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Posts com a tag "Invertendo a Pirâmide"

O surgimento do 4-4-2 britânico no Liverpool

09 de junho de 2010 8

Entre as 32 seleções que disputam a partir de sexta-feira a Copa do Mundo, pelo menos 18 têm no 4-4-2 britânico o sistema preferencial, ou a alternativa imediata.  Fato que ajuda o blog Preleção a resgatar a série de posts sobre o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson - uma enciclopédia sobre a evolução do planejamento tático no futebol mundial. Interrompi o debate em 13 de abril, e agora retomo a resenha desta obra-prima com o capítulo sobre o surgimento do 4-4-2 em duas linhas - chamado por Wilson de "Pragmatismo Inglês".

A estratégia aplicada a este 4-4-2 em duas linhas nasceu em 1973, no Estádio Anfield Road, casa do Liverpool. Após derrota para o Estrela Vermelha por 2 a 1, que provocou a eliminação na Champions League, dirigentes e integrantes da comissão técnica dos Reds se reuniram para buscar as causas do insucesso. E diagnosticaram: o "pessoal do continente" sabia como ninguém controlar a posse de bola.

Era preciso aprender a jogar com a bola nos pés. E, para isso, a equipe precisaria se compactar. Formar duas linhas, adiantar a primeira, compactar um pelotão de oito jogadores. Assim, o Liverpool teria linhas de passe. A ideia que justificou este planejamento tático partia do seguinte princípio: o jogador que tivesse a bola contaria sempre com pelo menos duas ou três opções de passe curto. Os Reds jogariam sem pressa, trocando passes no campo adversário, "rodando" o jogo, "girando" a bola, de pé em pé, até desorganizar a defesa adversária, abrir espaços, e conseguir uma infiltração pelo chão.

Os pensadores do Liverpool também imaginaram que esta iniciativa de controle da posse de bola deveria partir da defesa. Zagueiros trombadores, sem qualidade, foram trocados por defensores com capacidade de fazer o primeiro passe. A partir dali, os meias-centrais - com opções próximas na direita, na esquerda, à frente, atrás - poderiam antever os próximos movimentos da equipe. E promover uma linha de passe que levasse o Liverpool ao gol adversário.

Este ideal estratégico do 4-4-2 em duas linhas, entretanto, foi adaptado rapidamente à necessidade de times menores. Watford e Wimbledon obtiveram sucesso utilizando-se deste sistema para jogar em contra-ataques. O contrário do que propunha o Liverpool.

Agrupar-se não para trocar passes, e sim para retirar espaços. Adiantar as linhas de marcação e forçar com pressão alta o erro adversário. Recuperada a bola, aqueles jogadores de defesa com qualidade fariam o passe longo na direção dos wingers, em transições ofensivas fulminantes. Logo a figura do centroavante de referência foi incluída nesta nova estratégia. Nascia o criticado estilo de jogo dos ingleses nos anos 80: ligação direta, força física na marcação, bola aérea, e pouca posse de bola.

Peço ajuda a vocês para localizar informações que Jonathan Wilson não especificou no Inverting the Pyramid. O autor não precisou como se deu o redesenho tático do Liverpool em 1973. Wilson fala com muita propriedade sobre a nova estratégia (linhas adiantadas, posse de bola, paciência, qualidade na saída, predição dos movimentos, proximidade dos jogadores) mas não localiza exatamente como se deu a configuração tática. Ou seja: que formação tinha o Liverpool, e principalmente que peças foram movidas para se desenhar o 4-4-2 em duas linhas? Quem souber, sinta-se à vontade para trazer estes detalhes ao debate.

Para encerrar, há linhas que atribuem à seleção da Inglaterra na Copa de 1966 a criação das duas linhas. Na verdade, como o próprio Wilson explica no Inverting the Pyramid, os ingleses apresentaram naquele Mundial o primeiro 4-4-2 que se tem registro, mas com desenho em losango no meio-campo. Não era, portanto, o 4-4-2 britânico, que nasceria sete anos depois em Anfield Road.

Leiam toda a série sobre o livro "Inverting the Pyramid":

1) Primeira tática do futebol se inspirou no rugby

2) Novo impedimento provoca 1ª variação tática

3) As primeiras escolas clássicas de futebol

4) O revolucionário W.M de Herbert Chapman

5) Itália reúne dois sistemas e cria o W.W

6) Russos inauguram as trocas de posições

7) A interpretação dos húngaros para o W.M

8) O 4-2-4 do Brasil bicampeão Mundial

9) Zagallo disseminou as variações táticas

10) A gênese da catimba argentina nos anos 60

11) O futebol total do carrossel holandês

12) Brasil de 1970: o último romântico

13) 3-5-2: a culpa é dos argentinos

14) O 4-4-2 do Brasil na Copa de 1982

O 4-4-2 do Brasil na Copa de 1982

13 de abril de 2010 27

Hoje vai ao ar na ESPN, às 21h, a íntegra da partida entre Brasil e Itália, pela Copa do Mundo de 1982 - talvez o maior "crime" da história recente do futebol. E a exibição deste jogo histórico nos abre a possibilidade de analisar taticamente a Seleção Brasileira de Telê Santana no Mundial da Espanha. A referência, além da observação de vídeos e da leitura de outras análises, é o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, que dedica muitas páginas àquela partida - a análise da Itália pode ser lida aqui.

