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Posts com a tag "Corinthians"

Mano tem estilo europeu no planejamento tático

24 de julho de 2010 15

A referência para o planejamento tático de Mano Menezes na Seleção Brasileira é, obviamente, seu histórico no Grêmio e no Corinthians. Em ambos, ele demonstrou receber influência das tendências europeias, colocando em prática sistemas pouco usuais no Brasil. E sempre com cinco homens no meio-campo.

O sistema preferencial de Mano Menezes parece ser o 4-5-1 com dois volantes e três meias ofensivos (ou 4-2-3-1), tendo uma pequena variação que apresenta o segundo modelo - o 4-5-1 com duas linhas de quatro jogadores e um volante entre elas (ou 4-1-4-1). Isso não quer dizer que ele nunca tenha se utilizado de outros sistemas, ou que na Seleção uma terceira possibilidade seja inviável.

O 4-2-3-1 de Mano Menezes fez sucesso no Grêmio. Uma linha de quatro defensores, sucedida por dois volantes - um mais combativo, o outro apoiador com a bola. À frente desta dupla, um articulador que comanda a velocidade do jogo, distribuindo a bola com passes curtos ou lançamentos. Pelos lados, dois meias incisivos, ofensivos, e com boa capacidade de conclusão. Na área, um centroavante de referência.

No Grêmio, a dupla de volantes teve Gavillán ou Sandro Goiano no combate, e Lucas no apoio; Tcheco foi o organizador central, e nas extremidades ofensivas da segunda linha de meio-campo passaram Léo Lima, Hugo, Diego Souza e Carlos Eduardo.

No Corinthians, o comportamento dos wingers fez este 4-2-3-1 até mesmo se transformar em 4-3-3. Foi desta forma que a equipe conquistou a Copa do Brasil. Mano adiantou o posicionamento dos meias-extremos (Dentinho e Jorge Henrique). Orientação que, combinada à característica dos próprios jogadores - atacantes natos - colocou ambos mais perto de Ronaldo, das jogadas de área, e dos gols. Um 4-3-3, para mim, sem dúvida.

O 4-1-4-1 também acontece, como variação do preferencial 4-2-3-1, e foi registrado tanto no Grêmio, como em jogos do treinador pelo Corinthians. A diferença, na prática, consiste na alteração da base do triângulo central de meio-campistas.

Enquanto no 4-2-3-1 são dois volantes e um meia (triângulo de base baixa), no 4-1-4-1 adianta-se um dos volantes, transformando-o no segundo meia (triângulo de base alta). Todas as demais posições da equipe permanecem inalteradas.

Há no blog Preleção uma foto produzida pela equipe de trabalho de Mano Menezes configurando o 4-1-4-1 em um Gre-Nal no Estádio Olímpico - vejam aqui. Mas a formação mais conhecida neste modelo aconteceu quando o treinador corintiano adiantava Elias para a organização, ao lado de Douglas, deixando Cristian como o volante de sobra entre as linhas da equipe - leiam aqui, em post de junho de 2009.

Nota-se, neste levantamento, alguns conceitos importantes: Mano Menezes gosta de jogar com organizadores centrais, articuladores cerebrais, os camisas 10's à moda antiga (Douglas, Tcheco, Danilo), lentos sem a bola, mas responsáveis pela distribuição de jogo; Mano também dá preferência a meias-extremos que, além de velozes, sejam bons na conclusão a gol (Dentinho, Hugo, Diego Souza, Carlos Eduardo), e que saibam ainda contribuir com a equipe dedicando-se à marcação dos laterais adversários; usa ainda em suas equipes um volante apoiador, que passa da linha da bola em velocidade (Elias e Lucas); e tem nas duas formações possibilidade de variação para o 4-3-3.

