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Posts com a tag "Santos"

Santos no 4-3-3 vs. Vitória no 4-4-2 em losango

05 de agosto de 2010 5

O Santos perdeu ontem para o Vitória por 2 a 1, no Estádio Barradão, mas o resultado foi suficiente. A equipe paulista conquistou a Copa do Brasil, graças à vitória de 2 a 0 no jogo de ida, na Vila Belmiro. Assisti ao jogo pela TV, e por isso trago ao debate o sistema tático e a estratégia das duas equipes.

O Santos recorreu ao seu bem sucedido 4-3-3 - conforme o diagrama tático que ilustra o post. Dorival Júnior posicionou o meio-campo em triângulo de base alta, com Arouca no vértice de marcação, Wesley como apoiador pela esquerda, e Paulo Henrique como o articulador, na direita. Os dois laterais - principalmente Pará na direita - receberam livre autorização para o apoio alternado.

Na frente, o trio formado por Robinho, Neymar e André. Os dois primeiros pelos lados, mas não como pontas à moda antiga. Ao invés da linha de fundo, tanto Robinho na direita, como também Neymar na esquerda, priorizaram as diagonais para o meio, conduzindo a bola na direção da área, facilitando as tabelas com André e os meias.

Depois de sofrer alguma pressão no início da partida, o Santos controlou a posse de bola aproximando Paulo Henrique e Robinho. Apesar do campo embarrado, ambos comandaram as tabelas curtas, retirando velocidade do jogo. Quando o título era iminente, Dorival trocou André pelo meia Marquinhos, o que intensificou ainda mais essa posse baseada em aproximações.

O Vitória se utilizou do 4-4-2 com meio-campo em losango. Neto Coruja foi o volante central, com Elkeson e Bida de apoiadores, e Ramón na legítima ponta-de-lança. O veterano camisa 10 jogou espetado entre os atacantes, não como um organizador clássico, mas sim como um definidor de jogadas.

Na frente, dois centroavantes: Schwenck, deslocando-se para a direita para abrir espaço aos avanços de Ramón, também retornava à área para acompanhar Júnior. A estratégia foi clara desde o início: abdicar do jogo pelo chão, em função das condições do gramado, buscando a bola alta.

Neste aspecto, a equipe foi prejudicada pela carência técnica de alguns jogadores. O lateral-esquerdo Egídio, muito acionado - Gabriel, que substituiu Nino Paraíba no início da partida, é zagueiro e permaneceu na base marcando Neymar - consagrou-se como um cemitério de jogadas. O Vitória insistentemente procurou por Egídio, e ele não conseguiu completar praticamente nenhum passe ou cruzamento, desabastecendo os atacantes.

No confronto das duas estratégias - Santos controlando a posse, com passes curtos; Vitória com intenção de pressionar lançando a bola na área - os paulistas se deram melhor. A consolação para os baianos foi conseguir a virada em casa, vencendo a partida.

Jogo central é bom caminho para o Grêmio

19 de maio de 2010 28

O comentário mais usual que se faz durante partidas de futebol é: tem que jogar pelos lados. É quase consensual esta premissa. O jogo lateral é uma boa alternativa na maioria das partidas, mas não pode ser considerado a única, ou a principal estratégia. Como em qualquer planejamento tático, ela depende das circunstâncias da partida - elenco disponível, características do adversário, modelo de disputa do campeonato, eventuais vantagens ou desvantagens anteriores...

Hoje, parece-me, o melhor caminho para a classificação do Grêmio contra o Santos é o oposto: o jogo central. Levo em consideração nesta análise os sistemas táticos das duas equipes, os jogadores que estarão em campo, e as necessidades de ambos no desfecho desta semifinal de Copa do Brasil.

Silas equivocou-se no planejamento do jogo de ida. Abdicou do 4-4-2 com meio-campo praticamente em quadrado, com o qual converteu as cobranças iniciais em elogios e reconhecimento. E, no 3-5-2, cedeu ao Santos - que jogou no 4-4-2 - superioridade no setor fundamental para a mecânica proposta por Dorival Júnior. Adilson, Willian Magrão e Douglas foram soterrados pelo quarteto santista (Arouca, Wesley, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso). Somente após sofrer 2 a 0 Silas repensou a estratégia, recuperou o 4-4-2, e conseguiu a virada.

