Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Inter"

Inter no 4-4-2, sem recorrer ao banco de reservas

06 de setembro de 2010 6

No segundo tempo da partida final da Copa Libertadores 2010, no Estádio Beira-Rio, a virada do Inter sobre o Chivas Guadalajara passou pela mudança no sistema tático. Celso Roth não se limitou à simples inversão dos meias-extremos - passando Taison para a direita, e D'Alessandro para a esquerda. O treinador colorado também adiantou o argentino camisa 10, transformando D'Alessandro em um segundo atacante, ao lado de Rafael Sobis - lembrem aqui.

E ontem, na vitória sobre o Grêmio Prudente, Celso Roth repetiu a variação tática para o 4-4-2. Consolidando este sistema como a mais forte alternativa ao preferencial 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). A única mudança, na comparação com o jogo que valeu o bicampeonato da América, está nos nomes envolvidos.

Roth tentou a simples inversão dos extremos para furar o bloquei do Prudente. Giuliano passou para a esquerda, e Rafael Sobis para a direita. Mas esta mudança no posicionamento dos wingers não deu resultado. A equipe seguiu submissa à marcação adversária.

No segundo tempo, Roth manteve Giuliano na direita, e "espetou" Rafael Sobis à frente. Tinga saiu do meio mais para a esquerda. E configurou-se o 4-4-2. Modelo que pode até mesmo assumir o desenho do 4-4-2 britânico, caso Roth veja a necessidade de abrir seus meias e alinhá-los aos volantes. Ou então apenas reposiciona ambos, aproximando-os mais em um formato mais brasileiro, como me pareceu ontem.

Tudo isso sem recorrer ao banco de reservas. Mais uma vantagem da estratégia aplicada ao 4-2-3-1: adaptar atacantes à função extrema da segunda linha de meio-campo permite a variação tática sem queimar substituições.

Atribuir funções ao craque dá resultado

30 de agosto de 2010 14

Duas entrevistas recentes oferecem ao blog Preleção bom material para debate sobre teoria tática aplicada à prática. Ignorem, portanto, os nomes envolvidos, porque o post de hoje não se trata de uma comparação. Confrontar jogadores em momentos tão distintos soaria até injusto. Estão em questão os conceitos envolvidos.

Assim que chegou ao Grêmio, Renato Portaluppi falou que Douglas e Souza não precisam marcar - lembrem aqui. A ideia do treinador gremista é desonerar os meias-articuladores da equipe, concedendo liberdade para que mantenham o posicionamento, sem desgaste, servindo de referência aos demais companheiros na transição ofensiva. A premissa é clara: craques precisam de liberdade para criar.

Mesmo com este privilégio, nenhum deles subiu de rendimento. Douglas e Souza seguem contribuindo pouco quando a equipe tem a posse de bola. E, na transição defensiva, abstêm-se do combate, sobrecarregando os volantes e vulnerabilizando a linha defensiva.

Celso Roth, no Inter, alterou o posicionamento de D'Alessandro. O meia argentino deixou de ser um enganche (articulador central) e desempenha agora a tática individual do meia-extremo (ou externo, como ele mesmo denomina) - leiam nesta entrevista. O treinador colorado retirou D'Alessandro da faixa central, onde ele era refém dos volantes, e levou-o a uma faixa mais incisiva do campo - o lado direito, onde pode trazer a bola para a preferencial canhota, e dali concluir ou armar jogadas. A contrapartida é a obrigação de acompanhar o lateral adversário, uma função muito mais complexa do que bloquear volantes centralizados.

D'Alessandro tem mais atribuições: ocupa uma faixa de campo mais extensa; com a bola precisa se movimentar com maior intensidade; e sem a bola precisa marcar um jogador de maior mobilidade. Vai da linha de fundo adversária à própria área, enquanto antes mantinha-se restrito a uma pequena região centralizada.

