Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Seleção da Austrália"

O 4-2-3-1 da Alemanha serve de referência

13 de junho de 2010 7

Apesar de todas as ressalvas que os mais cautelosos possam fazer (já li opiniões depreciando a qualidade geral do time da Austrália, atribuindo a goleada à defesa dos "Socceroos", etc, etc...) o desempenho da Alemanha no 4 a 0 de hoje é digno de almanaque sobre teoria tática. Vale a pena registrar o funcionamento do 4-2-3-1 organizado pelo técnico Joachim Löw na vitória sobre a Austrália.

A Alemanha de Löw aproximou-se do funcionamento ideal do 4-2-3-1. Partindo de algumas premissas estratégicas fundamentais para tal: adiantar as duas linhas do meio-campo, e compactá-las; permitir aos extremos a variação constante entre linha de fundo e diagonal do lado para o meio; dar liberdade ao meia-ofensivo central para transitar de lado a outro, avançar ou recuar conforme a circunstância exigir; autorizar o apoio de pelo menos um volante e um lateral.

Esta diversidade de movimentos, sincronizados, criou na articulação alemã aquilo que na Espanha (Paulo Autuori democratizou este conceito por aqui) chamam de "pequenas sociedades". Graças, principalmente, à circulação de Özil. O camisa 8 foi o meia-ofensivo central. E ditou a organização da seleção de Löw, aproximando-se do meia-extremo que tivesse a posse de bola. Nem Müller na direita, nem Podolski na esquerda ficaram abandonados. Quando um deles recebia a bola, logo recebia a aproximação de Özil.

A saída constante de Özil para os lados, além de beneficiar os wingers, abria um corredor interessante para o avanço do volante Khedira. O meia-central arrastava a marcação, já desorganizada por esta movimentação. Escancarava-se, com isso, o corredor para Khedira. O mesmo se dava pelo lado direito, quando Müller ingressava na área, permitindo a Lahm apoiar com qualidade. Na esquerda, Schweinsteiger mais se preocupou em guarnecer o setor para Podolski avançar, enquanto Badstuber assumiu a função do lateral-base, responsável pela basculação defensiva com os dois zagueiros.

Esta sincronia de movimentos do 4-2-3-1 da Alemanha é uma boa referência para os técnicos brasileiros. Raramente, alguns tentam importar este sistema. E quase nunca fazem da maneira correta. Recentemente Silas, por exemplo, aplicou o 4-2-3-1 ao Grêmio. Mas com estratégia defensiva e posicionamentos iniciais rígidos. Recuou a segunda linha do meio-campo, e não permitiu movimentação a nenhum deles. Foi previsivelmente marcado, e ainda isolou o único atacante, desabastecendo-o. O erro desta importação equivocada do 4-2-3-1 é enrijecer o posicionamento inicial dos meias ofensivos, e atrasar as linhas do meio-campo. É preciso adiantá-las, e criar mecanismos de aproximação constante entre estes jogadores, de onde nascem as combinações, e se abrem os espaços.

O sucesso de hoje do 4-2-3-1 alemão deve-se necessariamente à liberdade conferida a Özil. A movimentação do meia-central "colocou no jogo" os dois extremos - Müller e Podolski - mantendo a posse de bola sob controle, com passes curtos, e desorganizou o sistema defensivo adversário. A Austrália não encontrou Özil em campo. E na tentativa de capturá-lo, provocou um efeito dominó de problemas: quando enfim encontrava Özil, desmarcava Podolski, que pela movimentação desmarcava Müller...e assim sucessivamente. Sempre tinha um alemão livre. Uma aula de 4-2-3-1. Gostei muito do que vi hoje. Parabéns a Löw e a seus jogadores. Tomara que não tenha sido uma exceção, e que o desempenho da Alemanha siga em alto nível, nos privilegiando com belos jogos.