A lógica segue a mesma: supremacia no meio-campo. E o Santos está confirmado no 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo. O adversário gremista terá o leve volante Rodriguinho na proteção da linha defensiva, com Wesley e Paulo Henrique na articulação, e o trio ofensivo formado por Robinho, Neymar e André.

Certamente a proposta santista será controlar a posse de bola no campo do Grêmio, com movimentação constante e trocas de passes até que surjam espaços para a assistência vertical em velocidade. Obviamente, qualquer equipe que enfrentar este Santos, com este sistema e esta estratégia, limitando-se à defesa - sem posse de bola - será massacrada. É impossível resistir ao ataque constante por 90min sem cometer nenhum erro defensivo.

Minha sugestão é centralizar o jogo sobre Rodriguinho. A matemática é óbvia: Hugo e Douglas são dois, o volante santista é apenas um. É mais prudende ao Grêmio abdicar do jogo lateral, mantendo Edilson e Joílson na base - até para que, na basculação defensiva, o Grêmio sempre tenha sobra de um jogador na comparação com os três atacantes rivais.

A articulação central sobre o volante do Santos pode aumentar o tempo de posse de bola do Grêmio, retirar velocidade da partida, e também privilegiar Borges. O centroavante tricolor gosta do pivô à frente da área, prendendo com o corpo os zagueiros. Com Douglas e Hugo próximos e centralizados, Borges completaria um trio de jogadores responsáveis pela permanência do Grêmio no campo de ataque. E o resultado disto pode ser a saída de um zagueiro à caça de um dos meias, abrindo espaços para Borges ou Jonas, ou então o recuo de um dos meias santistas, arrefecendo a pressão sobre a defesa gremista.

Não há certeza de sucesso desta estratégia. É uma sugestão, uma teoria. Não sei se Silas pensa da mesma forma, se vai atuar desta maneira, e se na prática tudo o que foi projetado aqui vai acontecer. Acredito que seja melhor planejar-se para jogar sobre as supostas fragilidades do Santos, do que apenas para se defender e orar pelo final da partida.

Sem Neymar, Santos abre mão do 4-3-3

12 de maio de 2010 16

Quem for ao Estádio Olímpico hoje à noite não terá a oportunidade de assistir ao 4-3-3 santista que destruiu paradigmas táticos no país dos três zagueiros. Sem Neymar, o técnico Dorival Júnior deve repetir no Santos a mesma formação utilizada na derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG no Mineirão, nas quartas de final da Copa do Brasil.

Nesta variação, o Santos se posiciona no 4-4-2. O desenho pode até lembrar um losango, mas a movimentação é intensa, e dá margem a outras interpretações. No meio-campo, há dois pilares: Arouca e Paulo Henrique. O primeiro é o volante central, encarregado de cobrir os dois laterais, e proteger os zagueiros; e o segundo é o articulador, também central, que organiza a equipe e se aproxima dos atacantes.

Em uma segunda linha, entre Arouca e Paulo Henrique, atuam dois meio-campistas "híbridos". Wesley e Marquinhos podem ao mesmo tempo combater, auxiliando Arouca, e articular, somando-se a Paulo Henrique. Marquinhos é mais técnico e se movimenta menos, mantendo o posicionamento e fazendo a bola correr. Diferente de Wesley, mais veloz e participativo, correndo com a bola e suprindo no corredor direito a ausência de Neymar.

Paulo Henrique tem à frente Robinho, aberto pela esquerda, e André - um centroavante diferente pois, apesar da carência física na comparação com os trombadores, sabe cabecear e se utiliza muito do pivô, preparando as jogadas para quem se aproxima na entrada da área. E Paulo Henrique faz essa organização da equipe com maestria. Esta é a palavra: maestro. Na Itália, seria chamado de "regista". É ele quem regula a velocidade do Santos: transições rápidas, controle da posse de bola, inversões, aproximações, bola curta, bola longa...o repertório é imenso.

Na teoria, este é o sistema para os "jogos fora de casa", embora a situação se agrave pela ausência de Neymar. Na Vila Belmiro, no jogo de volta, a formação santista deve voltar ao 4-3-3:

Quem diria, o velho 4-3-3 é uma revolução no Brasil

16 de abril de 2010 41

A recente rugbyzação do futebol brasileiro provoca uma situação curiosa: o convencional 4-3-3, cujo prazo de validade expirou em nome do defensivismo e dos três zagueiros, protagoniza uma revolução. O desempenho do Santos, que resgata da pré-extinção o sistema com três atacantes e dois meias, divide a opinião pública e ofende quem se enrijeceu pela filosofia do "barro no calção", que associa competitividade em relação diretamente proporcional com o número de zagueiros e volantes combativos.

