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Posts com a tag "Chelsea"

Manchester United e Chelsea mantêm estruturas táticas

09 de agosto de 2010 3

Assisti ontem à vitória do Manchester United por 3 a 1 sobre o Chelsea, na decisão da Community Shield - ou Supercopa da Inglaterra. E as duas equipes indicam a manutenção das estruturas táticas com as quais atuaram na última temporada.

No Manchester United o clássico 4-4-2 em duas linhas permanece, o que até certo ponto é um resgate. Afinal, Sir Alex Ferguson recentemente vinha abdicando de um atacante em nome de outro meia, formando variações do 4-5-1 em duas linhas (4-1-4-1 ou 4-4-1-1). Ainda assim, não deixa de ser uma "manutenção da estrutura tática", afinal, a proposta das duas linhas segue intacta:

A estratégia foi defensiva, priorizando os contra-ataques. Principalmente por sair na frente, com uma bela jogada coletiva. Rooney saiu do meio para a direita, recebendo a bola e atraindo a marcação. Neste espaço, o winger Valencia ingressou em diagonal, para completar o cruzamento de Rooney dentro da área. Uma inversão comum aos 4-4-2's em duas linhas, e sempre efetiva quando bem executada.

No segundo tempo o Manchester United recuou, com diversas trocas. Berbatov e Chicharito Hernandez entraram no ataque, e a equipe suportou a pressão do Chelsea até emplacar dois gols em contra-ataques muito velozes. Beneficiado, claro, pelo avanço do Chelsea, que buscava o empate.

No Chelsea, Carlo Ancelotti segue apostando no  bom 4-3-3 com o qual conquistou a Premier League anterior. A formação inicial teve um meio-campo com triângulo de base alta, o que sugeria um comportamento ofensivo, mas com jogadores de características mais combativas - Obi Mikel no primeiro vértice, Essien e Lampard na base.

Para a virada, Ancelotti investiu em uma estratégia ainda mais agressiva. Ele retirou Mikel e Anelka, colocando em campo respectivamente Drogba e Sturridge. Essien baixou para o vértice defensivo do meio-campo, e Malouda tornou-se meia-ofensivo ao lado de Lampard. Na frente, os "pontas" jogaram com pés invertidos: canhoto Sturridge na direita, destro Kalou na esquerda, com Drogba na referência:

O Chelsea pressionou, criou muitas chances, mas sem efetividade nas conclusões. Essien adiantou o posicionamento, dominando com Lampard e Malouda os rebotes ofensivos. Mas assumiu o risco, e abriu espaços à transição ofensiva rápida do Manchester United, principalmente com Nani e Hernandez pela esquerda - duas alterações de segundo tempo de Ferguson.

Embora sem reforços de grande impacto para a temporada, Chelsea e Manchester United têm bons elencos, contam com excelentes técnicos, e a manutenção das estruturas táticas e das equipes-base deve manter ambos no topo do futebol inglês.

Ancelotti abre mão do losango no Chelsea

14 de março de 2010 4

Sem o lesionado Ashley Cole na lateral, o técnico italiano Carlo Ancelotti segue procurando alternativas para manter o lado esquerdo do Chelsea em atividade. Ontem, na goleada de 4 a 1 sobre o West Ham, ele alterou o sistema tático, abrindo mão do 4-4-2 com meio-campo em losango que ele prioriza na equipe inglesa.

Contra o West Ham, Ancelotti dispôs o Chelsea em uma espécie de 4-3-3, lembrando Mourinho no clube londrino. A mudança se deu em apenas um posicionamento inicial: ele retirou o ponta-de-lança do losango (que poderia ser Deco, Joe Cole ou até mesmo Lampard) e abriu Malouda no lado esquerdo.

Digo que foi uma "espécie" de 4-3-3 porque Malouda partida pela esquerda de uma faixa mais recuada, na comparação, com Anelka na direita - circunstância que poderia ser encarada como um 4-4-2 "torto". A estratégia, entretanto, mostrou-se oportuna e correta. Foi com Malouda que o Chelsea jogou, ele quem criou as melhores oportunidades, marcando gol e oferecendo assistências.

No 4-4-2 em losango, o Chelsea se equilibrava da seguinte forma: um lateral-base (Ivanovic)  e um atacante (Anelka) pela direita; e Ashley Cole na lateral-esquerda. Neste desenho, o apoio de um lado se dava com Anelka, pelo outro com A.Cole. Ivanovic, embora suba eventualmente, compõe o trio defensivo que permite a basculação com a dupla de zagueiros, mantendo uma sobra quando o adversário tem dois atacantes.

