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Posts com a tag "Palmeiras"

O primeiro Palmeiras da nova Era Felipão

19 de julho de 2010 10

Acompanhei os dois últimos jogos do Palmeiras no Brasileirão, após o final do recesso destinado à Copa do Mundo 2010: vitória sobre o Santos no Pacaembu, sob comando de Murtosa (mas com Felipão passando instruções das cabines); e derrota fora de casa para o Avaí, tendo Felipão instalado no banco de reservas. E a equipe paulista apresentou duas formações diferentes.

No clássico da semana passada, o Palmeiras jogou no 4-4-2 com meio-campo em losango. O setor teve Edinho como volante central, à frente da linha defensiva de quatro jogadores; Márcio Araújo (dir) e Marcos Assunção (esq) na segunda linha, cobrindo o apoio dos laterais Vitor e Gabriel Silva (respectivamente); Lincoln na ponta-de-lança, fazendo a ligação com o ataque; Ewerthon de segundo atacante, e Kléber na referência:

Contra o Avaí, entretanto, a equipe mudou (ver diagrama tático que ilustra a abertura do post). Talvez pela ausência do zagueiro Danilo, suspenso, Felipão tenha optado por uma formação diferente. Ao invés do 4-4-2 com meio-campo em losango, o Palmeiras iniciou a partida no 4-5-1 com dois volantes e três meias ofensivos (ou 4-2-3-1).

Edinho passou para a quarta zaga, sem um substituto na primeira função do meio-campo. Felipão abdicou da função, alinhando Pierre e Marcos Assunção na proteção à linha defensiva. Mais à frente, três meias ofensivos: Márcio Araújo aberto na direita, Lincoln centralizado, e Ewerthon aberto na esquerda. Kléber foi o centroavante de referência.

Com a bola, o sistema se assemelha ao adotado por Dunga na Seleção Brasileira. Ewerthon foi o meia-extremo agudo, responsável pelas diagonais na direção de Kléber. Já Márcio Araújo jogou mais preocupado em ocupar a faixa direita defensiva, entre as intermediárias, apoiando pouco. E Lincoln atuou extremamente próximo a Kléber, passando da linha da bola para receber, protegido pelos dois volantes.

Em apenas dois jogos, e sem acompanhar os treinos, é difícil definir qual sistema será utilizado, e principalmente determinar o melhor entre os dois. A análise presta-se a abrir o debate sobre os conceitos táticos que Felipão apresenta em seu retorno ao Brasil.

Muricy coloca o Palmeiras no 4-4-2

22 de janeiro de 2010 11

Diagrama tático do Palmeiras no 4-4-2

Ontem assisti ao empate entre Grêmio Barueri e Palmeiras (2 a 2) pelo Campeonato Paulista. A partida teve erros terríveis de arbitragem, prejudiciais ao Verdão, mas este assunto não é o tema do blog Preleção. O confronto nos apresenta outro debate.

Muricy Ramalho escalou o Palmeiras no 4-4-2. E com uma distribuição de posicionamentos e funções bem brasileira. A equipe teve uma linha defensiva de quatro jogadores, guarnecida por dois volantes. Pierre é o primeiro, pouco mais à direita; e Márcio Araújo o segundo volante, pela esquerda.

À frente, dois meias-articuladores, obedecendo ao mesmo critério. Pela direita, Sacconi um pouco mais recuado, enquanto na esquerda Cleiton Xavier é o meia mais ofensivo. O desenho do quarteto lembra duas diagonais. Não fecha uma figura geométrica, não me pareceu losango nem quadrado, mas sim duas diagonais - uma dos volantes, uma dos meias. Mas assisti a apenas um jogo. 

No ataque, Diego Souza e Robert. Sim, Diego Souza, que no RJ começou como volante, chegou ao Grêmio como segundo homem de meio-campo, foi adiantado por Mano Menezes, ganhou mais terreno com Luxemburgo no Palmeiras, e agora é definitivamente um homem de área, ao lado do centroavante Robert.

Defensivamente, o Palmeiras faz a tradicional basculação, movimento bastante debatido e explicado aqui no blog Preleção. Os laterais alternam o apoio. Se Figueroa sobe, Armero fica - e vice-versa. Perdida a posse de bola, o lateral que permaneceu na base reúne-se aos zagueiros Léo e Danilo para a cobertura, movendo-se com a dupla de defensores no sentido do ataque adversário.

Ofensivamente, pela presença de dois homens de área que usam a força física, o Palmeiras ainda tem na bola aérea sua principal estratégia. Diego Souza e Robert sabem se posicionar na área, vencer zagueiros na disputa com o corpo, e são precisos na cabeçada - Diego Souza marcou um golaço desta forma ontem. Mas ambos também jogam pelo chão, recebendo passes para diagonais às costas dos zagueiros - principalmente em saídas rápidas na transição ofensiva (contra-ataque).

