Nas duas partidas que abriram as semifinais da Liga dos Campeões da Europa, os quatro participantes dos confrontos decisivos apresentaram poucas mudanças em comparação com seus sistemas táticos e estratégias habituais. Ainda assim, mesmo que as características de cada um apontassem para jogos com muitos gols, assistimos a um 0 a 0, e um 1 a 0.
Ontem, Barcelona e Chelsea empataram em 0 a 0, na Espanha. Enquanto o Barça em nada alterou suas convicções - Guardiola manteve o 4-3-3, com um volante (Yaya Toure), dois meias (Iniesta e Xavi) e três atacantes (Messi, Eto`o e Henry) - amassando o adversário, os ingleses recuaram da postura usual.
Guus Hiddink armou o Chelsea no 4-4-2, trocando o atacante Anelka pelo volante Mikel. Claramente preocupado em bloquear as diagonais de Messi e Henry, e com outra preocupação - controlar o meio-campo - o Chelsea abdicou do seu sistema predileto com três atacantes. Na verdade, o sistema pode ser traduzido em 4-3-1-2, com Ballack centralizado, Essien na direita, Mikel na esquerda, e Lampard fazendo o enganche para Malouda, aberto na esquerda, e Drogba centralizado. Mas a estratégia se mostrou arriscada.
Segundo a estatística da ESPN, mesmo contra quatro meio-campistas, o Barcelona obteve 71% da posse de bola, criando 19 oportunidades de gol, e obrigando Cech a 6 defesas consideradas difíceis. Já o Chelsea teve apenas um lance de gol claro. Nada mais do que isso. Ainda assim, segurou o 0 a 0, e leva a decisão para Londres. Vale lembrar, entretanto, que tem saldo qualificado no desempate, e o Chelsea não fez gol fora de casa.
Hoje, o Manchester venceu o Arsenal por 1 a 0, e também - a exemplo do Chelsea - com uma alteração. Mas ofensiva. O time de Sir Alex Ferguson apresentou uma bela variação do 4-4-2 britânico para o 4-3-3.
Na prática, o Manchester teve três meio-campistas centralizados - Carrick no vértice mais recuado, Fletcher pela direita, e Anderson à esquerda. No ataque, Rooney e Cristiano Ronaldo fizeram a mesma movimentação de sucesso da fantástica virada sobre o Tottenham do último final de semana. Rooney jogou aberto pela esquerda, e C.Ronaldo na direita, ambos em diagonais para a área, aproveitando-se do recuo estratégica de Tevez.
Já o Arsenal foi o mesmo. Arsene Wenger repetiu o 4-5-1 com dois volantes e três meias (ou 4-2-3-1, como queiram). Sem poder utilizar Arshavin, ele posicionou Fábregas, Nasri e Walcott à frente de Song e Diaby. Adebayor foi o centroavante de referência. Denilson perdeu espaço, e foi para o banco.
Houve equilíbro nas ações. A posse de bola ficou bem dividida, com leve vantagem do Manchester. Mas, em função da marcação adiantada e da estratégia ofensiva, o time da casa criou muitas oportunidades a mais - foram 14 contra 4. O placar, entretanto, foi de apenas 1 a 0, com o gol de O`Shea surgindo em cobrança de escanteio.
Os jogos de volta serão em Londres. O Chelsea com a vantagem de ter empatado fora contra o Barcelona, e o Manchester com mais vantagem ainda - não sofreu gols em casa, e venceu - mesmo precisando confirmar esta situação no Emirates Stadium.
Postado por Eduardo Cecconi




