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Posts com a tag "Barcelona"

O paredão com o qual Mourinho contraria a própria teoria

28 de abril de 2010 49

José Mourinho ampara o desenvolvimento de uma teoria tática própria em algumas premissas fundamentais, duas entre elas: ocupação equilibrada de espaços, e valorização da posse de bola. Hoje, na derrota de 1 a 0 para o Barcelona fora de casa, Mourinho contrariou tudo o que ele mesmo defende. Ainda assim, conquistou a classificação para a final da Champions League.

Este é um daqueles momentos que o comentário de resultado se sobrepõe à análise teórica. O próprio Mourinho não levou em consideração os conceitos nos quais acredita. Ele formou um paredão que, a partir do meio do 2º tempo - com a troca de Sneijder por Muntari, e o recuo de Cambiasso para o centro da linha defensiva - configurou um sistema 5-4-0.

No total, a Inter ofereceu ao Barcelona 86% da posse de bola, e dois terços de campo para trabalhar. A primeira linha se posicionou sobre o limite da grande área. E a segunda linha logo após a meia-lua. A partir da expulsão de Thiago Motta (a Inter jogava no 4-4-1-1), Mourinho apenas montou um 4-4-1, mas depois retrocedeu a um 5-4-0. Abdicou da posse de bola e da ocupação de espaços. Logo ele.

A estratégia é arriscada, mas deu certo. A Inter bloqueou os lados e a entrada da área. Forçou o Barcelona a procurar centroavantes que inexistem, cruzando bolas altas para pequenos atacantes e meias como Messi, Pedro, Bojan, Jeffren, Xavi. A carência é tão grande neste aspecto que o zagueiro Piqué se transformou em centroavante, e marcou o gol do Barça.

A questão - a despeito do resultado, que favoreceu a Inter - é oportuna: era necessário recuar tanto? Era necessário formar um 5-4-0 com nove jogadores posicionados a partir da meia-lua da grande área? Era prudente abdicar do contra-ataque, da posse de bola e da ocupação equilibrada de espaços apenas porque a equipe jogava com um a menos, fora de casa, e podendo perder por um gol?

Mourinho assumiu riscos, e teve sucesso nesta estratégia em razão da grande qualidade de seus defensores. Confiou no talento de Lúcio, Samuel, Cambiasso, Zanetti e outros tantos para destruir. Confiou na abnegação de Eto'o e Milito, que se resumiram a marcadores dos laterais. E confiou em Júlio César, quando não pudesse confiar em mais ninguém. Apostou nos seus jogadores.

Mas, ainda sobre a questão: eu já vi equipes com um jogador a menos jogarem como se não houvesse nenhum expulso. Eu já vi Mourinho atacar fora de casa e, no 4-3-3, vencer equipes fortes. Hoje eu vi um Mourinho que se contradisse, e apesar do resultado, fez do futebol um esporte um pouco mais triste - que me perdoem os fãs de resultado. Na teoria - na teoria que ele defende - a Inter poderia ter se classificado sem se comportar de maneira tão passiva.

*ATUALIZAÇÃO: tomo a liberdade de prolongar o debate, respondendo aos comentários que dizem ser "impossível" enfrentar o Barcelona de outra forma que não seja formando paredões atrás da meia-lua da grande área, abdicando de qualquer saída de bola, posse de bola, ou algo parecido. Discordo.

Esse pensamento faz a Inter assumuir uma pequenez que não lhe pertence. Será mesmo "impossível" para esta Inter com Eto'o, Diego Milito, Maicon, Cambiasso, Sneijder...segurar o jogo de outra forma? Valorizar mais a posse, propôr saídas, gastar o tempo sem ser assediada integralmente na partida? É tão ruim e fraco tecnicamente este time? Acredito que não. Pelo contrário. É uma seleção estrangeira.

Reitero, entretanto, que o resultado se contrapõe a qualquer teoria ou opinião contrária. Deu certo. A Inter conseguiu a classificação com esta estratégia, mesmo sem ser um time pequeno, e mesmo tendo um elenco com sobra de condições para se comportar de maneira diferente.

Lembro ainda que estamos debatendo, alguns concordando, outros discordando, mas sempre com argumentos e opiniões consistentes. É isso que faz do Preleção um fórum sobre táticas. Agradeço a todos pela participação.

Confronto dos 4-3-3's espelha o meio-campo

20 de abril de 2010 30

Eu ainda ontem utilizei a palavra "espelhamento" com alguma restrição, em post sobre o Inter de Fossati. Para mim, a palavra é empregada equivocadamente, porque o espelho configura a imagem invertida, não a exata. Quando se fala que dois sistemas iguais jogam espelhados, eu discordo. Mas hoje aconteceu um espelhamento que atende ao significado da palavra. Foi no meio-campo, na partida entre Inter de Milão e Barcelona.