Como Muricy e o próprio Palmeiras estão há muito tempo trabalhando no 3-5-2/3-6-1 - principalmente o treinador - esta migração será lenta, acredito. No meio-campo, principalmente, algo falta ao Palmeiras. Há poucos movimentos sincronizados, parece-me que os volantes e os meias ainda não atuam com naturalidade em um quarteto que agora protege uma linha defensiva na marcação por zona, e não mais nas perseguições individuais dos três zagueiros.

Tomara que Muricy não desista tão fácil. Se ele conseguir um meia diferenciado para atuar ao lado de Cleiton Xavier, este 4-4-2 tem boas chances de engrenar. Ou então, se este meia não vier, dá para recuar Diego Souza e colocar um atacante de movimentação ao lado de Robert. Gostei, acima de tudo, de ver Muricy receptivo a um conceito tático diferente.

Postado por Eduardo Cecconi

Qual será o futuro do "Muricybol"?

12 de novembro de 2009 31

Diagrama tático do Palmeiras no primeiro tempo contra o Sport

Rodada a rodada o Palmeiras demonstra que esgotaram-se as forças do seu 3-5-2 brasileiro. E, para minha incredulidade, o técnico Muricy Ramalho resiste a qualquer alternativa tática. Parece-me - não quero cometer injustiça, portanto aceito opiniões contrárias a esta observação - que Muricy está bitolado pelo "Muricybol", este esporte diferente que ele inventou, baseado no futebol.

Contra o Sport Recife, ontem, o Palmeiras tentou disfarçar-se em um 4-4-2, mas não conseguiu. Na teoria, a equipe tinha uma linha defensiva de quatro jogadores (os laterais Figueroa e Armero, mais os zagueiros Danilo e Maurício) e um losango no meio-campo (Edmílson no primeiro vértice, dois volantes pelos lados - Souza e Sandro Silva - e Diego Souza de ponta-de-lança). Na frente, Ortigoza e Obina.

Mas, na prática, Edmilson logo se posicionou como um "zagueiro pela direita", obstinado na cobertura de Figueroa. Ele saiu do posicionamento inicial (representado no diagrama tático pelo número 1 circulado) e passou a jogar como um guardião da lateral. Em dez minutos, o Sport marcou um gol - e, pasmem, por aquele setor ultra-protegido. Qual foi a primeira decisão de Muricy? Imediatamente, admitir o 3-5-2, levando Edmílson para a "sobra" (posição 2 no diagrama tático), escancarando seu predileto sistema tático. O falso 4-4-2 durou 10min.

Durante todo o primeiro tempo, o Palmeiras se repetiu: não teve posse de bola, não encontrou a marcação ideal, permitiu ao Sport dominar o meio-campo, controlar a partida. Graças à péssima ocupação de espaços, mostrou-se pouco criativo, apelando para a ligação direta com o ataque, em lançamentos longos, e sofrendo contra-ataques - um deles resultou no segundo gol. No segundo tempo, precisando da virada, armou um 4-4-2 em quadrado, e chegou ao 2 a 2 final.

Este é o estilo de jogo que eu parafraseio de um amigo do Twitter: o "Muricybol". É um 3-5-2 com variação para 3-6-1 que ignora o meio-campo. A equipe tem três zagueiros e dois volantes recuados, dois alas bem abertos, e dois atacantes. Diego Souza, por ser alto e forte, é empurrado para a frente, induzindo a equipe à ligação direta pelo alto. Diego e Obina disputam, com a intenção de respingar a segunda bola para Ortigoza. Essa é a articulação no Muricybol, porque o meio-campo está abandonado. Má ocupação dos espaços.

Sei que Muricy é um técnico ultra-vencedor. Que suas equipes são competitivas, objetivas, competentes, aguerridas. Vencedoras. Mas praticam, no sistema 3-5-2 com estratégia de ligação direta, um futebol de qualidade baixa, feio, com desempenho ruim. Teoria que defendo mas, admito, não se sustenta pelos resultados conquistados por Muricy.

A possibilidade de derrocada do Muricybol neste Brasileirão pode estancar o retrocesso tático no Brasil. Afinal, os títulos conquistados por Muricy Ramalho endossam a disseminação do mesmo sistema, e da mesma estratégia, na maior parte dos pequenos e médios clubes. O 3-5-2 brasileiro, com marcação por função, ligação direta, e pouca criatividade, é modelo tático em qualquer competição brasileira.

O Brasil precisa que um novo modelo tático se torne vencedor. Para mudar a tendência, fazer o 3-5-2 brasileiro, o "Muricybol", sair de moda. Para ajudar nossas categorias de base a formar novamente bons laterais e bons articuladores, funções que inexistem no sistema em vigência, e que portanto estão em processo de extinção. Nada contra a pessoa Muricy, nem contra o profissional dedicado e vencedor Muricy, mas permito-me respeitosamente discordar da filosofia tática com a qual ele - com títulos e méritos - contagiou nosso futebol.

Postado por Eduardo Cecconi

Muricy: tudo de novo...