O Brasil de Telê Santana jogava em um clássico 4-4-2 brasileiro, com dois volantes e dois meias criativos. Já se partia da tendência lançada poucos anos antes, do "quarto homem do meio de campo", provocada pelo recuo de um dos pontas. À época, o humorista Jô Soares até pedia com insistência: "bota ponta, Telê". A opinião pública estava acostumada a ver times e seleções no 4-3-3, mas o Brasil se adaptava a um sistema que lhe caberia muito bem, e por longos anos.

A base tática tinha uma linha de quatro defensores, protegida por dois volantes. A zona de articulação contava com Sócrates pouco mais centralizado, enquanto Zico avançava preferencialmente pela direita. A compensação se dava no ataque, onde Éder era o ponta remanescente, pela esquerda, tendo Serginho na referência de área.

A estratégia era diversificada. Ambos os laterais apoiavam, principalmente Júnior, que ora passava pelo lado, empurrando Éder para o centro, ora fazia a diagonal, permitindo a Éder se utilizar do corredor. Os dois volantes - Falcão e Cerezo - com técnica acima da média para a função, exerciam a saída de bola sempre pelo chão.

O Brasil jogava de pé em pé, com variações de jogadas, aproximações, triangulações, passagens, infiltrações. Era uma equipe sincronizada em seus movimentos ofensivos. Com jogadores qualificados e inteligentes. Pouco previsível pelos adversários, embora algumas vezes vulnerável em função da própria vocação.

Dentro deste contexto, destoava o centroavante Serginho Chulapa. Telê não pôde contar com Careca e Reinaldo, dois jogadores que poderia participar destas combinações pelo chão, e também concluir. Serginho era apenas um definidor, oportunista, dependente dos demais. A eliminação, entretanto, logicamente não passa exclusivamente pela falta de um centroavante mais técnico. Mas este fator contribuiu, assim como a ausência de um goleiro de exceção, para a eliminação quase inacredítavel da Seleção para uma Itália que tinha o declinante gioco all'italiana.

3-5-2: a culpa é dos argentinos

25 de março de 2010 16

Não me xinguem. O título do post é uma piadinha com a rivalidade regional. Afinal, sou um grande fã do futebol argentino, coleciono camisas e demais materiais esportivos dos clubes de lá, e da seleção, e não tenho nada contra o futebol ou o povo do país vizinho. Mas, na leitura do livro Inverting the Pyramid, o jornalista inglês Jonathan Wilson relata a gênese do 3-5-2. E a "culpa" (uma brincadeira também com minha restrição à interpretação brasileira deste sistema tático) é dos argentinos.

O pai do 3-5-2, segundo Jonathan Wilson, é Carlos Bilardo. Técnico da seleção da Argentina na Copa de 1986, ele sempre teve predileção por estratégias cautelosas. Para ele, um time de futebol precisa de sete jogadores defendendo, e três atacando.

A criação do 3-5-2 partiu do seguinte raciocínio: frente à extinção dos pontas, na transição do 4-3-3 para o 4-4-2, por que manter laterais presos à linha defensiva? Não havia, na teoria, quem ser marcado no setor. A partir daí, Bilardo desenvolveu o novo sistema tático, que revolucionou o futebol mundial no final da década, e no início dos anos 90.

Pelos lados, havia três opções: utilizar meio-campistas - como preferiu Bilardo, com Olarticoechea e Giusti; laterais ofensivos, como fez a Alemanha na copa seguinte, com Brehme e Reuter; ou laterais defensivos, configurando o 5-3-2 - a inversão completa da pirâmide tática (afinal, o primeiro sistema tático organizado reconhecido era o 2-3-5, uma pirâmide de base alta).

No 3-5-2 da Argentina, Bilardo se dava ao luxo de manter sete jogadores defendendo, pela presença de Maradona. Em grande fase, o camisa 10 foi utilizado como um segundo atacante livre para se movimentar, ocupar espaços, driblar e levar o time para a frente. Valdano era o homem mais adiantado, e Burruchaga o meia de aproximação, completando o trio ofensivo.