Resultado: D'Alessandro melhorou. E levou o Inter consigo. A mudança de posicionamento elaborada por Celso Roth elevou ao mesmo tempo os rendimentos do meia argentino e da equipe. D'Alessandro foi decisivo nos jogos pós-Mundial na conquista da Copa Libertadores 2010, e recebe a justa recompensa da convocação à seleção argentina.

A conclusão - julgando possível aplicar estes dois exemplos ao contexto da teoria tática - é lógica: exigir o cumprimento de funções complexas faz bem para os craques. D'Alessandro admite que não gosta de marcar, e que é muito mais difícil ser winger do que enganche. Mas o próprio desafio de se mostrar capaz do cumprimento da nova tática individual o leva a se estacar. Ele foi retirado da confortável missão de apenas jogar com bola no pé, e cercar volantes que pouco se movimentam - região e função defendidas por Renato Portaluppi nos casos de Souza e Douglas.

Jogadores de exceção não deixam de ser jogadores. Contar com eles também não significa ignorar a essência coletiva do futebol. Craques são capazes de desempenhar funções complexas, com a bola ou sem ela. São capazes, e devem cumprir. O conceito liberal "a concorrência leva à excelência", no futebol, pode ser adaptado facilmente para "a exigência leva à excelência". Não há mais espaço para exclusivos solistas. Cada um precisa carregar o próprio piano para tocá-lo.

Com Rafael Sobis, Inter no 4-2-3-1

28 de agosto de 2010 9

O técnico Celso Roth cogitou, a partir da saída de Taison, abdicar do 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1) com o qual conquistou a Copa Libertadores 2010. Segundo o treinador colorado, após a vitória sobre o Avaí, não há no grupo do Inter um atacante destro com as características do agora jogador do ucraniano Metalista - velocidade, principalmente.

Mas no treino de ontem, que acompanhei no gramado suplementar do Estádio Beira-Rio, Roth manteve o 4-2-3-1. Para sorte do Inter. A foto abaixo ilustra o posicionamento alinhado dos meias ofensivos, com Rafael Sobis aberto pela esquerda:

Não haveria motivo, acredito, para se abrir mão de um modelo vencedor pela pura ausência de Taison. Mesmo sem contar com característica idêntica no elenco, é mais fácil para Roth adaptar outro jogador à função, do que reestruturar o sistema da equipe em um período de jogos às quartas/quintas e sábados/domingos. Sem tempo para treinar, portanto. Faz parte do trabalho do técnico levar em consideração estes aspectos no planejamento tático, vinculando qualquer mudança à possibilidade de lidar com a periodização dos treinos.

Rafael Sobis, assim como Taison, é um atacante. Não velocista, mas tão definidor quanto. Caracterizou-se em 2006 pelos gols de fora da área. Como winger pela esquerda, pode repetir esta fórmula, cortando para o meio e concluindo. Movimento que coloca Kleber no jogo, levando a marcação, abrindo o corredor para o apoio do lateral-esquerdo.

Roth acerta ao manter o 4-2-3-1. E se Rafael Sobis não se adaptar, ainda acredito que é possível testar outros jogadores na mesma função (Marquinhos, Giuliano, Oscar, Edu...), recorrendo à mudança tática em última instância.

Cronologia tática de Inter x Chivas

19 de agosto de 2010 13

Das cabines do Estádio Beira-Rio pude assistir ontem à decisão da Copa Libertadores 2010. A posição privilegiada do local de cobertura do clicEsportes me permite compartilhar no blog Preleção imagens esclarecedoras sobre o planejamento tático de Inter e Chivas. Confiram:

Celso Roth manteve no Inter o 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Os meias-extremos com "pés invertidos" também persistiram - o canhoto D'Alessandro na direita, o destro Taison na esquerda - com Sandro e Guiñazu guarnecendo a linha defensiva de quatro jogadores, e Rafael Sobis na referência:

O Chivas, por outro lado, surpreendeu. Armou um 3-4-3 com marcação individual sobre D'Alessandro. Reynoso foi o zagueiro pela direita, De Luna ficou centralizado, e Araujo abriu pela esquerda como zagueiro de perseguição ao camisa 10 colorado. Na linha de meio-campo, ficaram Magallón (dir) e Ponce (esq) nas alas, e a dupla Fabian e Báez por dentro. Na frente, Bautista centralizado, Arellano como ponta direita, e Bravo na ponta esquerda. (Detalhe: a foto abaixo registra uma inversão entre Bautista e Bravo, mas foi circunstancial. O posicionamento original é este descrito acima, no texto):

O Inter não soube reagir, no primeiro tempo, a este 3-4-3. Ao invés de levar o jogo para a esquerda, com Taison e Kleber, os jogadores aproximaram-se para auxiliar D'Alessandro no jogo curto, tentando furar o bloqueio de Araujo. E assim migraram para o lado direito Sandro, Nei, Tinga e Rafael Sobis. A esquerda foi abandonada. Com marcação adiantada e muita disposição, o Chivas se beneficiou da viciação colorada pela direita e controlou o primeiro tempo com posse de bola e combatividade.

No intervalo, Celso Roth fez a correção necessária. Inverteu os meias-extremos de lado. Taison foi para a direita, e D'Alessandro para a esquerda. E mais: o argentino "espetou" seu posicionamento à frente, levando consigo Araujo, que migrou junto. De Luna virou zagueiro pela esquerda, Reynoso fez a sobra, e Araujo virou o zagueiro da direita.

Esta inversão, com posicionamento mais adiantado de D'Alessandro, abriu um corredor no lado direito de defesa do Chivas. D'Alessandro atraiu Araujo para o centro, dando espaço a Kleber. E o Inter deixou de jogar apenas por um setor, equilibrando a transição ofensiva pelos dois lados. O lateral-esquerdo "entrou no jogo" e passou a se destacar neste espaço - onde criou boas jogadas, incluindo a do primeiro gol, de Rafael Sobis.

Somando as duas partidas, Roth foi melhor em ambas. Planejou corretamente o controle da posse de bola no México, e ontem entendeu a proposta do Chivas, conseguindo reverter o sucesso mexicano do primeiro tempo com medidas que desorganizaram o sistema defensivo adversário.

P.S: Para a cobertura especial do clicEsportes, permaneci hospedado no hotel usado como concentração pelo Inter de segunda até ontem. O resultado desse trabalho em três turnos saiu nos blogs Direto dos QGs e Pré-Jogo, onde também rolou o Minuto a Minuto da final. Essa cobertura também teve espaço na Zero Hora. Digo tudo isso para justificar minha ausência do blog nos últimos dois dias. Eu queria muito, mas não deu para ver futebol ou fazer análises para o Preleção. Hoje a rotina volta. Obrigado a todos que não abandonaram o blog.

Roth faz a importação correta do 4-2-3-1 europeu

12 de agosto de 2010 10

Como é bonito quando um técnico elabora o planejamento tático a partir das características do elenco. É o que faz Celso Roth no Inter, com o 4-5-1 (ou 4-2-3-1) que oferece aos jogadores as melhores alternativas para aplicar suas virtudes. É um dos raros exemplos de correta importação deste sistema europeu no futebol brasileiro, assim como faz Mano Menezes, agora na Seleção Brasileira - leiam aqui.

O sucesso do 4-2-3-1 depende prioritariamente da movimentação e da aproximação dos meias da segunda linha. Os posicionamentos iniciais devem ser respeitados, principalmente sem a bola, definindo as zonas de marcação. Mas, recuperada a posse, estes meias ofensivos não podem se comportar como jogadores de pino-gol - restritos, como estacas de madeira, às suas zonas de atuação pré-concebidas.

