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Posts com a tag "Boca Juniors"

Boca mantém base tática, mas perde qualidade

17 de setembro de 2009 6

Diagrama tático do Boca Juniors, no 4-4-2 em losango

Assisti ontem ao confronto argentino da Copa Sul-Americana, entre Velez Sarsfield e Boca Juniors. O atual campeão do Torneio Clausura venceu por 1 a 0 em casa e eliminou o clube mais popular do país vizinho. Tentei com muita atenção capturar as diretrizes táticas das duas equipes, e hoje começo a análise da partida pelo Boca Juniors.

O Boca mantém como sistema tático o 4-4-2 com meio-campo em losango. Foi neste modelo que a equipe emplacou as melhores equipes de sua história recente. Há menos de dois anos, com grande sucesso, Ischia comandou um losango que tinha Battaglia no primeiro vértice, Vargas e Dátolo na segunda linha, e Riquelme na ponta-de-lança.

O desenho é o mesmo, mas a qualidade decresceu. Muito. Battaglia e Riquelme permanecem, mas Vargas e Dátolo saíram, substituídos respectivamente por Medel e Insua. Os novos jogadores são menos intensos - tanto sem a bola como também de posse dela. Medel nem se compara a Vargas, por exemplo, e Insua está em fase na qual também fica difícil colocá-lo ao lado de Dátolo, que está no Napoli e na seleção argentina.

Com a perda de qualidade na segunda linha, o losango do Boca Juniors pifou. O lateral-esquerdo Morel Rodríguez não encontra em Insua a mesma parceria que tinha com Dátolo. E Ibarra, do contrário, não recebe de Medel a proteção que lhe assegurava tranquilidade no apoio, tendo Vargas na cobertura. Isso faz com que o Boca Juniors não proporcione mais perigo pelos lados.

Sem as jogadas de profundidade, sem as triangulações em apoio aos laterais, Palermo está desabastecido. Em 90min, ele deu duas cabeçadas. E Palermo depende da bola aérea, assim como do pivô por baixo que não acontece mais. Ele perdeu ainda a parceria de Palacio, que foi ao Genoa. Noir, que se tornou titular, é outro jogador que não consegue reproduzir o desempenho do antecessor.

A queda na segunda linha do losango também prejudica Riquelme. Antes, ele podia se aproximar de Dátolo, ou contar com uma surpreendente passagem de Vargas. Mas Medel e Insua não lhe proporcionam boa companhia. Riquelme já não atravessava boa fase. Agora, ao menos contra o Velez, nada produziu.

Além de Insua, Medel e Noir nos lugares de Dátolo, Vargas e Palacio, houve também a troca de Roncaglia por Paleta, na defesa. Somam-se quatro alterações no Boca Juniors que foi mal no Clausura, para o time que vai agora disputar o Apertura.

Tudo isso com a base tática mantida. O 4-4-2 em losango. Simétrico. Não está funcionando.

Postado por Eduardo Cecconi

Sem Dátolo, Boca Juniors fica um time capenga

18 de fevereiro de 2009 5

Boca Juniors, sem Dátolo, joga exclusivamente pela direita, com as aproximações de Ibarra, Vargas, Riquelme e Palacio. Na esquerda, nem Mouche, nem Gaitán, deram qualquer contribuição convincente.

A grande virtude do Boca Juniors em 2008 parece estar se perdendo em 2009: a variação de jogada pelos dois lados. E a causa é bem nítida. Sem Dátolo, vendido para o Nápole, a equipe de Carlos Ischia perdeu o principal jogador do lado esquerdo.

Outro agravante é o retorno do atacante Palacio, um jogador que costuma atuar da direita para o meio, e naturalmente atrai os companheiros para o lado do campo. O resultado destes dois fatores deve ter preocupado a torcida na difícil vitória do Boca sobre o Deportivo Cuenca, pela Libertadores, ontem à noite - 1 a 0, gol de Palacio em cobrança de falta ensaiada.

O Boca Juniors segue jogando no 4-4-2, com meio-campo em losango - pode ser chamado de um 4-3-1-2. Houve a troca simples de Dátolo por Mouche. Mas o camisa 7 da equipe não consegue desempenhar a mesma tática individual de Dátolo, que na Inglaterra seria chamado de um legítimo "box-to-box": ou seja, o jogador que vai de uma área a outra - combatendo na proteção aos zagueiros e ao lateral; e apoiando com Morel Rodriguez pelo lado.

A eficácia de Dátolo no lado esquerdo era tão grande que ele imantava a presença de Riquelme, criando duas triangulações: na direita, com Ibarra, Vargas e Palacio; e na esquerda, com Dátolo, Morel e Riquelme. Essas alternativas permitiam ao Boca Juniors variar jogadas e se articular de maneira equilibrada, "girando a bola" da direita para a esquerda, até encontrar espaços.