A repercussão soa estranha porque o Brasil reproduz sistematicamente as tendências táticas europeias. Foi assim com a importação do 3-5-2, que fez sucesso na Copa de 1986 com Argentina e Dinamarca, e depois se disseminou no futebol italiano. O mesmo aconteceu recentemente com a "chegada" do 4-2-3-1 que embala o Arsenal como seu principal representante. E até mesmo com o 4-4-2 em duas linhas, o four-four-two britânico nascido nos anos 70 e comum em países como Alemanha e Espanha, mas considerado uma novidade por aqui.

Na Europa, o 4-3-3 "está na moda". O que leva à conclusão lógica: teria de desembarcar no Brasil. Este é o sistema considerado completo e ideal pelo técnico José Mourinho, que transita entre os três atacantes e o 4-4-2 em losango nas equipes que comanda; é o sistema do Barcelona, multicampeão há duas temporadas; é o "default" da seleção holandesa; também é "template" das equipes comandadas por Guus Hiddink; e com tantos exemplos bem sucedidos, influencia equipes menores. O Catania, recentemente analisado aqui no blog Preleção; ou o Villarreal, sobre o qual debatemos nesta semana. E muitos outros.

No Brasil, entre os grandes, o padrão é ter três zagueiros. Tendência que sofre leve queda devido aos insucessos recentes de Muricy Ramalho e Celso Roth, seus principais praticantes. O 4-3-3 foi praticamente abandonado, abolido, alijado, a partir do recuo do ponta-esquerda para o meio-campo - o "quarto homem", na transição dos anos 80 para a década de 90. A partir daí, usar três atacantes foi considerado antiquado, fora de moda, pouco eficiente. Títulos, pensamos todos os brasileiros (ou quase), conquistam-se com fortalezas defensivas e especulações na bola parada.

Não é necessário fazer comparações entre elencos. Seria inócuo listar Barcelona, Chelsea, Holanda, Rússia ou qualquer grande time-seleção da Europa que se utilize do 4-3-3, ao lado do Santos. E quem critica o time de Dorival Júnior amparado neste contraste se perde. Também não contribui a comparação entre campeonatos e adversários, afinal, ela está atrelada à qualidade dos jogadores. Essa tentativa de desqualificar o 4-3-3 santista é vazia.

A comparação é tática. O Santos joga no 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo - um volante, e dois meias. A estratégia permite o apoio de ambos os laterais, e a passagem do único volante. Todos os jogadores têm qualidade técnica e mobilidade para sincronizar alternâncias de posicionamento, trocas de funções, tabelas e uma enormidade de movimentos que fica difícil listar. Exatamente como fazem todas as equipes que se utilizam do até então - no Brasil - sepultado 4-3-3. Sistema que Mourinho diz ser o mais completo porque proporciona, segundo ele, a mais equilibrada ocupação de espaços em todos os setores.

O futebol brasileiro, sempre permissivo com as tendências táticas lançadas na Europa, vacinou-se contra o aporte do 4-3-3 por aqui. Não se deixou influenciar por Barcelona, Chelsea, Guus Hiddink, ou qualquer outro clube, seleção ou treinador adepto dos três atacantes. O Santos furou o bloqueio dos defensivistas. O Santos é tipo um vírus que corrompe o enrijecimento das nossas análises. Que o futebol brasileiro se deixe influenciar por esta tendência.

Três atacantes, dois meias, e laterais apoiadores

09 de março de 2010 29

O Santos de Dorival Júnior contraria várias premissas do defensivismo recente que ampara o 3-5-2 à brasileira. Entre elas: laterais ofensivos precisam ser transformados em alas, porque sem a proteção de três zagueiros são inviáveis; meias ofensivos e atacantes não podem conviver, ou opta-se por volantes e atacantes, ou por volantes e meias.

