Buscar a vitória sem se desorganizar. Este provavelmente foi o mantra que embalou as conversas do técnico Jorge Fossati antes da partida contra o Banfield. E ontem o Inter mostrou que isso é possível. Frente a um bloqueio defensivo, formado por duas linhas de quatro jogadores, os jogadores colorados tiveram paciência para buscar espaços até conseguir a vitória de 2 a 0, que garantiu a classificação colorada para as quartas de final da Copa Libertadores 2010.
O Banfield se utilizou do 4-4-2 britânico, com estratégia defensiva. Duas linhas de quatro jogadores, a primeira posicionada sobre a divisa da grande área, e a segunda sobre a intermediária, dez ou quinze metros acima. Marcação por zona, evitando o surgimento de "buracos" no paredão. Reparem na foto abaixo:

Qual era a proposta do Banfield? Induzir o Inter a lançar bolas altas na área. Com oito jogadores organizados em rígidos dois pelotões, os argentinos bloquearam a entrada da área, e retiraram de Andrezinho e D'Alessandro o espaço necessário para a articulação colorada. Isso desabasteceu Walter e Alecsandro, que passaram a sair da área para buscar jogo.
O problema, nos primeiros 40min de jogo, foi o Inter cair na armadilha. O Banfield queria ver a equipe de Jorge Fossati cruzando aleatoriamente da intermediária. E o Inter seguia exatamente este roteiro. Trocava passes, as portas estavam todas fechadas, então...chuveirinho. Jogada infrutífera, pois o Banfield tinha no mínimo quatro jogadores - os da primeira linha - todos altos na bola aérea. E um acréscimo.
Notem o movimento do volante Battión na foto abaixo. Assim que o Banfield conseguia induzir o Inter a preparar o chuveirinho, ele aprofundava o posicionamento entre os zagueiros. Mais um grandalhão no combate à bola aérea colorada. Alecsandro e Walter contra uma linha de cinco jogadores:

Dentro deste contexto, qual foi o mérito do Inter? Ter a tranquilidade sugerida no mantra-tático para encaixar a infiltração pelo chão na primeira desatenção do bloqueio do Banfield. Depois de 40min fazendo o que o Banfield queria, D'Alessandro se aproximou de Andrezinho, fez um passe diagonal rasteiro, Andrezinho infiltrou-se por entre as duas linhas argentinas, e serviu a Alecsandro: Inter 1 a 0.
Bola no chão. Infiltração diagonal. Esta é a chave para furar um bloqueio em duas linhas de quatro jogadores. Principalmente quando a estratégia aplicada a este 4-4-2 britânico é o posicionamento recuado, e a compactação dos pelotões. Na marcação por zona, esta infiltração pode indefinir quem é o marcador. O famoso "deixa que eu deixo". Funcionou no primeiro gol.
A classificação veio em outra jogada correta, de Fabiano Eller. Novamente com a participação de D'Alessandro. Ao invés de recorrer ao chuveirinho lotérico da intermediária, consagrando os grandalhões do Banfield, Fabiano Eller levou a bola até o limite da linha de fundo. E fez um cruzamento curto, na primeira trave. Esta bola rápida permitiu a Walter, apesar da pouca estatura, antecipar-se aos zagueiros para cabecear. Walter havia feito o mesmo no primeiro tempo, em outro cruzamento correto de D'Alessandro - o melhor em campo de ontem - mas errara o alvo.
O Inter de Fossati, no 4-4-2 com meio-campo praticamente em quadrado, demonstrou maturidade contra o Banfield. Não maturidade no sentido de experiência. Mas de compreensão da melhor estratégia. Não perdeu a calma, não se desesperou, e não se desorganizou. Manteve a posse, não correu riscos, e buscou no balanço ofensivo uma variação de jogadas - primeiro errando no chuveirinho, depois acertando na infiltração e no cruzamento curto - a melhor maneira de vencer. E venceu com méritos.
Para minha alegria, o mestre Vitor Sergio, comentarista do canal Esporte Interativo, fez referência ao blog Preleção em sua análise da vitória do Inter. Confiram clicando aqui.