Mas, como era novidade, Bilardo fez mistério. Atuou na primeira fase inteira no 4-4-2, e passou ao 3-5-2 contra a Inglaterra, no mata-mata. Fez sucesso. Combinar um meio-campo ocupado por cinco jogadores, abolir os laterais, e recuperar a figura do líbero pós-Copa de 1966, difundida pela Holanda de Cruyff, abriu um grande precedente entre equipes e seleções. Virou moda. Todos passaram a usar. Principalmente na Itália, onde este "5-3-2" quase lembrava um catenaccio.

O contexto é muito oportuno, como bem Jonathan Wilson ampara em números: a Copa de 1990, abarrotada de seleções no 3-5-2, teve a pior média de gols da história. Foi uma copa "feia". Cruyff disse que a substituição dos pontas pelos alas significava a "morte do futebol". A Euro 92 teve média de gols ainda mais baixa. A Fifa procurou mudar regras para o futebol voltar à vida.

Aos poucos, o 3-5-2 caiu em desuso. Menos no Brasil, onde a prática cada vez mais comum influencia países vizinhos, como Uruguai e Paraguai. E há enclaves de resgate do 3-5-2 também na Itália. Ainda assim, é tido por Jonathan Wilson como um sistema ultrapassado e em grata extinção.

O ocaso do "gioco all'italiana" em 1982

24 de março de 2010 8

Costuma-se dizer que os moribundos tendem a apresentar súbita melhora antes da morte. Um suspiro de consciência. Segundo o jornalista inglês Jonathan Wilson, no livro Inverting the Pyramid, isto aconteceu com o modelo de jogo vigente na Itália durante a Copa do Mundo de 1982.

A seleção da Itália reproduzia o "gioco all'italiana" utilizado pela maioria dos clubes nacionais desde a década de 70. Conforme descreve Jonathan Wilson - simulo a distribuição italiana no diagrama tático que ilustra o post - o sistema tático era o 4-4-2, com três peculiaridades: um líbero, um lateral-base, e um meio-campista lateralizado.

Mesmo contando com apenas dois zagueiros, um deles jogava como líbero. Inspirado no modelo holandês. O líbero precisava ser um jogador técnico e inteligente, para combinar qualidade na saída de jogo - bons passes, lançamentos precisos - com discernimento para saber quando se projetar, e quando recuar. Na seleção, Scirea exercia este papel, tendo ao lado o zagueiro Collovati. Gentile, na teoria, era um lateral-direito, mas na prática precisava guardar um posicionamento inicial mais rígido, centralizando quando necessário, e apoiando pouco.

Na esquerda, o lateral Cabrini tinha autorização para avançar. A compensação, equilibrando a transição entre os dois lados, se dava com o meia Conti, um jogador que atuava aberto pela direita, como os wingers britânicos. Segundo Jonathan Wilson, posição na Itália chamada de "tornante".

O meio-campo tinha um volante marcador, com um meia ofensivo pela direita, e um organizador pela esquerda. Este desenho quase lembra o 3-5-2- "moderno", com dois defensores, um líbero (sem a obrigação da sobra, mas sim um líbero de verdade), e avanço pelos dois lados. Mas o sistema com três zagueiros ainda não havia surgido - em breve vou colocar em debate aqui no blog Preleção este assunto - e a base tática do gioco all'italiana era mesmo este 4-4-2 cheio de compensações e desalinhos.

O aspecto mais importante, entretanto, era estratégico: marcação individual. Nove jogadores de linha marcavam individualmente. Somente o líbero (camisa 6) não perseguia ninguém de forma fixa. No Campeonato Italiano, onde praticamente todas as equipes atuavam da mesma forma, o espelhamento se dava pelos números das camisas: o tornante, camisa 7, marcava e era marcado pelo lateral-esquerdo (número 3), e assim por diante, de maneira previsível.

Funcionou na Copa, contra a Argentina, tendo a marcação individual anulado Maradona. Também funcionou contra o Brasil, graças ao dia iluminado - é evidente - de Paolo Rossi na frente. Mas estava por um fio. E foi abandonado este 4-4-2 com marcações individuais no momento em que a favorita Juventus de Giovanni Trapattoni perdeu a final da Champions League de 1983 para o Hamburgo, da Alemanha.

A Juventus contava com a base da defesa italiana de 82 - Scirea, Gentile e Cabrini. Tinha ainda Michel Platini como o articulador, Boniek como o meia ofensivo, e Paolo Rossi na área. Mas Ernst Happel, técnico dos alemães, havia estudado as deficiências proporcionadas pelas múltiplas marcações individuais. Em seu 4-4-2 típico da Alemanha à época - com líbero e meio-campo em losango - inverteu o segundo atacante, para jogar às costas do lateral-esquerdo.

Refém da marcação individual, Trapattoni mandou o marcador acompanhar o atacante para não sobrecarregar Cabrini, e desguarneceu o outro setor - a direita. Perdida, a Juventus levou 1 a 0, gol de Felix Magath, sepultando este modelo tático. O mesmo Hamburgo, poucos meses depois de bater a Juventus de Platini, perdeu a decisão do Mundial Interclubes para o 4-3-3 do Grêmio, em Tóquio.