Confiram a análise de Gana x Sérvia, outro jogo do Grupo D

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Austrália

18 de maio de 2010 5

Fazer a análise da seleção da Austrália, na série diária de posts sobre as 32 integrantes da Copa do Mundo de 2010 no blog Preleção, foi até agora a tarefa mais difícil. E olha que houve muitas equipes complicadas, com poucos vídeos disponíveis na internet, poucas matérias, nenhuma análise da imprensa local para servir de base...empecilhos não faltam. Mas no caso da Austrália, a ausência de amistosos em 2010, e a diversidade de escalações utilizadas nas Eliminatórias, tornam a pesquisa ainda mais difícil.

Taticamente, a Austrália se utiliza do 4-5-1 em duas linhas de quatro jogadores, desdobrado em 4-4-1-1. Há um jogador que atua à frente do meio-campo, mas não como um enganche - um organizador, ou armador. Este meia-ofensivo mais adiantado tem como principal função o ingresso na área para concluir.

Cahill tem sido este meia avançado. Apesar de não contar com grande vantagem física, Cahill tem excelente tempo de bola aérea. Ele marca muitos gols chegando de surpresa, por trás dos zagueiros, e subindo com precisão. Escancarando a principal estratégia australiana: bola aérea.

Neste 4-4-1-1, a Austrália evoca os princípios mais básicos das duas linhas de quatro: compactação defensiva, saída rápida, transição ofensiva privilegiando os lados do campo, e cruzamentos altos para a conclusão na área. A equipe busca os wingers, que articulam as jogadas abertos nas laterais, e com isso podem ou cruzar, ou cavar escanteios, ou faltas. Sempre com o cruzamento.

O time-base é um total exercício de especulação. Nas Eliminatórias, Kewell e Bresciano foram os mais utilizados nas meias-extremas, mas Emerton também atuou por ali; Cahill quase sempre apareceu como o meia-ofensivo; Josh Kennedy foi o centroavante mais escalado; e a dupla de meias centrais teve invariavelmente Grella e Culina, bem posicionados na marcação. A zaga pode apostar no entrosamento da dupla Craig Moore e Lucas Neil, companheiros de Galatasaray.

O técnico Pim Verbeek convocou 31 jogadores na pré-lista, e programou amistosos contra Nova Zelândia, Dinamarca, e provavelmente Estados Unidos. Confiram a relação de jogadores:

Goleiros:
Mark Schwarzer - Fulham (ING)
Brad Jones - Middlesbrough (ING)
Eugene Galekovic - Adelaide United
Adam Federici - Reading (ING)

Defensores:
Craig Moore - Galatasaray (TUR)
Lucas Neill - Galatasaray (TUR)
Luke Wilkshire - Dinamo Moscou (RUS)
Scott Chipperfield - Basileia (SUI)
David Carney - Twente (HOL)
Mark Milligan - JEF United (JAP)
Jade North - Tromsoe (NOR)
Michael Beauchamp - Al-Jazira (EAU)
Shane Lowry - Aston Villa (ING)
Rhys Williams - Middlesbrough (ING)

Meio-campistas:
Jason Culina - Gold Coast
Tim Cahill - Everton (ING)
Brett Emerton - Blackburn Rovers (ING)
Vince Grella - Blackburn Rovers (ING)
Mark Bresciano - Palermo (ITA)
Brett Holman - AZ Alkmaar (HOL)
James Holland - AZ Alkmaar (HOL)
Carl Valeri - Sassuolo (ITA)
Mile Jedinak - Antalyaspor (TUR)
Richard Garcia - Hull City (ING)
Nicky Carle - Crystal Palace (ING)
Tommy Oar - Utrecht (HOL)

Atacantes:
Harry Kewell - Galatasaray (TUR)
Josh Kennedy - Nagoya Grampus (JAP)
Scott McDonald - Middlesbrough (ING)
Dario Vidosic - Nuremberg (ALE)
Nikita Rukavytsya - FC Twente (HOL)