Corinthians deve manter estrutura tática em 2010

09 de fevereiro de 2010 11

O 4-5-1 (ou 4-2-3-1, para quem preferir) que levou o Corinthians ao título da Copa do Brasil em 2009 - variando para o 4-3-3 com Dentinho e Jorge Henrique adiantados pelos lados - deve se repetir neste ano. Esta é a projeção do amigo Dassler Marques, do Terra Esportes, que faz acompanhamento tático e compilação de bancos de dados para o jornalista Mauro Beting, referente aos "quatro grandes" paulistas. Convidei o Dassler para falar sobre o Corinthians no terceiro post da série sobre os brasileiros na Copa Libertadores 2010 no blog Preleção. A palavra é dele:

"Apesar de o 4-2-3-1 ter sido o esquema de sucesso do segundo semestre de 2008 e em toda a temporada 2009, Mano Menezes iniciou 2010 indicando a possibilidade de alteração para o 4-4-2 (*com dois volantes e dois meias articuladores).

Nesse ano, ele começou com o 4-2-2-2, mas rapidamente percebeu que o time e o perfil do elenco são realmente propensos ao 4-2-3-1. Entre muitos fatores, Jorge Henrique rende mais pela faixa externa, e não pode ser meia ou segundo atacante no 4-2-2-2, pois isola o centroavante.

A defesa, por mais que Chicão e William não repitam o nível de outros tempos, deve permanecer assim, com Alessandro e Roberto Carlos nas laterais. Ao contrário de André Santos, RC é mais seguro na defesa. À direita no início do meio-campo, Elias é intocável. Seu parceiro está indefinido. Marcelo Mattos e Ralf, dois ótimos marcadores, disputam a posição. Hoje, a vantagem é do ex-Barueri, mas a história de Marcelo no Parque São Jorge pode pesar.

Na linha de três armadores, há dois nomes encaminhados. Jorge Henrique, provavelmente à direita, e Danilo, à esquerda. Tcheco seria o meia centralizado, mas isso pode mudar, com o trio mudando seu posicionamento: Tcheco na direita, Danilo por dentro e J.Henrique pela esquerda. Tudo depende do adversário e de como o time se encaixar melhor. Dentinho e Defederico são outras opções nesse setor, além de Iarley, que em tese é reserva de Ronaldo".

Assisti no final de semana à goleada do Corinthians sobre o Sertãozinho, e percebi esta segunda alternativa tática explicada pelo Dassler Marques acima. Mas com outro desenho. Sem Ronaldo e Danilo, Mano Menezes jogou no 4-4-2 em duas linhas. No meio-campo, Elias e Marcelo Mattos jogaram por dentro; Tcheco posicionou-se aberto pela direita, e Jorge Henrique pela esquerda. Na frente, Iarley e Dentinho. Foi aberto pela direita que Tcheco fez a jogada do primeiro gol, e formou boa dupla com Alessandro. No outro lado, J.Henrique apoiava Roberto Carlos.

O treinador do Corinthians poderia ter mantido o 4-5-1 de sua predileção - aquele com cara de 4-3-3 do ano passado, recuando Dentinho e centralizando Tcheco (que cumpriria o papel de Douglas, hoje no Grêmio). Mas preferiu adiantar Dentinho, para jogar ao lado de Iarley na frente, e abrir Tcheco em um posicionamento semelhante ao que Paulo Autuori determinava a ele na temporada passada. São pelo menos três alternativas táticas proporcionadas pelo bom elenco do Corinthians. Isso que ficaram alijados, além de Defederico e Dentinho na projeção de time titular, nomes como Edno e Morais.

Defederico deve jogar pelos lados no Corinthians

30 de setembro de 2009 15

Possibilidades de escalação e variações do Timão com Edno e Defederico

Confesso que o clássico São Paulo x Corinthians foi meu primeiro contato com o futebol do meia-atacante argentino Defederico. Na temporada passada, não pude acompanhar com a atenção devida o Torneio Clausura, portanto o jogo de estreia dele pelo time de Mano Menezes também foi a primeira oportunidade que tive de observá-lo.

