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Sandro precisará de adaptação ao 4-4-2 do Tottenham

26 de agosto de 2010 6

O Tottenham Hotspurs goleou ontem o Young Boys, da Suíça (4 a 0), garantindo vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. O sistema tático, logicamente, foi preservado: é o convencional 4-4-2 britânico, em duas linhas de quatro jogadores. E com as principais premissas exigidas por ele.

No 4-4-2 em duas linhas, o Tottenham não abre mão de figuras clássicas: o meio-campo combina na área central um jogador mais combativo e marcador - ontem foi Palacios, mas invariavelmente é Huddlestone quem cumpre esta tática individual; e um box-to-box, meia que ao mesmo tempo protege a linha defensiva à frente da própria área ("box", em inglês) e adianta o posicionamento quando o time tem a posse, aproximando-se da área adversária. Um apoiador, que vai de área-a-área. Ontem foi Huddlestone, mas será Modric o encarregado assim que se recuperar de lesão.

Pelos lados, outra característica ortodoxa do legítimo 4-4-2 britânico: por um lado o winger-organizador que, embora aberto, prioriza as inversões, aciona os atacantes nas infiltrações pelo chão, faz lançamentos e também joga curto (Bale, pela esquerda); pelo outro, o velocista que aprofunda as jogadas, que busca a linha de fundo com a bola ou então parte em diagonal na segunda trave quando o winger oposto tem a bola, para receber às costas dos zagueiros (Lennon, na direita).

Neste cenário, Sandro vai disputar posição com Huddlestone. Será o meia-central defensivo, um volante, mas com atribuições diferentes daquelas conhecidas pelos jogadores assim reconhecidos no Brasil. Com meias-extremos abertos pelos lados, o volante não é um simples entregador de passes curtos para os "camisas 10's". Sandro terá de distribuir o jogo, entregando curto para o box-to-box, mas também arriscando a bola longa para os wingers, ou o passe esticado pelo chão para os atacantes entre os zagueiros.

Além - muito importante - de adiantar o posicionamento para apanhar o rebote ofensivo, porque neste 4-4-2 as equipes costumam imprimir marcação em pressão-alta no campo adversário. O combate começa imediatamente à perda da bola, com uma transição defensiva agressiva, retirando espaços. Recuperada a bola, é a hora de arriscar os chutes de fora da área.

Ser meia-central defensivo no 4-4-2 em duas linhas é muito diferente de ser volante nos 4-4-2's brasileiros. Sandro está consciente disso, e já deu belas entrevistas à imprensa inglesa, afirmando que chega para aprender com os companheiros. Está certo. A convivência com Huddlestone, um inglês que nasceu jogando nesta função, sempre neste sistema, será fundamental para que a adaptação do ex-jogador do Inter ao modelo britânico seja rápida e bem sucedida. Eu, daqui, ficarei na torcida. Bola ele tem para aprender e superar o professor.

Uma nova função para Modric no Tottenham

14 de abril de 2010 13

Admiro o futebol do croata Modric, jogador imprescindível para o Tottenham Hotspurs, futura equipe do volante colorado Sandro. Ele vem se destacando como meia-extremo pela esquerda. Por ali é veloz e habilidoso, aplicando diagonais do lado para o meio, o que permite a Assou-Ekotto avançar pelo corredor.

Mas hoje, na vitória de 2 a 1 sobre o Arsenal, os Spurs jogaram com uma pequena variação. Que não chega a ser tática, porque o sistema 4-4-2 em duas linhas de quatro foi mantido. Foi estratégica: Redknap centralizou Modric.

De winger, o croata passou para uma função conhecida na Inglaterra por "box-to-box". A tradução é algo como "de área a área". Na Argentina um sinônimo pode ser o "carrillero", enquanto no Brasil o nome mais apropriado se aplica à função, não ao jogador: o "vai-vem".

Apesar de não ser um meio-campista defensivo, nem um marcador nato, muito menos um atleta viril - ele é pequeno e esguio - Modric saiu-se bem nesta função. Nunca havia acompanhado esta inversão, por isso para mim é uma bela novidade. Se alguém já havia assistido a jogos do Tottenham com Modric de box-to-box, deixo aberto o espaço de comentários para o debate.

Pelos lados, o técnico do Tottenham teve Bale e Rose. Os laterais Ekotto e Kaboul apoiaram e protegeram a linha defensiva. Huddlestone foi um esmerado guardião dos zagueiros, posicionado à frente da área. E Modric, pelo meio, incumbiu-se da missão de entregar a bola com qualidade para os atacantes Defoe e Pavlyuchenko.

A vitória com Modric centralizado, dois wingers e laterais que não abdicam do apoio, mais dois atacantes, mostra que o 4-4-2 britânico pode ser ofensivo. Basta que ao sistema ortodoxo apliquem-se jogadores capazes de cumprir funções que, reunidas, formem uma estratégia diversificada da velha ligação direta, da bola aérea, e do bloqueio defensivo.