Sem Ashley Cole, Ancelotti precisou improvisar o destro Paulo Ferreira na esquerda. Um lateral que, além de atuar no lado oposto, ainda é tecnicamente inferior e pouco apoia. Mas Malouda ocupou bem a faixa ofensiva, tanto que a equipe naturalmente acabou "abandonando" Anelka na direita, e o atacante francês passou a se movimentar pelo meio para buscar jogo e participar mais.

No meio-campo, a base permaneceu. Não houve um ponta-de-lança, mas o restante do trio não se alterou. Obi Mikel foi o vértice central, como primeiro volante; Ballack e Lampard foram os apoiadores, respectivamente pela direita e pela esquerda.

A equipe passou por alguma dificuldade no início, mas depois encontrou o caminho com Malouda, e venceu criando muitas oportunidades. Resta saber se esta será a escolha de Ancelotti para o confronto com a Inter de Milão, pela Champions League, ou se ele vai recorrer a uma formação mais ortodoxa, recompondo o losango. Vale lembrar que no jogo de ida, na Itália, ele surpreendeu com Malouda no lugar de Ashley Cole. Aguardemos, será um belíssimo confronto tático entre Ancelotti e José Mourinho.

É bom ver o Chelsea jogar

17 de janeiro de 2010 31

Diagrama tático do Chelsea no confronto com o Sunderland

Assistir ao Chelsea jogando me faz pensar se este Carlo Ancelotti é o mesmo que há poucos meses tomava decisões muito questionáveis no Milan. Ontem, em goleada de 7 a 2 sobre o Sunderland, o técnico italiano soube driblar com muita inteligência as ausências dos africanos Drogba e Essien (na Copa Africana das Nações, assim como os reservas Mikel e Kalou) e dos portugueses Deco e Bosingwa (lesionados).

Ancelotti manteve o Chelsea no 4-4-2 em losango. À primeira vista, uma estrutura tática idêntica à original, com linha defensiva de quatro jogadores, um volante central protegendo a área, dois apoiadores marcando sem a bola e criando com ela, um ponta-de-lança ofensivo centralizado, e dois atacantes - um de área, outro de movimentação.

Mas a estratégia ofensiva encaixou-se às exigências do elenco sem Drogba e Essien. É uma sequência de sincronias que levou à criação de 29 chances de gol, em absurdos 71% de posse de bola. Tudo começa, acredito, pela entrada de Malouda no lugar de Drogba.

Canhoto, Malouda levou Ancelotti a modificar a função de Anelka, que se tornou a referência de área, com Malouda fazendo o trabalho em suas imediações, pela esquerda. O substituto de Drogba contou ainda com o assessoramento constante de Ashley Cole, lateral que recupera sua melhor forma jogando em alto nível, com qualidade, velocidade, e precisão.

Para equilibrar, Ancelotti levou Joe Cole para as diagonais inversas, saindo do meio para a direita. Assim, o Chelsea trabalhou nos dois lados: esquerda, com Ashley Cole e Malouda; direita, com Joe Cole e Anelka - com Ivanovic apoiando menos. Essa solução - levar Joe Cole para o lado - proporcionou o que de mais bonito fez o Chelsea nessa partida.

Com a frente da área liberada, Lampard e Ballack brilharam, tanto na distribuição do jogo como também no ingresso na área. Malouda e Joe Cole, saindo pelos lados, arrastaram a marcação na intermediária do Sunderland, escancarando a porta da área. Dessa forma, Lampard e Ballack puderam se adiantar, sendo muito mais do que simples apoiadores. O resultado desta estratégia é: dois gols de Lampard, um de Ballack, todos de dentro da área.

O Chelsea abriu a marcação do Sunderland. Sem mexer no sistema tático. Mantido o 4-4-2 em losango, Carlo Ancelotti apenas se adequou às novas exigências do elenco desfalcado. Foi muito bem o técnico dos Blues. Ganhou o sábado quem, assim como eu, ontem parou para assistir a esta aula de futebol inteligente.