No clássico, Defederico desempenhou a tática individual legada por Douglas, no 4-3-3 usual de Mano Menezes (P.S: eu analiso o sistema corintiano como 4-3-3, embora outros cronistas vejam a equipe no 4-5-1 com dois wingers pelos lados). O argentino atuou como articulador centralizado, à frente dos volantes Marcelo Mattos e Jucilei - Elias estava fora - fazendo o enganche com os atacantes Jorge Henrique e Dentinho, e com o centroavante Ronaldo.

Mas no programa Linha de Passe de segunda-feira, o Paulo Vinícius Coelho (PVC) - disparadamente o melhor jornalista esportivo da crônica brasileira - apresentou uma perspectiva interessante. Na qual vou me basear, não só pelo conhecimento do PVC, mas também porque ele acompanha o Defederico há muito mais tempo. Segundo o cronista da ESPN e da Folha de S. Paulo, o argentino não é um organizador. Não pode, portanto, substituir Douglas.

Para PVC, Defederico chega para concorrer com Jorge Henrique e Dentinho por uma vaga no trio ofensivo do Corinthians. Nesta tese, o substituto de Douglas será outro recente reforço: Edno. O novo Corinthians, sem Cristian e Douglas, manteria dessa forma a estrutura tática com a qual conquistou Copa do Brasil e Paulistão, mas apresentando uma novidade na briga por posições. Afinal, Jorge Henrique e Dentinho sempre foram titulares incontestáveis.

Contra o São Paulo, realmente Defederico não conseguiu firmar posicionamento à frente dos volantes. Não raro o argentino se infiltrava, formando uma linha de quatro atacantes, e despovoando o meio-campo corintiano na transição de posse de bola para o combate (contra-ataque adversário). Fato que não deve ocorrer, e pensa acertadamente o PVC, com o Edno.

Mas, e aí: quem é que sai? Jorge Henrique é o abnegado atacante que recua até a linha de fundo defensiva combatendo laterais adversários. E Dentinho é o artilheiro oportunista, fã de Ronaldo, mas também companheiro entrosado com o Fenômeno para nas diagonais da esquerda para o meio aproveitar-se dos espaços abertos pelo camisa 9, e concluir sem marcação. Defederico terá de suar muito nos treinos para desbancar qualquer destes jogadores importantíssimos para o time de Mano Menezes.

A não ser que - e PVC não cogitou essa possibilidade - o técnico corintiano redesenhe o sistema tático. Ainda assim, na teoria sobraria ou Jorge Henrique, ou Dentinho. O dilema persistiria. Mantida a estrutura no 4-3-3, e confirmada a entrada de Edno na articulação, as variações possíveis são o triângulo baixo (Marcelo Mattos na esquerda, Elias na direita, Edno à frente) e o triângulo alto (Mattos centralizado como único volante, Elias de meia-direita e Edno de meia-esquerda), como Mano já fazia tendo Douglas e Cristian.

Vale ressaltar que são reposições de qualidade. Chegam um pouco tarde demais, mas se ver frente a um dilema destes é excelente para o treinador. Começam novamente a sobrar alternativas no Corinthians.

Postado por Eduardo Cecconi

Mano Menezes não se acovardou

01 de julho de 2009 23

Diagrama tático da jogada que norteou as ações do Corinthians

Se havia alguma dúvida, ela se dissipa. Mesmo que muitos tenham citado o título do Paulistão deste ano como contraponto aos insucessos em grandes decisões, de grandes campeonatos, faltava a Mano Menezes um bom desempenho. Agora, com o Corinthians campeão - e não apenas isso, mas jogando bem - ele se redime das más decisões tomadas em competições como Libertadores e Copa do Brasil, respectivamente com Grêmio e Corinthians.

Hoje o Corinthians manteve seu 4-3-3, também interpretado por muitos como um 4-5-1 (ou 4-2-3-1), dependendo da perspectiva de quem vê Jorge Henrique e Dentinho como atacantes - minha corrente de pensamento - ou como meias. Mesmo jogando no Beira-Rio, mesmo em vantagem do 2 a 0 no primeiro jogo, Mano não recuou seu time. Não abdicou do sistema original de jogo em nome do defensivismo.

