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Cronologia tática de Inter x Chivas

19 de agosto de 2010 13

Das cabines do Estádio Beira-Rio pude assistir ontem à decisão da Copa Libertadores 2010. A posição privilegiada do local de cobertura do clicEsportes me permite compartilhar no blog Preleção imagens esclarecedoras sobre o planejamento tático de Inter e Chivas. Confiram:

Celso Roth manteve no Inter o 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Os meias-extremos com “pés invertidos” também persistiram – o canhoto D’Alessandro na direita, o destro Taison na esquerda – com Sandro e Guiñazu guarnecendo a linha defensiva de quatro jogadores, e Rafael Sobis na referência:

O Chivas, por outro lado, surpreendeu. Armou um 3-4-3 com marcação individual sobre D’Alessandro. Reynoso foi o zagueiro pela direita, De Luna ficou centralizado, e Araujo abriu pela esquerda como zagueiro de perseguição ao camisa 10 colorado. Na linha de meio-campo, ficaram Magallón (dir) e Ponce (esq) nas alas, e a dupla Fabian e Báez por dentro. Na frente, Bautista centralizado, Arellano como ponta direita, e Bravo na ponta esquerda. (Detalhe: a foto abaixo registra uma inversão entre Bautista e Bravo, mas foi circunstancial. O posicionamento original é este descrito acima, no texto):

O Inter não soube reagir, no primeiro tempo, a este 3-4-3. Ao invés de levar o jogo para a esquerda, com Taison e Kleber, os jogadores aproximaram-se para auxiliar D’Alessandro no jogo curto, tentando furar o bloqueio de Araujo. E assim migraram para o lado direito Sandro, Nei, Tinga e Rafael Sobis. A esquerda foi abandonada. Com marcação adiantada e muita disposição, o Chivas se beneficiou da viciação colorada pela direita e controlou o primeiro tempo com posse de bola e combatividade.

No intervalo, Celso Roth fez a correção necessária. Inverteu os meias-extremos de lado. Taison foi para a direita, e D’Alessandro para a esquerda. E mais: o argentino “espetou” seu posicionamento à frente, levando consigo Araujo, que migrou junto. De Luna virou zagueiro pela esquerda, Reynoso fez a sobra, e Araujo virou o zagueiro da direita.

Esta inversão, com posicionamento mais adiantado de D’Alessandro, abriu um corredor no lado direito de defesa do Chivas. D’Alessandro atraiu Araujo para o centro, dando espaço a Kleber. E o Inter deixou de jogar apenas por um setor, equilibrando a transição ofensiva pelos dois lados. O lateral-esquerdo “entrou no jogo” e passou a se destacar neste espaço – onde criou boas jogadas, incluindo a do primeiro gol, de Rafael Sobis.

Somando as duas partidas, Roth foi melhor em ambas. Planejou corretamente o controle da posse de bola no México, e ontem entendeu a proposta do Chivas, conseguindo reverter o sucesso mexicano do primeiro tempo com medidas que desorganizaram o sistema defensivo adversário.

P.S: Para a cobertura especial do clicEsportes, permaneci hospedado no hotel usado como concentração pelo Inter de segunda até ontem. O resultado desse trabalho em três turnos saiu nos blogs Direto dos QGs e Pré-Jogo, onde também rolou o Minuto a Minuto da final. Essa cobertura também teve espaço na Zero Hora. Digo tudo isso para justificar minha ausência do blog nos últimos dois dias. Eu queria muito, mas não deu para ver futebol ou fazer análises para o Preleção. Hoje a rotina volta. Obrigado a todos que não abandonaram o blog.

Repetir inversão dos meias é boa arma para o Inter

10 de agosto de 2010 10

Nem Inter, nem Chivas, divulgam suas escalações com antecedência. Mas, apesar da possibilidade de alguma mudança nas escolhas de jogadores, as estruturas táticas devem se manter. O Inter no 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1), e o Chivas no 4-4-2 em duas linhas com wingers adiantadossaibam aqui como os mexicanos enfrentaram La U nas semifinais.

Neste enfrentamento, talvez a inversão dos meias-extremos colorados seja uma boa alternativa. Celso Roth tomou esta atitude no segundo tempo da partida contra o São Paulo – leiam aqui, e teve êxito na eliminação da sobra de Rodrigo Souto, lançando Taison aberto pela direita sobre o lateral-apoiador Júnior César. Originalmente, Roth prefere meias de pés invertidos: canhoto D’Alessandro pela direita, destro Taison na esquerda, ambos cortando para o meio e aproximando-se do articulador central (provavelmente Giuliano em substituição ao suspenso Tinga).

No Chivas, Ponce é o lateral-apoiador, pela esquerda. Esparza permanece mais preso à base defensiva, alinhado aos zagueiros Reynoso e Magallón. Inverter Taison e D’Alessandro é dar oportunidade ao camisa 7 colorado para explorar a linha de fundo, em velocidade, às costas de Ponce. Do outro lado, D’Alessandro seguiria procurando o meio, arrastando consigo a marcação de Esparza.

No 4-4-2, o meia-central que se apresenta para o apoio é Báez. E seu posicionamento inicial pende à esquerda. Ou seja, é o volante responsável pela cobertura de Ponce. Ambos apoiadores, dando boa perspectiva para os avanços em velocidade de Taison na transição ofensiva do Inter (o famoso contra-ataque).

Esta movimentação combinada pela esquerda do Chivas, com Ponce e Báez, compensa a ofensividade de seu lado direito. Equilibra as ações pelos dois setores, portanto. Isso porque, se Esparza não apoia muito, os mexicanos atacam forte pela direita com o meia-extremo Arellano, e com o atacante Omar Bravo. Kleber, Índio e Guiñazu precisarão estar atentos às combinações desta dupla de velocistas no setor (como indica a área em destaque no diagrama tático que ilustra o post).