Postado por Eduardo Cecconi

Muito combate e pouca inspiração no grande jogo

08 de novembro de 2009 5

Chelsea no 4-4-2 em losango x Manchester no 4-5-1 em duas linhas

O confronto entre Chelsea e Manchester United, hoje à tarde, em Stamfrod Bridge, tinha tudo para ser o grande jogo da incipiente temporada 2009/2010. Mas não foi. Tanto o anfitrião Carlo Ancelotti, como também o visitante Sir Alex Ferguson, adotaram estratégias que priorizaram o combate. Ambos tiveram êxito na tentativa de anular o adversário, mas fracassaram nas transições da marcação para a recuperação da bola (o contra-ataque), criando poucas oportunidades.

O Chelsea manteve-se no 4-4-2 com meio-campo em losango analisado debatido no blog Preleção em 29 de agosto - leiam aqui. Essien fez o vértice central, protegendo a linha defensiva, com os apoiadores Ballack - na direita - e Lampard - na esquerda. Deco atuou como ponta-de-lança, no "enganche" entre o setor e os atacantes. Drogba jogou centralizado, vez-que-outra buscando o lado esquerdo, enquanto Anelka abria mais, invariavelmente pela direita.

O Manchester United adotou o seu corriqueiro 4-5-1 para jogos fora de casa, também debatido no blog Preleção, com Anderson mais à frente - leiam aqui. Na prática, a estrutura pode ser desdobrada em 4-4-1-1. Uma linha defensiva, Carrick e Fletcher por dentro da segunda linha, Valencia e Giggs de wingers, Anderson no "enganche", e Rooney isolado.

Reparem no diagrama tático que ilustra o post. As sobreposições dos dois sistemas provocaram diversos "encaixes" de marcação. Essien-Anderson, Carrick-Ballack, Fletcher-Lampard, Ivanovic-Giggs, A.Cole-Valencia, Drogba-Brown. Sobrou Deco. Faltou, na verdade, Deco.

Nos emparelhamentos, Deco não tem perseguidor fixo. Jogou entre as duas linhas do Manchester United. Como Anelka abria pela direita simultaneamente ao apoio de Ivanovic, mantinha Evra e Giggs presos ao lado. O camisa 20 do Chelsea podia assim jogar de frente para Evans, com espaço, mas não apareceu na partida. Teve a chance de ser "o cara" do jogo, em função da indefinição de sua marcação frente às rígidas zonas adversárias.

Do outro lado, Rooney tentava, entre R.Carvalho e Terry, encontrar espaço para se alinhar com os marcadores e receber o passe vertical pelo chão, entrando em velocidade. Conseguiu uma vez, mas o auxiliar errou marcando impedimento. Depois, passou a arriscar de média distância, cortando da esquerda para o meio, e chutando.

O Manchester controlou um pouco mais a bola, embora sem objetividade, trocando passes de lado a outro, fazendo inversões, vendo o tempo passar, esperando Rooney escavar uma abertura na linha do Chelsea. O Chelsea teve pouca inspiração, principalmente com os apoiadores Ballack e Lampard - sem falar do Deco - apostando apenas nas aberturas do Anelka e na imposição do Drogba.

Nesta equação, a matemática aponta um resultado lógico. Marcações encaixadas + falta de inspiração + cautela excessiva - objetividade = gol de bola parada. Chelsea 1 x 0 Manchester. Falta lateral, Terry de cabeça.

Postado por Eduardo Cecconi

Chelsea tem o melhor losango do mundo?

29 de agosto de 2009 22

Como funciona o losango assimétrico de Ancelotti

Hoje assisti à fácil vitória do Chelsea sobre o Burnley por 3 a 0, pela Premiere League. E o técnico Carlo Ancelotti manteve a tendência tática apresentada nos torneios de pré-temporada que disputou nos Estados Unidos. Depois de várias temporadas no 4-3-3, com José Mourinho e Guus Hiddink (tendo um pequeno hiato de 4-5-1 com Felipão), o Chelsea joga definitivamente no 4-4-2 em losango.

E o losango do Chelsea é assimétrico. O apoiador do lado esquerdo passa mais da linha da bola do que o apoiador direito. Hoje, sem Zhirkov e Malouda - dois canhotos muito ofensivos - Ancelotti recuou Lampard da ponta-de-lança para o lado esquerdo da segunda linha. E foi Lampard o responsável pelas incisivas subidas em parceria com Ashley Cole na esquerda.

Na direita, a assimetria se dá com o posicionamento mais rígido de Ballack. Mas como Ancelotti compensa, para não deixar o time capenga? Com o recuo de Anelka, o segundo atacante, pelo lado direito. O time avança de um lado com o apoiador Lampard (certamente será com o russo Zhirkov no futuro próximo), e de outro com o Anelka. Time equilibrado.