Quando eu vejo o Santos encarar a Portuguesa, no 2º tempo, utilizando-se do 4-3-3, com obviamente três atacantes, dois meias ofensivos, e ainda por cima dois laterais apoiadores, dou graças: o futebol ainda não morreu. O processo de "rugbyzação" tática no Brasil conta com enclaves de resistência. E não falo de poesia ou romantismo. Dorival Júnior estruturou uma equipe ofensiva sem abrir mão da organização. O Santos ataca bom a bola, defende-se com ela, mas sobremaneira defende-se atacando. Feijão-com-arroz, como eu sempre reitero. E lidera o Paulistão. É competitivo, portanto.

O 4-3-3 do Santos contra a Portuguesa teve triângulo de base alta no meio-campo. Aos 34min do 1º tempo, perdendo a partida, Dorival Júnior substituiu o volante Roberto Brum - que atuava alinhado a Arouca - pelo meia Marquinhos. Inverteu-se, portanto, o desenho do setor. A base subiu, com Marquinhos ao lado de Paulo Henrique, enquanto Arouca centralizou, como único volante.

No segundo tempo, o treinador santista ainda sacou Pará, e colocou o meia Mádson na lateral-esquerda. Do outro lado, ele já se utiliza de Wesley, jogador que atuava como atacante no Atlético-PR, como lateral-direito. Arouca, para completar, é um volante que sabe jogar. Está longe do estereótipo do trombador, do marcador desqualificado.

À frente, caracteriza-se o 4-3-3 pela união dos conceitos de posicionamento inicial e função. Sei que muitos cronistas têm visão diversa da minha, mas vejo Robinho e Neymar atuando como atacantes no Santos. E não digo isso porque a posição de origem (característica de cada atleta) deles é o ataque. Mas sim porque eles desempenham função de atacante no Santos, e partem de um posicionamento inicial adiantado.

Ofereço ao debate uma comparação para que fique claro o conceito que eu uso - o que não significa que eu esteja certo, e quem pensa diferente, errado. No Arsenal, que atua no 4-5-1 com dois volantes e três meias ofensivos (ou 4-2-3-1, como queiram), os meias-extremos são preparadores de jogadas. Arshavin e Nasri, ou Walcott, ou quem quer que atue nas faixas laterais da segunda linha de meio-campo, posicionam-se inicialmente alinhados ao articulador central (geralmente Fábregas), e têm como principal função a organização. Buscam a linha de fundo, tabelam na intermediária ofensiva, concluem de longe, cruzam, lançam...

No Santos, Neymar e Robinho são muito mais finalizadores do que preparadores. Atacantes, portanto, e não meias. Pelo menos, comportaram-se desta maneira contra a Lusa, em jogo que terminou 1 a 1. O posicionamento é adiantado, mesmo que eles recuem marcando os laterais adversários, e por vezes se alinhem aos meias. Robinho e Neymar entram na área para fazer gol, a todo o momento. Jogam muito próximos ao centroavante André, com quem fazem tabelas curtas no pivô. Robinho e Neymar têm posicionamento mais adiantado e desempenham funções mais ofensivas, de finalização, na comparação com o papel que deveriam obedecer se fossem meias-ofensivos, preparadores de jogadas.

É o mesmo que eu penso ao analisar o Corinthians campeão da Copa do Brasil, por exemplo. Jorge Henrique e Dentinho, para mim, atuavam como atacantes no 4-3-3. Eram frequentadores assíduos da área adversária, marcando gols, concluindo as jogadas organizadas pelos meias. Mas há muitos cronistas que aplicam à análise daquele Corinthians outros conceitos, e também vêem o 4-2-3-1. Reitero que discordo respeitosamente. Não há certo ou errado, apenas contextualizações diferentes.

Independentemente de conceitos e teorias, o Santos comprova que é possível ser competitivo sem a obsessão pelos três zagueiros. Três atacantes, dois meias ofensivos, e dois laterais apoiadores. Tudo isso sem perder o equilíbrio. Compensando com disciplina tática e ocupação de espaços a característica ofensiva dos jogadores. Não há combate "raivoso", com carrinhos, nem camisas embarradas. Mas há posicionamento organizado, linhas adiantadas, valorização da posse de bola e aplicação - características que permitem a Dorival Júnior usar o 4-3-3, sem receios. E liderar o Campeonato Paulista.