As duas equipes optaram pelo 4-3-3. José Mourinho, na Inter, organizou o meio-campo com dois volantes e um meia-articulador - desenho que pode ser descrito como "triângulo de base baixa". Thiago Motta e Cambiasso foram os volantes, muito atentos à marcação dos meias adversários, e também à cobertura dos laterais. Eles contaram ainda com o auxílio de Pandev, que recuava pela esquerda - sem deixar de ser atacante - para fazer o primeiro combate a Daniel Alves. Confiram no diagrama tático abaixo:

Já no Barcelona, Guardiola - também no 4-3-3 - desenhou seu meio-campo em triângulo de base alta. Um volante (Busquets) e dois meias ofensivos (Xavi e Keita). A compensação, para a basculação da linha defensiva, se dá - na teoria, pois hoje não funcionou como o planejado - com a permanência de um lateral na base. Busquets, quando preciso, também pode recuar por dentro, empurrando um dos zagueiros para a cobertura da faixa direita ou esquerda. Também em diagrama tático, abaixo:

Isto sim configura um espelhamento. O triângulo de base alta do Barça se encaixa perfeitamente ao triângulo de base baixa da Inter. Dois volantes italianos pegando dois meias espanhois, um volante catalão marcando um meia milanês.

E, quando há encaixe na marcação espelhada, os técnicos sempre destacam: é hora da individualidade. O debate foge às limitações táticas, e passa para a avaliação do desempenho de cada jogador envolvido na trama. Afinal, para qualquer das duas equipes funcionar, deveria haver vitória de alguém - ou do marcador, ou do armador.

Neste aspecto, os jogadores da Inter saíram-se melhor. Principalmente os dois volantes, que forçaram Keita a abrir mais lateralmente, e Xavi a buscar o corredor central. Perderam poucas batalhas. Messi também centralizou, talvez na tentativa de jogar às costas dos dois volantes. Zanetti, entretanto, não saiu da base.

O confronto destaca diversos aspectos que fazem de José Mourinho um técnico acima da média. Apesar de discordar de algumas decisões dele - sempre quando recorre a um defensivismo injustificável - hoje Mourinho conseguiu anular as muitas virtudes de uma equipe quase imbatível. Cada peça do diagrama tático da Inter foi meticulosamente movimentada no sentido de combater, anular, bloquear, impedir de jogar, para daí em diante buscar os contra-ataques.

O reflexo deste espelhamento do meio-campo de duas equipes no 4-3-3 - uma vocacionada ao ataque, outra tradicionalmente cautelosa - está na estatística: uma posse de bola assustadora para o Barcelona (71% contra apenas 29%), mas total equilíbrio no número de oportunidades de gol - 9 da Inter, 10 do Barça. E vitória dos donos da casa, por 3 a 1.

Variação do Barcelona para o 3-4-3

02 de janeiro de 2010 15

Diagrama tático do Barcelona na final do Mundial

Hoje dou uma pausa na série de posts sobre a evolução tática para resgatar o confronto entre Barcelona e Estudiantes de La Plata, na final do Mundial de Clubes. Mais cedo, logo abaixo, já publiquei uma análise do 3-6-1 utilizado pelos argentinos. Agora, coloco em debate uma variação para o 3-4-3 apresentada pelo Barcelona no segundo tempo.

Acredito que houve esta variação, mesmo sabendo que a basculação de Abidal na linha defensiva não configura desestruturação do 4-3-3 original do Barça, conforme já expliquei antes - leiam aqui e aqui. Contra o Estudiantes, entretanto, foi diferente. Não aconteceu uma simples basculação para a cobertura de Daniel Alves, mas sim o reposicionamento dos zagueiros e do lateral-esquerdo.

A variação para o 3-4-3 fica evidente a partir da entrada de Jeffren. Guardiola fixou Pique, Puyol e Abidal como zagueiros, abriu Jeffren e Daniel Alves como wingers pelos lados, e os alinhou aos meio-campistas Xavi e Yaya Toure. Ele mexeu ainda na configuração do ataque, desfazendo a linha ofensiva e formando um triângulo de base alta, com Messi centralizado, tendo à frente Ibrahimovic mais à esquerda, e Pedro mais à direita, mas todos com muitas trocas e movimentação.

Deu certo. O Estudiantes, no 3-6-1, marcava individualmente na defesa. E variação para o 3-4-3 indefiniu esta marcação argentina. Cellay não tinha mais Henry aberto pelo lado para marcar. Messi ficou distante de Ré. E o principal: Ibrahimovic passou a fazer movimentos de pivô, abrindo da meia-esquerda para o lado, deixando Desábato sem saber o que fazer enquanto Messi e Pedro infiltravam-se em diagonais na grande área escancarada.