O futebol premia quem tem coragem. Mano Menezes teve. Ele não arriscou ao manter seu 4-3-3. Do contrário. Arriscado seria se apequenar. Modificar uma estrutura sólida. O Corinthians jogou, marcou com a bola, e teve um desempenho irrepreensível no primeiro tempo. Como bem definiu Tite em sua entrevista coletiva, o Corinthians manteve o sistema tático mas com boas variações no movimento sincronizado de jogadores.

Por exemplo: Mano Menezes, com todo o corredor esquerdo para apoiar em função da permanência de Bolívar na base, resolveu triplicar a movimentação sobre o lateral-direito colorado. Ali apoiou André Santos, ali jogou Dentinho, e ali também circulou Ronaldo. Três jogadores sobre Bolívar, tirando Índio da área em cobertura, arrastando Glaydson, bagunçando o sistema defensivo colorado.

O principal resultado deste movimento triplo sobre Bolívar foi o ingresso em diagonal de Jorge Henrique no centro da área. Vejamos: Dentinho se mantém aberto na esquerda; Ronaldo sai do meio para a esquerda; e o camisa 9 arrasta consigo Jorge Henrique, que ingressa da direita para o meio, às costas do espaço aberto por Ronaldo.

Neste espaço, Jorge Henrique marcou o primeiro gol, em jogada de linha de fundo no setor de Bolívar. Neste espaço ele já havia feito um, bem anulado por impedimento.

A movimentação de Ronaldo foi ainda responsável pelo segundo gol. Ele recua do meio para a esquerda, em retorno típico de um pivô, e tabela com André Santos. De novo no setor de Bolívar.

Mano teve uma recaída, justificada pelo título, no 2º tempo. Recuou a equipe, cedeu campo ao Inter, trocou jogadores de frente por marcadores. Mas com a nítida intenção de quebrar o ritmo do jogo. Não foram alterações táticas. Afinal, ele só pretendia frear o ímpeto de uma equipe que precisava marcar cinco gols.

Parabéns ao Mano Menezes. Os ares de São Paulo têm feito muito bem para a consolidação de conceitos táticos que alijam o defensivismo recente, em nome da consolidação de um sistema, com alternativas na movimentação de atletas, e com a busca inteligente pela vitória.

Postado por Eduardo Cecconi

O histórico de Mano favorável ao Inter

29 de junho de 2009 18

Aqui no blog Preleção a essência do debate é o planejamento tático. Que inclui fatores como sistema, estratégia, postura, metodologia de trabalho...mas exclui revanchismo clubístico. Portanto, a premissa deste post é o debate tático. Sem amores ou rancores favoráveis ou contrários à pessoa ou aos clubes que ele defendeu. Estou falando de Mano Menezes.

Mano Menezes apresenta um histórico recente favorável ao Inter. Em grandes decisões, em grandes jogos, ele adotou estratégias demasiadamente defensivas. E foi mal. Perdeu títulos dessa forma. Foi assim em 2007, com o Grêmio na Libertadores; e também foi assim ano passado, com o Corinthians na Copa do Brasil. Em ambas competições, apresentou suas equipes com duas posturas completamente diferentes - dentro de casa, agressiva e incisiva; fora de casa, recuada e passiva.

Não sei se Mano Menezes mudou. Se alterou suas convicções. Caso ele pense da mesma forma, o Inter pode levar vantagem na decisão da Copa do Brasil. Nesta hipótese, Mano Menezes recuaria sua equipe, planejaria táticas individuais mais defensivas para seus jogadores, e cederia campo ao Inter, abdicando da posse de bola. E o Inter, com posse de bola e campo para buscar espaços - dentro de casa, no ambiente caloroso proporcionado pela sua torcida - pode encontrar maneiras de igualar o placar adverso, quem sabe ultrapassá-lo.