Agora, isso não acontece. Contra o Deportivo Cuenca, o lado esquerdo do Boca Juniors inexistiu. Mouche saiu, Gaitán entrou, e de Dátolo ele guarda apenas a camisa 23 como semelhança - também não contribuiu. Morel, sem parceria para tabelar, acabou recuando, e passou trabalho também para marcar praticamente sozinho no setor. O mesmo aconteceu com Riquelme, que migrou para o lado direito, onde a "turma se reúne".

Contra o Deportivo Cuenca, o Boca Juniors jogou exclusivamente pela direita. Por ali, transitam quatro jogadores: Ibarra, um lateral bastante ofensivo e muito aberto; Palacio, com suas diagonais do lado para o meio; Riquelme, buscando companhia para as suas tabelas curtas prediletas; e Vargas, aproximando-se para a segunda bola e para as conclusões de média distância. Na esquerda, o vazio é tão grande que quase faz eco.

O naufrágio do lado esquerdo Xeneize com a saída de Dátolo precisa de reparo urgente. Contar com apenas uma jogada, por mais que ela seja executada com os talentos de Palacio, Riquelme, Ibarra e Vargas - é muito pouco. Carlos Bianchi, gerente de futebol do clube, deve estar atento ao mercado. Jogadores como o Barrientos, do San Lorenzo, ou nomes mais caros - Gutiérrez do Newcastle, por exemplo - poderiam ao menos ser cogitados. Afinal, no início da temporada falou-se em Guiñazu - negociação descartada de início pelo Inter - exatamente porque se sabia que Dátolo iria embora, e não teria substituto no grupo.

Postado por Eduardo Cecconi

Maradona, olha para o Dátolo!

25 de janeiro de 2009 6

Dátolo soube jogar às costas da segunda linha do River Plate, que se posicionou no 4-1-4-1

Ano passado, o camisa 23 do Boca Juniors se afirmou como um grande jogador: Dátolo. Fundamental para a equipe campeã do último torneio Apertura, ele já deixou de ser uma promessa. E começo a vê-lo brigando pela presença nas convocações futuras do técnico Maradona na Argentina, afinal, o craque do país vizinho chegou ao comando da seleção para dar início à renovação.

Dátolo é aquele jogador que na Inglaterra se convencionou chamar de box-to-box. A tradução mais ou menos literal é "jogador de área a área". Ou seja: atua em uma grande faixa de campo que vai da proteção aos zagueiros em frente à própria área, até a articulação e conclusão de jogadas ofensivas no campo adversário.

No Boca Juniors, Dátolo é imprescindível para Riquelme. Carlos Ischia, em seu sistema tático 4-4-2, adota como estratégia o meio-campo em losango. Neste desenho, Battaglia é o vértice central, um volante à antiga; Vargas pela direita e Dátolo na esquerda estão na segunda linha; e Riquelme é o vértice adiantado, ao estilo ponta-de-lança, aproximando-se dos atacantes.

Mas como Vargas tem características mais defensivas, naturalmente ele acaba centralizando seu posicionamento quando o time tem a posse de bola, sendo uma espécie de segundo volante. Este movimento permite que Dátolo atue como um "quase-winger" pelo lado esquerdo, fazendo parceria com o excelente lateral apoiador Morel Rodriguez, e atraindo Riquelme para a triangulação.

Mas ontem, no Torneio de Verão da Argentina, o Boca Juniors enfrentou o rival River Plate, no Superclássico, sem Riquelme - ainda recuperando a forma física. Jogou Gracián, que entrou e saiu sem ser percebido. Dátolo teve então personalidade para assumir o protagonismo da partida. E intensificou sua movimentação de área a área, em uma dobradinha qualificada com Morel pelo lado esquerdo.

Dátolo marcou o primeiro gol - o de empate - concluindo pela esquerda dentro da pequena área, devido à total inoperância do ataque do Boca. E no segundo tempo, ele organizou a jogada que terminou com o pênalti sofrido por Noir. Cobrou e fez o 2 a 1, sendo o craque da vitória no Superclássico. Uma atuação que se torna superlativa quando se contextualiza que o volante Battaglia foi expulso no primeiro tempo, ainda no 0 a 0, obrigando Dátolo a ser mais marcador, sem perder a chegada à frente. Aliou raça e qualidade. Nota 10 no Superclássico de ontem para Dátolo.

