Dunga esclarece: o critério é o desempenho na Seleção
A entrevista coletiva concedida no final da manhã de hoje pelo técnico Dunga evidenciou qual a hierarquia que rege o critério utilizado por ele nas convocações para a Seleção Brasileira. Está muito clara, ao menos para mim, a linha de raciocínio do treinador do Brasil. Pode-se discordar, mas tentando fazer uma análise alheia às paixões, o critério escolhido por Dunga segue uma lógica.
Dunga prioriza nas convocações jogadores que tiveram bom desempenho pela Seleção Brasileira desde que ele assumiu o cargo de treinador. Ponto. Este é o critério principal. Na hierarquia, o segundo critério é o comportamento deste jogador dentro da Seleção - conceituado por Dunga como “perfil de Seleção”. Só depois vêm o desempenho dos jogadores pelos clubes que defendem, e o comportamento deles fora de campo. O que ele realmente leva em consideração, reitero, são as atuações destes atletas pela Seleção com Dunga no comando, e como eles se comportam nos períodos de concentração para amistosos e jogos oficiais.
Isto ficou claro nas respostas de Dunga. Ele justificou a ausência de nomes com Fred, Vágner Love e outros citados pelos jornalistas dizendo que foram jogadores que não renderam o esperado na Seleção. O treinador reiterou este raciocínio quando justificou as convocações de nomes como Doni, Júlio Baptista e Kléberson - novamente, repetiu que estes jogadores tiveram bom desempenho na Seleção, treinados por Dunga, e ainda aliaram a estas atuações o bom comportamento que se encaixa no perfil de Seleção. Recomendo aos amigos que procurem vídeos da coletiva, encontrarão estes conceitos bem evidentes nas respostas do treinador.
Com isso, as novidades se excluem. Dunga não fará testes nem apresentará quaisquer surpresas para a Copa do Mundo, porque ele lida com uma base de dados referentes aos jogadores que ele treinou e aprovou na Seleção. São os casos de Doni e Júlio Baptista, reservas na Roma; Michel Bastos e Gilberto, laterais que atuam como meias; ou Kléberson. Pouco importa para Dunga se eles vão bem ou mal em seus clubes. Ao treinador, é relevante se foram bem na Seleção. Dá para enquadrar Nilmar nesta relação - apagado no Villarreal, muito bem na Seleção; ou Robinho.
Essa entrevista me faz deixar um pouco de lado esta crítica coletiva à “gratidão” de Dunga. Ele não convoca nomes em escancarada má fase nos clubes porque são jogadores que já “serviram à pátria” noutras vezes, e se dedicaram à causa. Mas sim por acreditar que estes nomes renderam, tiveram bom desempenho, quando convocados.
É o mesmo critério que exclui Ronaldinho e Alexandre Pato, por exemplo. Para Dunga, pouco importa se eles estão voando no Milan. Mas sim, ele leva em consideração as atuações desta dupla na Seleção Brasileira que comanda. E, com Dunga, nem Ronaldinho nem Pato foram bem.
Antes de me deparar com dezenas de comentários recheados de ódio e raiva contra mim, não estou aqui fazendo a defesa de Dunga. Eu não concordo com este critério. Mas este post se presta a debatar a análise da entrevista coletiva que o treinador da Seleção Brasileira concedeu. Nas respostas, ficou claro. Há um critério. E este critério obedece, pela ordem, à avaliação que Dunga faz do desempenho dos jogadores pela Seleção, não pelos clubes; e ao comportamento destes mesmos atletas quando convocados.
A partir daí, conclui-se que a lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo está praticamente definida. Dunga vai chamar atletas com quem já trabalhou na Seleção, e sobre os quais lança boas avaliações de desempenho e de comportamento. Neste curto período até a divulgação da lista definitiva, acredito que os não-relacionados na convocação de hoje não conseguirão convencer Dunga do contrário pela simples boa fase nos clubes. O que importa, para Dunga, é o que ele viu destes jogadores na Seleção.