Deco foi o último vértice hoje, centralizando a organização, e Essien permaneceu como primeiro vértice do losango do Chelsea. Ancelotti é um privilegiado, pois conta com outros quatro jogadores para o setor. E entre os oito meio-campistas, grande parte tem condições de atuar em mais de uma tática individual neste desenho. Lampard já foi ponta-de-lança e apoiador; Ballack e Essien podem ser o primeiro volante ou apoiadores por qualquer lado. Joe Cole pode ser apoiador na direita, levando Anelka para a esquerda, ou organizar. Deco até pode ser apoiador também. Zhirkov e Malouda têm condições de ser ponta-de-lança ou apoiador pela esquerda.

Guardadas as devidas proporções técnicas entre os jogadores, este 4-4-2 com losango assimétrico do Chelsea é muito parecido com o atual do Inter. Giuliano passa mais da linha da bola pela direita do que Guiñazu pela esquerda. E Taison é o atacante aberto pela esquerda. Também assimétrico, como o do Chelsea, mas com a inversão dos lados. Fechado o parêntese, voltemos ao Chelsea.

O losango está na moda. Jonathan Wilson articulista do The Guardian e autor dos livros "Behind the Curtain: Travels in Eastern European Football" e "Inverting the Pyramid, a book on football tactics" - e para mim o cara que mais entende de táticas no mundo - fez uma brilhante análise sobre a difusão do losango no futebol europeu. Pegou o Chelsea como exemplo. Apontou uma falha no sistema - ele acredita que o losango centraliza demais e torna a equipe vulnerável pelos lados - e apontou a assimetria como uma solução para abrir o jogo - leiam o brilhante texto do brilhante Jonathan Wilson.

A questão agora é: será o losango assimétrico de Ancelotti no Chelsea a melhor aplicação deste sistema no futebol atual? A melhor combinação da sincronia de movimentos com o melhor repertório de jogadores para cada tática individual? Por enquanto, até mesmo pelos resultados, é forte candidato. Para citar, além de Chelsea, na Europa temos Benfica, Inter de Milão, Juventus (um pouco diferente, é verdade) e várias outras equipes jogando no 4-4-2 em losango.

PARÊNTESE HISTÓRICO: Reforço a dica para que leiam o artigo de Jonathan Wilson sobre o 4-4-2 em losango. Segundo ele, este desenho de meio-campo foi criado pelo brasileiro Flavio Costa, no Flamengo, em 1937. O losango teria nascido como uma oposição de Flavio ao W.M que o técnico húngaro Dori Kurschner, seu antecessor, tentou implantar no rubro-negro, sem sucesso, porque os jogadores brasileiros não conseguiam compreender aquela cultura tática europeia.

Mas o losango não nasceu em um 4-4-2, sim no 3-4-3. O W.M é o primeiro sistema tático reconhecido, criado no Arsenal. Ele era um 3-4-3, com três zagueiros, meio-campo em quadrado, e três atacantes. Flavio Costa apenas alterou o desenho do meio-campo, mantendo o 3-4-3, e trocando o quadrado pelo losango. Esta inversão foi responsável, segundo o Jonathan Wilson, pelo surgimento da tática individual do ponta-de-lança, último vértice do losango.

Outro detalhe: deste 3-4-3 em losango teria nascido o 4-2-4 que proporcionou ao Brasil o título no Mundial de 1958. O primeiro volante recuou para a zaga (criando a expressão quarto zagueiro, porque até então só existiam três), e o ponta-de-lança foi avançado para o ataque, deixando apenas os dois apoiadores alinhados no meio-campo.

Para quem acha que futebol se resume à qualidade dos jogadores, que treinador não tem importância, e que teoria tática é enrolação, um pouco de história resgatada pelo Jonathan Wilson comprova a importância do treinador, da estratégia. Por isso que eu amo o futebol!

Postado por Eduardo Cecconi

Chelsea mantém a base, Milan muda e perde

25 de julho de 2009 4

Diagrama tático do confronto Milan x Chelsea

Esta semana debatemos aqui no blog Preleção sobre o novo Milan do Leonardo, e o novo Chelsea do Carlo Ancelotti. E ontem à noite, estas duas equipes se enfrentaram. Parei para assistir se os dois treinadores dariam prosseguimento aos testes de pré-temporada. O amistoso terminou 2 a 1 para os ingleses, nos Estados Unidos.