06 de agosto de 2009 35

Diagrama tático do Palmeiras no jogo contra o Sport Recife, esquema que talvez seja mantido contra o Grêmio

É difícil se posicionar contrário à convicção tática de um treinador tricampeão brasileiro, e de forma consecutiva. Contestar as escolhas de Muricy Ramalho soa um contrasenso gigantesco, na velha máxima da teoria contrariada pela prática. Mas como o blog Preleção não se fundamenta na análise de resultados - bom quando ganha, ruim quando perde - mas sim na análise de desempenhos e no debate de ideias, preciso desabafar: lá vem o Muricy de novo...

Assisti ao Palmeiras no 3-6-1 contra o Sport Recife. Uma atuação burocrática, pragmática, chata, sonolenta. O Palmeiras entrou em campo para não sofrer gols. Para não perder. Temeu tanto a derrota que passou a impressão de que não tinha nenhuma vontade de vencer. Apenas fazia passar o tempo, defendia-se, dava chutões a esmo, trocava passes inócuos e sem objetividade. Resultado? Palmeiras 1 a 0 Sport, fora de casa. O gol, vale destacar, surgiu de um não-chute de Obina. O Palmeiras venceu marcando um gol sem chutar, neste lance, no gol.

No 3-6-1 bem brasileiro de Muricy, o Palmeiras tem quatro zagueiros (Maurício Ramos, Danilo, Marcão e Edmílson), dois laterais de atribuição defensiva (Armero e Wendell), um primeiro volante (Pierre), um apoiador-marcador (Cleiton Xavier), um ponta-de-lança (Diego Souza) e um atacante (Obina). Um dos zagueiros também é volante, e atua no meio-campo (o Edmílson).

A estratégia é a mesma do 3-5-2 de Muricy no São Paulo: priorizar a defesa, bloquear os lados do campo, sustentar uma fortaleza aérea defensiva, ceder posse de bola e recuar ao próprio campo com a intenção de especular em contra-ataques rápidos. A saída de bola se dá pela ligação direta, ou na combinação pelos lados entre zagueiros e laterais.

Contra o Sport, na direita Maurício Ramos subia, empurrando Wendell para frente. E na esquerda, Marcão fazia o mesmo movimento - alternado, nunca simultâneo ao outro lado - jogando Armero à frente. Edmilson e Pierre pouco apoiam, bloqueando a frente da área e transformando-se em zagueiros quando Marcão ou Maurício sobem. Cleiton Xavier é praticamente um segundo volante, enquanto Diego Souza faz a ligação possível entre o setor e Obina, sempre isolado, no pivô. Geralmente, Obina é acionado no lançamento longo de Edmílson, alto, para que Diego Souza pegue a segunda bola.

A marcação apresenta o mesmo problema do 3-5-2 brasileiro: é por função. Os alas marcam os laterais adversários, volantes pegam meias, meias pegam volantes, e por aí vai. Não se sabe, entretanto, se Muricy vai usar o 3-6-1/3-5-2 contra o Grêmio porque Armero foi expulso. Talvez ele escale Jefferson na lateral-esquerda, mantendo o sistema tático. Ou então coloque Marcão por ali, entrando Ortigoza ou Souza, e mudando a equipe para o 4-4-2/4-5-1.

Para o Grêmio, será excelente que o Palmeiras mantenha o 3-6-1. Graças à marcação defeituosa adotada. O Grêmio, no 4-4-2 ou no 4-5-1 (se Douglas Costa entrar) joga com os meias abertos pelos lados. E os alas palmeirenses marcam os laterais por função. Basta ao Grêmio segurar seus laterais no campo defensivo para atrair Jefferson e Wendell "para cima", abrindo um gigantesco espaço entre os alas palmeirenses e os zagueiros.

Neste espaço, Souza e Douglas Costa jogariam com campo para desenvolver velocidade, e em contato direto com os zagueiros Marcão e Maurício, eliminando a sobra - Maxi López ficaria sozinho com Danilo. E, como a marcação é por função, os volantes não podem sair para dar a cobertura, senão desmarcam Tcheco e Adílson, abrindo a frente da própria área. É um dilema: se o volante fica, os meias jogam às costas dos alas; e se o volante cobre, desguarnece o meio-campo. O Grêmio perdeu vários Gre-Nais este ano com Tite explorando a deficiência de marcação do 3-5-2 de Roth, exatamente assim.

Mas, vale lembrar, isso tudo é uma ponderação caso o Palmeiras siga com três zagueiros hoje à noite. Caso isso se confirme, aposto em bom resultado para o Grêmio. Mesmo sabendo que Muricy sabe como ninguém conquistar um golzinho fortuito, em contra-ataque ou bola parada, fechando-se e sustentando o resultado. Foi assim nos últimos três anos, foi assim contra o Sport Recife...

Ressalto que respeito as opiniões contrárias à minha, admito que minha crítica não se sustenta nos resultados, e que Muricy é um grande vencedor, e técnico muito competente. Mas me permito desgostar desta convicção tática.

Postado por Eduardo Cecconi

O que há com o Luxemburgo?