O azar do treinador corintiano foi o sorteio. O Corinthians decide fora. Na Libertadores de 2007, o Grêmio se sustentou nas partidas derradeiras no Olímpico. O time ia muito mal fora de casa, mas se recuperava no abafa. No único dos confrontos decidido fora - contra o Santos - iniciou a partida com um atacante, sacou ele e meias substituídos por volantes e zagueiros, e chamou o Santos para o próprio campo. Quase foi eliminado. Na final, foi defensivo nas duas partidas, e perdeu o título para o Boca.

Ano passado, na Copa do Brasil, construiu o 3 a 1 no Pacaembu. Mas na Ilha do Retiro, novamente cedeu campo e posse de bola, levando 2 a 0 do Sport Recife. A grande questão é: Mano Menezes ainda pensa assim? O técnico do Corinthians ainda vê vantagem em recuar fora de casa, apostar no posicionamento defensivo e no "relógio a favor" para vencer?

Eu, sinceramente, não sei. No elenco do Corinthians, ele conta com duas belas saídas de contra-ataque - Dentinho e Jorge Henrique. Não haveria motivo para recuar. Para deixar o Inter jogar. Do contrário, adiantando a marcação da linha ofensiva, forçaria o Inter a apostar na ligação direta, facilitando a retomada da bola e a saída rápida pelos lados.

Mas se Mano Menezes fizer jus ao histórico recente - e estou, reitero, falando apenas da amostragem tática dele em grandes decisões - Mano pode sacar Dentinho e colocar um meia, ou um volante. Alguém, por exemplo, para marcar D`Alessandro individualmente, ou acompanhar Nilmar. E assim, perder capacidade de articulação, saída e posse de bola.

É uma incógnita. Só na quarta-feira saberemos se Mano Menezes modificou suas convicções táticas, ou se ainda é o técnico demasiadamente cauteloso das decisões perdidas.

Postado por Eduardo Cecconi

Corinthians joga no 4-3-3 com marcação europeia

04 de junho de 2009 19

Corinthians de Mano Menezes alterna características de 4-3-3 com posicionamento defensivo de 4-1-4-1

O Corinthians de Mano Menezes combina duas formações pouco usuais no futebol brasileiro. Com a bola, o Timão posiciona-se no 4-3-3; e sem a bola, apresenta duas linhas de quatro, guarnecidas por um volante, sistema semelhante ao 4-1-4-1 dos times britânicos que se difundiu pela Europa.

No 4-3-3, o Corinthians é uma equipe de vocação ofensiva. Mano Menezes abre Jorge Henrique pela direita e Dentinho à esquerda - mas também pode invertê-los de lado, como fez ontem no empate em 0 a 0 com o Vasco. Ambos têm como movimentações principais a busca pela linha de fundo, ou as diagonais na direção da área.

Ronaldo joga centralizado, e faz um pivô consistente. Ele retorna até a intermediária de ataque para buscar a bola, e à medida do possível se movimenta de lado a outro, oferecendo-se para as tabelas curtas com Jorge Henrique ou Dentinho. Pelos lados, ainda deveria haver o apoio alternado de Alessandro na direita, e André Santos na esquerda - mas como ele está na Seleção Brasileira, o substituto Diego (originalmente zagueiro) sobe menos. Sem André Santos, a defesa é quase uma linha rígida.

No meio-campo, Cristian é o primeiro volante, centralizado. Elias joga como apoiador, pela direita, e Douglas é o articulador, mais à esquerda. São dois jogadores que proporcionam características diferentes. Elias é veloz, condutor, e gosta das tabelas com o pivô de Ronaldo, correndo junto com a bola; Douglas é pensador, mais lento, e faz a bola andar sem necessariamente se movimentar, com passes longos e lançamentos. Bons exemplos da diferença de características entre o apoiador nato e o articulador clássico.

