
Assisti ontem ao confronto argentino da Copa Sul-Americana, entre Velez Sarsfield e Boca Juniors. O atual campeão do Torneio Clausura venceu por 1 a 0 em casa e eliminou o clube mais popular do país vizinho. Tentei com muita atenção capturar as diretrizes táticas das duas equipes, e hoje começo a análise da partida pelo Boca Juniors.
O Boca mantém como sistema tático o 4-4-2 com meio-campo em losango. Foi neste modelo que a equipe emplacou as melhores equipes de sua história recente. Há menos de dois anos, com grande sucesso, Ischia comandou um losango que tinha Battaglia no primeiro vértice, Vargas e Dátolo na segunda linha, e Riquelme na ponta-de-lança.
O desenho é o mesmo, mas a qualidade decresceu. Muito. Battaglia e Riquelme permanecem, mas Vargas e Dátolo saíram, substituídos respectivamente por Medel e Insua. Os novos jogadores são menos intensos - tanto sem a bola como também de posse dela. Medel nem se compara a Vargas, por exemplo, e Insua está em fase na qual também fica difícil colocá-lo ao lado de Dátolo, que está no Napoli e na seleção argentina.
Com a perda de qualidade na segunda linha, o losango do Boca Juniors pifou. O lateral-esquerdo Morel Rodríguez não encontra em Insua a mesma parceria que tinha com Dátolo. E Ibarra, do contrário, não recebe de Medel a proteção que lhe assegurava tranquilidade no apoio, tendo Vargas na cobertura. Isso faz com que o Boca Juniors não proporcione mais perigo pelos lados.
Sem as jogadas de profundidade, sem as triangulações em apoio aos laterais, Palermo está desabastecido. Em 90min, ele deu duas cabeçadas. E Palermo depende da bola aérea, assim como do pivô por baixo que não acontece mais. Ele perdeu ainda a parceria de Palacio, que foi ao Genoa. Noir, que se tornou titular, é outro jogador que não consegue reproduzir o desempenho do antecessor.
A queda na segunda linha do losango também prejudica Riquelme. Antes, ele podia se aproximar de Dátolo, ou contar com uma surpreendente passagem de Vargas. Mas Medel e Insua não lhe proporcionam boa companhia. Riquelme já não atravessava boa fase. Agora, ao menos contra o Velez, nada produziu.
Além de Insua, Medel e Noir nos lugares de Dátolo, Vargas e Palacio, houve também a troca de Roncaglia por Paleta, na defesa. Somam-se quatro alterações no Boca Juniors que foi mal no Clausura, para o time que vai agora disputar o Apertura.
Tudo isso com a base tática mantida. O 4-4-2 em losango. Simétrico. Não está funcionando.
Postado por Eduardo Cecconi