29 de maio de 2009 42

O Palmeiras, no 3-5-2 à brasileira, foi facilmente contido pelas duas linhas do Nacional, que o induziram a fazer ligação direta na saída de bola com os zagueiros

Eu tinha Luxemburgo como o maior estrategista do futebol brasileiro em atividade no futebol brasileiro. Um técnico que sempre teve predileção pelas equipes equilibradas, nem ofensivas nem defensivas, mas sabendo marcar e jogar com a mesma competência. Atributos que lhe renderam títulos, notoriedade, e excursões pela Seleção Brasileira e o Real Madrid.

Mas o vírus do 3-5-2 à brasileira está fazendo ruir esta imagem. Luxemburgo parece ter feito um estágio em clubes que já demonstraram a ineficácia do casamento do sistema 3-5-2 com a estratégia voltada aos três zagueiros fixos, aos alas abertos e à marcação por função. Ao invés de tomar os maus exemplos recentes de Grêmio e Sport Recife, decidiu incorporá-los como alternativa prioritária. Contrariando a si mesmo, depois de utilizar um eficiente 3-5-2 italiano com líbero (Edmilson), e até um 4-3-3 com inúmeras variações.

O Palmeiras não se parece com um time treinado por Luxemburgo. Ontem, contra o Nacional, o técnico errou na escolha do sistema tático, na estratégia aplicada ao esquema, e na escalação. Não por acaso, aos 28 minutos do primeiro tempo, realizou duas substituições - sem, entretanto, alterar o sistema ou a estratégia. Fato reincidente depois de más apresentações contra o Sport Recife.

O Palmeiras joga no 3-5-2 com três zagueiros fixos, dois volantes, e um meia improvisado no ataque. A defesa tem alinhados Maurício Ramos na direita, Danilo "na sobra", e Marcão pela esquerda; nas alas, abertos e desagrupados dos outros setores, Armero e Fabinho Capixaba; no meio, o volante Pierre centralizado, e mais o volante Souza, restritos à marcação, além do armador Cleiton Xavier, também recuado; e no ataque, Diego Souza improvisado na frente, ao lado de Keirrison.

Diego Souza surgiu no futebol carioca como segundo volante. Assim se destacou por Flamengo e Fluminense, assim foi para o Benfica, e assim chegou ao Grêmio. Se bem lembrarem, Diego Souza iniciou a Libertadores de 2007 como reserva de Lucas. Foi Mano Menezes, vendo-se sem alternativas na articulação, e na época convicto de que o 4-5-1 era o melhor sistema para a equipe, quem adiantou Diego Souza, aproximando-o de Tcheco. Mas Diego não é atacante, e nunca será, porque suas características são diversas das exigências da função.

Mano acertou ao adiantar Diego (não entro no mérito se o 4-5-1 era o sistema adequado, mas sim na escolha da tática individual do jogador).  O camisa 7 do Palmeiras é um apoiador. Apoiador é o meio-campista que conduz a bola em apoio ao ataque. Ele tem relativa velocidade, força física, vigor, raça, e potência no chute. Com tudo isso, portanto, precisa de espaço para avançar, da intermediária para a frente. No ataque, acaba sucumbindo aos zagueiros.

É injustificável improvisar Diego no ataque em nome da manutenção do 3-5-2 à brasileira, ainda mais com a escalação de dois volantes. Mesmo mantida a estratégia, Luxemburgo poderia ter iniciado sem Souza, para a entrada de Ortigoza na frente. Percebendo o erro, ele sacou Souza e Capixaba, colocando Marquinhos na ala, e Obina na frente. Poderia, ao invés de Souza, ter tirado Marcão para constituir um 4-4-2.

Mas se a entrada de Obina significou o retorno de Diego Souza ao meio, Luxemburgo também optou pelo recuo de Cleiton Xavier, que se alinhou a Pierre como um volante. Ou seja, o time continuaria sem articulação, com seis jogadores defendendo, e três atacando, mas sem organização no meio-campo. Sem conseguir criar nenhuma chance de gol.

O que fez o Nacional, frente a esta desarticulação? No seu 4-4-2 que, sem a bola, forma duas linhas de quatro jogadores, o Nacional adiantou os dois setores - a linha de defesa, e a de meio-campo. Formou um bloqueio compacto a partir da intermediária de defesa, até a divisória central. E deu liberdade aos três zagueiros do Palmeiras. O Nacional induziu, e o Palmeiras comprou a ideia, Marcão, Danilo e Maurício Ramos a fazer a articulação da equipe. Foi um festival de ligações diretas, balões, passes errados e abertura de espaços para contra-ataques. Meio-campo para alugar.

Depois de um gol ocasional - Diego Souza, na sua posição original, acertou um petardo do meio da rua - Luxemburgo prontamente retornou ao planejamento defensivista original. Logo dele, de quem eu nunca esperava assistir a esta cena: ele tirou Keirrison, e colocou o volante Jumar. Sim, novamente três zagueiros, dois volantes, um meia recuado, um meia adiantado, um único atacante, e alas abertos. O Nacional empatou. Castigo merecido.

