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Posts com a tag "Arsenal"

Wenger, o mestre do 4-2-3-1

24 de agosto de 2010 6

Se Arsene Wenger não é o criador do 4-5-1 com três meias ofensivos (4-2-3-1), é certamente a principal referência no desenvolvimento deste sistema tático. Muito antes de se tornar uma tendência na Europa, muito antes das seleções da Copa do Mundo 2010 influenciarem os treinadores brasileiros, Wenger transformara o 4-2-3-1 em padrão no Arsenal. Após uma temporada ruim, ele revitaliza a equipe londrina com a recuperação de jogadores, e com a chegada de Chamakh.

Assisti à goleada de 6 a 0 do Arsenal sobre o Blackpool no último sábado. Wenger deu uma aula prática sobre o 4-2-3-1. A equipe teve quase 60% de posse de bola, e criou no total 30 oportunidades, marcando seis gols. O adversário - obviamente muito inferior - chegou à área do time da casa apenas uma vez em todo o jogo.

São duas as principais virtudes deste 4-2-3-1 de Wenger no Arsenal: linhas adiantadas e movimentação dos meias ofensivos. O treinador posiciona a equipe no campo adversário, ao mesmo tempo retirando espaços com marcação em pressão alta na saída de bola (forçando o passe do adversário, induzindo-o ao erro) e proporcionando uma transição ofensiva imediata, pela redução do campo a se percorrer.

Adiantadas as linhas, encurralada a saída do adversário e recuperada a bola, o Arsenal aciona as engrenagens do quarteto ofensivo. No sábado, Arshavin (esq) e Walcott (dir) foram os wingers, com Rosicky na ponta-de-lança central. A eles soma-se o centroavante Chamakh, ex-Bordeaux, com boa mobilidade e velocidade sem perder a presença de área. E todos eles se movimentam sem parar, desorganizando o sistema defensivo.

Arshavin e Walcott dão preferência às diagonais. Foi nesta investida aguda em direção à área que Walcott marcou três gols. A diagonal também abre espaço ao apoio alternado dos laterais, incluindo no repertório as jogadas de linha de fundo. Rosicky mantém a posse de bola sob controle com passes curtos de lado a outro, e ganha o apoio dos volantes Diaby e Wilshere tanto na passagem de surpresa pela última linha, como também na recuperação do rebote ofensivo. Todos eles próximos, agrupados.

Uma característica deste Arsenal movediço e ágil é concluir as jogadas no setor oposto ao inicial. A equipe vai trocando passes e rodando posições até que a bola encontre um jogador desmarcado na faixa contrária de campo. Se Rosicky aciona Arshavin e Clichy na esquerda, aproxima-se da dupla para triangular, Chamakh pode recuar e levar consigo a marcação, chamando a diagonal de Walcott pela direita da área. É com toda esta sincronia de movimentos, com toda esta engrenagem ofensiva, que o Arsenal troca passes e abre espaços nas linhas adversárias.

Sei que o Blackpool é um time muito modesto - não testou, por exemplo, a competência do Arsenal na transição defensiva (jogar com linhas adiantadas abre o risco do contra-ataque rápido, e precisa de velocidade para evitá-lo) . E que a recuperação de todos estes jogadores do Arsenal, após temporadas de sucessivas lesões, ainda é uma incógnita.

Mas a amostragem inicial é promissora. Arsene Wenger ainda sabe como fazer um 4-2-3-1 funcionar. E, vale lembrar, Fábregas e Van Persie entraram apenas no segundo tempo.

Uma nova função para Modric no Tottenham

14 de abril de 2010 13

Admiro o futebol do croata Modric, jogador imprescindível para o Tottenham Hotspurs, futura equipe do volante colorado Sandro. Ele vem se destacando como meia-extremo pela esquerda. Por ali é veloz e habilidoso, aplicando diagonais do lado para o meio, o que permite a Assou-Ekotto avançar pelo corredor.

Mas hoje, na vitória de 2 a 1 sobre o Arsenal, os Spurs jogaram com uma pequena variação. Que não chega a ser tática, porque o sistema 4-4-2 em duas linhas de quatro foi mantido. Foi estratégica: Redknap centralizou Modric.