Leiam mais sobre o livro "Inverting the Pyramid":

1) Primeira tática do futebol se inspirou no rugby

2) Novo impedimento provoca 1ª variação tática

3) As primeiras escolas clássicas de futebol

4) O revolucionário W.M de Herbert Chapman

5) Itália reúne dois sistemas e cria o W.W

6) Russos inauguram as trocas de posições

7) A interpretação dos húngaros para o W.M

8) O 4-2-4 do Brasil bicampeão Mundial

9) Zagallo disseminou as variações táticas

10) A gênese da catimba argentina nos anos 60

11) O futebol total do carrossel holandês

12) Brasil de 1970: o último romântico

Brasil de 1970: o último romântico

23 de março de 2010 16

Retomo a série de posts que resenham o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, trazendo ao debate a Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970. O time treinado por Zagallo é o protagonista do capítulo "Fly Me to the Moon", na obra que apresenta a história e a evolução das táticas no futebol.

Jonathan Wilson destaca que o Brasil de 70 é o último dos times que abriu espaço para todos os seus bons jogadores. Zagallo, com muita inteligência, soube encontrar espaço na Seleção Brasileira para cada um dos craques do momento. E conviveu, à época, com dilemas que colocavam Gérson e Rivelino como concorrentes a uma posição, assim como Pelé e Tostão - entre os quatro, alguns diziam, apenas dois poderiam jogar.

A solução de Zagallo se deu a partir do recuo de Gérson, que passou a desempenhar uma função na Itália conhecida por "regista" - uma espécie de segundo volante responsável pela saída de bola qualificada, com passes curtos ou longos, regendo a transição ofensiva. Clodoaldo assumia a responsabilidade de proteger a dupla de zagueiros, que tinha aos lados dois laterais distintos: pela direita, o apoiador Carlos Alberto; na esquerda, o marcador Everaldo.

À frente de Clodoaldo e Gérson, distribuíam-se quatro jogadores ofensivos. Rivelino à esquerda, aproximando-se do trio formado pelo ponta Jairzinho, na direita, e pelos pontas-de-lança Tostão e Pelé, centralizados. Rivelino ocupava um lado, Jairizinho abria o corredor em diagonal para a passagem de Carlos Alberto no outro, e a dupla de frente tratava de acabar com a vida dos zagueiros adversários.

Esta formação, descrita no diagrama tático que ilustra o post, privilegiava os jogadores mais talentosos. Mesmo sob o risco de sobrepôr algumas características semelhantes, Zagallo encontrou lugar para atletas que nos clubes desempenhavam funções equivalentes. E o desenho resultante causa para Jonathan Wilson até mesmo uma certa indefinição:

"Era um 4-4-2, um 4-3-3, um 4-2-4, ou até mesmo um 4-5-1? Era todos, e nenhum. Era apenas jogadores em um campo, que se complementavam perfeitamente. Modernamente, poderia muito bem ser descrito como um 4-2-3-1, mas tais sutilezas não significavam tanto na época", analisa Jonathan Wilson.

É uma analogia interessante. O desenho lembra o 4-2-4 campeão em 1958. Mas o posicionamento inicial de Rivelino também sugere a variação para 4-3-3 criada pelo próprio jogador Zagallo, entre 58 e 1962. Alguém pode ainda ver um 4-4-2, considerando Jairzinho um meia. Ou então enxergar o 4-5-1 desdobrado em 4-2-3-1, com Tostão à frente de Pelé, Jairzinho e Rivelino.

Eram os melhores jogando, no último suspiro do futebol romântico, onde há camisas suficientes para todos os craques, a despeito do sistema tático escolhido.

Leiam mais sobre o livro "Inverting the Pyramid":

1) Primeira tática do futebol se inspirou no rugby

2) Novo impedimento provoca 1ª variação tática

3) As primeiras escolas clássicas de futebol

4) O revolucionário W.M de Herbert Chapman

5) Itália reúne dois sistemas e cria o W.W

6) Russos inauguram as trocas de posições

7) A interpretação dos húngaros para o W.M

8) O 4-2-4 do Brasil bicampeão Mundial

9) Zagallo disseminou as variações táticas

10) A gênese da catimba argentina nos anos 60

11) O futebol total do carrossel holandês

O futebol total do carrossel holandês

02 de março de 2010 10

Hoje é possível retomar, depois de muito tempo, a série de posts que dissecam o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, que resgata com riqueza de detalhes a evolução tática no futebol. E o assunto é bastante curioso: o futebol total da Holanda dos anos 70.