Torçamos todos que o vírus do 3-5-2 à brasileira seja apenas uma doença passageira, e que Luxemburgo volte a apresentar equipes posicionadas conforme sua característica: com equilíbrio e articulação, posse de bola e busca pela vitória. Este defensivismo não combina com ele.

Postado por Eduardo Cecconi

Epidemia dos três zagueiros contagia o Palmeiras

12 de maio de 2009 6

Agora sim, Nelsinho resolveu jogar futebol. E o Sport jogou no 4-4-2, com equilíbrio, dominando a partida.

Como podem duas equipes mudar tanto em comparação com um enfrentamento realizado entre elas há apenas uma semana? Hoje o Sport Recife foi ainda melhor que o Palmeiras vitorioso do Parque Antártica, e o Palmeiras conseguiu ser ainda pior do que o Sport Recife derrotado no jogo de ida das oitavas-de-final da Copa Libertadores. No tempo normal, deu Sport 1 x 0 - invertendo o mesmo placar do jogo anterior. Mas nos pênaltis, deu Palmeiras.

Depois de um 3-5-2 defensivo e sem saída de jogo, hoje o Sport de Nelsinho Batista jogou no 4-4-2. E para mudar de sistema tático, o treinador fez apenas duas trocas na escalação: saíram o ala-direito Moacir e o atacante Vandinho, para as entradas do meia Luciano Henrique e do atacante Ciro, respectivamente. Mas houve diversas mudanças no posicionamento.

Nelsinho adiantou o zagueiro Igor para o lado, transformando o jogador em um lateral-direito. Andrade e Sandro Goiano (que entrou no início, substituindo o lesionado Daniel Paulista) fizeram a proteção aos zagueiros Durval e César - os quatro bastante adiantados. Paulo Baier jogou centralizado, como um organizador. Luciano Henrique abriu pela direita, e Ciro pela esquerda - ambos trocando de lado conforme a circunstância - com o centroavante Wilson fazendo a referência.

A decisão de Nelsinho foi acertada. No 4-4-2, o Sport não se tornou vulnerável. Para proteger o lado direito, o treinador abriu Luciano Henrique às costas de Armero, impedindo o apoio do lateral. Ele fez o mesmo na esquerda com Ciro, segurando Wendel - ou seja, marcou o adversário com a bola nos pés. E na tentativa de desfazer o bloqueio palmeirense, apostou nas infiltrações de Paulo Baier (que perdeu três gols incríveis), de Sandro Goiano e de Wilson pelo meio.

Mas Nelsinho contou com a ajuda de Luxemburgo. O técnico do Palmeiras foi a grande decepção da partida. O Palmeiras entrou em campo no 3-6-1. Em comparação com a escalação do primeiro jogo - pasmem - saíram os atacantes Willians e Marquinhos para as entradas do zagueiro Marcão e do volante Souza.

Com isso, o Palmeiras teve três zagueiros fixos dentro da área; dois volantes não menos fixos, na proteção; dois laterais recuados; dois meias -  Cleiton Xavier recuando para marcar, Diego Souza tentando puxar os contra-ataques; e apenas Keirrison no campo adversário. Dez dentro da própria área. Luxemburgo foi inoculado pelo vírus dos três zagueiros fixos, epidemia avassaladora no futebol brasileiro.

Nada justifica a estratégia de Luxemburgo hoje. Foi o Palmeiras quem convidou o Sport para jogar em sua área. Não fossem as defesas milagrosas de Marcos, e a péssima pontaria de Paulo Baier, a equipe teria sido goleada no primeiro tempo. Mas o imponderável e a sorte estavam ao lado do técnico do time paulista que, apesar de todos os equívocos, perdeu por apenas 1 a 0, e venceu na disputa de pênaltis - novamente às custas de Marcos, que fez três defesas nas cobranças.

Não entendi a proposta do Luxemburgo, que sempre me pareceu um treinador obstinado em armar equipes equilibradas. O Palmeiras deixaria corado de vergonha qualquer treinador retranqueiro conhecido no mercado, em função da total falta de articulação. O time jogou para dar chutões durante 90min. Já Nelsinho Batista se redimiu das más escolhas - tarde demais - e talvez se tivesse atuado dessa forma em São Paulo, hoje não teria sido castigado nos pênaltis.

Mas ambos - Luxemburgo e Nelsinho - dão um belo instrumento para análise que apresento aos frequentadores do blog Preleção, fãs de análises táticas e ponderações sobre o tema: estar fora de casa é argumento suficiente para jogar de maneira demasiadamente defensiva? Estádios e torcidas adversárias são tão hostis a ponto de treinadores se verem forçados a abdicar da vontade de vencer? Porque alteram-se sistemas táticos e adotam-se estratégias voltadas exclusivamente à marcação quando se está longe da própria torcida?