De winger, o croata passou para uma função conhecida na Inglaterra por "box-to-box". A tradução é algo como "de área a área". Na Argentina um sinônimo pode ser o "carrillero", enquanto no Brasil o nome mais apropriado se aplica à função, não ao jogador: o "vai-vem".

Apesar de não ser um meio-campista defensivo, nem um marcador nato, muito menos um atleta viril - ele é pequeno e esguio - Modric saiu-se bem nesta função. Nunca havia acompanhado esta inversão, por isso para mim é uma bela novidade. Se alguém já havia assistido a jogos do Tottenham com Modric de box-to-box, deixo aberto o espaço de comentários para o debate.

Pelos lados, o técnico do Tottenham teve Bale e Rose. Os laterais Ekotto e Kaboul apoiaram e protegeram a linha defensiva. Huddlestone foi um esmerado guardião dos zagueiros, posicionado à frente da área. E Modric, pelo meio, incumbiu-se da missão de entregar a bola com qualidade para os atacantes Defoe e Pavlyuchenko.

A vitória com Modric centralizado, dois wingers e laterais que não abdicam do apoio, mais dois atacantes, mostra que o 4-4-2 britânico pode ser ofensivo. Basta que ao sistema ortodoxo apliquem-se jogadores capazes de cumprir funções que, reunidas, formem uma estratégia diversificada da velha ligação direta, da bola aérea, e do bloqueio defensivo.

Um lugar para Nasri no Arsenal

10 de março de 2010 9

Nunca fui fã do winger francês Nasri, e cheguei muitas vezes a questionar se a presença dele no Arsenal poderia ser atribuída apenas ao protecionismo do conterrâneo Arsene Wenger, treinador responsável pela invasão francesa no clube londrino. Mas agora, em nova função, Nasri revela uma virtude até então desconhecida: a qualidade no passe vertical.

Por duas vezes consecutivas Nasri posicionou-se na faixa central do 4-5-1 do Arsenal (desdobrado em 4-2-3-1, para quem prefere). Em ambas as partidas - a última ontem, na goleada de 5 a 0 sobre o Porto pela Champions League - o garoto francês destacou-se com visão de jogo e precisão nos lançamentos às costas da defesa.

Nasri perdeu espaço nos extremos da segunda linha de meio-campo. Rosicky está recuperado das lesões sucessivas, e engrenou recentemente, com ritmo de jogo; Arshavin é um virtuoso que às vezes parece desinteressado, mas decide com lances de talento, e assim se justifica também no time titular. Já Nasri, quando escalado como winger, costumeiramente movimentava a energia de uma hidrelétrica para acender uma lâmpada: muita correria, condução demasiada, individualismo passando da conta, e resultado quase nulo.

Mas, centralizado, Nasri tomou conta da distribuição de jogo. Contra o Burnley ele atuou na primeira linha, como uma espécie de segundo volante, e fez a assistência para um golaço de Fábregas. Ontem, substituindo o próprio craque espanhol, Nasri deixou Arshavin em condições de iniciar a jogada do gol de Bendtner, que iniciou a goleada. E deu outras tantas boas assistências aos wingers.

Essa virtude - o passe preciso, pelo chão, às costas da defesa adversária - é o que faz o Arsenal jogar. Dentro do 4-5-1 de Wenger, o centroavante de referência recua insistentemente para o pivô, arrastando consigo a marcação. Neste espaço, infiltram-se em diagonais os wingers, saindo do lado para o meio. E é ali que Nasri encontra os companheiros, ingressando na área em velocidade e desmarcados.

Fábregas vai voltar, Nasri talvez retorne ao reservado, mas as duas últimas atuações do Arsenal me deixam convicto: Nasri não é winger, mas pode se tornar um belo meio-campista central, articulador, pensador, organizador. Gostei do que vi.