Com cinco jogadores no meio-campo, e a passagem alternada dos laterais, o 4-2-3-1 é um sistema talhado à valorização da posse de bola. O repertório de jogadas é muito grande, facilitando as triangulações em "pequenas sociedades" (lateral, volante, meia-extremo; ou lateral, meia-extremo, centroavante; ou lateral, meia-extremo, meia central; ou os dois meias-extremos e o meia central; ou muitas e muitas outras combinações).

Mas não pode haver "acomodação tática", se é que este termo existe. Este problema é facilmente identificável em outros exemplos de 4-2-3-1 importados por treinadores brasileiros. Se os meias-ofensivos da segunda linha não se movimentam, não se aproximam, a distância imposta por seus posicionamentos impede a equipe de movimentar a bola, abdicando do controle da posse em nome de uma organização demasiadamente ortodoxa e cautelosa. Esta aproximação coletiva é necessária para oferecer ao jogador que tem a bola opções de passe em qualquer direção.

No Inter, a linha ofensiva tem Taison à esquerda, D'Alessandro à direita, e Tinga (ou Giuliano, como ontem na vitória de 2 a 1 sobre o Chivas) por dentro. Quando o Inter tem a bola, entretanto, não se configura um cenário de pino-gol. Se Taison avança pela esquerda, Giuliano se aproxima, e traz consigo D'Alessandro. Ambos centralizam, oferecendo a Taison opções para o passe curto. Caso seja D'Alessandro o detentor da bola, com a passagem de Nei na direita, Giuliano e Taison aproximam-se da mesma forma. A compensação defensiva se dá com o recuo do lateral do lado oposto, e com a cobertura dos dois volantes, que também podem se adiantar para a segunda bola.

Em dois dias - terça e quarta - pudemos assistir a dois belos exemplos da estratégia correta aplicada ao 4-2-3-1 por treinadores brasileiros: Mano Menezes na Seleção Brasileira, e Celso Roth no Inter.

Repetir inversão dos meias é boa arma para o Inter

10 de agosto de 2010 10

Nem Inter, nem Chivas, divulgam suas escalações com antecedência. Mas, apesar da possibilidade de alguma mudança nas escolhas de jogadores, as estruturas táticas devem se manter. O Inter no 4-5-1 com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1), e o Chivas no 4-4-2 em duas linhas com wingers adiantados - saibam aqui como os mexicanos enfrentaram La U nas semifinais.

Neste enfrentamento, talvez a inversão dos meias-extremos colorados seja uma boa alternativa. Celso Roth tomou esta atitude no segundo tempo da partida contra o São Paulo - leiam aqui, e teve êxito na eliminação da sobra de Rodrigo Souto, lançando Taison aberto pela direita sobre o lateral-apoiador Júnior César. Originalmente, Roth prefere meias de pés invertidos: canhoto D'Alessandro pela direita, destro Taison na esquerda, ambos cortando para o meio e aproximando-se do articulador central (provavelmente Giuliano em substituição ao suspenso Tinga).

No Chivas, Ponce é o lateral-apoiador, pela esquerda. Esparza permanece mais preso à base defensiva, alinhado aos zagueiros Reynoso e Magallón. Inverter Taison e D'Alessandro é dar oportunidade ao camisa 7 colorado para explorar a linha de fundo, em velocidade, às costas de Ponce. Do outro lado, D'Alessandro seguiria procurando o meio, arrastando consigo a marcação de Esparza.

No 4-4-2, o meia-central que se apresenta para o apoio é Báez. E seu posicionamento inicial pende à esquerda. Ou seja, é o volante responsável pela cobertura de Ponce. Ambos apoiadores, dando boa perspectiva para os avanços em velocidade de Taison na transição ofensiva do Inter (o famoso contra-ataque).

Esta movimentação combinada pela esquerda do Chivas, com Ponce e Báez, compensa a ofensividade de seu lado direito. Equilibra as ações pelos dois setores, portanto. Isso porque, se Esparza não apoia muito, os mexicanos atacam forte pela direita com o meia-extremo Arellano, e com o atacante Omar Bravo. Kleber, Índio e Guiñazu precisarão estar atentos às combinações desta dupla de velocistas no setor (como indica a área em destaque no diagrama tático que ilustra o post).