Postado por Eduardo Cecconi

Luxemburgo tentou de tudo no Palmeiras

06 de maio de 2009 6

Com as flechas brancas, o diagrama tático demonstra as três variações do primeiro tempo. Na etapa final, com Ortigoza e Mozart, o Palmeiras teve mais um sistema diferente.

Ontem, para superar o bloqueio defensivo do Sport Recife - vencendo por 1 a 0 - o técnico Wanderley Luxemburgo apresentou uma grande diversidade de variações táticas no Palmeiras. Durante os pouco mais de noventa minutos da partida, e equipe adotou pelo menos quatro sistemas diferentes.

Com três atacantes, Luxemburgo resgatou de início um movimento abandonado desde a saída de Edmilson, por lesão. O volante Pierre atuou como líbero - pela esquerda, não centralizado - possibilitando a transição do 4-3-3 para o 3-4-3 a partir do seu recuo. Funcionou da seguinte forma:

No 4-3-3, o Palmeiras tinha Wendel e Armero nas laterais, Maurício Ramos e Danilo de zagueiros, Pierre de primeiro volante, Cleiton Xavier como armador, Diego Souza na ponta-de-lança, e o trio ofensivo com Willians, Marquinhos e Keirrison.

No 3-4-3, Pierre recuava pela esquerda de defesa, passando Danilo para a sobra e abrindo Maurício na direita; Diego Souza recuava para auxiliar Cleiton Xavier, alinhando a dupla com os alas. E mantinha-se o trio ofensivo.

Mas esta primeira variação não dava certo. O Sport não queria atacar, sequer pretendia jogar, e com todos os pernambucanos embretados dentro do próprio campo, não fazia sentido o recuo de Pierre. Com isso, após os quinze primeiros minutos de jogo, Luxemburgo fixou Pierre como volante. Abrindo espaço para mais um sistema diferente: o 3-5-2.

No 3-5-2 adotado algumas vezes a partir do avanço de Pierre, Luxemburgo fazia com que Armero fechasse a defesa, como terceiro zagueiro. Marquinhos deixava o ataque para cobrir a ala, enquanto o meio tinha Pierre e Cleiton Xavier alinhados, e Diego Souza adiantado. Na frente, Keirrison e Willians. Esta variação se dava apenas sem a bola. Com a bola, Armero empurrava Marquinhos para frente, retomando o 4-3-3.

O problema de Luxemburgo foi uma combinação de estratégia com ineficiência técnica. Ele errou ao abrir demais os atacantes. E, para piorar, Marquinhos e Willians erraram todas as poucas jogadas que participaram. A dupla de atacantes jogou sobre as linhas laterais, sem infiltração, sem diagonais, sem passagem para a linha de fundo, em uma zona morta entre alas e zagueiros do Sport.

Acredito que Luxemburgo pensava em anular a sobra do 3-5-2 do Sport Recife. Mas nem Marquinhos, nem Willians, atuaram sobre os zagueiros do rubro-negro. Ficaram distantes da área e abertos pelos lados, sendo marcados pelos alas do adversário. Com isso, Keirrison precisava lidar com três zagueirões na entrada da área, contando apenas com a aproximação de Diego Souza.

No segundo tempo, Luxemburgo percebeu esta deficiência de estratégia e fez a correção fundamental para a vitória. Sacou Willians e Marquinhos, colocando respectivamente o volante Mozart, e o atacante Ortigoza. E assim confirmou-se a quarta variação tática do Palmeiras no jogo: o 4-4-2.

No 4-4-2, Luxemburgo fixou Mozart à frente da área, abriu Pierre na direita, centralizou Cleiton Xavier e adiantou ainda mais Diego Souza. Na frente, Ortigoza passou a fazer o que faltava aos substituídos: jogar nas diagonais em direção aos zagueiros do Sport, e às costas dos alas. Em um dos primeiros lances, ele cavou a expulsão do (péssimo) volante Hamilton, que precisou cobrir o ala Dutra pela esquerda. Na cobrança, o próprio Ortigoza fez de cabeça o gol da vitória.

Luxemburgo acertou na filosofia tática - escalou uma equipe com jogadores polivalentes, capazes de alterar o sistema sem necessidade de substituições - mas errou na estratégia, optando por um posicionamento ineficiente para Marquinhos e Willians. Talvez esta sucessão de variações dentro de um mesmo jogo possa parecer um equívoco, mas é importante para uma equipe contar com atletas disciplinados para que o treinador movimente as peças no tabuleiro até sacramentar a conquista do território inimigo.

Postado por Eduardo Cecconi

Colo-Colo anula um previsível Palmeiras

04 de março de 2009 2

Colo Colo passou pelo Verdão no Palestra/Sebastião Moreira/Agência Efe

Assisti ontem ao jogo do Palmeiras contra o Colo-Colo e acompanhei os desdobramentos da primeira derrota em casa de um time brasileiro na Libertadores 2009. E, embora possa parecer ocasional, é bastante significativo que apenas o Cruzeiro venceu em seus domínios na competição até agora, em um jogo extremamente parelho apesar do placar dilatado (a equipe mineira fez três gols em 15 minutos e o Estudiantes teve duas chaces claras de abrir o marcador antes disso).