Arsenal reconfigura a linha ofensiva

28 de janeiro de 2010 6

Arsene Wenger privilegiou os fãs do bom futebol com a formação de uma das melhores equipes da história recente deste esporte: os Invencíveis, do Arsenal campeão na temporada 2003/2004. Time de um desempenho tão encantador, que acabou influenciando a disseminação imediata do sistema tático 4-5-1 - desdobrado em 4-2-3-1 - na Europa. A linha ofensiva do meio-campo contava com Pires, Bergkamp e Ljungberg, protegidos por Vieira e Gilberto Silva, e tendo à frente Henry.

Será difícil reprisar o desempenho e os resultados conquistados pelo Arsenal dos Invencíveis. Mas Wenger continua tentando. Fustigado por uma epidemia de lesões graves no elenco, ele nunca pôde escalar o time ideal, com os protagonistas do grupo simultaneamente prontos. Hoje, ele ainda não tem Van Persie, acaba de perder o zagueiro belga Vermaelen - para mim, o melhor da posição no futebol mundial nesta temporada europeia - e Song em breve voltará da Copa Africana das Nações.

Mas, a despeito de todos os problemas, Wenger começa a reconfigurar no Arsenal uma linha ofensiva de qualidade acima da média. Ontem, no empate em 0 a 0 fora de casa com o Aston Villa, o treinador repetiu a escalação do trio Fábregas, Rosicky e Arshavin. Eduardo foi o centroavante, enquanto Denilson e Ramsey protegeram a linha defensiva formada por Sagna e Clichy nas laterais, mais Gallas e Vermaelen (depois Campbell) na zaga.

As triangulações que caracterizam o estilo de jogo do Arsenal de Wenger estão deslanchando novamente. Orquestrada por Fábregas, a segunda linha de meio-campo é leve, tem mobilidade, e cria um entrosamento antes barrado pela impossibilidade de escalar o trio simultaneamente. O importante, acima de tudo, é assistir a Wenger contando novamente com jogadores inteligentes e participativos, tecnicamente qualificados e velozes, no setor ofensivo.

Fábregas atua centralizado na segunda linha de meio-campo. Distribui com alento as jogadas, e auxilia no combate sem a bola. O espanhol é um jogador que parece não se desgastar com a bola, pela capacidade de perceber os espaços vazios. É nestes vácuos de marcação que Fábregas se posiciona para receber a bola na transição ofensiva dos volantes, e articular a próxima jogada.

Rosicky e Arshavin atuam pelos lados, como wingers. O tcheco na direita, o russo na esquerda. Ambos aproximam-se de Fábregas em diagonais que indefinem a marcação e aproximam o trio para as tabelas. Eduardo, o brasileiro-croata, também é capaz de participar das triangulações. E assim este quarteto forma um mini-carrossel de peças em constante movimento, mantendo a bola sempre em circulação, de pé-em-pé.

Ainda falta melhor condicionamento a Rosicky, Arshavin é um jogador instável, e realmente não dá para comparar esta formação aos Invencíveis. Mas o Arsenal de Wenger consegue vencer todo o tipo de dificuldade - é um clube historicamente azarado (leiam "Febre de Bola", de Nick Hornby) - para seguir fiel à filosofia que alia um sistema tático bem planejado a uma estratégia ofensiva. O Arsenal joga com a bola no chão, com movimentos rápidos, com toque de bola. Em breve, voltará a dar prazer em assistir.

Ole, Fábregas!

15 de agosto de 2009 12

O velho conhecido 4-5-1 do Arsenal, com Fábregas circulando na região de articulação, e Van Persie-Bendtner invertendo as funções

Quem não viu, recomendo vasculhar a internet em busca de, pelo menos, um bom compacto de Everton 1 x 6 Arsenal. Hoje, o camisa 4 dos londrinos ensinou como joga um articulador nato. Fábregas comandou no gramado o abate do anfitrião Everton, como fazem os toureiros espanhóis nas arenas de areia.