Luxemburgo leva o 3-5-2 para o Santos

18 de agosto de 2009 13

Contra o Cruzeiro, o Santos de Luxemburgo jogou no 3-5-2

Assisti ao empate em 0 a 0 entre Cruzeiro e Santos, neste final de semana, e o time paulista mostrou uma alteração tática. Vanderlei Luxemburgo levou ao Santos o 3-5-2 que já utilizava desde os tempos de Palmeiras. A equipe era uma das poucas deste Brasileirão que ainda não havia experimentado o sistema com três zagueiros bastante usual no futebol brasileiro.

No 3-5-2 do Santos, Luxemburgo ofereceu uma pequena oportunidade de variação tática para o 4-4-2. Rodrigo Mancha é polivalente, joga nos dois setores desde os tempos de Coritiba, e foi posicionado como zagueiro pela esquerda. Eli Sabiá ficou na sobra, e Fabão do lado direito, em marcação individual sobre Kleber.

Em algumas circunstâncias - foram poucas, é verdade - Rodrigo Mancha se adiantou, ocupando o primeiro espaço do meio-campo, na variação para o 4-4-2. Mas a prioridade foi sua fixação na zaga, mantendo o 3-5-2 original. Pelas alas, sem Léo, Luxemburgo improvisou Pará na esquerda e promoveu a estreia de George Lucas na direita. Ambos apoiaram pouco, levando o Santos a concentrar sua articulação pelo meio.

A centralização do Santos não é tão condenável quando se percebe que no setor estão Rodrigo Souto e Paulo Henrique. Luxemburgo sistematizou uma espécie de triângulo, com Souto e Germano na primeira linha, e Paulo Henrique adiantado. Como no ataque Madson ocupava o lado esquerdo, Rodrigo Souta fazia a passagem pela direita, com grande qualidade no passe longo e inteligência para ocupar espaços vazios da marcação cruzeirense em seus movimentos verticais.

Paulo Henrique regeu o Santos, organizando a equipe como um pensador nato. Ele é daqueles meias que não corre, mas faz a bola correr. Um típico camisa 10 articulador brasileiro, estilo que consagrou mais recentemente Ricardinho (Corinthians) e Alex (Palmeiras). Recebe, levanta a cabeça, e distribui, sempre restrito a uma pequena faixa de campo.

O Santos é o próximo adversário do Grêmio. Mas, como o jogo será na Vila Belmiro, confesso que não sei se Luxemburgo vai manter o 3-5-2. Talvez - não acompanho os treinamentos da equipe paulista para atestar - o 3-5-2 seja o sistema para "jogos fora", e ele reconstitua o 4-4-2 no Alçapão da Vila.

Um aspecto interessante para especulação até amanhã é o seguinte: fora de casa, contra o Palmeiras - que atuava no 3-5-2 - Paulo Autuori no 2º tempo alterou o sistema tático do Grêmio, voltando ao 3-5-2. E se Réver for confirmado no meio-campo em substituição ao suspenso Túlio, essa possibilidade de variação durante o jogo não pode ser descartada porque não seria necessária nenhuma substituição: bastaria o recuo de Réver e o reposicionamento de meio-campistas e laterais.

Postado por Eduardo Cecconi

O Santos de Mancini marca com a bola

19 de abril de 2009 11

No diagrama tático do Santos, as flechas pretas representam o movimento de marcação sem a bola dos jogadores Santistas, enquanto as fechas claras demonstram a movimentação com a bola.

Começo este debate propondo uma pergunta aos amigos: qual o melhor sistema de marcação? Por zona, individual, meia pressão, pressão, pressão alta ou misto? Se me permitem, eu arrisco a resposta. Nenhum destes. O melhor sistema de marcação é manter a posse de bola. É assim que joga o Santos de Vágner Mancini.

O Santos é um dos poucos - talvez o único - grande clube brasileiro atuando no 4-3-3 hoje. E ao contrário do que os comentaristas pobres de recursos dizem, não é faceiro, nem irresponsável. Assisti ontem na vitória de 2 a 1 sobre o Palmeiras fora de casa a um Santos organizado, disciplinado, forte na defesa e absolutamente imprevisível no ataque.

Vágner Mancini conta com dois atacantes de muita movimentação, velocidade e habilidade - Neymar e Madson - que jogam abertos pelos lados, e trocam constantemente de posição. Com isso, ora o destro Neymar busca a linha de fundo na direita, ou a diagonal na esquerda, ora o canhoto Madson faz o mesmo - linha de fundo na esquerda, diagonal na direita.