Sem a bola, o movimento sincronizado transforma o 4-3-3 em um 4-1-4-1 europeu. Cristian permanece centralizado, à frente da linha de defesa. Jorge Henrique e Dentinho recuam, alinhando-se a Elias e Douglas. As duas linhas se compactam - a defesa adianta, o meio-campo recua - e Cristian faz a cobertura. Ronaldo ganha liberdade para permanecer lá na frente, para receber a bola e puxar o contra-ataque.

Mas o sistema de marcação é diferente daquele por zona com pressão sobre a bola do tradicional 4-1-4-1 britânico. Jorge Henrique e Dentinho acompanham os laterais adversários individualmente, se preciso for, até a linha de fundo defensiva. Elias e Douglas bloqueiam meias e/ou volantes, enquanto Cristian costuma perseguir o protagonista do meio-campo adversário (ontem, contra o Vasco, vigiou Carlos Alberto). É diferente da zona com pressão sobre a bola exercida pelas linhas britânicas em times como Manchester United, ou Liverpool, por exemplo - e que o Defensor dá bom exemplo na Libertadores.

Retomada a bola, Jorge Henrique e Dentinho disparam, Douglas e Elias se adiantam, e o Corinthians rapidamente reconstitui o seu 4-3-3. Com este sistema, Mano Menezes conquistou o título invicto do Campeonato Paulista, e fez campanha impecável na Copa do Brasil. Mesmo que aparente uma ofensividade natural, com três atacantes, o time não é irresponsável, marca com dez jogadores atrás da linha da bola, e sabe jogar das duas maneiras - propondo o jogo, articulado; ou controlando o adversário, sem posse de bola.

Será um embate tático entre dois estrategistas com sistemas definidos, organizados e consolidados, e bem-sucedidos nesta temporada.

Postado por Eduardo Cecconi

Mano repete marcação em duas linhas no Timão

27 de abril de 2009 11

Ontem assisti à repetição de um sistema interessante de marcação no Corinthians de Mano Menezes. Se com a bola a equipe atua no convencional 4-4-2 com meio-campo em quadrado, na marcação o Timão fecha em duas linhas, no ainda mais tradiciona 4-4-2 britânico - movimento que já havia sido analisado aqui no Preleção ano passado, durante a Série B.

Com a posse, o Corinthians tinha Cristian como primeiro volante, mais à esquerda; Elias de segundo volante, pouco à direita; Morais na meia-esquerda; e Douglas centralizado na articulação. No ataque, Jorge Henrique aberto na direita, e Ronaldo também centralizado.

Sem a bola, o movimento é sincronizado os dois lados. Morais recuava, alinhando-se a Cristian; e na direita, quem descia era Jorge Henrique, completando a linha de meio-campo ao lado de Elias. Com isso, Mano Menezes permitia aos laterais entrar em combate direto com Madson e Neymar, deixando um zagueiro com Kléber Pereira, e outro sobrando.

Morais e Jorge Henrique entravam em combate direto com os laterais Luizinho e Triguinho, enquanto Cristian e Elias fechavam a frente da área, tirando os espaços das diagonais de Madson e Neymar, e também acabando com a movimentação de Paulo Henrique.

Só não participavam dessa formação defensiva Douglas e Ronaldo. Douglas para receber e organizar o contra-ataque, e Ronaldo para finalizar, como aconteceu nos dois gols que ele marcou.

No 2º tempo, Mano Menezes trocou Jorge Henrique por Fabinho, mas manteve a formação defensiva em duas linhas de quatro jogadores. Ele passou Elias para o lado direito, onde estava Jorge Henrique, colocando Fabinho ao lado de Cristian. O Santos, com os lados bloqueados, perdeu a infiltração em diagonal. E se viu forçado pelo Corinthians a apelar para o chuveirinho sem critério, não obtendo vantagem na bola aérea.

