardo.
    Fizeste a leitura perfeita do jogo. No que tu disseste da predileção por este ou aquele jogador, creio que a maioria dos cronistas tem razão. Com o grau de comprometimento de Souza e Douglas, é impossível os dois jogarem juntos. Acho que, se for para manter Rochemback no time, que se adiante esse jogador e coloque o Fernando ou até mesmo o fraquíssimo Ferdinando na primeira função. Então teremos um meio campo com Fernando (Ferdinando), Adilson, Rochemback e Souza (ou Douglas). Mas para meu gosto, a simples entrada do Maylson já solucionaria o problema de pegada no meio campo. Ele me lembra muito o Emerson nos seus bons tempos de Felipão. Marca com eficiência e chega muito bem a frente fazendo gols. Como o time está em formação (pasmem, estamos em setembro), a organização defensiva do meio campo DEVERIA ser o primeiro quesito a ser ajustado pelo Renato. Essa irritante insistência em ter 2 meias ofensivos e também em dizer que o Leandro substitua um deles é revoltante. Leandro é ATACANTE. Temos na base jogadores capazes de suprir todas as deficiências do time. A lateral esquerda ficaria melhor guarnecida com o Neuton, pois marca muito bem (é zagueiro) e também sabe chegar a frente. Renato devia armar um sistema para aproveitar ao máximo as subidas do Gabriel, já que é muito bom apoiador.
    Bueno, outro dia converso mais sobre táticas e escolhas!!
    Parabéns pelo teu blog. É o MELHOR do site…
    Abraçoss
    ANDRE

  • Daniel Vicente diz: 2 de setembro de 2010

    Cecconi, veja o que vc acha, pois não consigo ver o Grêmio render mais do que não seria no 4-3-3. Pelo que você evidenciou, o Douglas não serve para nada. E é aliás exatamente o q a torcida repara há muito tempo. Ele não tem um bom drible, não tem explosão combinada com velocidade, não chuta bem de longe e erra muitos passes. Então, coloca-se o Mailson no meio, mas como volante. Imediatamente o Grêmio passa a ter um meio campo compacto com 3 volantes que sabem chegar para finalizar (Magrão, Fábio Rock e Mailson para a reserva Fernando e Adílson). Libera-se assim o Sousa como centroavante, pois esse sim, em condições ideais dribla, tem velocidade, bom passe e bom chute de média distância. A defesa poderia então passar a ter nosso sonhado quarteto de zaga com Mário Fernandes na direita e Neuton na esquerda com o miolo da zaga formado por jogadores de estilo menos refinado, pois eles seriam os caras da sobra e só! O que vc acha?? Grêmio no 4-3-3 com Sousa, Jonas e Borges é meu sonho, desde que o meio campo tenha esses 3 volantes. Abraço.

  • Roberto diz: 2 de setembro de 2010

    Ok, há dois modelos-base desenhados pelo técnico, mas ainda não assimilados pelos jogadores. Quem sabe Renato insiste com o primeiro até o time se firmar, e depois passa a trabalhar as variantes? Em todo caso, é importante teu depoimento, pois me tranquilizou saber que Renato possui idéias bem concebidas. O problema é que, não sei por qual motivo, Renato tem mania de fazer experiências a toda hora. Poxa, se o Grêmio estava ganhando só de 1×0 no fim do primeiro tempo, e o time está carente de vitórias, não era o momento de inverter o posicionamento de todo o meio e do ataque para o segundo.

  • Edmar diz: 2 de setembro de 2010

    Ta loco Eduardo! vc só pode ser colorado ou estar de olho fechado assistindo o jogo, se vc nao foi capaz de ver nenhuma melhora! pois no teu comentario vc nao colocou nda de bom, é desse tipo de torcedor que o gremio nao precisa!

  • Rodrigo diz: 2 de setembro de 2010

    Concordo com as análises e com o cometário do Eduardo, porém acho que onde o time tá mais espaçado é entre os dois meias de ligação (Douglas e Souza) e os 2 volantes… é nitido que eles mal conseguem cercar o adversário e não acompanham na marcação, deixando os volantes sobrecarregados correndo pra tudo que é lado, deixando então o rocka e o adilson longe um do outro por terem que ocupar faixas muito grandes do campo. Já que os 2 meias não marcam deveriam compensar ofensivamente com qualidade “pifando” os atacantes e chegando bastante, porém não ta acontecendo nem uma coisa nem outra. De vez em quando eles fazem algum bom lance mais é raro…! Ou eles melhoram logo ou o Renato tem que repensar os dois juntos.

  • Luciano- diz: 2 de setembro de 2010

    Ainda falta muito para engrenar, mas penso que o Renato está se esforçando bastante para dar uma cara de time ao grupo.
    Houve muitos desmandos no tempo de Silas e Meira.
    E tamanha imprudência, óbvio, cobra implacavelmente seu ceitil agora.
    Mas a torcida é fiel. E como é!
    Os 30 mil GREMISTAS que ontem apoiaram o time estão de parabéns.
    Não é fácil deslocar-se para o estádio, em Porto Alegre e Região, naquele horário maldito e com um trânsito que promete para a copa de 2014.
    Também não é simples motivar-se a esse sacrifício, estando o time em tão grave posição na tabela e com um futebol tão sofrível.
    Por fim, cantar o jogo inteiro com chuva na moleira, sem esmorecer, não é para qualquer um.
    ESSA É A TORCIDA DO GRÊMIO, IMORTAL TRICOLOR!
    O nosso hino ja entoa que somos capazes de qualquer sacrifício.
    PODEMOS SAIR DESSA E VAMOS SAIR.
    PORQUE O GRÊMIO NÃO É APENAS UM TIME DE FUTEBOL, MAS UMA VERDADEIRA FILOSOFIA DE VIDA DE MILHÕES DE GAÚCHOS E BRASILEIROS.
    QUEM PUDER, QUE SE ASSOCIE.
    A HORA É DE AGLUTINAÇÃO. APOIO INCONDICIONAL.
    GRÊMIO! SEMPRE!
    Luciano-