Segundo Jonathan Wilson, o futebol total holandês se baseava em duas premissas principais: linha de impedimento e marcação sob pressão alta. A estratégia era adiantar o posicionamento inicial de todos os jogadores, sufocando o adversário, ocupando espaços e diminuindo o tempo necessário para o time rival pensar o jogo.

Mas a principal novidade tática eram as trocas de posições verticais. Princípio diferente da desordem organizada dos russos, já analisados aqui, que primavam pelas inversões de posicionamento horizontais - setorizadas, portanto: atacantes saindo da direita para a esquerda, meias fazendo o mesmo. Inversões de lado a outro, sem modificar a formação dos setores (defesa, meio e ataque).

Na Holanda - primeiro com o Ajax (conforme diagrama tático que ilustra o post), depois com a Seleção Nacional - o técnico Rinus Michels instituiu as trocas verticais. Dividido o campo em esquerda, direita e centro, eram nestas faixas que os jogadores invertiam posicionamento. Uma estratégia muito mais difícil de ser diagnosticada pelo adversário.

O básico, ainda utilizado até hoje, é passar o ponta-direita para a esquerda, e o canhoto para a destra - por exemplo. Movimento que não desorganiza o adversário. Agora, se o lateral se torna ponta, se o ponteiro recua para a linha defensiva, se o meia vira líbero, e o líbero aparece na área, aí a marcação adversária - principalmente se houver perseguição individual - naufraga.

O sistema tático era o 4-3-3, mas com um desenho que poderia ser desdobrado em 1-3-3-3: um líbero, três defensores, três meio-campistas, e três atacantes. As inversões de posicionamento se davam, portanto, entre os três jogadores da esquerda, os três da direita, e os quatro do meio-campo. As mais características aconteciam na faixa central, com Cruyff recuando e abrindo espaço para Neeskens, ou com o líbero Hulshoff avançando de surpresa.

No 4-3-3, com líbero, linhas adiantadas, marcação sob pressão alta, uso da linha de impedimento, inversões de posicionamento verticais, estes eram os princípios básicos do futebol total holandês. Acrescidos, é evidente, pela inteligência de Rinus Michels e de seus jogadores: o primeiro, capaz de planejar tal organização complexa; e os demais, de compreender e executar.

A gênese da catimba argentina nos anos 60

03 de fevereiro de 2010 4

Depois de alguns dias de muita correria, consigo hoje retomar a série de posts sobre o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, sobre a evolução tática do futebol. Não dissecarei o capítulo sobre o Catenaccio, porque recentemente falamos sobre este sistema aqui no Preleção. Hoje, o assunto é o surgimento de um estilo de jogo diferente na Argentina: a catimba.

Primeiro, a contextualização histórica de Jonathan Wilson, jornalista muito aplicado na recuperação de fatos, com pesquisas e entrevistas. Segundo o Inverting the Pyramid, tudo começou com a falsa impressão - entre os argentinos - de que eles praticavam um futebol de exceção, nos anos 50. Percepção que não se sustentava, pelo isolamento do futebol no país, distante dos confrontos com equipes estrangeiras e seleções. Não havia base de comparação.

Ainda no jurássico 2-3-5, a Argentina foi massacrada pela Checoslováquia na Copa de 58, por 6 a 1. Foram à Suécia acreditando-se os melhores, retornaram cheios de dúvidas. De imediato, importaram o 4-2-4 brasileiro, sem passar pelo estágio do W.M que já caía em desuso no Mundo. Abriam-se, portanto, às tendências táticas. Pretendiam evoluir.

Mas os reveses nas copas persistiram. Jogar bonito, ter técnica, procurar o gol, nada disto bastava. A Argentina buscava um padrão, uma característica, uma tradição. Como acontecera aos húngaros e austríacos da Danubian School, ou aos russos da desordem organizada, ou aos ingleses do W.M, ou até mesmo aos vizinhos brasileiros e seus virtuosos jogadores no 4-2-4.

Era preciso ter vontade de vencer. Ou melhor: vencer a qualquer custo. Aos poucos, os clubes argentinos começavam a aplicar ao 4-2-4 uma estratégia de jogo que para os perplexos olhos estrangeiros foi rotulado de anti-jogo, ou catimba. Ao invés de jogar bonito e tentar o gol, a meta passava a ser a marcação forte, o aguerrimento, e a fortaleza defensiva.

Essa característica tomou forma nas conquistas argentinas na Copa Libertadores, nos anos 60. Primeiro com o Racing, depois com o Estudiantes do técnico Zubeldia - equipe tricampeã continental, difusora de uma centena de folclores por eles negados, mas pelo mundo confirmados, de violência física (socos e chutes que até mesmo fraturas provocavam), intimidação psicológica (ameaças a adversários, uso de informações pessoais para desestabilizá-los), e a aplicação de agulhas ("pinchas") para espetar adversários.

