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Posts com a tag "Bayern de Munique"

Com um a menos, Bayern mantém estrutura tática

21 de abril de 2010 6

O técnico do Bayern de Munique não entrou em desespero quando perdeu Ribéry expulso ainda no primeiro tempo da partida com o Lyon, hoje, pela Liga dos Campeões da Europa. Pelo contrário. Recorreu a um simples recurso para manter a estrutura tática da equipe alemã, que mesmo sem o meia-atacante francês, venceu por 1 a 0.

O 4-4-2 em duas linhas do Bayern se transformou em um 4-4-1. Louis van Gaal manteve as duas linhas de quatro jogadores, com o reposicionamento do atacante Müller. O jogador, espécie de "curinga" do treinador, deixou a companhia que fazia a Olic, e ocupou a faixa esquerda do meio-campo. Onde estava Ribéry.

No outro lado, Robben seguiu como winger, enquanto Pranjic e Schweinsteiger permaneceram por dentro, sem alteração. O mesmo aconteceu com a linha defensiva: inalterada. E Olic ainda buscou, em determinados momentos, buscar jogo no pivô central, movimento que atrai a marcação e permite aos meias-extremos entrar na área.

No segundo tempo, van Gaal fez alterações que não modificaram o sistema. Primeiro, Tymoschuk substituiu Olic, para jogar como meia marcador. Logo depois ele desfez o recuo, com Mario Gomez no lugar de Pranjic. E encerrou as trocas possíveis já com a vitória parcial de 1 a 0, e faltando pouco tempo, trocando Robben por Altintop.

Na prática, apesar da expulsão, o Bayern não precisou abdicar do jogo. Manteve posse de bola - percentual de 65% - e atacou ordenadamente até conseguir a vitória. Acertou van Gaal em perceber que não era preciso recorrer ao banco de reservas assim que Ribéry foi expulso.

Van Gaal anda vendo jogos do Brasileirão...

26 de setembro de 2009 10

O 3-6-1 do van Gaal, com Ribery e Lahm nas alas

Não é segredo que o holandês Louis van Gaal disputa com certa vantagem o título de técnico mais chato do futebol europeu. De cara, logo ao chegar no Bayern de Munique, escurraçou Lúcio e Zé Roberto. Mas hoje, na derrota fora de casa para o Hamburgo, van Gaal apresentou uma característica que eu até então desconhecia: a inspiração no trabalho de alguns técnicos brasileiros.

Não sei se na VT do van Gaal passa a Globo Internacional, mas acredito que ele esteja assistindo a jogos do Brasileirão. Pois hoje o técnico do Bayern me surpreendeu completamente ao adotar o sistema tático 3-6-1, o segundo em preferência no futebol brasileiro recente - perde apenas para o 3-5-2.

O Bayern perdeu para o Hamburgo se utilizando de um 3-6-1 "torto" no 1º tempo. Digo torto porque na prática ele não definiu um ala pela esquerda. Na essência, entretanto, van Gaal partiu do mesmo princípio que norteia os sistemas com três zagueiros aqui no Brasil: embora a teoria diga o contrário, os alas são jogadores de ataque pelos lados.

Logo no início do jogo, van Gaal desfez o 4-4-2 quase em duas linhas do Bayern. Recuou Breno, que atuava improvisado na lateral-direita, e inverteu o lateral-esquerdo Lahm, que se tornou ala pela direita. Breno formou a defesa com van Buyten - que ficou na sobra - e Badstuder.

A ala-esquerda ficou sob encardo de Ribery, que não alterou seu posicionamento original. Ele permaneceu adiantado no setor, aberto sobre a linha lateral, mas agora sem a cobertura de Lahm - que ocupava o mesmo papel lá na direita. Van Gaal espetou ambos lá em cima, mantendo Breno na cobertura de Lahm, e em função da maior agressividade de Ribery, trazendo Schweinsteiger para a sua proteção.

Schweinsteiger formou com Tymoschuk a dupla de volantes, ou de meio-campistas defensivos, centralizados. À frente deles, uma dupla de meias-ofensivos. Müller, centralizado, fazendo o "enganche" com o centroavante Olic. E Robben à direita, com seu posicionamento original de winger no 4-4-2.

Dessa forma, van Gaaal formou três parcerias: na direita, o ala Lahm e o meia Robben; na esquerda, o "ala" Ribery e o meio-campista Schweinsteiger; e por dentro Müller e Olic. Tymoschuk mantinha-se atento mais à segunda bola, e os três zagueiros guardavam posição lá na área do Bayern, com raras e esporádicas saídas de van Buyten ou Breno.