  • Sebastiao dilelio maracci diz: 2 de setembro de 2010

    Pois é, Cecconi, tem gente que vai ao estadio e não vê o que acontece durante o jogo. O Eduardo, por exemplo, não viu o Grêmio … QUE COISA, HEIM!!! Pois eu acho que vc vê muito bem o que se passa com o Grêmio de Renato. É BEM ISSO AÍ MESMO! Acho que não se pode misturar as coisas, UMA COISA É O ESQUEMA TÁTICO(apresentado pelo treinador) E OUTRA COISA É O DESEMPENHO DOS JOGADORES, ou seja, a técnica que usam pra cumprir as determinações táticas do treinador. Mais um detalhe, gostaria de acrescentar … entendo que,no momento, com os jogadores de que dispõe, o Renato deveria treinar um 4-2-3-1. Terias uma opinião a esse respeito?

  • Danilo diz: 2 de setembro de 2010

    Cecconi,

    seria pedir muito uma análise do Palmeiras de Felipão?

    Entendo que o blog é mais voltado a times gaúchos, até mesmo porque o seu público é formado majoritariamente por gremistas e colorados.

    Mas eu não poderia deixar de fazer esse pedido. =P

    Abraço,

    Danilo – Brasília DF

  • Valair Ferreira diz: 2 de setembro de 2010

    O time ainda tá muito espaçado, com as linhas distantes. Acho que tem que adiantar mais a zaga compactar mais, e manter a posse de bola. Além da recomposição lenta. Nesse seu diagrama aí, por exemplo, deveria inverter o Adilson que tem mais velocidade que o Rochembach pra dar cobertura e recompor a linha defensiva de 4 quando o Lateral de um dos lados avança. O que melhorou foi que a transição defensiva e a saida de bola melhorou, pela qualidade de passe do Rochembach, que até marcou e desarmou bem.

    O que não tá funcionando é a marcação. Os melhores times do Grêmio sempre conseguiam, pelo menos no Olímpico, marcação sob pressão no campo do adversário quando está sem a bola. E temos 4 jogadores que não marcam. Então, ou se disciplina esse pessoal pra marcar a saida de bola e pressionar o erro do adversário, ou então pelo menos colocar mais um volante no meio que saiba jogar (o Grêmio não tem mais ninguem). Talvez um Losango com Magrão, Adilson e Rochembach e mais um meia armador que não seja preguiçoso, pode ser que o time tenha mais equiíbrio e mais força na marcação.

    O Renato, tá posicionando bem o time, fazendo esse balanço que vc falou assim como o Autuori fazia. Muito melhor que o bando bagunçado que o Silas mandava a campo. Só que tanto o Renato como o Autuori escalam mal, principalmente fora de casa, talvez por falta de opções melhores, embora eu ache que o Maylson marca mais que o Souza ou o Leandro.

    Também se viu muito disperdício de bolar paradas, creio que por falta de treinamento. O Souza tem que voltar a treinar faltas e escanteios. Não está cobrando um sequer direito. Enfim, no momento melhorando a parte tática, mas segue com problemas técnicos dos jogadores sem confiança.

    Mas é assim mesmo. Leva um certo tempo pra arrumar a bagunça. Olhe o Palmeiras, depois de várias rodadas com o Felipão e agora que vai começando a ter uma organização melhor e a filosofia de jogo de luta incessante que nos deixa saudade até hoje. O problema que o grêmio não tem esse tempo. Tá com a corda no pescoço. Contemos com a sorte. Pelo menos o Renato ontem, aos 40 do segundo tempo deu jeito de colocar mais um zagueiro na sobra pra não levar um contraataque aos 48 do segundo tempo como foi contra o Santos.
    Realmente, ele não parece tão amador como eu mesmo imaginava. Parece que está ligado na coisa e que tem boas noções táticas pra aplicar.

  • Cristiano diz: 2 de setembro de 2010

    Boa análise! Acho que o Renato, nesse esquema, aproveita uma sobra de entrosamento entre Souza e Fabio Santos que já existia desde a época do Roth ano passado. Em compensação, na direita, o Gabriel era uma ilha distante. Além da dificuldade de falta de ritmo de jogo, ele ficou muito isolado, já que o souza e os volantes pouco usavam aquele lado. Pensei na hora que o Grêmio, por orientação do Renato, estava forçando na esquerda devido a fragilidade do Guarani no setor. No segundo tempo, o Mancini mexeu no Guarani, o Renato não conseguiu resolver e fomos dominados.
    De qualquer forma, o fato de estarmos em setembro procurando um sistema de jogo é reflexo de erro de planejamento grave no início do ano. O Grêmio perdeu os dois zagueiros do ano passado e foi descuidado na hora de repôr. Fez justamente o contrário dos dois anos anteriores, quando fez o mesmo com o ataque. Resultado: grupo desequilibrado.

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