O Milan mudou, em comparação com o time que havia perdido para o América do México. Leonardo não apenas alterou praticamente todo o time titular, como também mexeu no sistema tático. Permaneceu o 4-4-2, mas com um novo desenho de meio-campo: saiu o quadrado, entrou o losango.

A principal diferença foi a mudança dupla de posicionamento e função de Ronaldinho. Ele deixou o ataque - começou contra o América aberto pela esquerda, ao lado do centroavante Inzaghi - e passou ao vértice central avançado do losango, como um legítimo articulador. Acredito que Leonardo esteja realmente em dúvida sobre a posição e a tática individual que melhor rendimento podem proporcionar a Ronaldinho.

A equipe seguiu pendendo à esquerda, mas com pouco mais de equilíbrio. Oddo na lateral-direita apoia bastante, mais que Antonini. Flamini e Pirlo se revezaram nas subidas neste setor. E a alteração mais significativa para o ressurgimento da direita foi a escalação de Alexandre Pato como segundo atacante aberto pelo lado, abastecendo Borriello na área. Mas Seedorf, ainda na esquerda, segue como a referência da equipe, e continua levando o Milan para aquele lado.

No Chelsea, Ancelotti fez algumas alterações na escalação, mas em nada modificou o sistema tático. Ele manteve o 4-4-2 com três jogadores centralizados no meio e um extremo aberto pela esquerda. Este foi o principal acréscimo: por ali, saiu o irregular Malouda, e estreou com muita competência o russo Zhyrkov.

Zhyrkov fez uma dobradinha interessante com Ashley Cole, atraindo Drogba para a triangulação. Pela direita, Anelka se deslocava até lá assessorando o lateral Bosingwa e o apoiador Belletti, que substituiu Essien. Pelo meio, Lampard foi o organizador, e Mikel o primeiro volante. São triangulações formadas nos dois lados, e pelo meio, com Lampard encostando na dupla de ataque. É esta aproximação, possibilitando jogadas variadas por qualquer setor, que os treinadores buscam. E o Chelsea tem.

Ancelotti pegou um elenco melhor, e uma boa base deixada por Guus Hiddink. Neste início de pré-temporada, demonstra que o Chelsea está praticamente pronto. O grupo se qualificou, há alternativas para cada posição, e o sistema tático "encaixou". Já Leonardo ainda aparenta estar tateando no escuro. Muda o sistema, a estratégia, mexe na escalação, ainda procurando a melhor formação. Não por acaso, venceu o mais organizado Chelsea.

Postado por Eduardo Cecconi

Ancelotti mantém formação ofensiva no Chelsea

23 de julho de 2009 12

Diagrama tático de Ancelotti nos primeiros amistosos da pré-temporada do Chelsea, no 4-4-2 com meias centrais, dois atacantes também centrais, e Malouda aberto na esquerda

A troca do Guus Hiddink sobre o Carlo Ancelotti me deixou apreensivo quanto ao futuro desempenho do Chelsea. Enquanto o holandês é um treinador com predileção por estratégias ofensivas, o italiano é reconhecidamente um técnico no mínimo cauteloso.

Mas os amistosos de pré-temporada disputados pelo Chelsea nos Estados Unidos indicam um comportamento diferente de Ancelotti. Ele mantém a mesma escalação herdada de Guus, com quem a equipe jogava no 4-3-3. E, embora tenha feito duas alterações de posicionamento que aplicam ao time o sistema 4-4-2, ele não recuou seus jogadores nem escalou volantes em excesso, como costumava fazer no Milan.

O Chelsea de Ancelotti joga no 4-4-2 com duas mudanças no ataque em comparação ao Chelsea de Guus. O novo técnico reposicionou Malouda e Kalou. No 4-3-3, Guus mantinha Drogba centralizado, com Kalou (ou Anelka) aberto na direita, e Malouda aberto na esquerda, em estratégia semelhante à utilizada defensivamente e ofensivamente por Mano Menezes, com Dentinho e Jorge Henrique, no Corinthians.

Agora, Malouda recuou uma linha, posicionando-se como um meia aberto pelo lado esquerdo, não mais como um atacante lateralizado. E Kalou aproximou-se de Drogba, formando uma legítima dupla de ataque centralizada - Drogba do meio para a esquerda, e Kalou do meio para a direita. No meio-campo nada se altera - a não ser o acréscimo de Malouda.