O Barcelona suou para furar o bloqueio, e conseguiu. Graças, eu sei, ao talento de seus jogadores. Entretanto, resultado ainda mais amparado na alteração tática. Futebol é esporte coletivo, e geralmente ganha - apesar da qualidade técnica - quem estiver melhor organizado, ocupando melhor os espaços. Guardiola soube entender o que Sabella propunha do outro lado, encontrando uma forma de explorar as falhas do 3-6-1, principalmente as marcações individuais (perseguições).

Jeffren aberto pelo lado acabou com Clemente Rodriguez, e tirou Cellay da área na cobertura. Criou-se um efeito cascata. Ibrahimovic recuava e recebia livre, abrindo corredores para o trânsito de Messi e Pedro. Daniel Alves se adiantou ainda mais. Xavi e Toure também, para a segunda bola e a organização, distribuindo o jogo. A linha de três zagueiros fixou-se praticamente no meio-campo. Futebol bonito, e de resultado: seis títulos em 2009.

Postado por Eduardo Cecconi

Barça abre mão do 4-3-3 sem perder a força

25 de novembro de 2009 12

Barcelona muda e vence bem, com Iniesta desestruturando a marcação italiana

Ontem contra a Inter de Milão o técnico Guardiola preparou uma variação tática interessante no Barcelona. Ele abriu mão do tradicionalíssimo - e histórico - 4-3-3 do clube catalão, posicionando os jogadores em um 4-4-2 com desenho de difícil descrição no meio-campo. E a modificação de sistema em nada alterou a estratégia de jogo do Barça, que seguiu valorizando posse de bola com objetividade e ofensividade.

Culturalmente, o Barça joga no 4-3-3 com triângulo alto - vejam aqui. Na linha defensiva há sempre um lateral-apoiador e um base; no meio-campo, um volante centralizado e dois meias articuladores e ofensivos na base alta. O ataque costuma ter dois "pontas" de pés invertidos - destro na esquerda, canhoto na direita - com um finalizador na área. Mas ontem Guardiola não tinha nem Messi nem Ibrahimovic. E mudou o sistema.

Henry passou para o centro do ataque, com Pedro aberto na ponta-esquerda. Mas Iniesta, substituto de Messi, não foi atacante pela direita. Ele fechou para a meia-direita, empurrando Xavi para o meio e Keita ainda mais para o lado. Esta basculação dos meias formou uma espécie de linha com Keita na esquerda, Xavi ao centro e Iniesta pela direita - completamente livre para se movimentar e fazer diagonais na direção de Henry.

Esse posicionamento novo segurou Xavi, que permaneceu mais por dentro, no auxílio a Busquets. E Iniesta desestruturou o sistema defensivo da Inter, no seu 4-4-2 em losango. Ele bateu com Cambiasso, primeiro vértice do meio-campo, mas pela movimentação frequentemente tirou o volante argentino da frente da área, abrindo espaços para a circulação - sem marcação - de Henry, Pedro, Keita ou Xavi na entrada da área italiana.

Outro detalhe ofensivo é a compensação de forças, mantendo o equilíbrio da equipe. Sem Messi, e com Iniesta fechando na meia-direita, Guardiola abriu um corredor para o apoio de Daniel Alves. O lateral-direito atuou de maneira muito ofensiva. Do outro lado, com Pedro e Keita ocupando a faixa esquerda ofensiva, Abidal praticamente não pisou no campo adversário, mantendo-se na base da linha. Iniesta ora subia pelo meio, ora ajudava Daniel Alves na direita. O meio ainda contava como pivô de Henry e a aproximação de Xavi. Muitas opções, em todos os setores.

Defensivamente, houve uma basculação interessante. Pique saía na eventual cobertura de Daniel Alves, trazendo Puyol para a zaga central, e Abidal para a quarta-zaga. Esse movimento lateral sincronizado da linha defensiva é comum nos times que se utilizam do 4-4-2 em duas linhas, já que em outros sistemas quem cobre o lateral é o volante. Mas o Barça adotou esta estratégia, com sucesso, mantendo Busquets na frente da área, enquanto os zagueiros e Abidal seguravam as pontas na linha defensiva.

Um parêntese é válido para Mourinho. Embora seja seu fã, mais uma vez o técnico português até certo ponto me decepciona. Ontem no losango ele escalou três volantes marcadores: Thiago Mota, Cambiasso e Zanetti. Sei que estava sem Sneijder, mas ainda assim faltou ambição. A Inter jogou para não sofrer gols - como aconteceu em Milão no turno - e permitiu ao Barça controlar a posse sem oferecer resistência. É pouco para um grande elenco e para um grande técnico.

Mesmo sem o 4-3-3, sem Messi e Ibra, e com todas essas alterações táticas significativas, o Barcelona não alterou sua filosofia de futebol. Uma maneira linda de jogar: a posse de bola objetiva. O Barça teve assustadores 66% de posse. A Inter praticamente não viu a bola. E não é um controle enfadonho, de passes laterais.