Arsene Wenger manteve o sistema tático 4-5-1 que o caracteriza à frente do Arsenal. Também denominado por alguns analistas de 4-2-3-1, em função do desenho de meio-campo - dois volantes guarnecendo uma linha de três meio-campistas. Apesar dos desfalques, e do descrédito, em função das perdas no elenco e das raríssimas contratações, o Arsenal deve ter dado um grande salto nas casas de apostas britânicas após esta goleada histórica fora de casa.

No meio-campo, Wenger elegeu a dupla Denilson-Song, o primeiro à esquerda, o segundo na direita, para desempenhar o combate. Os dois volantes protegeram a linha defensiva, cobriram laterais, fecharam a frente da área e se revezaram no ataque. Denilson saiu mais, e marcou o primeiro - belíssimo - gol da partida. À frente deles, um articulador centralizado e dois wingers pelos lados. Um atacante fazendo o pivô. Nestas duas frases, com uma grande novidade.

Wenger contrariou a lógica e inverteu Van Persie e Bendtner. Com mais características para jogar pelo lado, embora já tenha sido atacante e organizador no Arsenal, Van Persie foi o atacante-pivô. E Bendtner, um centroavante de referência, assumiu a função de meia-extremo pela direita, com Arshavin na esquerda. Deu certo. O Arsenal apostou bastante nas viradas de jogo pelo alto, com Clichy e Arshavin acionando Bendtner, que de cabeça escorava para Van Persie.

Mas o maestro foi Fábregas. Embora vestindo a 4, o espanhol deu uma aula de como ser um camisa 10. Organizador nato, típico, tradicional, conforme manda o manual. Fábregas centralizou a articulação da equipe, pelo chão, com técnica, visão de jogo, e um elemento primordial para seu sucesso na função: o toque de primeira.

Fábregas parecia em um treinamento em campo reduzido. Brincou de não dominar a bola. Recebia e passava no mesmo toque. Prática que exige muita visão periférica para observar a movimentação dos companheiros. A visão periférica se caracteriza pela fixação do olhar em determinado ponto ampliando a percepção. Quem a domina, ao mesmo tempo olha para a bola e para o deslocamento dos companheiros. Antecipa, desta forma, a jogada que executará. Antes da bola chegar, sabe onde vai lançar. O que permite o toque de primeira. E para fazer isso, não pode ser comum. Tem que ser diferenciado. Tem que estar acima da média.

Quando a bola vinha dos volantes, Fábregas já acionava um dos wingers. Quando vinha dos lados, completava a inversão ou chamava o pivô de Van Persie. Sempre de primeira. Tocando e saindo para oferecer alternativa de retorno da bola. Sincronia de movimentos que desestruturou a marcação do Everton. Ninguém achou Fábregas. Que teve tempo ainda, apresentando-se para completar jogadas que iniciava, de marcar dois gols.

Outra boa credencial do Arsenal foi a bela apresentação do zagueiro belga Vermaelen. Impecável na zaga, e artilheiro na frente - fez um. Gallas e Eduardo, que saiu do banco, fecharam o placar. Embora com o mesmo sistema tático do ano passado, Wenger conseguiu dar uma revigorada no seu 4-5-1 com a inversão de Van Persie e Bendtner, e com a valorização de Fábregas no meio-campo.

Há um desconto. O Everton foi mal. Mas não se pode eximir de culpa um clube que aposta no "segundo escalão" do futebol mundial. Suas referências são um belga (Felaini), um sul-africano (Pienaar) e um australiano (Cahill). E quem escala o limitado Jô para ser o único atacante, convenhamos, está pedindo para não fazer gol.

Postado por Eduardo Cecconi

Todos querem parar o Chelsea na Inglaterra

18 de abril de 2009 3

Arsenal alterou o sistema tático, do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, e dessa forma deixou o centroavante Adebayor totalmente isolado

Na Liga dos Campeões, o Liverpool já havia modificado sua maneira natural de jogar na tentativa de conter o Chelsea. E hoje, pela semifinal da Copa da Inglaterra, foi a vez do Arsenal alterar a própria estrutura tática em função do rival londrino.