Embolado neste 3-6-1 bem brasileiro, van Gaal desistiu e no 2º tempo recompôs o 4-4-2 quase em duas linhas. Trouxe Lahm de volta à lateral-esquerda, Breno passou para a lateral-direita, Ribery e Robben permaneceram abertos como wingers, Schweinsteiger e Tymoschuk por dentro, com Müller de segundo atacante e Olic de referência.

Mas o mais engraçado do jogo, engraçado mesmo, foi ver Zé Roberto em uma atuação de exceção. Com 35 anos, na etapa final ele desconstruiu as linhas defensivas do Bayern, foi ao fundo e cruzou para Petric marcar. Logo o Zé Roberto, escurraçado por van Gaal e pelos dirigentes do Bayern.

Postado por Eduardo Cecconi

Bayern larga na frente na janela da Alemanha

04 de agosto de 2009 4

Van Gaal mantém o 4-4-2 com meias-extremos e dois homens de área no Bayern de Munique

Graças ao amigo Alexandre Perin, colaborador do blog Preleção e autor do excelente Almanaque Esportivo, hoje trazemos ao debate as movimentações provocadas pela janela de transferências europeia na Bundesliga. E é bastante perceptível que o Bayern de Munique está investindo forte para retomar a hegemonia no Campeonato Alemão.

O Bayern contratou dois centroavantes de área - Olic e Mario Gomez, e manteve os titulares da última temporada - Klose e Luca Toni. São quatro para duas posições. Para o meio-campo, nos extremos da segunda linha, são novidades Tymoshchuk e Pranjic. O atacante Müller, outro reforço, pode jogar ali, assim como Schweinsteiger e o "quase de saída" Ribéry.

Louis van Gaal expulsou Lúcio e perdeu Zé Roberto. Mas a diretoria investiu muito do meio para a frente. Nos amistosos da pré-temporada, o novo treinador manteve o 4-4-2 praticamente em duas linhas, com dois meio-campistas centrais (box-to-box`s) que marcam e fazem a saída de bola, e dois meias-extremos (wingers) abertos pelos lados. Além da estratégia de ataque voltada à presença de dois centroavantes típicos, de área, sem o atacante veloz.

No diagrama tático que ilustra o post, fiz uma simulação do time que van Gaal vem utilizando na pré-temporada, com Müller improvisado na linha de meio-campo no lugar de Ribéry, Mario Gomez ao lado de Klose na frente, e Altintop ganhando a posição de Zé Roberto - embora Tymoshchuk, Pranjic e Sosa disputem posição no setor.

Entre os outros times, nada assustador. O Wolfsburg manteve a base, e contratou o atacante Martins após frustrar a investida sobre Nilmar. Por enquanto, Leverkusen, Colonia e Hamburgo fizeram boas contratações pontuais. Mas o Bayern larga, na teoria, em grande vantagem.

Confiram os dados da janela de transferências no futebol alemão:

Bayern de Munique
Chegou: Görlitz (Karlsruher SC), Olic (Hamburgo), Badstuber (Bayern B),
Tymoshchuk (Zenit), Baumjohann (M`gladbach), Thomas Müller (Bayern B), Mario
Gomez (Stuttgart), Braafheid (Twente) e Pranjic (Heerenveen) 
Saiu: Oddo, Podolski, Hummels, Zé Roberto, Lúcio e Borowski

Bayern Leverkusen
Chegou: De Wit (Osnabrück), Touré (Osnabrück), Schwaab (Freiburg), Reinartz
(Nürenberg), Gekas (Portsmouth), Hyypiä (Liverpool), Kaplan (Leverkusen B),
Derdiyok (Basel) e Giefer (Leverkusen B) 
Saiu: Henrique, Charisteas, Domaschke, Haggui, Djakpa, Schneider, Gresko e
Schwegler

Bochum
Chegou: Vogt (Bochum B), Luthe (Bochum B), Johansson (Halmstads) e Dedic
(Frosinone)
Saiu: Schmidtgal, Fuchs, Ilicevic, Zajas, Mieciel, Lengsfeld, Schröder e
Kaloglu

Borussia Dortmund
Chegou: Großkreutz (Ahlen), Hummels (Bayern), Öztekin (Borussia B), Kullmann
(Borussia B), Feulner (Mainz), Rangelov (Energie Cottbus), Bender (1860
München) e Lucas Barrios (Colo Colo)
Saiu: Boateng, Rukavina, Brzenska, Young-Pyo Lee, Federico e Frei