A posse do Barça é objetiva. Trocam passes e se movimentam buscando espaços para a imediata infiltração. E quando não encontram chance, retomam o movimento devolvendo a bola para Xavi ou Iniesta redistribuírem o jogo. São muitas variações, combinações e movimentos ofensivos de uma equipe que chega a se posicionar com sete jogadores no campo ofensivo - o que permite pressão-alta na marcação assim que a bola é perdida, forçando o adversário a errar o contra-ataque.

Eu vejo o Barcelona jogar desta forma - sem Messi e Ibra - e lamento que no Brasil tanta gente goste do 3-6-1...como é bonito ver uma equipe que gosta de jogar futebol com a bola no pé sem perder a objetividade e sem se desguarnecer, marcando forte no campo adversário e criando diversas opções de jogadas.

Postado por Eduardo Cecconi

Barcelona, pelo bem do futebol

27 de maio de 2009 19

O Barcelona jogou em triangulação entre as duas linhas do Manchester, às costas de Carrick, com Messi centralizado em movimento de recuo na direção de Xavi e Iniesta

Embora o futebol seja um esporte onde estatísticas estão vulneráveis à ação do imponderável, hoje a final da Liga dos Campeões demonstrou a consequência mais lógica do confronto entre uma equipe que tem vontade de vencer, contra outra que não quer deixar o adversário vencer. Nem sempre esta lógica prevalescerá, mas em Roma a equação foi matemática. A vontade de vencer se sobrepõe ao medo de perder. Deu Barcelona, pelo bem do futebol! Louvado seja o 4-3-3 catalão.

Guardiola foi genial ao desmontar o sistema defensivo do Manchester United com apenas um movimento: a inversão de posições entre Messi e Eto`o. O Barcelona se manteve em seu histórico 4-3-3 da escola Cruyff, com estratégia voltada à manutenção da posse de bola e às triangulações. E acrescentou à sua característica uma alternativa tática que esculhambou com as pretenções defensivistas do time inglês.

Messi tem maior mobilidade do que Eto`o. E Guardiola decidiu que venceria a partida pelo meio. Como? Atuando entre as duas linhas britânicas. Mesmo que as linhas estivessem compactas na teoria (o que não aconteceu na prática), o treinador do Barça apostou tudo na vulnerabilidade do espaço entre elas. Por ali, Messi movimentou-se em recuo, aproximando-se dos meias Iniesta e Xavi.

Messi, no recuo centralizado entre as duas linhas do Manchester, indefiniu a marcação inglesa. Ele estava distante o suficiente para que Vidic desistisse de marcá-lo no sistema de zona com pressão sobre a bola; e também estava às costas de Carrick, orientado a combater quem entrasse em sua zona pela frente - Iniesta era o alvo. Se Vidic avançasse, Messi ou Eto`o cairiam às suas costas. E se Carrick recuasse, Iniesta teria espaço para a avançar. Touché!

Apesar do mau início, tenso, o Barça equilibrou-se a partir do gol de Eto`o, aos 10min, confirmando aquilo que foi dito ontem aqui no Preleção: o time catalão valoriza a posse de bola e a mantém sob controle com aproximações em triângulo. Tendo o resultado a favor desde cedo, então, o time espanhol intensificou o domínio do meio-campo, a troca de passes, as variações pelos lados e pelo meio, e a paciência à procura das melhores infiltrações explorando a indefinição da marcação sobre Messi.

Mas Guardiola teve um excelente auxiliar-técnico: Sir Alex Ferguson. O treinador do Manchester United parece ter sido orientado a trabalhar pelo Barcelona. Como se previa, ele deu prosseguimento ao 4-4-1-1 com vocação defensivista, e estratégia de especular contra-ataques rápidos. Sistema prejudicial agravado pelas inversões de posicionamento, e pelas predileções pessoais do treinador.

Ferguson tem três atacantes de área - Rooney, Berbatov e Tevez. Não começou o jogo com nenhum. Berbatov e Tevez seguiram no banco, e Rooney manteve-se na asa-esquerda da segunda linha. Ferguson tem o melhor winger do mundo - Cristiano Ronaldo. Pois decidiu seguir com o português como único atacante, centralizado e refém de zagueiros. Ninguém conseguiria explicar ainda porque J.S Park é titular.

Se a ideia era jogar para conter o Barcelona, mesmo que em detrimento das próprias virtudes, Ferguson deveria ter optado pelo 4-1-4-1. Com Scholes no lugar de Giggs, ou de Anderson. Com um jogador entre as duas linhas, e não à frente da segunda linha, Ferguson poderia ocupar o espaço onde Messi comandou a partida, e evitar que o Barcelona jogasse às costas do seu meio-campo. Com Scholes entre as linhas, o Manchester definiria a marcação que foi absolutamente envolvida pelas triangulações centralizadas, planejadas por Guardiola, e bem executadas pelos atletas.