Arellano pode ao mesmo tempo buscar a linha de fundo, ou então ingressar em diagonal. Já Omar Bravo costuma fazer sempre o mesmo movimento: ele sai do centro e investe no lado direito, ou fazendo dobradinha para a tabela curta com Arellano, ou abrindo espaço à diagonal agressiva do companheiro.

Bautista, centroavante de flagrantes limitações técnicas, completa a sincronia de movimentos ofensivos com um pivô curto surpreendentemente qualificado. Ele retorna para buscar jogo, sem deixar de ser centroavante, e também para marcar a saída de bola com o primeiro volante. Deve travar duelo com Sandro nesta faixa, lutando para jogar entre as costas do camisa 8 colorado e Bolívar.

Quando Bautista recua, e Bravo abre o posicionamento, Arellano encontra as condições perfeitas para a diagonal. Quando Bautista retorna à área, tanto Bravo quanto Arellano (ou Ponce e Medina na esquerda) tentam o cruzamento para a área. Báez adianta-se para o rebote ofensivo. Tanto ele quanto Ponce arriscam muitos chutes de fora da área nesta recuperação da segunda bola.

Para encerrar as sempre arriscadas projeções táticas pré-jogo, o Inter pode também se beneficiar do posicionamento excessivamente adiantado e lateral dos wingers do Chivas para obter supremacia numérica no centro do campo. Sandro (embora preocupado com o pivô de Bautista), Guiñazu e Giuliano (ou Andrezinho, ou Matias) somariam três contra Báez e Mejía, o volante marcador. D'Alessandro procurando a aproximação com o meio, ou até mesmo invertendo posicionamento com Giuliano, aumentaria a supremacia numérica do Inter à frente da área. Também uma bela perspectiva boa para o controle da posse de bola, para as trocas de passes curtos, e para o domínio da velocidade da partida, acelerando a transição ou retirando objetividade conforme a prioridade do momento.

Inversão dos meias foi decisiva para classificação do Inter

07 de agosto de 2010 3

A correria da cobertura da partida, direto do Estádio Morumbi - confiram aqui como foi - impediu-me de ainda ontem postar no blog Preleção a análise da classificação colorada à final da Copa Libertadores 2010, e ao Mundial de Clubes da Fifa, com a derrota de 2 a 1 para o São Paulo. Ainda em tempo, hoje trago ao debate uma iniciativa do técnico Celso Roth, que consertou um problema de marcação no meio-campo, e proporcionou inclusive a jogada do gol de empate, com Alecsandro.

Como se previa, houve o confronto do 4-5-1 do Inter (ou 4-2-3-1) com o 4-4-2 com meio-campo em losango do São Paulo. Havia projetado (relembrem aqui) que, neste enfrentamento tático, o São Paulo poderia levar vantagem numérica na faixa central do campo em função do posicionamento aberto dos meias D'Alessandro e Taison, que atuam como wingers. Na prática, o São Paulo teve quatro jogadores no meio-campo, contra três do Inter.

Na entrevista coletiva pós-jogo, o técnico Celso Roth admitiu o problema. No primeiro tempo, o São Paulo encontrou no volante Rodrigo Souto a recuperação de boa parte dos rebotes ofensivos. Sandro vigiou Fernandão, Guiñazu cuidou de Hernanes, e Tinga se deslocou para a direita em perseguição a Cléber Santana. Com D'Alessandro e Taison marcando os laterais são-paulinos, faltou alguém para cuidar de Rodrigo Souto. Nenhum dos jogadores sem alvo fixo - Kleber, Bolívar e Alecsandro - podiam deixar seus posicionamentos para equilibrar a disputa no setor.