Ancelotti manteve exatamente o mesmo desenho central dos volantes e meias da equipe. Sem Ballack, lesionado, Mikel fixou-se à proteção da defesa, como primeiro volante, cobrindo os dois lados. Essien é o apoiador, um segundo volante que faz o vai-vem, na Inglaterra chamado de box-to-box, pelo lado direito. Marca em socorro a Mikel sem a bola, e avança em apoio a Lampard e Malouda com a bola. 

Lampard permanece como o articulador central mais adiantado, próximo dos atacantes, e de frente para o gol, de onde desfere seus potentes chutes de média distância. Ele organiza a equipe de todas as formas, com passes curtos, apresentação para a passagem em tabelas para o pivô dos atacantes, no famoso 2-1. E também aplica outra grande virtude que o consagra como um dos melhores meias do mundo: o lançamento longo para a infiltração de Drogba e Kalou às costas da zaga.

Minha dúvida, que ainda carece de mais observação, é saber como funcionará a estratégia do Chelsea no sistema ofensivo. Na teoria, o time aparenta certa pendência à esquerda - além de Malouda aberto neste lado, Ashley Cole é o lateral apoiador, enquanto na direita o zagueiro Ivanovic atua praticamente na base da linha de defesa. É certo que Essien avança por ali, talvez Lampard se aproxime dele, ou até mesmo Kalou abra para o lado em determinadas circunstâncias.

O melhor de tudo, entretanto, é saber que - ao menos de início - Ancelotti contraria seu passado, e não coloca para jogar todos os volantes que dispõe. Mas, antes de comemorar pelo bem do futebol, é bom ressaltar que Ballack está lesionado, e ele pediu a contratação de Pirlo...

Postado por Eduardo Cecconi

Todos querem parar o Chelsea na Inglaterra

18 de abril de 2009 3

Arsenal alterou o sistema tático, do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, e dessa forma deixou o centroavante Adebayor totalmente isolado

Na Liga dos Campeões, o Liverpool já havia modificado sua maneira natural de jogar na tentativa de conter o Chelsea. E hoje, pela semifinal da Copa da Inglaterra, foi a vez do Arsenal alterar a própria estrutura tática em função do rival londrino.

Todos já estão carecas de saber que o Chelsea de Guus Hiddink joga no 4-3-3. A equipe tem um volante centralizado (Essien) e dois apoiadores (Ballack e Lampard) atuando extremamente próximos no círculo central. As saídas pelos lados se dão com Anelka na ponta direita, ou com a dupla Malouda-Ashley Cole no lado esquerdo.

Hoje, Arsene Wenger mexeu no Arsenal. Saiu do seu predileto 4-2-3-1, e armou uma espécie de 4-1-4-1, conforme demonstra o diagrama tático que ilustra o post. Qual foi a diferença? O técnico do Arsenal passou o meia-ofensivo centralizado que se aproximava de Adebayor para o lado esquerdo (Van Persie). E substituiu o meia-extremo da esquerda (Arshavin) por um apoiador-marcador (Diaby).

Dessa forma, Wenger recuou o brasileiro Denilson para ser um volante central entre a linha defensiva e a linha de meio-campo. Centralizados, Diaby e Fábregas trocaram bastante de posição, sempre com preferência para o apoio do espanhol. E o time buscou as saídas rápidas com Walcott na direita, ou Van Persie na esquerda. Tudo isso assistido por Arshavin, do banco, e Adebayor, isolado no ataque.

O que eu acredito que tenha motivado Wenger: encaixar a marcação no meio-campo. Com Denilson, Diaby e Fábregas, ele empatou numericamente com Essien, Lampard e Ballack. Escalou a equipe e armou sua estratégia conforme o adversário. Isso é muito arriscado, e sempre perigoso. Adebayor perdeu a companhia, ficou isolado, e a equipe criou poucas oportunidades.

Minha filosofia é: quem modifica seu time pensando em anular as virtudes do adversário acaba também anulando as próprias virtudes. Pensa primeiro em não deixar jogar, e perde capacidade ofensiva. Foi o que aconteceu com o Arsenal, que saiu na frente com Walcott, mas levou a virada: Chelsea 2 a 1.

Os gols foram parecidos: dois lançamentos longos de Lampard, o primeiro para Malouda, o segundo para Drogba. Sem espaço para trocar passes curtos, e explorar a proximidade com os parceiros Essien e Ballack, Lampard recorreu à bola longa, abrindo a defesa do Arsenal, em busca do trio de atacantes.