Borussia Mönchengladbach
Chegou: Marx (Arminia Bielefeld), Bobadilla (Grasshoppers), Bäcker (M`gladbach
B), Reus (Ahlen), Neustädter (Mainz), Meeuwis (Roda), Svárd (Hansa Rostock),
Jantschke (M`gladbach B), Heubach (M`gladbach B) e Arango (Mallorca) 
Saiu: Baumjohann, Galásek, Coulibaly, Touma, van den Bergh, Marin, Schachten,
Ndjeng e Paauwe

Colonia
Chegou: Podolski (Bayern), Zielinsky (Colonia B), Nottbeck (Colonia B),
Vunguidica (Colonia B), Salger (Colonia B), Maniche (Atletico Madri), Freis
(Karlsruher), Schorch (Real Madrid B), Clemens (Colonia B) e Vaaßen (Colonia
B)
Saiu: Scherz, Broich, Vucicevic e Boateng

Eintracht Frankfurt
Chegou: Heller (Duisburg), Tosun (Frankfurt B), Jung (Frankfurt B), Fährmann
(Schalke 04), Teber (Hoffenheim), Franz (Karlsruher), Alvarez (Frankfurt B) e
Schwegler (Leverkusen) 
Saiu: Fink, Ljubicic, Inamoto e Krük

Freiburg
Chegou: Baumann (Freiburg B), Reisinger (Greuther Fürth), Salz (Stuttgart),
Makiadi (Wolfsburg), Du-Ri Cha (Koblenz), Mujdza (Zagreb) e Bastians (Young
Boys Bern)
Saiu: Schwaab, Rodionov, Mehring, Müller, Schlitte, Konrad e Ali Günes

Hamburgo
Chegou: Ali Arslan (Borussia Dortmund B), Berg (Groningen), Behrens
(Hamburgeo), Beister (Hamburgo B), Elia (Twente), Kai-Fabian Schulz
(Hamburgo), Christian Groß (Hamburgo B), Tesche (Armínia Bielefeld), Zé
Roberto (Bayern), Mickel (Energie Cottbus B), Ben-Hatira (Duisburg), Stepanek
(Kapfenberg) e Rozehnal (Lazio)
Saiu: Olic, Kirschstein, Hennings, Atouba, Wolf, Sinouh, Chrisantus,
Gravgaard, Streit, Kunert e Tomás Rincón

Hannover
Chegou: Rama (Ingolstadt), Haggui (Leverkusen), Chahed (Hannover B) e Djakpa
(Leverkusen)
Saiu: Tarnat, Fahrenhorst, Krebs, Ismaël, Schulz e Yankov

Hertha Berlim
Chegou: Janker (Hoffenheim), Perdedaj (Hertha B), Wichniarek (Armínia
Bielefeld) e Pejcinovic (Belgrado)
Saiu: Voronin, Fiedler, Pantelic, Chahed, Riedel, Babic, Simunic, André Lima e
Rodnei

Hoffenheim
Chegou: Terrazzino (Hoffenheim B), Conrad (Hoffenheim B), Groß (Hoffenheim B), Vukcevic (Hoffenheim B), Simunic (Hertha), Zuculini (Racing), Tagoe (Al Ittifaq), Grahl (Greuther), Maicosuel (Botafogo), Eichner (Karlsruher) e Gulde
(Hoffenheim B) 
Saiu: Sanogo, Teber, Janker, Haas e Herdling

Mainz
Chegou: Trojan (St. Pauli), Müller (Barnsley), Hamza (Zamalek), Polanski
(Getafe), Kirchhoff (Mainz B), Schürrle (Mainz B), Kleinheider (Mainz B),
Ivanschitz (Panathinaikos) e Riske (Mainz B) 
Saiu: Feulner, Fleßers, Neustädter, Ischdonat, Demirtas, Buckley e Vrancic

Nürenberg
Chegou: Welnicki (Bochum B), Charisteas (Leverkusen), Kotzke (Nürenberg B),
Kaya (Bochum B), Broich (Colonia) e Nordtveit (Arsenal)
Saiu: José Gonçalves, Reinartz, Breska, Mitreski e Reinhardt

Schalke 04
Chegou: Pourie (1860 München), Pliatsikas (AEK), Stevanovic (Schalke 04 B),
Loheider (Schalke 04 B), Pachan (Schalke 04 B), Yalin (Nürenberg B), Moravek
(Bohem. Prag 05), Streit (Hamburgo) e Holtby (Alem. Aachen)
Saiu: Engelaar, Krstajic, Fährmann e Zé Roberto