Em um time superior taticamente, as virtudes dos jogadores - que já são craques - são valorizadas. Messi, Iniesta e Xavi foram perfeitos. Mas o Barça teve outros destaques: Piqué, imbatível na defesa. Busquets foi seguro, assim como o improvisado Touré na zaga. Puyol, de lateral, além de exercer marcação implacável, ainda ficou distante do próprio gol, onde costuma deixar furo, e foi bem.

Já em um time mal escalado, e taticamente equivocado, as qualidades dos jogadores - mesmo que craques - se esvaem. Cristiano Ronaldo começou bem, mas se apagou. Rooney, Evra, Anderson...todos os expoentes técnicos do Manchester naufragaram.

Para encerrar a linha de raciocínio. Vejam a ironia do destino: Ferguson se esforçou em apenas anular as virtudes do adversário, mas acabou matando as qualidades do próprio time. Venceu quem jogou para vencer. Guardiola deu uma aula, inclusive a treinadores brasileiros que costumam seguir a filosofia do "primeiro não deixar jogar, para quem sabe - se der - tentar um golzinho numa cobrança de escanteio". Deu Barcelona, reitero, pelo bem do futebol!

Postado por Eduardo Cecconi

Barcelona e Manchester: posse e contra-ataque

26 de maio de 2009 11

Tudo indica que a final da Liga dos Campeões terá o Barcelona valorizando a posse de bola, com a iniciativa de jogo; e o Manchester aguardando bem posicionado, para os contra-ataques

É sempre complicado fazer projeções táticas, ainda mais quando as próprias escalações das equipes estão indefinidas. Mas, frente àquilo que Barcelona e Manchester United apresentaram durante a temporada, é possível se fazer uma previsão do enfrentamento de amanhã, que decide o grande vencedor da Liga dos Campeões da Europa.

O Barcelona vai manter seu 4-3-3 histórico. Os desfalques de Daniel Alves, Abidal, Rafael Marques e Milito obrigam o técnico Guardiola a mexer na escalação, mas não no sistema tático. Principalmente, porque seus protagonistas estarão em campo, até Henry e Iniesta, que recuperam-se de lesão.

A principal característica do Barcelona é a manutenção da posse de bola. Nesta edição da Liga dos Campeões, em média a equipe catalã permanece durante mais de 70% de cada jogo com o controle da bola. Não surpreende, portanto, o Barça ter emplacado o melhor ataque, e Messi na artilharia.

Isso porque o Barcelona alia a valorização da posse de bola com a objetividade. A equipe não troca passes com monotonia. É uma posse de bola agressiva, vertical, estruturada naquilo que Paulo Autuori bem conceitua de "pequenas sociedades": o Barça articula-se com diversas triangulações, pelos lados e pelo meio. Na frente, o trio ofensivo tem os "pés invertidos" - o canhoto Messi na direita, e o destro Henry na esquerda, municiados pelos meias Xavi e Iniesta, e com Eto`o centralizado.

A estratégia proporciona uma grande variação de jogadas. Há linha de fundo, com os laterais, em cruzamentos rasteiros ou bola aérea; há diagonais, com os atacantes; há tabelas curtas, pelos lados ou pelo meio, quando reúnem-se meias e atacantes; e há conclusão a média distância, com a precisão dos meias.

O Manchester, do contrário, não tem dúvidas por lesão. Ferdinand se recuperou, e apenas Fletcher está fora, por suspensão. Mas Sir Alex Ferguson mantém a incógnita no sistema tático. Qual será sua escolha? Afinal, nesta temporada, ele se utilizou do tradicional 4-4-2 britânico, em duas linhas de quatro jogadores, e de outras duas variações: o 4-1-4-1, e o 4-4-1-1.

Minha hipótese (mesmo a milhas de Roma, e sem ter acompanhado nenhum treino): Ferguson deve apostar no 4-4-1-1. Foi este o sistema tático que lhe garantiu o empate em Milão contra a Inter, e desde então tornou-se predileto do técnico do Manchester.

Neste 4-4-1-1, Ferguson faz várias alterações estruturais: descarta ao mesmo tempo os atacantes Berbatov e Tevez; inverte Cristiano Ronaldo e Rooney, passando o português para o ataque centralizado, e o inglês para a asa-esquerda do meio-campo. Ali, Rooney se alinha com Park na direita, e com Giggs pouco mais atrás, pelo meio. Os volantes são Carrick e Anderson.

Fico, entretanto, com uma suspeita. Em jogos decisivos, Ferguson costuma apostar nos mais experientes. Não me causaria espanto a presença de Scholes, por exemplo, no lugar de Anderson. Nesta possibilidade, o Manchester ficaria no 4-1-4-1, com Carrick entre as duas linhas, e Scholes formando o meio-campo com Giggs ao lado, Park e Rooney abertos.