Todos já estão carecas de saber que o Chelsea de Guus Hiddink joga no 4-3-3. A equipe tem um volante centralizado (Essien) e dois apoiadores (Ballack e Lampard) atuando extremamente próximos no círculo central. As saídas pelos lados se dão com Anelka na ponta direita, ou com a dupla Malouda-Ashley Cole no lado esquerdo.

Hoje, Arsene Wenger mexeu no Arsenal. Saiu do seu predileto 4-2-3-1, e armou uma espécie de 4-1-4-1, conforme demonstra o diagrama tático que ilustra o post. Qual foi a diferença? O técnico do Arsenal passou o meia-ofensivo centralizado que se aproximava de Adebayor para o lado esquerdo (Van Persie). E substituiu o meia-extremo da esquerda (Arshavin) por um apoiador-marcador (Diaby).

Dessa forma, Wenger recuou o brasileiro Denilson para ser um volante central entre a linha defensiva e a linha de meio-campo. Centralizados, Diaby e Fábregas trocaram bastante de posição, sempre com preferência para o apoio do espanhol. E o time buscou as saídas rápidas com Walcott na direita, ou Van Persie na esquerda. Tudo isso assistido por Arshavin, do banco, e Adebayor, isolado no ataque.

O que eu acredito que tenha motivado Wenger: encaixar a marcação no meio-campo. Com Denilson, Diaby e Fábregas, ele empatou numericamente com Essien, Lampard e Ballack. Escalou a equipe e armou sua estratégia conforme o adversário. Isso é muito arriscado, e sempre perigoso. Adebayor perdeu a companhia, ficou isolado, e a equipe criou poucas oportunidades.

Minha filosofia é: quem modifica seu time pensando em anular as virtudes do adversário acaba também anulando as próprias virtudes. Pensa primeiro em não deixar jogar, e perde capacidade ofensiva. Foi o que aconteceu com o Arsenal, que saiu na frente com Walcott, mas levou a virada: Chelsea 2 a 1.

Os gols foram parecidos: dois lançamentos longos de Lampard, o primeiro para Malouda, o segundo para Drogba. Sem espaço para trocar passes curtos, e explorar a proximidade com os parceiros Essien e Ballack, Lampard recorreu à bola longa, abrindo a defesa do Arsenal, em busca do trio de atacantes.

Mais uma vez o Chelsea sai perdendo contra um adversário que entra em campo todo formatado para contê-lo. E mais uma vez o Chelsea, mantendo a escalação, o sistema tático e a estratégia de jogo inalterados, vira a partida. E vence. Guus Hiddink lida com as dificuldades fazendo pequenas adaptações, mas não me parece um treinador que castigue o próprio time anulando suas virtudes na tentativa de combater o adversário.

Nada contra quem pensa o contrário. E os resultados futuros podem me desmentir. Mas eu estou com Guus. Que o adversário se preocupe com ele, e não o contrário. Assim ele mantém seu time jogando, enquanto os outros seguem tentando pará-lo.

Postado por Eduardo Cecconi

Fábregas, Adebayor e Walcott revigoram o Arsenal

04 de abril de 2009 4

Mantido o 4-2-3-1 de Wenger, o Arsenal apresentou duas jogadas distintias - na esquerda com Clichy, graças às diagonais de Arshavin; e na direita, com Walcott, apronfundando. Todos em busca de Adebayor. Fábregas foi o organizador.

Também acompanhei hoje à vitória do Arsenal sobre o Manchester City, em Londres, e pude constatar um crescimento significativo no desempenho do time de Arsene Wenger. Mantido o sistema tático com o qual comanda a equipe há anos, o treinador do Arsenal recebeu do Departamento Médico reforços que podem revitalizar a equipe nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa.

O Villarreal, adversário do Arsenal na competição continental, não deve ter gostado nada desta notícia. Simultaneamente, retornaram à equipe inglesa o meia espanhol Fábregas, o meia ofensivo inglês Walcott, e o centroavante togolês Adebayor - autor dos dois gols da vitória de hoje.