Stuttgart
Chegou: Riedle (Grasshoppers), Schieber (Stuttgart B), Schwarz (Ingolstadt),
Celozzi (Karlsruher), Didavi (Stuttgart B), Funk (Stuttgart B), Hleb
(Barcelona), Pogrebnyak (Zenit) 
Saiu: Ljuboja, Mario Gomez, Mandjeck e Fischer

Werder Bremen
Chegou: Husejinovic (Kaiserslautern), Sanogo (Hoffenheim), Perthel (Bremen B),
Marcelo Moreno (Shakhtar), Oehrl (Bremen B), Marin (M`gladbach), Schmidt
(Bremen B) e Borowski (Bayern) 
Saiu: Marcelo Moreno, Pizarro, Tziolis, Kruse, Schindler, Baumann, Diego,
Pellatz e Mosquera

Wolfsburg
Chegou: Daniel Baier (Augsburg), Laas (Arm. Bielefeld), Munteanu (Arm.
Bielefeld), Santana (San Lorenzo), Mahir Saglik (Karlsruher), Kahlenberg
(Auxerre), Ziani (Olympique), Fabian Johnson (1860 München) e Obafemi Martins
(Newcastle)
Saiu: Hoogendorp, Hill, Alex, Makiadi, Lamprecht, Okubo, Platins, Radu e
Caiuby

Postado por Eduardo Cecconi

Klinsmann não deixa o centroavante morrer

25 de fevereiro de 2009 5

O Bayern de Klinsmann atua com dois centroavantes fixos na área, sendo municiados por meias velocistas que jogam abertos pelos lados, e bastante adiantados.

Se no Brasil a corrente de defensivismo parece não ser apenas uma moda de estação, ou uma paixão de carnaval - e deve permanecer por mais tempo sobre o Rio Grande do Sul, principalmente - é bom ver que na Europa existem movimentos da resgate das figuras ofensivas. É como a Renascença em meio à Idade das Trevas.

Hoje, tivemos dois exemplos de sistemas táticos e estratégias ofensivos com sucesso na Liga dos Campeões. O Chelsea, de Guus Hiddink - analisado na semana passada pelo blog Preleção - e o Bayern de Munique do Jurgen Klinsmann. Jogando em casa, com três atacantes, o time inglês venceu a forte Juventus; e em Portugal, os alemães atropelaram o Sporting, goleando por 5 a 0.

Talvez por ter sido um dos maiores centroavantes da história recente do futebol, Jurgen Klinsmann valoriza demais esta função. A camisa 9. O Bayern atua com dois centroavantes centralizados na área. A convicção é tão grande que ele venceu a queda de braço com o velocista Podolski, negociado com o Colonia porque não tinha espaço dentro desta estratégia.

O Bayern joga em um 4-4-2 que se aproxima das duas linhas de quatro britânicas. Os laterais cumprem funções defensivas, apoiando pouco - Oddo, principalmente, pela direita; Lahm sobe mais, na esquerda. Os dois zagueiros são protegidos por volantes desalinhados: na direita, Van Bommel fica mais recuado, cumprindo a primeira função; e o brasileiro Zé Roberto é o segundo volante, mais adiantado, marcando no campo adversário e participando da articulação.

Mas a principal diferença deste 4-4-2 para o sistema britânico, além dos volantes desalinhados, é o posicionamento dos meias ofensivos. Mais do que wingers, Ribéry na esquerda e Schweinsteiger na direita atuam praticamente como atacantes. São ponteiros, extremamente abertos e adiantados, protegidos pelo comportamento defensivo dos laterais. E dali partem as principais jogadas.

Da esquerda, Ribéry comanda a equipe, com diagonais incisivas - assim ele marcou o primeiro gol - aproximando-se da dupla de ataque e de Zé Roberto pelo meio. Quando apoia, quem vai à linha de fundo é o lateral Lahm. E na direita, Schweinsteiger procura mais os cruzamentos para a área. A dupla de meias velocistas compensa a presença de dois centroavantes com pouca mobilidade.

Dessa forma, o Bayern é todo vocacionado a jogar em função dos centroavantes. Klose e Toni saem pouco da área - a não ser para tabelar no pivô. Eles não atrapalham um ao outro, não se sobrepõem nem ocupam os espaços alheios. A delimitação é bem clara: Klose fica do pênalti para a esquerda, e Toni do pênalti para a direita. Virem-se os zagueiros para obstruir dois jogadores de imposição física, impulsão, talento na bola aérea e capacidade de conclusão com os dois pés.