Não vi a partida do São Paulo, mas pude acompanhar os jogos de Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio no Brasil. Todos os três, sem execeção, cometeram o pecado da pressa e do nervosismo desmedido que assolaram as equipes tupiniquins nestas primeiras partidas. O time gaúcho, desperado por não conseguir fazer um gol diante do Universidad, passou os últimos 20 minutos do jogo precipitando lances, como se precisasse fazer um escore dilatado para permanecer na competição. O Cruzeiro conseguiu resolver seu dilema ao colocar em campo o atacante Kléber, que resolveu a parada no pouco tempo em que participou da partida, e ao manter Wellington Paulista. Méritos do Adílson. Já o Palmeiras...

O time de Luxemburgo começou a partida apostando nas jogadas pela esquerda, com a velocidade de Willians e o avanço de Marcão. Funcionou no começo, mas assim que o Colo-Colo se deu conta da área de escape, bloqueou a saída deste lado do campo e obrigou o Palmeiras a jogar pelo meio. Com as atuações decepcionantes de Diego Souza e Cleiton Xavier, os chilenos conseguiram anular o poderio paulista. O Colo-Colo trocava passes com tranquilidade, fazia cera sempre que possível e enervava a equipe alviverde. Os contra-ataques, que eram tímidos no começo, se tornaram frequentes a partir da metade da primeira etapa.

Sozinho, o atacante Lucas Barrios conseguiu deixar Edmilson, Danilo e Maurício Ramos em polvorosa. Fez 1 a 0 em jogada individual e deu o passe para Torres (meia habilidoso que jogou pelo Cúcuta em 2007) fazer o segundo. Luxemburgo voltou para etapa final com Jumar e Jefferson no time. Se o volante pouco fez, Jefferson jogou praticamente aberto na esquerda, no lugar de Marcão. Mas nunca foi acionado. Cansou de ficar livre no setor, com um amplo espaço a sua frente, mas os armadores palmeirenses insistiam em conduzir as jogadas pelo setor mais congestionado do campo: o meio. O próprio Willians, muito marcado no primeiro tempo, inverteu de posição e se bandeou para o lado direito. Mas nada funcionou.

A entrada de Lenny também surtiu efeito nulo, já que o Palmeiras insistia em afunilar as jogadas na entrada da área. Por causa de mais uma tentativa inútil por ali, o Colo-Colo conseguiu roubar a bola e armar o lance do terceiro gol, em um belo passe de Torres para o avanço em velocidade e a conclusão de González.

Luxemburgo culpou a pressa e nervosismo de um elenco que não estaria sabendo disputar a Libertadores. Porém, mais do que os brasileiros desconhecerem o “clima” da competição, é possível que os estrangeiros estejam aprendendo a nos enfrentar aqui dentro. Vale lembrar que os últimos jogos da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias em terrritório nacional foram dois frustrantes 0 a 0, contra Bolívia e Colômbia. E temos ainda o fracasso do Fluminense diante dos equatorianos da LDU na decisão da Libertadores 2008, em pleno Maracanã.

Nos tornamos tão previsíveis assim? Anteriormente, sofríamos diante de argentinos, uruguaios e paraguaios, mas agora quase todos fazem a festa em nosso quintal. Só faltam os venezuelanos...

Postado por Márcio Gomes

Luxemburgo e o verdadeiro 3-5-2

31 de janeiro de 2009 18

O Palmeiras do Luxemburgo funciona dentro da filosofia tática original do 3-5-2 italiano. O líbero é verdadeiramente um líbero!

Nesta semana assisti à vitória do Palmeiras sobre o Potosí, pela fase classificatória da Taça Libertadores. Já adianto que nesse post não está em discussão a qualidade técnica do adversário, nem o resultado, nem alguma eventual projeção do que o Palmeiras virá a conquistar em 2009 - nem, tampouco, a figura de Luxemburgo. A discussão é eminentemente tática.

Vibrei com o 3-5-2 do Palmeiras. É o mais legítimo 3-5-2 italiano, com o autêntico líbero, um volante, dois meias, dois alas e dois atacantes. E a reprodução do conceito original deste sistema tático deve-se muito à contratação de Edmilson, o novo capitão do Verdão.

Sempre tive restrições técnicas a Edmilson, e não gostava de vê-lo na Seleção Brasileira. Mas há sobre ele um fato incontestável: a capacidade de desempenhar com precisão duas táticas individuais. Em sua carreira, Edmilson já foi zagueiro e volante. Agora, Luxemburgo utiliza a compreensão de duas funções do jogador para defini-lo como o líbero do Palmeiras. A primeira amostra foi muito boa.

Com o líbero de verdade, o Palmeiras não sofre do problema comum aos 3-5-2`s à brasileira - carência numérica no meio-campo. Edmilson sabe exatamente o momento certo para deixar a linha defensiva e se juntar a Pierre, formando uma dupla de volantes e transformando o sistema em um 4-4-2. Mas, se a circunstância da partida exige, Edmilson retorna à primeira posição, na cobertura dos zagueiros, reconstituindo o 3-5-2.