Esta estratégia deu certo, acredito, muito em função das características dos jogadores. Morais e Jorge Henrique aliam velocidade e capacidade física para movimentar-se nas duas táticas de grupo (marcação e saída de jogo), mantendo o fôlego e o comprometimento com muita disciplina tática. Tanto que Mano Menezes não exigiu o mesmo de Douglas, um jogador mais lento, preferindo Morais pelo lado esquerdo, e deixando o camisa 10 na organização dos contra-ataques.

Postado por Eduardo Cecconi

Como jogar com Ronaldo Fenômeno

16 de dezembro de 2008 9

Ronaldo precisará se transformar em um camisa 9 finalizador, do último toque, com o Corinthians preparando para ele jogadas pelo chão, prontas para a definição/Sebastião Moreira/Agência EFE

O maior desafio de Mano Menezes no Corinthians em 2009 não será administrar supostas vaidades no vestiário, que poderiam ser provocadas pela chegada apoteótica de Ronaldo. Mas sim encontrar a maneira correta de jogar com o Fenômeno no Corinthians.

Em 2008, como já foi analisado aqui no blog Preleção, o Corinthians privilegiou a bola no chão e a velocidade. Atuou sem centroavantes, com Herrera e Dentinho alternando-se entre o atacante que sai da área e o que aparece para concluir - ambos se movimentando e invertendo funções. No meio, o mesmo aconteceu com a dupla Morais-Douglas, completando um quarteto de jogadores rápidos, leves e participativos.

Esta seria a forma ideal de jogar com o Ronaldo Fenômeno do final da década de 90, início dos anos 2000. Um jogador de alta mobilidade, arranque, velocidade e capacidade de improviso. Saindo Herrera - o que provavelmente vai acontecer - o Fenômeno encaixaria nesta estratégia sem necessidade de qualquer alteração, incrementando ainda o acabamento das jogadas pela técnica incomparável à do raçudo argentino.

Mas Ronaldo perdeu a mobilidade. Provavelmente, não mais encontrará. Ele está pesado, e mesmo que perca algum peso, ou diminua o percentual de gordura, permanecerá sendo um centroavante fixo. O Corinthians não conseguiria jogar com ele, contando com sua participação nas articulações ofensivas, mas sim para ele.

Qual o grande problema a partir do momento que o Fenômeno é um jogador mais fixo? Ronaldo não sabe cabecear. Nunca soube, e não será agora que vai aprender. Ele se posiciona mal na bola aérea, tem pouca impulsão e nenhuma técnica - parece saltar encolhido, temeroso, de olhos fechados. O diferencial de Ronaldo sempre foi a bola bem presa ao chão, sob seu controle. Cruzamento ele nem vai para a dividida.

Este é o dilema: como jogar para um centroavante pesado e de mobilidade reduzida sem utilizar a bola aérea? Se o Fenômeno fosse um especialista na bola aérea, como era o baixinho Romário, bastaria a Mano Menezes sistematizar mais jogadas pelos lados e procurar mais o camisa 9 pelo alto. Mas isso não pode acontecer com Ronaldo. Pelo chão, ele não é mais o rompedor de defesas virtuoso e solista. Provavelmente não o veremos rasgando 30 metros de gramado conduzindo bola e driblando adversários.

Mano Menezes terá de pensar em uma estratégia que permita a Ronaldo ser um centroavante fixo com a bola no chão. Quem sabe aproximar os meias para tabelas curtas à frente da área; ou explorar diagonais no limite da linha de impedimento, com passes que permitam a Ronaldo apenas girar e bater - contando com a precisão de chute que ele sempre teve e nunca perderá; penso ainda nas jogadas de linha de fundo dentro da área, com aqueles cruzamentos rasteiros que ultrapassam o goleiro e encontram o camisa 9 livre na segunda trave - algo parecido com o que Tite faz no Inter, ressaltando-se que Nilmar tem muito maior mobilidade, e pode jogar na bola em profundidade. Teria de se reproduzir este cenário com a jogada curta, de proximidade.