Ambos são abastecidos pelo talentoso meia Paulo Henrique, que joga centralizado uma linha atrás da dupla de atacantes, aproximando-se daquele que estiver com a bola para tabelas curtas e passes de primeira. O ataque é completado pelo centroavante Kléber Pereira, que participa das jogadas recuando para fazer o pivô, tabelar e girar. Eles - Neymar, Madson, P.Henrique e Kléber - formam na verdade um quarteto ofensivo.

Os laterais também apoiam. Luizinho sobe na direita, e Triguinho faz o mesmo na esquerda. Assim, o Santos sempre se apresenta com três jogadores em cada lado: Madson ou Neymar, Paulo Henrique e o lateral do setor. O primeiro volante cobre a direita, o segundo volante cobre a esquerda - e ambos se adiantam para pegar a segunda bola. Kléber Pereira e o outro atacante entram na área. O lateral do lado inverso fecha para compôr o meio-campo.

É desta forma que o Santos marca o adversário: jogando. Como eu repito insistentemente, time que tem a posse de bola sofre gol apenas se chutar contra o próprio goleiro. Com movimentação intensa, aproximações e diversas alternativas - três atacantes, um meia, dois volantes e dois laterais - o Santos varia as jogadas, troca passes e sempre conta com alguma opção diferente, enlouquecendo a marcação adversária.

Antes que algum comentarista que acha o 4-3-3 "faceiro" tenha um enfarto, sem a bola o Santos marca sim. E marca muito. A exemplo do Chelsea, que encaixa seus atacantes no lateral adversário, os atacantes do Santos voltam até onde for preciso para auxiliar no combate. Afinal, jogador de futebol que "não marca", como dizem por aí, precisa trocar de profissão. Madson e Neymar bloqueiam os lados, liberando os laterais para a cobertura. Os volantes recebem o apoio do meia à frente da área, guarnecidos pelos zagueiros. E até mesmo Kléber Pereira retorna. Todos prontos para disparar no contra-ataque.

Mas um dos principais legados para reflexão deste 4-3-3 do Santos é o sistema de marcação - agora me refiro à escolha sem a bola, não à valorização da posse. O Santos marca por setor. Não há combate individual. Assim o time não se abre. Vejamos: Neymar e Madson fecham os lados, alinhados com Paulo Henrique. Os volantes cobrem os laterais, quando há apoio, ou fecham a frente da área. Os laterais fecham o meio quando o lado atacado é o inverso. Saiu do meu setor? Agora é com o companheiro. Comparemos com o 3-5-2, pegando o exemplo do Grêmio de Celso Roth, que está fresco na nossa memória.

No 3-5-2, a marcação escolhida no Brasil é a individual, ou por função. Ala pega ala (ou o lateral), meias pegam volantes, volantes pegam meias, e zagueiros pegam atacantes. E dessa forma, o que acontece? O time fica refém do rival, e acaba facilmente se abrindo. Exemplos: no último Gre-Nal, Tcheco marcou Magrão, e Adilson pegou Guiñazu. Réver ficou em Andrezinho, Léo em Taison e Thiego em Nilmar. Souza encaixou em Kléber e Fábio Santos em Bolívar. A sobra não pega ninguém, só faz cobertura.

Resultado: quando Magrão e Guiñazu passavam pelos lados, levavam junto Tcheco e Adilson, abrindo a frente da área gremista e aumentando o campo entre meias e atacantes do adversário, o que dificultou a retomada em velocidade e matou os contra-ataques. Sem o apoio dos laterais colorados, Souza e Fábio Santos precisaram fazer o encaixe lá em cima, abrindo uma avenida às costas, de onde Taison partia com muito campo para cima de Léo - sem cobertura, pois Réver cuidava de Andrezinho. O Grêmio armou uma armadilha para ele mesmo, prendendo seus jogadores e abrindo espaços para o Inter jogar.

No 4-3-3, o Santos marca jogando, trocando passes, alternando jogadas e atacando; e também marca sem a bola, compactando a equipe e combatendo o adversário por setor. É claro que Vágner Mancini conta com um grupo apropriado para isto - é preciso jogadores com velocidade e comprometimento, como fazem Madson e Neymar. Mas esta é sua maior virtude: aplicar na equipe um sistema tático e uma estratégia adequados às características do elenco.

Postado por Eduardo Cecconi