O blog Preleção encerra a análise do Grupo C da Copa do Mundo de 2010, na série diária sobre as 32 seleções que vão à disputa na África do Sul, com uma constatação curiosa: os quatro integrantes desta chave atuam com duas linhas de quatro jogadores. Já vimos o 4-4-1-1 da Argélia, o 4-4-2 ortodoxo da Inglaterra, pátria-mãe deste sistema, e o 4-4-2 da Eslovênia. Agora, é a vez do não menos convencional e britânico diagrama tático dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos, do técnico Bob Bradley, jogam no 4-4-2 em duas linhas de quatro jogadores. O sistema já foi utilizado na Copa das Confederações em 2009, com uma variação para o 4-1-4-1 - leiam aqui - a partir do recuo de um dos atacantes, que empurra o meio-campista central marcador para a sobra entre defesa e meio-campo. Nos amistosos realizados em 2010, entretanto, os EUA não apresentaram esta variação, e partiram sempre do posicionamento inicial com dois atacantes.
O time está praticamente todo definido. A linha defensiva tem os zagueiros DeMerit e Onyewu, e os laterais Spector (direita) e Bocanegra (esquerda) - no amistoso contra a Holanda (derrota por 2 a 1 no início deste ano, fora de casa), Bob Bradley não contou com Onyewu, e escalou Bornstein no lugar.
O meio-campo parece ter três titulares absolutos, e uma posição em aberto. Os wingers são os talentosos Donovan (esquerda) e Dempsey (direita), com experiência adquirida por vivência de Premier League, onde a função é muito utilizada. Por dentro, Bradley é o meio-campista marcador, mais à direita e pouco recuado. Falta definir o apoiador, o box-to-box, meio-campista centralizado que faz a saída de jogo: na Copa das Confederações jogou Clark, mas nos amistosos deste ano Torres - nos vídeos aos quais assisti, e nas reportagens que li durante a pesquisa sobre os EUA - teve bom desempenho.
O ataque reúne o centroavante Altidore e o atacante Findley - que faz o recuo central sem a bola para auxiliar no combate à saída adversária. A estratégia é o "default" do 4-4-2 britânico: compactação das linhas sem a bola, bloqueando simultaneamente os lados e a entrada da área com marcação por zona em pares (um na bola, outro na cobertura); transição ofensiva veloz pelos lados com os wingers, ou no lançamento vertical direto para os atacantes.
Bob Bradley convocou 30 jogadores na pré-lista. Poucos atuam nos Estados Unidos. Há muitos atletas de Premier League, incluindo o excelente goleiro Tim Howard, titularíssimo da equipe. A preparação norte-americana tem início no domingo, em Princeton, e no dia 1º de junho o treinador divulga os sete cortes, e os 23 atletas garantidos na Copa do Mundo.
Confiram a pré-lista dos Estados Unidos:
Goleiros:
Brad Guzan - Aston Villa (ING)
Tim Howard - Everton (ING)
Marcus Hahnemann - Wolverhampton (ING)
Defensores:
Carlos Bocanegra - Rennes (FRA)
Jonathan Bornstein - Chivas USA
Steve Cherundolo - Hannover (ALE)
Jay DeMerit - Watford (ING)
Clarence Goodson - IK Start (NOR)
Chad Marshall - Columbus Crew
Oguchi Onyewu - Milan (ITA)
Heath Pearce - Dallas
Jonathan Spector - West Ham (ING)
Meio-campistas:
DaMarcus Beasley - Rangers (ESC)
Alejandro Bedoya - Örebro (SUE)
Michael Bradley - Borussia Mönchengladbach (ALE)
Ricardo Clark - Eintracht Frankfurt (ALE)
Clint Dempsey - Fulham (ING)
Landon Donovan - Los Angeles Galaxy
Maurice Edu - Rangers (ESC)
Benny Feilhaber - Aarhus (DIN)
Stuart Holden - Bolton (ING)
Sacha Kljestan - Chivas USA
Robbie Rogers - Columbus Crew
José Torres - Pachuca (MEX)
Atacantes:
Jozy Altidore - Villarreal (ESP)
Edson Buddle - Los Angeles Galaxy
Brian Ching - Houston Dynamo
Robbie Findley - Real Salt Lake
Herculez Gomez - Puebla (MEX)
Eddie Johnson - Aris Thessaloniki (GRE)