Mais uma vez o Chelsea sai perdendo contra um adversário que entra em campo todo formatado para contê-lo. E mais uma vez o Chelsea, mantendo a escalação, o sistema tático e a estratégia de jogo inalterados, vira a partida. E vence. Guus Hiddink lida com as dificuldades fazendo pequenas adaptações, mas não me parece um treinador que castigue o próprio time anulando suas virtudes na tentativa de combater o adversário.

Nada contra quem pensa o contrário. E os resultados futuros podem me desmentir. Mas eu estou com Guus. Que o adversário se preocupe com ele, e não o contrário. Assim ele mantém seu time jogando, enquanto os outros seguem tentando pará-lo.

Postado por Eduardo Cecconi

Benítez arrisca, e quase dá certo para o Liverpool

14 de abril de 2009 10

Benítez propôs um encaixe no meio-campo, combatendo a principal virtude do Chelsea - a proximidade dos seus meio-campistas centralizados

Sem Gerrard, o técnico Rafa Benítez resolveu alterar a estrutura tática do Liverpool no confronto com o Chelsea. E quase deu certo. A equipe esteve próxima da classificação, mas o fabuloso empate em 4 a 4 leva os londrinos às semifinais da Liga dos Campeões da Europa. As circunstâncias do jogo quase inviabilizam uma análise tática - fatores alheios, como aguerrimento, bravura, comprometimento e vibração foram fundamentais para ambos - mas ainda assim podemos debater sobre a proposta de Benítez.

O treinador do Liverpool armou seu meio-campo em função do Chelsea. A equipe iniciou a partida no 4-4-1-1. Lucas foi colocado entre a linha de meio-campo e o atacante Fernando Torres, mas em uma tática individual diferente da exercida por Gerrard. Finalmente, Lucas foi aquele meio-campista de combate e ligação que eu pedi em post recente no Preleção, mas que ainda não tínhamos visto pelo Liverpool.

O que pretendia Benítez? Parece um contrasenso, precisando marcar três gols e começar o jogo com um atacante. Mas a proposta do técnico do Liverpool se justifica pelo resultado na prática. Com o trio Mascherano-Xabi Alonso-Lucas, ele buscava anular o trio centralizado do Chelsea, formado por Essien-Lampard-Ballack - confiram o "encaixe" no diagrama tático que ilustra o post.

Desde a chegada de Guus Hiddink, o Chelsea atua no 4-3-3. Essien é o vértice, Ballack sai para a direita e Lampard pela esquerda. Mas os três jogadores de meio-campo atuam extremamente próximos, e centralizados. As jogadas pelos lados ficam a critério dos atacantes abertos (Kalou/Anelka pela direita, Malouda pela esquerda) e os laterais - principalmente Ashley Cole.

Com Lucas no lugar de Gerrard, Benítez encaixou a marcação nos três apoiadores do Chelsea. E venceu a disputa numérica do meio-campo trazendo os extremos Kuyt (na direita) e Benayoun (na esquerda) para as diagonais. No 1º tempo, com esta estratégia, o Liverpool alcançou uma posse de bola de 63%, marcando dois gols - em bola parada, é verdade - e indo para o intervalo na iminência da classificação.

No 2º tempo, Guus aplicou um contra-veneno bastante lógico. Descentralizou mais as jogadas, fugindo ao encaixe. No primeiro gol, Anelka foi um legítimo ponta-direita, às costas de Fábio Aurélio. Ainda assim, outros dois gols (Alex fez um de falta) surgiram de infiltrações pelo meio. Se na etapa inicial a estratégia de Rafa Benítez deu certo, a urgência por mais um gol não manteve a estrutura coesa no final.

Mas a saída de Mascherano foi decisiva. Quando ele deixou o campo, para a entrada de Riera, Benítez realinhou o 4-4-2. E Lampard perdeu seu marcador - era o argentino quem acompanhava o capitão londrino. Duas vezes, Lampard tabelou em infiltrações pelo meio, entrando na área livre de marcação, e marcando dois gols. Ballack também começou a dominar a articulação. O Chelsea retomava a superioridade numérica do setor, com seus três apoiadores centralizados contra Lucas e Xabi Alonso.

Nada, entretanto, que condene Benítez. Afinal, Riera fez a jogada do gol de Kuyt, como um winger pela esquerda - novamente, o espanhol teve boa atuação. Lucas ainda fez o dele, chutando de fora da área - atitude que eu pedi aqui no post sobre o Liverpool. Lucas chutou, e fez.