As intimidações relatadas por Jonathan Wilson chegam a ser, de tão absurdas, engraçadas. Comandados por Bilardo, volante que representava em campo as orientações de Zubeldia, os jogadores do Estudiantes esmeravam-se em desestabilizar os oponentes. Em um jogo, descobriu-se que um adversário manteve relacionamento quase incestuoso com a mãe, recém-falecida. Um jogador do Estudiantes se aproximou dele e falou - segundo o Inverting the Pyramid: "parabéns, até que enfim você conseguiu matar a própria mãe".

Mas o Estudiantes tricampeão da Libertadores não era apenas o precursor da catimba, representante de um futebol que ultrapassava a virilidade para chegar à violência. O time de Zubeldia trouxe à Argentina duas inovações estratégicas aplicadas ao 4-2-4: a marcação-pressão e a linha de impedimento. O Estudiantes se adiantava, mesmo sem a bola posicionava-se à frente da própria intermediária. Retirava espaço do adversário, e combatia quem recebia a bola com dois ou três jogadores. Os pontas - La Bruja Verón e Ribaudo - auxiliavam a preencher o meio-campo, como faziam os "tornantes" do catenaccio italiano (wingers avançados com a bola, recuados sem ela).

Os recursos de anti-jogo ficaram, entretanto, mais conhecidos do que a linha de impedimento e a marcação-pressão adiantada em função dos confrontos com os clubes europes, em dois jogos, nas finais dos Mundiais Interclubes.

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4) O revolucionário W.M de Herbert Chapman

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7) A interpretação dos húngaros para o W.M

8 ) O 4-2-4 do Brasil bicampeão Mundial

9) Zagallo disseminou as variações táticas

Zagallo disseminou as variações táticas

19 de janeiro de 2010 7

Diagrama tático da Inglaterra campeã de 66, segundo Jonathan Wilson

O 4-2-4 nasceu no Brasil e ganhou destaque com o título de 1958, mas desde seus primeiros dias na Seleção já pendia ao 4-3-3. Graças ao movimento de vai-volta do então ponta-esquerda Zagallo, que pela intensidade com que retornava para auxiliar na marcação, acabava se tornando uma espécie de terceiro homem do meio-campo.

Em 1962 o recuo de Zagallo ficou tão configurado que não se via mais uma variação do 4-2-4 para o 4-3-3, e sim o inverso: o posicionamento inicial do "Formiguinha" - assim chamado pelo desvelo na aplicação tática - partia do meio-campo. O Brasil já atuava com três atacantes, e Zagallo era o pioneiro - ou então, o primeiro a ganhar fama neste sentido - da polivalência. Um jogador capaz de desempenhar mais de uma tática individual (função), permitindo à equipe variar dentro da mesma partida seu sistema tático.

O exemplo de Zagallo disseminou pelo futebol mundial diversas variações táticas. Se até a Copa de 1958 sempre havia uma tendência predominante, que influenciava os demais (primeiro o 2-3-5, depois o W.M, depois o 4-2-4), a partir de Zagallo cada treinador passou a estudar como conciliar as características de seus jogadores a um sistema de jogo que pudesse explorar essas virtudes da melhor maneira.

Em 1966, a Inglaterra conquistou sua primeira - e única - Copa do Mundo amparada em duas variações táticas. Alf Ramsey, técnico dos ingleses, convocou jogadores polivalentes, com a clara intenção de consolidar mais de um sistema tático, mais de uma estratégia, mais de um padrão de jogo. Ele percebeu que, a despeito da técnica individual, da importância do jogador, a organização coletiva está acima do brilho singular que antes predominava no kick and rush, embrião do wing play inglês, que por muitos anos fez o país acreditar que o futebol se decidia pelos pés de um velocista habilidoso "resolvendo sozinho".

Ramsey começou no 4-2-4 sua jornada, mas rapidamente escolheu "um Zagallo" para variar ao 4-3-3. Segundo Jonathan Wilson resgata no livro Inverting the Pyramid, o winger direito Paine reproduzia no English Team o movimento de vai-vem lateralizado do Formiguinha brasileiro. Com grande sucesso nos amistosos prévios da Copa. Desempenho satisfatório que levou Ramsey a esconder o jogo dos adversários - ele atuava no 4-2-4, mas treinava no 4-3-3, com a intenção de lançar uma falsa percepção do estilo inglês para os concorrentes.

As mudanças não pararam. Tanto que o segundo jogador a recuar, de maneira definitiva, foi o centroavante Bobby Charlton. Ele deixou de ser um segundo jogador de área, para atuar centralizado na segunda linha de meio-campo, como organizador. Na frente, dois homens. Um 4-4-2 bem caracterizado. Paine saiu, mas Ramsey fixou Peters e Ball - dois formiguinhas - pelos lados, completando com Bobby Charlton o setor.