Oportunismo. Acho que é isso. Mano Menezes terá de extrair do sistema tático e da estratégia do Corinthians um repertório que possibilite a Ronaldo receber uma bola pronta para o chute, para a conclusão imediata. E pelo chão. Para fazer do Fenômeno o matador, o finalizador. O que exigirá do Corinthians a mudança na maneira de jogar em comparação com 2008.

Postado por Eduardo Cecconi

Mano Menezes muda de característica no Timão

14 de novembro de 2008 10

O diagrama tático do Corinthians de Mano Menezes apresenta muita proximidade entre meias e atacantes, passagens dos laterais, triangulações e valorização da posse de bola com velocidade

Se no Grêmio o técnico Mano Menezes foi reconhecido por armar estratégias competitivas e fortes defensivamente, conciliando a filosofia tática européia com a garra gaúcha, no Corinthians o treinador se adaptou ao perfil do clube. Mano conquistou a Série B em 2008 em um legítimo 4-4-2 à brasileira.

Primeiro, é bom recuperar o desempenho tático do Grêmio de Mano Menezes. No Olímpico, o treinador foi considerado um estudioso dos conceitos da Europa, transitando entre o 4-5-1 e o 4-1-4-1. Com ele, o Grêmio sempre privilegiou a compactação entre defesa e meio, valorizou articuladores com boa conclusão de média distância, e se amparou na presença de um atacante de referência - para ser a bola de segurança. Não é por acaso que os jogadores mais destacados na era Mano Menezes foram os meias que se aproximavam do ataque - como Hugo, Leo Lima e Diego Souza; e os meio-campistas mais defensivos, também com passagem à frente, como Lucas e Tcheco.

Mas no Corinthians, Mano Menezes preferiu não corromper a característica histórica do time paulista. O Timão de 2008 é uma equipe extremamente leve, rápida e ofensiva. O sistema tático é o legítimo 4-4-2 brasileiro, com meio-campo em quadrado. Os dois volantes sabem jogar (Elias e Cristian), assim como a dupla de articuladores (Morais e Douglas). Outra diferença em comparação com o Grêmio: não há centroavante de referência. No ataque, aparecem dois atacantes de velocidade e movimentação (Dentinho e Herrera).

Mesmo jogando com volantes sempre presentes no ataque, meias que lembram os antigos pontas-de-lança, e atacantes rápidos, Mano Menezes também liberou os laterais. André Santos, principalmente, pela esquerda; Alessandro um pouco menos, na direita. O Corinthians de Mano Menezes joga com a bola no pé, troca passes e apresenta um repertório vasto de movimentações sincronizadas - diagonais, trocas de função, aproximações, tabelas e abertura de espaços. A maioria dos gols surge de infiltrações pela área, e conclusões de média distância.

Mas, para não dizer que Mano Menezes abandonou completamente as origens, é bom destacar: o Corinthians é uma equipe abnegada na marcação. Talvez pela urgência do retorno à Série A, e pela característica dos jogadores - aliando velocidade e preparo físico - parece existir um pacto entre Mano e os atletas, algo do tipo "estamos no 4-4-2, temos dois meias e dois atacantes, os laterais passam...mas todo mundo tem que marcar!". Sem a bola, os meias do Corinthians alinham com os volantes, formando duas linhas de quatro jogadores compactadas à frente da área, enquanto Herrera e Dentinho exercem pressão na saída de bola, forçando o adversário a sair pelos lados ou quebrar o passe.

Mano Menezes soube entender a característica do grupo, o perfil da instituição, e a exigência técnica do campeonato. Impôs a superioridade do Corinthians sem recair no defensivismo, como ocorreu algumas vezes no Grêmio. Agora, resta aguardar pela postura tática dele à frente do Timão com um grupo que provavelmente será reformulado, e contra os times de maior qualidade da Série A em 2009, para sabermos se a filosofia deste 4-4-2 bem brasileiro será mantida.

Postado por Eduardo Cecconi