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Posts na categoria "Seleção da Sérvia"

Gana vence com variações das duas linhas

13 de junho de 2010 1

Com mérito, Gana emplacou ao menos três marcas históricas para a Copa do Mundo de 2010, ao bater a Sérvia por 1 a 0 nesta manhã de domingo: a primeira vitória de uma seleção africana no Mundial da África do Sul; o primeiro pênalti marcado (e convertido); e o primeiro gol de atacante, com a cobrança de Gyan. Mas o resultado não passa apenas por estas coincidências estatísticas, contando com mérito tático.

Gana apresentou variações para as duas linhas de quatro jogadores. Durante todo o primeiro tempo, principalmente sem a bola, o sistema original dos africanos foi o 4-1-4-1. Defesa e meio-campo próximos, com o volante Annan entre eles, e o atacante Gyan mais isolado. Posicionamento aplicado a uma estratégia cautelosa, valorizando a eficiência do já reconhecido sistema defensivo de Gana.

No 2º tempo, entretanto, Gana se adiantou. Com a bola, Annan passou a integrar a segunda linha, formando a parelha central com Boateng, e empurrando Asamoah como um segundo atacante preferencialmente no lado direito. Os wingers também "espetaram" no alto do campo, empurrando os laterais adversários para trás. Formação que contribui para os africanos aumentarem o índice da posse de bola, afastar a Sérvia da própria área, e consequentemente controlar a partida.

A articulação se concentrou na direita, com o apoio do lateral Pantsil, e o avanço do winger Tagoe. Asamoah, no movimento de transição para o 4-4-2 em duas linhas, também imantava-se à mesma faixa de campo. Gana chegou a insistir demais pela direita, abandonando o lado esquerdo, e desequilibrando a saída de bola. A estatística oficial da Fifa comprova: Gana chegou à linha de fundo 16 vezes, somando 8 cruzamentos da dupla Pantsil e Tagoe, contra 5 da dupla Sarpei/Ayew.

O debate sobre Gana é válido para ressaltar a aplicação da equipe no cumprimento das típicas funções do 4-4-2 britânico (seja nesta formação, ou no 4-1-4-1). A linha defensiva foi competente, o primeiro volante soube fazer a transição de sistema, os wingers apoiaram de forma incisiva pelos lados, o meia-ofensivo central cumpriu a estratégia de avançar em auxílio a Gyan...e assim, sem correr riscos, Gana chegou à vitória sobre uma Sérvia (também no 4-4-2 em duas linhas) sem criatividade, refém dos lançamentos longos e dos erros de passe.

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Sérvia

17 de maio de 2010 12

Responsável pela ida dos franceses à repescagem, a Sérvia entra na Copa do Mundo 2010 herdando a tradição iugoslava de bom futebol, historicamente associando qualidade técnica e força física. Hoje, a equipe treinada por Radomir Antic, integrante do Grupo D, é o assunto da série diária de posts do blog Preleção sobre as 32 seleções do Mundial da África do Sul.

Nas Eliminatórias e nos amistosos mais recentes, a Sérvia se utilizou do 4-4-2 em duas linhas comum aos clubes espanhois e alemães. Sem a bola, os meias-extremos recuam para se alinhar aos centrais defensivos, formando então o paredão de oito jogadores que marcam por zona em pares - um exercendo pressão sobre a bola, o outro na cobertura.

Com a bola, entretanto, este 4-4-2 se difere um pouco do sistema clássico na Inglaterra. Os wingers assumem um posicionamento mais avançado, enquanto os meias centrais fazem o oposto - permanecem recuados. E os laterais se desprendem da base. Na transição ofensiva, isto pode significar a perda da segunda bola. É uma estratégia que descentraliza a articulação, passando para os lados do campo as zonas principais de progressão com a bola.

Os protagonistas na execução desta estratégia aplicada ao 4-4-2 em duas linhas "europeu" são os wingers. Principalmente Krasic pela direita. O jogador do CSKA reproduz na Sérvia a função que executa no clube russo. Nos vídeos aos quais assisti, durante a pesquisa necessária à análise tática da seleção, a saída em profundidade se dá preferencialmente na esquerda, com Jovanovic.

Krasic, na direita, faz a diagonal para o meio, entrando na área como um terceiro atacante. Krasic, neste movimento, reúne-se à dupla Pantelic-Zigic (ou Lazovic), dois atacantes de muita força física, qualidade na bola alta, mas também alguma habilidade para a conclusão pelo chão. Eles ou os wingers são municiados pela saída de bola executada por Stankovic, que na seleção atua com posicionamento mais fixo e defensivo.

Para completar, é importante destacar a competência defensiva da Sérvia. Vidic, um dos melhores zagueiros do Mundo, é o líder de uma linha que conta ainda com Ivanovic na lateral-direita - levando à seleção o improviso que deu certo no Chelsea. Kolarov, da Lazio, é o outro lateral. Resta a definição do substituto de Dragutinovic, do Sevilla, excluído da Copa devido a uma séria lesão no joelho - pode ser Lukovic, ou então o próprio Ivanovic, escolhendo-se outro lateral.

Confira a lista de 30 pré-convocados por Antic:

Goleiros:
Vladimir Stojkovic - Wigan (ING)
Zeljko Brkic - Vojvodina
Bojan Isailovic - Cukaricki Belgrado
Andjelko Djuricic - Leiria (POR)

Defensores:
Branislav Ivanovic - Chelsea (ING)
Antonio Rukavina - 1860 Munique (ALE)
Nemanja Vidic - Manchester United (ING)
Neven Subotic - Borussia Dortmund (ALE)
Aleksandar Lukovic - Udinese (ITA)
Ivan Obradovic - Zaragoza (ESP)
Aleksandar Kolarov - Lazio (ITA)
Jagos Vukovic - PSV Eindhoven (HOL)

Meio-campistas:
Dejan Stankovic - Inter de Milão (ITA)
Nenad Milijas - Wolverhampton (ING)
Milos Krasic - CSKA Moscou (RUS)
Milan Jovanovic - Standard Liege (BEL)
Milos Ninkovic - Dynamo Kiev (UCR)
Zdravko Kuzmanovic - Stuttgart (ALE)
Zoran Tosic - Colonia (ALE)
Miralem Sulejmani - Ajax (HOL)
Gojko Kacar - Hertha Berlin (ALE)
Nemanja Matic - Chelsea (ING)
Radosav Petrovic - Partizan Belgrado
Nemanja Tomic - Partizan Belgrado

Atacantes:
Nikola Zigic - Valencia (ESP)
Marko Pantelic - Ajax (HOL)
Danko Lazovic - Zenit St. Petersburg (RUS)
Dragan Mrdja - Vojvodina
Dejan Lekic - Estrela Vermelha