Do Morumbi, via Twitter (@eduardocecconi - sigam aqui), eu falei sobre este problema:

"No encaixe do 4-2-3-1 com o 4-4-2 em losango, Inter fica em três contra quatro por dentro. Rodrigo Souto sempre livre". (10:18 PM Aug 5th  via TweetDeck).

A participação de Rodrigo Souto era importante para o São Paulo. A principal estratégia do time de Ricardo Gomes consistia no lançamento longo, pelo alto, procurando Ricardo Oliveira - com bola rolando ou em faltas laterais e escanteios; o time avançava as linhas, empurrando os marcadores do Inter para trás, e abrindo espaço para Rodrigo Souto recuperar a bola quando a zaga afastava, redistribuindo a jogada no campo colorado.

Roth encontrou a solução no intervalo. Ao invés de centralizar algum dos meias-extremos, ele resolveu marcar Rodrigo Souto com a bola, invertendo Taison e D'Alessandro. Com Taison, velocista mais incisivo, jogando sobre Júnior César - o lateral-apoiador do São Paulo - Rodrigo Souto precisou abdicar do rebote ofensivo para cobrir o companheiro. Desta forma, foi desfeita a supremacia numérica são-paulina na faixa central.

Em jogada individual, Taison cavou falta de Júnior César, e na cobrança D'Alessandro encontrou o calcanhar de Alecsandro, no lance que levou o Inter a Abu Dhabi. Após a partida, Roth cobrou dos repórteres que ninguém havia falado sobre isso na coletiva. Mas já estava no Twitter:

"Inter volta com os meias-extremos invertidos. D'Alessandro está na canhota, Taison na direita". (quinta-feira, 5 de agosto de 2010 23:04:45  via TweetDeck).

O São Paulo vai de losango contra o Inter?

04 de agosto de 2010 5

Vou repetir um mantra do blog Preleção: é muito difícil se fazer uma análise tática de algo que não é certo. Melhor é analisar o que aconteceu, do que se projetar algo que pode não acontecer. Mas a circunstância exige, amanhã tem semifinal de Copa Libertadores 2010, o Inter enfrenta o São Paulo, e a escalação do time paulista é um segredo de Estado para Ricardo Gomes. Portanto, vou me basear nas informações transmitidas pela imprensa paulista.

As maiores apostas recaem sobre um 4-4-2 com meio-campo em losango para o São Paulo amanhã. Seriam duas as substituições de jogadores, na comparação com a equipe que perdeu para o Inter por 1 a 0 na última quarta-feira: saem Richarlyson e Marlos, entrando respectivamente Ricardo Oliveira e Cléber Santana.

Essas trocas provocariam a alteração no sistema tático, que em Porto Alegre foi o 4-5-1 (com variações entre 4-3-2-1 e 4-1-4-1). Richarlyson e Rodrigo Souto se alternaram na primeira função. Agora, permanecendo apenas Souto, Ricardo Oliveira entra como centroavante, configurando o 4-4-2, e empurrando Fernandão para a ponta-de-lança. A outra mudança não implica em reformas estruturais. Especula-se que Cléber Santana entrará na mesma faixa de campo ocupada por Marlos, alinhando-se a Hernanes.

Mas também acompanhei várias outras versões. Há notícias projetando o São Paulo no 3-5-2 (com Xandão no lugar de Cléber Santana/Marlos), no 4-3-3 (com Fernandão mais adiantado, ou até com Fernandinho em seu lugar), no 4-4-2 com Marlos permanecendo, no 3-4-3 sem Rodrigo Souto e com Fernandinho...enfim, uma avalanche de especulações. A mais forte, entretanto, é este 4-4-2 em losango descrito no diagrama tático que ilustra o post.

Neste cenário, o Inter terá trabalhar para definir a marcação à frente da área. Como Taison e D'Alessandro jogam abertos pelos lados, é iminente um duelo dos trios Hernanes-Cléber Santana-Fernandão e Sandro-Tinga-Guiñazu. Mas o São Paulo teria ainda Rodrigo Souto, o que lhe ofereceria supremacia numérica entre as intermediárias.