Esse movimento permite, entre outras coisas, que os alas joguem apenas pelos lados, conferindo profundidade à equipe, sem precisar "fechar" para o meio-campo com a intenção de agrupar o setor. Apesar da qualidade técnica discutível, Armero e Capixaba passam boa parte do jogo totalmente abertos, no campo adversário, e simultaneamente, dando alternativas para os articuladores da equipe variarem jogadas entre direita, esquerda e meio.

A presença de um líbero autêntico também permite ao Palmeiras jogar com dois articuladores sem ser chamado pelos defensivistas de "faceiro". Afinal, Edmilson torna-se um volante ao lado de Pierre, desenhando o 4-4-2 convencional em quadrado - dois volantes, dois meias. E guarnecidos por este sistema inteligente, Diego Souza e Cleiton Xavier podem brilhar. A parceira é muito parecida com a de Tcheco e Souza no Grêmio. Mais vigoroso, Diego Souza joga pela esquerda (assim como Tcheco); mais habilidoso e cerebral, Cleiton Xavier cai para a direita (tal qual Souza).

Mas ambos - Diego Souza e Cleiton Xavier - novamente a exemplo da dupla gremista, trocam de lado frequentemente, e procuram jogar absolutamente próximos um do outro, chamando também os atacantes para tabelas na frente da área: Keirrison mais centralizado, no pivô e na bola de profundidade, e Willians (que guarda o lugar para Marquinhos) um pouco aberto à direita. E assim o Palmeiras tem uma variada paleta de jogadas: pelos dois lados com os alas, triangulações pelo meio, inversões entre os meias, passagem dos articuladores pela linha de fundo, diagonais dos alas, cruzamentos, chutes de média distância...um belo repertório.

Repito o que eu disse no primeiro parágrafo: não sei se vai dar certo sempre, nem se o Palmeiras vai ser campeão de algo. Mas Luxemburgo nos privilegia com a importação do verdadeiro 3-5-2 italiano. Este é o grande fato trazido pelo Palmeiras em 2009. E assistir em um gramado brasileiro à figura do líbero autêntico é tão raro que não poderia passar despercebido aqui no blog Preleção.

Talvez se no Grêmio o técnico Celso Roth utilizasse um líbero, a injustificável corrente de defensivismo que pede a ele a inclusão de um volantão na equipe estivesse sossegada, pelo simples movimento natural de um zagueiro que se torna volante, e de um 3-5-2 com cara de 4-4-2. Ninguém veria "faceirice" nenhuma. Em todo caso, os dois exemplos de 3-5-2 - o do Palmeiras (principalmente) e o do Grêmio - me agradam neste início de temporada.

Postado por Eduardo Cecconi

O Grêmio encaixotou o Palmeiras

09 de novembro de 2008 17

Desde a queda de rendimento, o Grêmio foi muito cobrado pelo comportamento menos intenso. Ontem, o blog Preleção falou sobre isso. Mas hoje, contra o Palmeiras, o time de Celso Roth recuperou o vigor, principalmente na marcação.

O grande mérito da boa atuação do tricolor frente ao Verdão, no Palestra Itália lotado, foi a marcação adiantada. Além, claro, da concentração e do empenho dos jogadores. O Grêmio se posicionou boa parte do jogo no campo do Palmeiras. Marcel e Reinaldo exerceram marcação-pressão na saída de bola; entre as intermediárias, Tcheco, Carioca e Magrão dominaram Evandro e Leo Lima; Helder jogou mais recuado, cuidando de Elder Granja, mas do outro lado Souza se comportou como um verdadeiro ala, obrigando o Palmeiras a marcá-lo com Leandro e mais um na cobertura.

E na defesa, Celso Roth manteve a sobra com Amaral e Heverton fazendo marcação individual respectivamente em Denilson e Alex Mineiro - Jean pôde assim fazer a cobertura e cuidar ao mesmo tempo das investidas em diagonal de qualquer meia. No clichê do futebolês, como os treinadores gostam de falar, o Grêmio encaixotou o Palmeiras.

Com a bola, enfim o Grêmio mostrou diversas alternativas. Como muitas vezes Pierre recuou para ser um terceiro zagueiro, e Léo Lima não atuou como volante, a frente da área do Verdão esteve aberta. Por ali, Tcheco, Willian Magrão e Souza - como um ala verdadeiro - transitaram freqüentemente. Reinaldo também utilizou este setor do campo para voltar e fazer o pivô, tabelando com Tcheco, Souza e Magrão - o trio de armadores do Grêmio na partida.

A vitória foi justa, e construída por Celso Roth a partir de uma boa estratégia, dentro de um sistema tático eficiente. O Grêmio foi melhor, e recuperou - talvez tarde demais - o desempenho e o comportamento com os quais se manteve líder durante boa parte do Brasileirão.

Postado por Eduardo Cecconi