Toni marcou duas vezes (um de cabeça), Klose fez o dele (em assistência do italiano, de cabeça) e Ribéry fez outro, de pênalti cometido por Fabio Rochemback sobre o lateral Lahm. No total, o Bayern criou 17 oportunidades de gol, sendo que 8 chegaram à meta. Ou seja, um aproveitamento impressionante - 8 chutes, 5 gols. Não é coincidência alcançar este número e ter dois centroavantes em campo. É consequencia.

Outro aspecto interessante da partida é a posse de bola: o Bayern teve 52%. Não jogou, portanto, apenas se defendendo e especulando contra-ataques com os meias velocistas. O Bayern jogou, com Zé Roberto comandando a saída de bola, Ribéry centralizando as jogadas mais incisivas, e a dupla Klose-Toni sendo extremamente acionada, pelo chão ou pelo alto. O Bayern gosta de jogar, e gosta de jogar dentro da área adversária.

O Bayern de Klinsmann pode inspirar quem se obstina em convicções táticas rígidas. Dá para jogar com dois centroavantes, desde que a equipe consiga sincronizar na estratégia conceitos de defesa e ataque que sustentem esta maneira de jogar. Com uma linha defensiva de quatro jogadores, e meias ofensivos abertos, adiantados e velozes, o Bayern encontrou uma boa fórmula.

Postado por Eduardo Cecconi

Bayern de Munique joga com dois centroavantes

10 de dezembro de 2008 4

O 4-4-2 do Bayern não conta com linha de quatro defensiva, nem com volantes legítimos. O time joga pelos lados do campo com duas triangulações, e procura pelos centroavantes na área adversária.

Na década de 70, com o predomínio do 4-3-3, era quase obrigaório às equipes contar com um centroavante autêntico, abastecido por dois ponteiros. Avançando-se pelos anos 80 e 90, o 4-4-2 aos poucos foi reduzindo a exigência pela presença de um camisa 9 legítimo - a diminuição numérica no setor ofensivo levou os treinadores a planejar equipes com atacantes de movimentação. Os centroavantes se tornaram raros.

Contrariando esta tendência, o Bayern de Munique investe em dois centroavantes legítimos. Dois camisa 9. Luca Toni e Klose. E os mantêm no time titular. Talvez um pouco desta convicção se explique porque o treinador, Jurgen Klinsmann, foi um dos maiores centroavantes da história do futebol alemão - e mundial também. Antes dele, esta dupla já integrava o grupo principal, mas Klose costumava ficar no banco para que Podolski - um jogador de movimentação - fizesse dupla com Luca Toni. Klinsmann chegou, e formou a parceria dos centroavantes. Talvez seja mera coincidência, ou então é realmente uma preferência do treinador.

Luca Toni e Klose são dois jogadores que aliam capacidades físicas e técnicas. São centroavantes sem se resumir à trombada, ou à cabeçada. Ambos sabem concluir com bola no chão, prestam-se a tabelas curtas, fazem pivô, aguentam o tranco dos confrontos, e são mestres absolutos na bola aérea. Por isso, o Bayern joga exclusivamente para a dupla de camisas 9.

Klinsmann distribui o time alemão no 4-4-2 com dois laterais que sabem apoiar, dois meio-campistas defensivos que saem para o jogo, e dois meias ofensivos parecidos com os Wingers do futebol britânico. Isto proporciona duas triangulações pelos lados. Na direita, com Oddo, Van Bommel e Schweinsteiger; e na esquerda, com Lahm, Zé Roberto e Ribery. A equipe se completa com o goleiro Rensing e os zagueiros Lúcio e Van Buyten.

Hoje, contra o Lyon, pela Liga dos Campeões, Klinsmann escalou o time titular, prejudicado por dois desfalques. Lúcio e Zé Roberto não puderam jogar, e foram substituídos por Demichelis e Borowski, o que altera pouco a estrutura tática - embora Borowski tenha mobilidade menor do que Zé Roberto, o conceito de movimentação se mantém.

A estratégia de Klinsmann dentro do seu 4-4-2 com dois centroavantes é simples, inteligente e bem organizada. Ainda assim, a equipe sofre forte influência da cultura de futebol da Alemanha. O Bayern de Munique não é um time brilhante. Chega a ser quase burocrático, sem emocionar. Mas é disciplinado e metódico em todos os movimentos, sejam eles ofensivos ou defensivos. Uma máquina programada para chegar aos centroavantes.

A idéia é criar oportunidades para Toni e Klose, e a melhor maneira de levar a bola a área é buscar os lados do campo, com paciência e insistência. O desempenho compensa. O Bayern se classificou antecipadamente para as oitavas de final da Liga dos Campeçoes, e divide a liderança do Campeonato Alemão.

Postado por Eduardo Cecconi