É quase incalculável a diferença proporcionada pela presença deste trio, em comparação com a equipe que vinha jogando - clique aqui para ver como jogava o Arsenal "desfalcado". Se apenas a simples troca de Bendtner por Adebayor na frente já é algo significativo, as entradas de Walcott e Fábregas permitem à equipe maior controle da posse de bola, e principalmente, maior capacidade ofensiva.

Walcott substituiu o inoperante francês Nasri, entrando no lado direito da segunda linha de meio-campo. O russo Arshavin passou para a esquerda. E Fábregas entrou no lugar de Van Persie, alterando a característica da função. Se o holandês, um meia-atacante vertical, entra mais na área e se torna um segundo atacnte, Fábregas - ainda que centralizado, como o companheiro fazia - se destaca pela qualidade do passe, assumindo a organização da equipe, que estava órfã desta tática individual.

Mantido seu 4-5-1 (ou 4-2-3-1, como queiram), Wenger apresentou duas variações de jogadas: pela esquerda, Arshavin faz a diagonal para o meio e abre espaço para o apoio de Clichy; na direita, Sagna fica mais posicionado, porque é Walcott quem realiza as jogadas de linha de fundo. Adebayor se movimenta por todos os lados, fazendo o pivô ou entrando na área para concluir, enquanto Fábregas chega de trás, para a segunda bola, após articular o princípio de todas as jogadas.

O único problema que vejo é a dupla de volantes. Não pelo talento - Denilson e Song jogam muito bem com a bola no pé. Mas ambos estão saindo demais, e ao mesmo tempo, adiantando a marcação e participando da articulação. Com isso, eles deixam a defesa vulnerável. Hoje, o Arsenal permitiu ao City criar muitas oportunidades em espaços vazios herdados pelos avanços de Denilson e Song - algo que o Villarreal pode explorar nas partidas da Liga dos Campeões.

O City atuou no 4-1-4-1. Após duas alterações por lesão, ainda no 1º tempo, o time teve na linha defensiva Mica Richards na direita, Dunne e Onuoha de zagueiros, e Zabaleta pela esquerda; De Jong foi o volante centralizado; na linha de meio-campo, atuaram Wright-Philips pela direita, Robinho na esquerda, Elano e Gerson Fernandes centralizados (ambos entraram nos lugares de Kompany e Bridge, respectivamente); e Bellamy jogou no ataque. A movimentação ofensiva funcionou, com as oportunidades explorando as costas dos laterais e dos volantes. Faltou precisão nas conclusões.

Mesmo que Arshavin não possa defender o Arsenal na Liga, os retornos de Adebayor e Fábregas revigoram a equipe. Se a classificação contra a Roma foi sofrida sem eles, com esta dupla a equipe inglesa assume o favoritismo frente aos espanhóis.

Postado por Eduardo Cecconi

A boa estreia de Arshavin pelo Arsenal

21 de fevereiro de 2009 2

O Arsenal jogou em seu tradicional 4-5-1 (ou 4-2-3-1), com Arshavin posicionado como um meia ofensivo pelo lado direito, fazendo diagonais ou procurando a linha de fundo

Hoje o meia-atacante russo Arshavin estreou pelo Arsenal, vestindo a camisa 23, e desde cedo assumindo um protagonismo precipitado pelos diversos desfalques. E, apesar do empate em casa  - 0 a 0 com o Sunderland - Arshavin teve uma boa atuação.

Sem Adebayor e Eduardo Silva, lesionados, Arsene Wenger recuperou o sistema tático 4-5-1 tradicional do Arsenal. Este sistema, que também pode ser chamado de 4-2-3-1, serve de referência para diversas equipes que atuam com dois meias ofensivos abertos pelos lados - foi assim com Mano Menezes no Grêmio, por exemplo, que chegava a citar a equipe londrina em entrevistas.

Como o Sunderland posicionou-se absolutamente defensivo, todas as linhas dos Gunners se adiantaram. Os zagueiros Gallas e Toure ficaram próximos ao meio-campo; nas laterais, Sagna apoiou bastante pela direita, enquanto Clichy decepcionou com uma atuação bastante burocrática do outro lado; na intermediária ofensiva, dois volantes - Song um pouco mais atrás, na direita, e Denilson adiantado, pela esquerda.