ENFRENTAMENTO: os dois sistemas táticos, e as duas estratégias, encaixam-se perfeitamente, mesmo que quase opostos. O Barcelona gosta de jogar com a bola, prefere ter a posse e insiste no campo ofensivo; já o Manchester, equipe de melhor defesa da competição, desde o preterimento do 4-4-2 se tornou um time que gosta de ceder posse e campo ao adversário, abdicando da articulação para adotar como estratégia principal as estocadas rápidas em contra-ataques mortíferos.

Estas duas situações me levam à convicção de que teremos um jogo de posse de bola versus contra-ataque; Barcelona com a bola, tendo iniciativa e propondo o jogo, à procura de espaços, contra o Manchester bem posicionado defensivamente, com linhas agrupadas, pronto para o bote. Ambos atuando como gostam, com os sistemas táticos e estratégias que os levaram até o final.

Postado por Eduardo Cecconi

Como joga o Barcelona campeão espanhol

20 de maio de 2009 17

Diagrama tático do Barça mostra o 4-3-3 com jogadores próximos, e muita passagem para jogar - dos laterais, dois meias, e dos atacantes

Com os posts sobre o Manchester United e a Inter de Milão, abrimos a série de análises dos sistemas táticos preferenciais das equipes campeãs nacionais. Agora, é a vez de apresentar para o debate o Barcelona, que levantou o troféu na Espanha.

O Barcelona atua no 4-3-3. O sistema tático mantido por Guardiola faz parte de uma filosofia tática implantada no clube desde a "escola Cruyff", há quase três décadas. O Barça se utiliza deste sistema, qualquer que seja o treinador, desde as categorias de base até o time profissional.

E os resultados comprovam que é possível sim aliar qualidade com competitividade. Mesmo no 4-3-3, o Barcelona não é um time "faceiro" - como dizem os defensivistas gaúchos - vulnerável, exposto ou fraco defensivamente. A estratégia, com diversas táticas de grupo interligadas, privilegia a compactação da equipe, tanto com a bola, como também na marcação.

Paulo Autuori, em entrevista à Sportv ontem, utilizou o Barcelona como exemplo de um conceito que na Espanha se chamam "pequenas sociedades". O Barcelona joga todo com triângulos. Notem no diagrama tático que ilustra o post que sempre há três jogadores próximos, em qualquer setor. Só para exemplificar, na direita dá para pegar Puyol-Alves-Touré, Alves-Touré-Xavi, Alves-Xavi-Messi, Xavi-Messi-Eto`o, Messi-Eto`o-Alves...e vale o mesmo para o meio, ou para a esquerda. Triângulos interligados, mantendo a equipe compacta, articulada com a bola (propícia a tabelas curtas, e velocidade) e fechada sem ela.

Na defesa, Daniel Alves apoia mais do que Abidal, mas os dois laterais passam bastante da linha da bola. Yaya Touré é o único volante, cobrindo os dois lados. Na articulação, Xavi joga à direita, e Iniesta à esquerda. E no ataque, Guardiola também não mexeu na estratégia dos pés invertidos - o canhoto Messi aberto na direita, e o destro Henry na esquerda, ambos puxando diagonais em direção aos meias e ao centralizado Eto`o, e abrindo ao mesmo tempo o corredor para o apoio dos laterais.

Sem a bola, todos marcam. Mas o principal sistema de marcação do Barcelona é jogar. O time marca com a bola. Como? Mantendo a posse, valorizando trocas de passes, movimentação, compactação - dentro da filosofia das "pequenas sociedades" (uma definição interessante para tática de grupo) - o Barcelona impede o adversário de jogar. Em média, segundo os scouts da ESPN, o Barça mantém nessa temporada posse de bola próxima dos 70% por jogo. Setenta por cento do tempo impedindo o adversário de jogar, sem para isso escalar outro zagueiro, mais volantes, recuar linhas e posicionar-se defensivamente.

O Barça joga. Nos outros 30%, mantém os triângulos compactos, e marca. É claro que contar com jogadores de alta qualidade técnica ajuda a manter o 4-3-3 e a estratégia da escola Cruyff. Mas o Barcelona, há muito, é o exemplo que dá certo, do futebol que alia qualidade com resultado, e que deve dar muita insônia para treinadores e comentaristas que vêem no futebol um esporte "defensivo".

Postado por Eduardo Cecconi

O Barça não sabe jogar sem três atacantes

06 de maio de 2009 7

Iniesta pisou em praticamente todos os pontos do gramado no campo ofensivo, flutuando da direita para a esquerda, onde se fixou no 2ºtempo

É incrível como a ausência de Henry desestruturou a conclusão das jogadas do Barcelona hoje, dia no qual a equipe catalã conseguiu uma épica classificação à final da Champions League empatando com o Chelsea por 1 a 1, em Londres. O gol foi marcado por Iniesta aos 48min do 2ºtempo, premiando o jogador que precisou se sacrificar em função da vocação tática ofensiva.