No lado esquerdo da seleção, em sua primeira partida - vitória de 1 a 0 sobre a Escócia - Maradona utilizou o veloz e competente Gutierrez em uma linha de quatro no meio-campo, ao estilo britânico. Ele já adiantou que, do Boca Juniors, deve convocar apenas Battaglia e Riquelme. Com o camisa 10, ele provavelmente modificará o desenho do meio-campo (Riquelme é mais lento e menos marcador para atuar em linha, precisa ser protegido por volantes).

Se esta projeção se concretizar - a Argentina com meio-campo em quadrado ou losango - Dátolo poderia brigar pela posição com Gago para ser o segundo volante, aprimorando a saída de bola pela esquerda, e reproduzindo a dobradinha com Riquelme.

Talvez no futuro poderemos ver se Dátolo vai continuar atuando de maneira tão qualificada no Boca Juniors a ponto de ser convocado por Maradona.

Postado por Eduardo Cecconi

A ajuda do San Lorenzo ao Boca Juniors

23 de dezembro de 2008 4

No confronto com o Boca, o meio-campo do San Lorenzo foi modificado, e não conseguiu nem jogar, nem segurar a dupla Riquelme-Dátolo

O triangular decisivo do Torneio Apertura do Campeonato Argentino nos permite debater algo bastante oportuno: os treinadores que sistematizam suas equipes de acordo com os adversários. São profissionais que, rotineiramente ou em circunstâncias de exceção, abdicam de ressaltar as virtudes do próprio time pensando apenas em conter o rival.

Isso aconteceu com o San Lorenzo contra o Boca Juniors. Não sei se o técnico Russo costuma fazer isso, mas nesta partida ele modificou completamente a estratégia. Russo vinha distribuindo o San Lorenzo em um 4-4-2 britânico. Na segunda linha de quatro jogadores, o winger esquerdo era o camisa 10 e craque do time, Barrientos, responsável por diagonais e aproximações com os atacantes. Ledesma, outro destaque, atuava como um meio-campista organizador. Uma estratégia simples e bem sucedida, que levou a equipe ao quase-título.

Mas contra o Boca, Russo mudou tudo. Desfez as duas linhas de quatro e inverteu Barrientos. O treinador passou o camisa 10 para o lado direito, e transformou o articulador da equipe em um mero marcador do lateral Morel Rodriguez. Barrientos, disciplinado, cumpriu a determinação. Mas não tocou na bola o jogo inteiro. Apenas acompanhou o lateral do Boca. Da mesma forma, ainda na direita, Ledesma foi um pouco recuado, transformando-se em um volante mais típico, e perdendo a característica de organizador.

Sem se preocupar com Barrientos e Ledesma, enroscados na marcação pelo setor, Dátolo pôde abrir confronto direto com o lateral González. E o camisa 23 do Boca soube aproveitar o espaço e a tranqüilidade, dominando o meio-campo e atraindo Riquelme para as tabelas pela esquerda ofensiva. O Boca dominou o jogo, criou as melhores chances, venceu por 3 a 1, e merecia até mesmo ter marcado mais gols.

Talvez - é só uma suposição, não acompanhei a imprensa argentina na semana passada - Russo tenha desarticulado o próprio time pensando em conter Riquelme. Ledesma recuado, Barrientos segurando Morel para liberar os volantes...tudo indica uma preocupação demasiada em segurar o Boca. Mas, para impedir o adversário de jogar, o San Lorenzo abdicou da posse de bola. E perdeu. Do contrário, o Boca Juniors foi exatamente o mesmo - 4-4-2 com meio-campo em losango, Battaglia centralizado, Vargas na direita (mais recuado), Dátolo na esquerda (mais adiantado) e Riquelme ligando o setor com o ataque, na intermediária ofensiva.

Aqui no Brasil existem treinadores que modificam com freqüência as escalações e não definem um sistema tático padrão - uma base para sustentar pequenas variações - preferindo escalar o time e montar a estratégia conforme a maneira do adversário atuar. Isso compromete o entrosamento e a mecânica de jogo.

O San Lorenzo foi vitimado pelo próprio treinador, e hoje assiste sem nenhuma chance a Boca Juniors e Tigre decidirem o Apertura. Uma pena, porque até então o San Lorenzo vinha repetindo boas atuações, com uma bela estrutura tática, e o diferencial de Barrientos.

Postado por Eduardo Cecconi

Inter supera o Boca Juniors com marcação tripla

06 de novembro de 2008 7

Alex mais adiantado jogou na dupla de ataque com Nilmar, abrindo espaço para as investidas de Magrão

Contra o Boca Juniors, na Bombonera, Tite não cometeu um erro comum a técnicos brasileiros. O Inter não se acovardou no próprio campo. A prova disso é o posicionamento do camisa 10 Alex.