Jonathan Wilson reproduz uma excelente definição de Ramsey, justificando sua escolha à época: "ter dois wingers abertos pelos lados é deixar sua equipe com apenas nove jogadores quando está sem a bola". Foi para ocupar melhor os espaços no meio-campo que o treinador da Inglaterra optou pelo fim do wing play, pelo fim dos pontas, e pelo fim do 4-2-4. Um centroavante recuou, um winger tornou-se meio-campista, e os atacantes alinharam-se para formar uma dupla de área. Na final, este 4-4-2 venceu a Alemanha Ocidental, que se utilizava do "default" do 4-2-4 brasileiro.

O desenho, entretanto, ainda não era o das famosas "duas linhas de quatro". Havia um volante central à frente do quarteto defensivo, guarnecendo um trio de articuladores que contava com um organizador, e dois apoiadores que faziam o vai-vem pelos lados do campo. Na prática, um ponta-de-lança e dois Zagallos. O sistema tático deu certo - e escondê-lo nos amistosos lançou surpresa sobre o que os ingleses apresentavam na Copa, sem que os adversários tivessem um antídoto.

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6) Russos inauguram as trocas de posições

7) A interpretação dos húngaros para o W.M

8) O 4-2-4 do Brasil bicampeão Mundial

Postado por Eduardo Cecconi

O 4-2-4 do Brasil bicampeão Mundial

14 de janeiro de 2010 13

Diagrama tático do Brasil, campeão do Mundo em 1958

Retomo hoje a série de posts que dissecam o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, chegando a um dos assuntos que mais nos interessam: o surgimento, no Brasil, do sistema 4-2-4 - responsável por mais uma revolução tática no futebol, e também pelo arquivamento do W.M e suas variações.

Vários treinadores reivindicaram a paternidade do 4-2-4, ou então tiveram esta paternidade atribuída por alguém. Certo é que Vicente Feola chegou à Copa de 1958 com um forte legado de boas referências para a consolidação de um sistema que foi se desenhando em diversas partes, em equipes treinadas por nomes como Zezé Moreira, Fleitas Solich, Bélla Guttman e Flávio Costa - técnico do Brasil nas copas de 50 e 54.

O principal elemento catalizador da transição, no Brasil, do W.M para o 4-2-4 foi a indisciplina tática dos jogadores brasileiros. Com a imigração de técnicos húngaros, fugindo da Segunda Grande Guerra, o nosso futebol recebeu grande contribuição na evolução tática. Mas todos esbarraram na inviabilidade de aliar qualidade técnica e comprometimento coletivo. Os jogadores brasileiros não queriam obedecer o rígido posicionamento, nem executar a marcação individual por função do W.M.

Flávio Costa fez grande sucesso no início da Copa de 50 aplicando na Seleção Brasileira um desenho tático que Jonathan Wilson chama de "diagonais". É uma variação do W.M, com meio-campo formando um paralelograma. O problema foi ter retornado ao W.M tradicional na decisão com o Uruguai, em um imperdoável impulso defensivista. Notem, no diagrama tático abaixo, como funcionava. Na prática, ele desfez o quadrado de meio-campo do W.M (um 3-4-3), aproximando um volante da linha defensiva, e um meia-ofensivo dos três atacantes - tornando-o um ponta-de-lança:

diagonais por você.

Este desenho estava próximo de um 4-2-4. De mesma forma, quando os húngaros fizeram seu M.M, o recuo do centroavante para a ponta-de-lança e o avanço dos meias ofensivos também configuravam um embrião do eterno sistema brasileiro. Como sempre, a nova tendência viria da inteligência de treinadores que souberam adaptar um padrão tático às características culturais do futebol local.

Feola se beneficiou destas variações húngaras e brasileiras. Zezé Moreira percebeu que os jogadores do Fluminense não conseguiam se adaptar à marcação individual por função e criou a marcação por zona no W.M. Costa lançou as diagonais. Martim Francisco, no Vila Nova-MG, recuou ainda mais o volante, e avançou ainda mais o ponta-de-lança, em movimento que Jonathan Wilson considera o primeiro 4-2-4 identificável, em 1951. Fleitas Solich fez o mesmo no Flamengo de 53, e Bélla Guttman no São Paulo de 56.

Para a Seleção Brasileira de 1958, o 4-2-4 encaixou perfeitamente à característica do elenco. Pelé, na ponta-de-lança, reunia os elementos requeridos pela função de assessorar o centroavante, criando e concluindo. Garrincha, declaradamente indiscplinado taticamente, abriu pela direita e teve liberdade para brincar. A compensação vinha na esquerda, com o estratégico recuo por dentro de Zagallo. Zito e Didi marcavam e faziam a qualificada saída de jogo. E Bellini, recuado para ser o "quarto zagueiro" - função que até hoje recebe este nome por aqui, recebia autorização para ganhar o meio-campo.