Guardiola sistematizou o Barça em um 4-4-2, sem referência na área. Eto`o abriu na esquerda, ocupando o lugar deixado por Henry, e Messi se manteve na ponta-direita. Mas o treinador optou por não escalar o terceiro atacante, modificando a estratégia.

O Barça acrescentou um "líbero" ao meio-campo. O time continuou com o triângulo do setor - Busquets de primeiro volante, Xavi na armação pela direita, e Keita na esquerda. E o talentoso Iniesta jogou sem posição fixa, aproximando-se do jogador com a posse de bola - ora na direita com Messi, ora na esquerda com Eto`o, ora pelo meio com Xavi e Keita. Não deu certo.

Durante todo o primeiro tempo, o Barcelona conseguiu repetir uma de suas principais virtudes - alcançou 70% de posse de bola. Mas controlou a partida entre-intermediárias, sem profundidade. Ou seja, a saída da figura centralizada fez a equipe abdicar de sua segunda principal virtude - a criação massiva de oportunidades e conclusões a gol.

No 2ºtempo, Guardiola redesenhou o 4-3-3. Ele centralizou Eto`o e improvisou Iniesta - aquele que já havia se sacrificado pelo novo sistema - como um atacante aberto na esquerda. Afinal, depois de toda a tradição criada desde a escola Cruyff - confiram no post em destaque na coluna da direita - o Barça demonstra que não sabe jogar fora do 4-3-3. Mas, perdendo o jogo, e precisando do empate, o Barça começou a se desesperar batendo e voltando no paredão do Chelsea.

Na imagem que ilustra o post eu reproduzo o Heat Map de Iniesta, publicado no site da ESPN. E as marcas amarelas e laranjas pelo campo inteiro demonstram que ele realmente flutuou de lá para cá. A maior incidência de pontos laranjas na esquerda são consequência de sua fixação pelo setor no 2ºtempo.

A estratégia de Guus Hiddink no Chelsea parecia ter obtido um sucesso irrecuperável. Ele bloqueou os lados, impedindo as diagonais e infiltrações dos atacantes, com as dobradinhas Cole-Malouda na esquerda, e Bosingwa-Anelka na direita. E manteve a marcação sob controle no meio-campo, trazendo o adversário para um setor "embolado" - apesar de não ter a posse de bola, não permitia ao Barça chutar a gol. No abafa, ele só permitiu ao adversário acertar o alvo uma vez. E não deve ter acreditado no que seus olhos insistiam em afirmar.

Segundo a estatística da partida, o Barça deu apenas um chute a gol. Aos 48min do 2ºtempo. Com Iniesta, em uma jogada toda "desorganizada" - Messi na esquerda, ele pelo centro. E o meia espanhol acertou um balaço. O gol da classificação. Iniesta leva o Barcelona à final de Roma contra o Manchester recebendo do imponderável a recompensa pela aplicação tática.

Postado por Eduardo Cecconi

Barcelona segue a escola Cruyff de 4-3-3

18 de janeiro de 2009 6

O 4-3-3 do Barcelona conta com apenas um volante, dois meias, um lateral-apoiador, e três atacantes velozes. Tudo originado de um conceito de futebol que vigora desde as categorias de base

Estava devendo aqui no Preleção um post sobre a equipe que está tendo o melhor desempenho entre os campeonatos nacionais de primeira linha na Europa: o Barcelona. Líder do Campeonato Espanhol, este final de semana o Barça afundou o La Coruña com uma goleada de 5 a 0.

O assunto é oportuno para contextualizar a história do clube. O Barcelona segue o conceito que na Espanha se chama "Escola Cruyff". É uma filosofia de futebol trazida ao clube pelo craque holandês, primeiro como jogador, depois como treinador, que alia inteligência dos jogadores com padronização tática.

No Barcelona, o 4-3-3 é quase uma norma estatutária, assim como o 4-4-2 britânico no Manchester United ou no Liverpool. Este é o sistema tático predominante desde as categorias de base. Nos profissionais, qualquer que seja o treinador escolhido, o sistema tático predileto é o nostálgico e belíssimo esquema com três atacantes.

E agora fica mais fácil manter o conceito de Escola Cruyff - jogadores com capacidade para compreender várias funções, e sistema 4-3-3 - quando o técnico se criou na própria casa. Guardiola começou a carreira de jogador no Barça, onde aprendeu a filosofia tática do clube, e agora inicia a jornada de técnico pelo mesmo caminho.

Por isso hoje o Barcelona assombra o futebol espanhol - e defensivistas de todo o Mundo que se perguntam "quem é que marcar?" - com seu arrojado 4-3-3. Todos marcam e tentam tirar espaços dos adversários, mas o Barça gosta mesmo é de jogar. Ter a bola.