À frente deles, três meias ofensivos: Nasri aberto na esquerda, Van Persie centralizado, encostando em Bendtner, e Arshavin no lado direito. E com os desfalques - além de Adebayor e Eduardo, o Arsenal não contou com Fábregas, Rosicky e Walcott - Arshavin naturalmente imantou as jogadas dos Gunners, centralizando a articulação.

No 1º tempo, em 8 chances criadas, Arshavin participou de 5 - foram três conclusões a gol e duas assistências. Neste período de vigor físico do russo, o Arsenal viveu seu melhor momento na partida. Arshavin teve duas jogadas preferenciais: a parceria com Sagna na linha de fundo; e as investidas em diagonais incisivas, pela área, do lado para o meio. Mas ele foi substituído aos 15min do 2º tempo, em função do cansaço - Arshavin não jogava desde novembro - levando consigo quase toda a qualidade da linha ofensiva de meio-campo.

Van Persie adiantou-se, Nasri foi para a direita seguindo com suas limitações técnicas, e o substituto de Arshavin - o mexicano Vela - mostrou-se uma contratação inexplicável, pelo excesso de erros técnicos primários (passes, cruzamentos e conclusões que não cabem a um jogador do Arsenal). O time caiu demais, e não conseguiu furar o bloqueio dos visitantes.

O empate frustra, e pode até certo ponto ofuscar a boa estreia de Arshavin. Mas o Arsenal teve 61% de posse de bola, e criou 19 oportunidades de gol - contra apenas 3 do Sunderland. O sistema tático é tradicional no clube, reconhecidamente eficiente em sua história recente (a geração dos invencíveis de Bergkamp o consagrou), e falta apenas à equipe acrescentar a qualidade técnica que por enquanto está no Departamento Médico. Arshavin, ao lado de Adebayor, Eduardo Silva e Fábregas, deve formar um quarteto de ponta no futebol inglês.

Postado por Eduardo Cecconi

Qual Arsenal teremos nesta temporada?

22 de novembro de 2008 0

Depois de ter sido surpreendido por um Arsenal desfalcado mas bastante eficiente em um clássico contra o Manchester United, assisti a uma equipe muito diferente hoje contra o xará City, do brasileiro Robinho. Os gunners levaram dois gols relâmpagos: de Ireland no final do primeiro tempo e do ex-atacante santista no começo do segundo. Sofrerem um terceiro, de pênalti, e precisam agradecer por não terem levado ao menos o dobro.

Já no jogo contra o United, o Arsenal mostrou que não possui um substituto do mesmo nível que Adebayor. Para uma equipe que conviveu por muito tempo com o brilhante Henry no comando do ataque, depender de Nicklas Bendtner é um suplício. Van Persie também foi muito abaixo da produção de Walcott no embate do oeç de novembro. Talvez ainda sentindo falta de ritmo de jogo, o holandês pouco se movimentou, foi anulado com facilidade pela defesa do City, e só levou perigo ao gol adversário em uma cobrança de falta.

Sem o rápido Walcott, o habilidoso Fabregas e o ala Sagna, o time de Arsene Wenger foi previsível. Clichy teve uma jornada deplorável, sendo batido com facilidade e cometendo muitos erros infantis na saída de bola. As únicas tentativas de armação de jogadas saíam dos pés do volante brasileiro Denílson, que não encontrava um companheiro para auxiliá-lo.

Desta forma, com um meio-campo lento e completamente dominado, o Arsenal foi presa fácil dos rápidos contra-ataques do City. Shaun Wright-Phillips encontrou uma defesa adversária muitas vezes em linha e desprotegida no avanço inconsequente e pouco organizado do resto da equipe. Os três atacantes Robinho, Benjani Mwaruwari, Darius Vassell (depois Daniel Sturridge) surgiram em velocidade na frente de Almunia por diversaas vezes na segunda etapa.