Notem que o avanço eventual de Bellini, e o recuo sincronizado de Zagallo, davam ao Brasil vez que outra a cara do 3-4-3 - o W.M. Com a diferença da variação inovadora da linha de quatro na frente, e principalmente a marcação por zona na linha defensiva - que ganhava laterais, o que evitava as perseguições encaixadas do sistema anterior, responsáveis pelos buracos na área. Um sistema novo que, aliado à qualidade técnica e ao improviso incomparável de Pelé, Garrincha, Didi, Zito..., fez o Brasil vencer com sobras as copas de 58 e 62.

LEIAM MAIS:

1) Primeira tática do futebol se inspirou no rugby

2) Novo impedimento provoca 1ª variação tática

3) As primeiras escolas clássicas de futebol

4) O revolucionário W.M de Herbert Chapman

5) Itália reúne dois sistemas e cria o W.W

6) Russos inauguram as trocas de posições

7) A interpretação dos húngaros para o W.M

Postado por Eduardo Cecconi

A interpretação dos húngaros para o W.M

06 de janeiro de 2010 12

O M.M da Hungria

Se, como vimos no post passado, os russos acrescentaram ao W.M de Herbert Chapman a movimentação dos homens de frente, e os italianos sem o recuo do centromédio montaram o W.W, o futebol da Hungria também contribuiu para o desenvolvimento do sistema. Tudo, conforme nos descreve com riqueza de dados históricos o jornalista inglês Jonathan Wilson no livro Inverting the Pyramid.

Na Hungria, o W.M virou M.M - lembro que a leitura das letras no diagrama tático, para padronizar, é feita do campo ofensivo para o defensivo. A base desta variação tática é o recuo do centrovante para a segunda linha de meio-campo. Evolução tática, como sempre, amparada em uma peculiaridade local. Estratégia conforme as características do futebol húngaro aplicada à base do W.M britânico.

Ao contrário dos ingleses e seus centroavantões de referência que aparavam na área os cruzamentos dos wingers, os húngaros não gostavam do trombador. Preferiam, desde a introdução do estilo passe-curto escocês na região, um centroavante de mobilidade e velocidade. Um jogador que também participasse da criação das jogadas, ao invés de um "poste" finalizador.

Foi o técnico Gusztav Sebes quem implementou o recuo do centroavante Hidegkuti à zona de armação. A Hungria não jogava mais com dois articuladores, mas sim com três. Beneficiando-se da mesma premissa dos russos nas inversões de posição: com a marcação individual por função do W.M, Hidegkuti arrastava consigo o zagueiro central, abrindo espaços para as infiltrações dos pontas e dos meias. Ou, se o zagueiro não o perseguisse, dominava livre de marcação, para organizar com calma a jogada de ataque.

Com o M.M a Hungria conquistou as Olimpíadas de 1949, e poderia ter sido campeã mundial em 1954, não fosse o contra-veneno da Alemanha Ocidental na decisão. Conforme Jonathan Wilson resgata, a Alemanha intensificou a marcação individual sobre Hidegkuti. Homem-a-homem. Matou a fonte de criatividade húngara, e virou uma partida de 2 a 0 para 3 a 2, talvez contando com certa soberba dos húngaros, que estavam há 36 jogos invictos, com grandes atuações.

Esta Hungria de Sebes foi o embrião também do 4-2-4 imortalizado pelo Brasil em 1958. Reparem no diagrama tático que ilustra o post: além do recuo do centroavante para a armação, a Hungria permitia que seus meias-ofensivos alinhassem com os pontas, formando uma linha de quatro na frente. De início, era só um movimento de ida-e-volta, mas depois se consolidou como posição inicial. O segundo passo, que aconteceu mais adiante, foi o recuo de um meia-defensivo para a linha de defesa (figura que se tornaria, no Brasil, o "quarto-zagueiro"). História, claro, para um próximo post.

Vale lembrar que em 31 de dezembro de 2008 eu analisei esta Hungria de Sebes aqui no Preleção, mas ainda sem o padrão de descrição tática adotado pelo Jonathan Wilson no Inverting the Pyramid. Com outra referência bibliográfica, falei que a Hungria jogava no W.W. Na prática, entretanto, não muda nada. Agora, chamamos de M.M, e vocês podem ler aquele post aqui

P.S: estou em Bento Gonçalves fazendo para o clicEsportes a cobertura da pré-temporada da dupla Gre-Nal. Por isso atrasei a postagem deste texto, e também tive de colocar o livro para descansar um pouco em função da correria. Não se preocupem que, apesar da trabalheira por aqui, tentarei todos os dias propor debates sobre o futebol "de hoje" aqui no Preleção, e na volta a Porto Alegre a série sobre evolução tática recomeça.

Postado por Eduardo Cecconi