Arellano pode ao mesmo tempo buscar a linha de fundo, ou então ingressar em diagonal. Já Omar Bravo costuma fazer sempre o mesmo movimento: ele sai do centro e investe no lado direito, ou fazendo dobradinha para a tabela curta com Arellano, ou abrindo espaço à diagonal agressiva do companheiro.

Bautista, centroavante de flagrantes limitações técnicas, completa a sincronia de movimentos ofensivos com um pivô curto surpreendentemente qualificado. Ele retorna para buscar jogo, sem deixar de ser centroavante, e também para marcar a saída de bola com o primeiro volante. Deve travar duelo com Sandro nesta faixa, lutando para jogar entre as costas do camisa 8 colorado e Bolívar.

Quando Bautista recua, e Bravo abre o posicionamento, Arellano encontra as condições perfeitas para a diagonal. Quando Bautista retorna à área, tanto Bravo quanto Arellano (ou Ponce e Medina na esquerda) tentam o cruzamento para a área. Báez adianta-se para o rebote ofensivo. Tanto ele quanto Ponce arriscam muitos chutes de fora da área nesta recuperação da segunda bola.

Para encerrar as sempre arriscadas projeções táticas pré-jogo, o Inter pode também se beneficiar do posicionamento excessivamente adiantado e lateral dos wingers do Chivas para obter supremacia numérica no centro do campo. Sandro (embora preocupado com o pivô de Bautista), Guiñazu e Giuliano (ou Andrezinho, ou Matias) somariam três contra Báez e Mejía, o volante marcador. D’Alessandro procurando a aproximação com o meio, ou até mesmo invertendo posicionamento com Giuliano, aumentaria a supremacia numérica do Inter à frente da área. Também uma bela perspectiva boa para o controle da posse de bola, para as trocas de passes curtos, e para o domínio da velocidade da partida, acelerando a transição ou retirando objetividade conforme a prioridade do momento.

Chivas vs. La U: análise tática

28 de julho de 2010 10

Assisti ontem à noite ao jogo de abertura das semifinais da Copa Libertadores 2010, o empate em 1 a 1 entre Chivas Guadalajara e Universidad de Chile, no México. Logicamente, o blog Preleção não poderia perder a oportunidade de acompanhar o adversário de Inter ou São Paulo na decisão do principal campeonato das Américas. Vamos então à análise tática das duas equipes.

Chivas Guadalajara

Os mexicanos atuam no clássico 4-4-2 em duas linhas de quatro jogadores. Sem a bola, os meias-extremos alinham-se aos centrais, e o centroavante recua de forma centralizada. Recuperada a posse, a transição ofensiva se dá com estes wingers – Arellano na direita, Medina na esquerda – espetados no alto do campo. O centroavante Bautista, apesar de claras e manifestas limitações técnicas, participa na distribuição em pivô, girando sobre a marcação e partindo para a área na tentativa de receber a devolução.

A vocação desta transição ofensiva é pela direita. Arellano, camisa 9 velocista, centraliza as atenções dos companheiros, recebendo a bola com frequência. Bravo, o atacante mais adiantado, abre pelo setor para tabelar com Arellano, trazendo a marcação e permitindo a Bautista ingressar na área.

A compensação se dá no outro setor com o lateral-esquerdo Ponce, que apoia em auxílio a Medina. Ponce não chega à linha de fundo, mas aproxima-se do meia-extremo canhoto e arrisca muitos chutes de longe. Também pela esquerda, o meia central Báez é o apoiador, enquanto Mejía permanece mais restrito à proteção da linha defensiva.

Os zagueiros não são confiáveis, principalmente Reynoso, que entregou o gol da Universidad de Chile. Ele gosta de dar arrancadas à moda Lúcio, mas sem a mesma eficiência, obrigando Mejía a recuar na cobertura, o que abre espaços no meio-campo.

Universidad de Chile

Os chilenos jogam no 4-5-1 em duas linhas com um ponta-de-lança à frente (ou 4-4-1-1). Este sistema, e a própria formação básica, permanecem desde o início da temporada passada, quando La U estagiou em campanhas nas copas Libertadores e Sul-Americana. O grupo agora tem experiência em competições continentais, e está muito entrosado.

A estratégia é defensiva, mas sem abdicar do contra-ataque. As duas linhas compactam-se com laterais de pouco apoio, e meias centrais muito marcadores – Seymour e Iturra. O uruguaio Victorino comanda com maestria a linha defensiva, dando sequência à grande fase que o levou até a Copa do Mundo 2010.

Com a bola, La U procura o camisa 10 Montillo. O ponta-de-lança argentino atua de acordo com a característica do futebol em seu país natal: movimenta-se de lado a outro, apresentando-se ao jogo curto, às tabelas, procurando manter a posse de bola em triangulações com os companheiros até encontrar espaços para acionar o centroavante Olivera.

Olivera é alto, e além da bola aérea – nos cruzamentos e bolas paradas – participa do jogo recuando para reunir-se às tabelas curtas coordenadas por Montillo. A equipe também busca, quando Montillo não encontra espaços, a bola longa para o centroavante.

Pelos lados, os meias-extremos participam de duas formas: na direita Contrera faz a linha de fundo, enquanto na esquerda Puch prefere a diagonal para o centro, abrindo espaço aos raros apoios do lateral Rojas. A equipe ainda se ressente da saída de Álvaro Fernandez, uruguaio que não renovou contrato e foi para o futebol norte-americano.

Vale destacar ainda, para fechar: La U conta hoje com o melhor goleiro em atividade nas Américas. Miguel Pinto é um monstro. Joga demais.