Esta hipótese obrigaria Roth a planejar, como ele mesmo diz, algum contra-veneno: ou prendendo os dois laterais na base, para Kleber marcar Dagoberto, Bolívar monitorar Ricardo Oliveira, e Índio-Nei sobrarem caso algum meia são-paulino se beneficie da vantagem no combate central; ou então centralizando mais pelo menos um de seus meias-extremos, saindo da marcação do lateral e indefinindo o alvo de Rodrigo Souto, retirando-o da frente da área.

Com tantos bons jogadores, um duelo do 4-4-2 em losango com o 4-2-3-1, caso se confirme, será um belo espetáculo para quem gosta de sistemas táticos. Estarei no Morumbi para acompanhar e, se possível, trazer ao blog Preleção mais análises sobre fotos na sexta-feira.

Cronologia tática do Gre-Nal 382

01 de agosto de 2010 7

Pude trabalhar na cobertura do Gre-Nal 382 hoje pelo clicEsportes, e compartilho este privilégio com os leitores do blog Preleção trazendo ao debate uma análise tática sobre fotos, com a cronologia das decisões de Celso Roth e Silas. O empate em 0 a 0 pode ser atribuído a este confronto dos treinadores de Inter e Grêmio, que se esmeraram em aplicar venenos e antídotos no combate às virtudes do adversário.

Preservando cinco titulares, Celso Roth manteve a estrutura tática do 4-5-1 com dois volantes e três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Sandro e Guiñazu atuaram na primeira linha do meio-campo; Giuliano na direita, Andrezinho centralizado, e Rafael Sobis na esquerda formaram a segunda frente do setor. A distribuição é clara na foto abaixo, que registra uma saída de bola pela direita com Bruno Silva, e a consequente aproximação de Giuliano para receber:

No Grêmio, Silas também manteve o sistema tático recente - o 3-5-2. Defesa formada por Ozeia, Rodrigo e Rafael Marques; Ferdinando (esq) e Adilson (dir) na proteção, Maylson e Hugo nas alas, Douglas na articulação solitária, e Jonas-Borges na frente. Com um detalhe: Jonas recuava por dentro, buscando jogo e atuando entre as costas dos volantes do Inter, e a linha defensiva colorada. A foto é quem fala:

Antes do jogo Silas prometeu apresentar variações ao 3-5-2. E ocorreu uma. Em determinado momento do primeiro tempo, Ferdinando passou a marcar Giuliano individualmente. O volante do Grêmio abria pela esquerda, na mesma faixa dos três zagueiros, formando uma tradicional linha de quatro jogadores. Adilson centralizava como volante, marcando Andrezinho individualmente, e a articulação tinha um trio com Maylson, Douglas e Hugo. Uma espécie de 4-4-2 (ou 4-1-3-2) disfarçando-se de 3-5-2. Assim que a equipe retomava a bola o 3-5-2 se reconfigurava rapidamente.

A medida, entretanto, buscava muito mais o combate sem a bola do que a transição ofensiva com a posse. Ferdinando perseguia Giuliano para se manter a sobra. Isso porque Ozeia saía em combate a Rafael Sobis, e Rodrigo batia com Everton. Rafael Marques, mesmo que originalmente na esquerda, tornava-se o zagueiro da sobra. A análise sobre a foto é esclarecedora:

No segundo tempo, o contra-veneno de Celso Roth ao encaixe da marcação gremista foi espelhar o 3-5-2. Saiu Índio, entrou Fabiano Eller, Juan recuou, e Giuliano abriu como ala pela esquerda. Reparem:

Os técnicos persistiram com decisões de clara resposta às medidas do adversário. Quando Celso Roth formou o 3-5-2 com Giuliano na ala, Silas prontamente trocou Maylson por Edilson - projetando atuar com maior força nas investidas pela linha de fundo, às costas do meia destro improvisado no setor. A resposta de Roth veio em poucos minutos: Taison substituiu Andrezinho e abriu na ala-esquerda, centralizando Giuliano na armação. Ou seja: Edilson já não poderia apoiar tanto, sob pena de desguarnecer o setor para Taison.