Ao contrário dos últimos jogos, quando Alex completava o setor de meio-campo em um 4-5-1, hoje Alex atuou como legítimo atacante. Ele e Nilmar prenderam os zagueiros do Boca, invertendo constantemente as funções. Nilmar jogou mais centralizado, e Alex perambulou pelos dois lados, mas o camisa 9 também saiu da área para abrir espaço e Alex se aproveitou com infiltrações - como no gol marcado por ele, o da vitória. D`Alessandro jogou centralizado, enquanto Guiñazu hoje se comportou mais defensivamente.

E esse posicionamento mais adiantado de Alex beneficiou Magrão. O volante que tinha sua movimentação limitada pela presença de Alex no meio-campo, encontrou uma longa diagonal para transitar. O primeiro gol e diversos lances de ataque do Inter surgiram das investidas de Magrão, que foi aquele volante combativo e ao mesmo tempo ousado que eu aprendi a admirar ainda no Palmeiras.

E se na frente a movimentação deu certo, Tite optou por um sistema de marcação tripla na defesa, também com sucesso. Com uma linha de quatro jogadores na área - dois zagueiros (Indio e Alvaro), um zagueiro que virou lateral (Marcão), e um lateral que foi zagueiro (Bolívar) - protegida pelo trio de volantes.

Dessa forma, pela direita marcavam Bolívar e Magrão, com Índio na sobra; na esquerda, Marcão e Guiñazu, com Alvaro na sobra. E pelo meio, Magrão e Guiñazu, com Edinho na sobra. Ou então Edinho e um zagueiro, com o outro zagueiro na sobra. O Inter agrupou estes sete jogadores cerrando a porta da área, impedindo as sempre perigosas tabelas argentinas do Boca.

O único problema foi a bola aérea. Alvaro permitiu que o Figueroa chegasse forte de cabeça por pelo menos quatro vezes. Mas o atacante argentino errou todas. As poucas que passaram, ficaram nas mãos do seguro goleiro Lauro.

Foi uma atuação competente, com boa marcação sem abdicar da articulação ofensiva. Vitória merecida do Inter.

Postado por Eduardo Cecconi

O Boca Juniors deixa a zaga no mano-a-mano

29 de outubro de 2008 1

Cinco jogadores do Boca marcam quatro do Banfield. Os atacantes têm espaço para jogar, e praticamente não há cobertura/Reprodução/Sportv

Hoje acompanhei a vitória do Boca Juniors sobre o Banfield, pelo Campeonato Argentino, por 1 a 0. E mesmo jogando fora de casa, o Boca manteve uma tradição tática quando atua na Argentina: a marcação pressão.

E foi uma legítima marcação pressão. Uma aula de posicionamento, movimentação e disciplina tática sem a bola. Quando o Banfield tinha arremesso lateral no campo defensivo, ou desacelerava as jogadas, o Boca posicionava seis jogadores na intermediária e na área adversária. Zagueiros, volantes e laterais marcados individualmente. Obrigando o Banfield a fazer ligação direta e abolir a articulação no meio-campo.

Mas este esforço tático impressionante cobra do Boca Juniors uma vulnerabilidade defensiva. Com cinco ou seis atletas jogando o tempo inteiro no campo de ataque, qualquer erro deixa a zaga totalmente exposta. Reparem na foto do post: são quatro jogadores do Banfield contra cinco do Boca - praticamente um mano-a-mano. E eu garanto: foi assim o jogo inteiro. Boca marcando no campo do adversário, e Banfield contra-atacando com espaços e sem sobra. O problema do Banfield foi desperdiçar boas chances precipitando chutes de longe ao invés de buscar maior movimentação frente à linha defensiva do Boca.

Essa constatação é importante às vésperas do confronto do Inter na Bombonera. Com reservas ou titulares (hoje o Boca jogou com García; Paletta, Roncaglia, Cáceres e Morel Rodriguez; Battaglia, Vargas, Dátolo e Riquelme; Noir e Viatri. Destes, só Cáceres não está inscrito na Sul-Americana), o Boca vai se posicionar no campo colorado. Deixando no mano-a-mano exatamente a maior virtude colorada - o trio Nilmar-Alex-D`Alessandro.

Uma alternativa é fugir à marcação pressão acionando duplas pelos lados (Guiñazu e o lateral-esquerdo, ou Magrão e o lateral-direito). A proximidade deles pode abrir essa marcação pressão. Sem prender demais a bola, o lançamento tem que chegar imediatamente no trio centralizado. Porque lá na frente da área, provavelmente Nilmar-D`Alessandro-Alex  estarão no mano-a-mano com a linha defensiva do Boca.

Postado por Eduardo Cecconi