O 4-3-3 do técnico Mark Hughes pulverizou o time londrino e deu um pouco mais de esperança paras os torcedores do novo-rico europeu desta temporada. Como ponto negativa, deu o motivo do Manchester City oferecer uma fortuna pelo goleiro italiano Buffon. Joe Hart, como bom arqueiro inglês, não é nada

Postado por Márcio Gomes

Arsenal usa a velocidade para bater o Manchester

08 de novembro de 2008 4

A má campanha no começo do Campeonato Inglês e os desfalques de Adebayor e Van Persie indicavam que o Arsenal seria o azarão do clássico deste sábado, em Londres, contra o Manchester United. O sentimento foi reforçado quando no início da partida o zagueiro Silvestre deu uma recuada equivocada para Almunia. Completando a lambança, o goleiro do Arsenal segurou a bola com as mãos e o árbitro deu tiro indireto para o time de Alex Fergunson.

Nos primeiros 15 minutos, o 4-4-2 do Manchester logo se transformava num 4-2-4, com Cristiano Ronaldo, Berbatov, Rooney e Park trocando rapidamente do posição e confundindo a zaga do Arsenal. A aproximação de Anderson ao ataque, o avanço da marcação e os deslocamentos constantes criaram algumas oportunidades, muitas delas desperdiçadas por Rooney.

Os “Gunners  só entraram em campo" a partir dos 20 minutos, e usaram a arma que iria definir o cássico: a saída veloz para o contra-ataque. Sagna e Clichy abriram jogo pelas alas e equilibraram a partida. No entanto, o primeiro gol de Nasri saiu em um rebote aos 22. A zaga do Manchester afastou mal e o jogador do Arsenal chutou forte na bola, que desviou em Neville antes de entrar.

Porém, a jogada que definiu a partida ocorreu aos 2 minutos da segunda etapa. O ataque do Arsenal girou a bola no campo de ataque de forma ágil e eficiente. Fabregas passa para Nasri. Walcott puxou dois marcadores para a esquerda e deixou um espaço livre para o francês marcar o segundo gol da equipe da casa.

Diferentemente da posse de bola que era tão valorizada por Carlos Alberto Parreira na Copa de 2006, o Arsenal trocou passes com rapidez, e não da forma cadenciada utilizada pela Seleção Brasileira na Alemanha. Manter o domínio do jogo só é eficiente quando os jogadores se deslocam com eficiência e os armadores conseguem antever os movimentos de seus companheiros para distribuir as jogada. De nada adianta trocar passes de um lado a outro, girando a bola de forma burocráttca e sonolenta, e se limitando a cruzar para um ataque quase sempre anulado por uma defesa bem postada.

O Grêmio também sofreu deste mal quando enfrentou o Flamengo na segunda rodada do returno do Brasileirão. Ao tentar repetir a tática que havia dado certo dois jogos antes, contra o Atlético-MG no Mineirão, o tricolor gaúcho foi atropelado no começo da partida por uma equipe que adiantou a marcação, impediu a saída de bola do adversário e tomou conta da partida com facilidade.

De qualquer forma, nem mesmo o Arsenal conseguiu repetir a produção neste sábado por um longo período. Após abrir 2 a 0, o técnico Arsene Wenger tirou Walcott, colocou Toure e resolveu esperar o Manchester. Mesmo o contra-ataque se tornou mais lento e a qualidade do passe piorou com o passar do tempo. Igualmente, o time visitante não conseguiu reproduzir os deslocamentos da primeira etapa, e o quarteto ofensivo tinha dificuldades de vencer a defesa do Arsenal. Prova disso foram os chutes de longa distância, e sem direção, de Anderson, Rooney e Neville. A qualidade do jogo despencou.

A partida só voltou a ter emoção quando Alex Fergunson colocou o jovem lateral Rafael, brasileiro de 18 anos, na equipe. Com personalidade, ele ajustou a marcação do Manchester, coibiu os avanços de Fabregas pelo setor e ainda conseguiu marcar um belo gol aos 44 minutos da etapa final. Não foi o suficiente para recolocar o seu time na partida, mas deu esperanças para quem há muito anseia por um lateral-direito confiável na Seleção. Para ser mais exato, desde 2002.