A parte as variações táticas e estratégias alternativas, foi um dos maiores e mais emocionantes jogos da história recente do futebol. Que loucura este jogo!

Postado por Eduardo Cecconi

Quem não tem medo vence na Liga dos Campeões

08 de abril de 2009 17

Chelsea forçou os espaços entre os jogadores das linhas do Liverpool. Fora de casa, jogou no 4-3-3. E venceu, com méritos.

Eu vibro quando assisto na Liga dos Campeões da Europa ao sucesso de equipes com vocação ofensiva. Hoje, o 4-3-3 mais uma vez comprovou que a vontade de vencer é soberana quando se organiza um time de futebol. É claro que a qualidade técnica dos jogadores conta, mas neste quesito os confrontos europeus se equilibram (há craques em todos os times). Despontam, portanto, os treinadores destemidos.

Alguns técnicos brasileiros - e gaúchos também - devem ter caído da cadeira ao acompanhar hoje Barcelona e Chelsea jogando. Tanto Guardiola como também o mestre das estratégias Guus Hiddink acordaram hoje com vontade de vencer. Sem medo, sem cautela demasiada, sem predileção por volantes, sem restrições aos melhores jogadores.

O mais destemido foi novamente Guus Hiddink. Mesmo fora de casa, contra o embalado Liverpool e sua fanática torcida, o treinador do Chelsea não abdicou do 4-3-3. Isso mesmo. Guus enfrentou o Liverpool em Anfield Road no 4-3-3. Resultado? Venceu por 3 a 1. Fora de casa. Reparem nas estatísticas da partida: o Chelsea criou 21 oportunidades de gol, com 9 conclusões no gol, e 6 defesas de Reina. Do contrário, o Liverpool criou 12 oportunidades, apenas 2 conclusões, e uma solitária defesa de Cech (a outra bola entrou).

Qual foi a estratégia de Guus Hiddink: atuar entre os espaços das linhas do Liverpool, que manteve o 4-4-2 britânico com Gerrard adiantado. Malouda forçou a passagem entre Arbeloa e Skrtel. Drogba jogou a meio caminho de Skrtel e Carragher, entrando livre diversas vezes. E Kalou passou a partida transitando no espaço que ia de Carragher a Fábio Aurélio. O mesmo aconteceu no meio-campo. Ballack jogou às costas de Riera, entre ele e Xabi Alonso. E Lampard no espaço deixado por Kuyt, entre o holandês e Lucas.

E assim o Chelsea foi criando oportunidades. Guus, mesmo no 4-3-3, com dois meias-apoiadores, ainda liberou o lateral-esquerdo Ashley Cole para o apoio. Tudo isso sem perder a segurança ofensiva, afinal, quem ataca também marca, e não há time faceiro quando o sistema tático se alia a uma estratégia inteligente. Quem é que marca nesse Chelsea? TODOS, eu respondo.

Na Espanha, enquanto Klinsmann recuou o Bayern tirando um atacante, e entrando em campo no 4-5-1, Guardiola patrolou os alemães com seu 4-3-3 irresistível, nos pés invertidos de Messi pela direita e Henry pela esquerda, com Eto`o pelo meio. Mais uma vez venceu quem entrou em campo para vencer. E quem pensou em empatar deixou a Catalunha com uma goleada de 4 a 0.

Ontem, já havíamos assistido a decepções defensivistas e sucessos da coragem. O Porto encarou o Manchester na Inglaterra mantendo seu 4-5-1 com variação tática para o 4-3-3, bastante ofensivo. Enquanto isso, Sir Alex Ferguson seguiu acometido por sua lamentável recaída retranqueira, e escalou o Manchester no 4-4-1-1, com TRÊS volantes, e apenas um atacante. Empatou em casa. Foi punido pela bola.

É claro que nada está decidido, e quem errou nesta rodada pode acertar no jogo de volta. Vale o mesmo para quem acertou hoje, e pode também ser traído por alguma equivocada convicção defensivista, jogando tudo fora no próximo jogo. Tomara que isso não aconteça. Mas vale observar o futebol inglês como uma tendência do que pode dar certo, guardadas as diferenças técnicas dos grupos e as características do futebol de cada país.

Que as bençãos da inteligência tática dos vanguardistas europeus seja assimilada no Brasil, e que as estratégias de quem tem vontade de vencer derrubem sempre os argumentos de quem joga para empatar, ou de quem vê em tudo "faceirice".

Postado por Eduardo Cecconi