Não há marcação melhor do que manter a posse de bola. Afinal, o óbvio nos diz que o detentor da bola não pode levar gol - a não ser que chute contra o próprio. Trocando passes, movimentando-se e criando espaços, os jogadores do Barcelona alcançaram 64% da posse de bola contra o La Coruña. Repito: 64%. Em um 4-3-3 composto no meio-campo por apenas um volante típico, tendo um lateral-apoiador pela direita, dois meias de aproximação, um centroavante nato e outros dois atacantes habilidosos e velozes.

O Barcelona marca o adversário não o deixando ver a bola. Com 64% de posse de bola, por exemplo, o clube catalão criou 21 oportunidades de gol. O La Coruña, com seus mirrados 36%, criou uma só. O goleiro Valdez não fez nada além de bater tiros de meta. O Barça cometeu apenas oito faltas. Jogou com a bola. Sua marcação é propôr o jogo, manter a posse e insistir no campo do adversário - com ou sem ela, articulando-se ou pressionando a saída.

A estratégia de Guardiola dentro do sistema 4-3-3 é praticamente a mesma herdada de Rijkaard, com atacantes de "pés invertidos". Onde atuava Ronaldinho Gaúcho - na esquerda - está Henry, enquanto Messi segue aberto na direita. Ambos fazem diagonais na direção de Eto`o. Xavi atua na articulação da para o meio, próximo de Messi e do ultra-apoiador Daniel Alves. Na esquerda, Abidal sobe menos, assim como o meia Keita. Yaya Toure segura as pontas de volante, com a zaga bem adiantada.

Messi fez um gol, Henry e Eto`o marcaram dois cada. Só o Barcelona jogou. E no 4-3-3 com três atacantes legítimos, dois meias, um lateral-apoiador e um volante. Uma escola de futebol ao mesmo tempo nostálgica e atual, quebrando os paradigmas de quem associa segurança defensiva ao número de defensores colocados à frente da área, e não ao volume de jogo, à posse de bola e à insistência pela vitória. Conceito inteligente e eficiente, ousado e competitivo.

Postado por Eduardo Cecconi

Categorias de base e inteligência no Barça

25 de novembro de 2008 3

Miguel Angel Morenatti, AP

O Barcelona é um dos clubes que mais revela bons jogadores há muito tempo. Messi, Fábregas, Xavi e Krkic são exemplos recentes do trabalho valioso do clube catalão nas categorias de base. Conferi um pouco deste histórico na edição de lançamento da revista britânica FourFourTwo no Brasil.

Desde cedo, o clube emprega a "filosofia Cruyff". A idéia é trabalhar de maneira diferenciada o desenvolvimento da inteligência dos jogadores. Rinus Michels, treinador da famosa Holanda do Carrossel dizia que só conseguira ter sucesso no sistema tático proposto porque seus jogadores tinham Q.I`s acima da média. Eram atletas com capacidade para compreender quais espaços ocupar, que movimentos realizar, e qual a melhor estratégia a cada momento.

Com a filosofia Cruyff, o Barça quer isso. Além de obviamente oferecer aos garotos leitura, estudo e recursos intelectuais, os treinadores da base trabalham com diversas didáticas para que esses futuros jogadores desenvolvam velocidade de raciocínio, visão periférica, poder de concentração e tomadas de decisões. Tudo sem abdicar das partes táticas e técnicas, que geralmente são prioridade nas categorias de base brasileiras, por exemplo.

O que mais me chamou a atenção é o fato de que na base do Barça os meninos começam sem posição. Não adianta se dizer atacante, ou demonstrar vocação para o ataque. A idéia é escalar durante algum tempo estes meninos no maior número possível de posições. Messi garante ter atuado até na defesa.

Assim ele poderá, quando enfim passar a treinar especificamente em sua posição definitiva, a entender visões diferentes do campo. Ele saberá como seus companheiros estão percebendo o jogo, facilitando o entrosamento, a disciplina tática e a polivalência - entre outros valores.

No post do resumão eu falo sobre a tática individual - a função desempenhada pelo jogador. Um mesmo atleta, adaptado a diversas táticas individuais, sempre será útil às táticas de grupo (tabelas, tipos de marcação, coberturas, aproximações, triangulações) e ao sistema tático do coletivo. É essa a essência do trabalho do Barça: formar atletas inteligentes e capazes de entender as necessidades de cada partida, de cada lance.

Clube sem categoria de base forte perde suas duas maiores fontes de recursos: os bons valores criados em casa formam times que conquistam títulos (atraindo bilheterias, sócios e patrocínios) e também proporcionam boas negociações no futuro. E o trabalho do Barça, neste aspecto, parece-me de referência mundial.

Postado por Eduardo Cecconi