Nesta corrida de gato-e-rato, o empate em 0 a 0 parece de acordo com tamanha preocupação dos técnicos em não deixar o adversário jogar.

O bloqueio são-paulino no 4-5-1

29 de julho de 2010 5

Na segunda-feira projetei uma escalação do São Paulo, baseado nas partidas recentes e nas informações da imprensa paulista, que abria margem a duas variações: ou o preferencial 3-5-2, ou o 4-4-2 - leiam aqui, a partir do avanço de Richarlyson para o meio-campo. Mas a proposta defensiva da equipe de Ricardo Gomes apresentou ontem, na derrota de 1 a 0 para o Inter, uma terceira via - ainda com a mesma escalação: o 4-5-1.

Na prática, o sistema prioritário do São Paulo ontem pode ser configurado como um 4-5-1 com três volantes, dois meias centralizados e um atacante de referência (ou 4-3-2-1). O desenho se aproxima bastante do que Carlo Ancelotti fazia no Milan, no "Christmas Tree" (árvore de Natal). Reparem na figura abaixo:

A foto apresenta uma variação de exceção na partida. Provavelmente Hernanes desceu ao primeiro posto para cobrir um eventual avanço de marcação de Rodrigo Souto, que retornou pela posição do camisa 10. No primeiro tempo Richarlyson foi o primeiro volante, com Rodrigo Souto à direita e Hernanes à esquerda na segunda linha. E no segundo tempo (quando fiz a foto acima) Richarlyson passou para a esquerda, marcando D'Alessandro de cima, enquanto Hernanes foi para a direita, e Rodrigo Souto recuou à primeira função.

Mas em determinados momentos de pressão do Inter, Ricardo Gomes apresentou ainda uma variação. Mantendo o 4-5-1, com diferente desenho de meio-campo. Reparem na imagem a configuração de um 4-1-4-1, com a abertura dos meias pelos lados, alinhando-se aos volantes da segunda faixa:

Acredito que Ricardo Gomes tenha pensado em bloquear as jogadas preferenciais do Inter, que são as triangulações laterais com Taison, Guiñazu e Kleber na esquerda, ou D'Alessandro, Nei e Sandro na direita, tendo Andrezinho a liberdade para se aproximar de ambos os trios.

Com estas duas linhas - Richarlyson entre elas - havia marcação dupla pelos lados. Jean e Marlos encaixados em Taison e Kleber, Júnior César e Dagoberto em D'Alessandro e Nei, enquanto o trio Richarlyson, Hernanes e Rodrigo Souto batia com Andrezinho, Sandro e Guiñazu. O que permitia aos zagueiros Alex Silva e Miranda cuidar de Alecsandro.

Nunca é demais lembrar um conceito teórico relevante: quando há encaixe de marcação, quando uma proposta é apenas defensiva, cabe ao time proponente buscar jogadas individuais. A técnica precisa prevalescer para desorganizar a estrutura defensiva adversária. Afinal, se cada jogador cuida de um respectivo, driblá-lo provoca um efeito em cadeia de jogadores deixando seus postos para a cobertura. Outra boa alternativa é o chute à distância.

Taison foi o melhor em campo exatamente porque compreendeu as exigências da partida: driblar e concluir. Partiu para cima em todos os lances, arriscou a jogada individual, e sempre que possível chutou a gol. D'Alessandro fez o mesmo, não com tantos dribles, mas investindo contra a marcação e concluindo.

O Inter foi bem neste aspecto, não se desorganizou e conseguiu, sem abdicar de sua estrutura tática, chegar à quinta vitória em cinco jogos. Um justo aproveitamento de 100%, pelo bom desempenho da equipe treinada por Celso Roth.