Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "Seleção Inglesa"

Os problemas de Capello para a Copa do Mundo

22 de março de 2010 16

Considerada uma das principais favoritas ao título da Copa do Mundo de 2010, a seleção da Inglaterra passa por uma fase de péssimas notícias. São tantos os problemas que não há soluções para todos. Acredito que o técnico Fábio Capello mal consiga dormir, às vésperas do Mundial da África do Sul, em busca de alternativas.

O sistema tático deve ser mantido. É o 4-4-2 britânico, em duas linhas, com um atacante de movimentação e um de referência. A estratégia também é convencional: sem a bola, marcação por zona - pressão sobre a bola - nas duas linhas, e pressão-alta dos dois atacantes sobre a saída adversária; com a bola, transição ofensiva pelos lados do campo, com os wingers; e distribuição de jogo centralizada nos meias box-to-box, apostando também nas infiltrações pelo chão para os atacantes.

Não há, entretanto, um winger-esquerdo ortodoxo. Durante as Eliminatórias e amistosos, Capello entregou a função a Gerrard. O capitão do Liverpool, entretanto, sempre se destacou como um box-to-box. Não aprofunda as jogadas, não sabe se utilizar da linha de fundo, e ainda por cima é destro, o que lhe obriga a priorizar as diagonais.

Para piorar, é mal escalado por Rafa Benítez como o "número um" do Liverpool, no 4-5-1 desdobrado em 4-4-1-1, refém de zagueiros, sem espaço para concluir a média distância, e sem espaço também para seus lançamentos e assistências longas. Está em má fase. Milner, outro destro - porém mais adaptado à função - é a alternativa.

Capello usa Gerrard na extrema-esquerda da segunda linha porque, por dentro, considera Barry e Lampard mais seguros. São os titulares das posições centrais do meio-campo. Infelizmente para o técnico inglês, no entanto, também não vivem boas fases em seus times.

A diagonal de Gerrard servia para abrir o corredor a Ashley Cole, uma compensação tática interessante. Com este balanço entre ambos os lados - winger abre na direita, lateral na esquerda - a Inglaterra tem equilíbrio ofensivo. Mas Ashley Cole está lesionado, e deve se recuperar a poucos dias da preparação. Seu desempenho no retorno é uma incógnita. E o reserva imediato, Bridge, pediu dispensa depois de problemas pessoais com o ex-capitão Terry.

Na extrema-direita, Capello não tem Beckham, lesionado; Wright-Phillips perdeu a posição no City, Walcott é eterno reserva no Arsenal. Sobra Lennon, bom jogador do Tottenham, mas não um protagonista.

E no ataque, encerrando a longa lista de problemas, Capello ainda não encontrou o parceiro ideal para Rooney. Já usou Crouch, Defoe, Heskey, Carlton Cole...cada um com uma característica, um estilo. Entre todos que vi, os de melhor desempenho foram Defoe e C.Cole, mas Heskey foi titular no maior número de jogos. Em todo caso, todos eles se igualam a Lennon e Milner - alternativas a problemas: são coadjuvantes.

Lesões de Beckham e Ashley Cole; declínio técnico de Gerrard, Lampard e Barry; problemas pessoais entre Terry e Bridge; indefinição no ataque. Capello tem muito trabalho pela frente até junho.

Velocidade para cruzar as linhas britânicas

14 de novembro de 2009 10

Diagrama tático do confronto entre Brasil e Inglaterra

Em jogos de equivalência tática sem variações, é preciso que alguma característica técnica dos jogadores se sobressaia para confrontar o adversário. Senão, o encaixe tático arrastará qualquer partida ao empate sem gols. Pode ser improviso, drible, precisão no chute de média distância, qualidade na bola parada bem ensaiada...

Hoje, o Brasil se utilizou da velocidade de Nilmar como instrumento de desequilíbrio na rigidez tática do confronto entre Brasil e Inglaterra. Foi com as diagonais incisivas da esquerda para o meio que ele indefiniu a marcação inglesa, criando as melhores oportunidades - e marcando o gol - da vitória da Seleção Brasileira por 1 a 0, em partida amistosa.

Dunga manteve o Brasil estruturado no 4-5-1, seu sistema predileto, desdobrado em 4-2-3-1. São quatro defensores em linha, dois volantes guarnecendo a área, três meias ofensivos à frente, e um centroavante no pivô. E na Inglaterra, Fabio Capello também não abriu mão do ortodoxo 4-4-2 britânico, com duas linhas de quatro jogadores, um atacante recuando para fazer o enganche, e um centroavante no pivô.

Os posicionamentos iniciais de cada jogador das duas seleções criou uma situação de vantagem para as defesas. Em qualquer dos campos, venciam os marcadores.

No Brasil, Kaká foi combatido por dois volantes, variando a marcação conforme a zona em que ele ingressava. Foi anulado. Elano, burocraticamente, anulou-se sozinho, no embate com Bridge - que também nada acrescentou. Luís Fabiano, assim como Kaká, lutou contra dois marcadores, entre os zagueiros ingleses. Michel Bastos e Maicon bateram de frente com os wingers britânicos, e os volantes brasileiros não fizeram a passagem da linha para auxiliar Kaká.

Na Inglaterra, Rooney tentou jogar às costas de Gilberto Silva, mas acabou permitindo à dupla de zaga brasileira formar sempre uma sobra. O destro Milner, aberto como winger esquerdo, invariavelmente cortava para o meio, mas Bridge nunca aproveitou o corredor. Wright-Phillips foi pouco incisivo; Brown não o auxiliou no apoio pela direita. E os meio-campistas centrais Jenas e Barry fizeram o mesmo que os volantes brasileiros: muita preocupação com o posicionamento inicial, pouca ultrapassagem para indefinir a marcação.

Nilmar foi o único jogador que demonstrou interesse em aliar inteligência tática com a qualidade técnica que tem. Sua principal virtude técnica é a velocidade. E sua principal virtude tática é atuar sobre a linha defensiva, entre o zagueiro e o lateral, sem entrar em impedimento - foi assim que formou bela parceria com Alex recentemente no Inter, recebendo assistências de frente para o gol, nas infiltrações pelo chão.

Dessa forma, Nilmar buscou a diagonal, batendo o lateral-base Brown e partindo para o confronto direto com Upson. O que provocava a famosa indefinição da marcação, em efeito cascata: Upson deixa a sua zona de atuação, Lescott fecha, e a Inglaterra não sabia se combatia Nilmar e deixava Luís Fabiano livre, ou se mantinha a rigidez segurando o centroavante, mas liberava o ex-jogador do Inter. Nilmar fez gol, cavou pênalti, e participou objetivamente de todas as ações ofensivas do Brasil, sempre entre Brown e Upson.

Infelizmente, a Inglaterra jogou com seu "time B". Não atuaram Ferdinand, Terry, Ashley Cole, Beckham, Gerrard, Lampard, Glen Jonhson, Lennon, Carlton Cole...Com todos os titulares, Capello manteria a mesma estrutura tática, mas a Inglaterra poderia agregar algo que lhe faltou hoje, e que o Brasil teve com Nilmar: qualidade técnica para desestruturar o equilíbrio tático.

Postado por Eduardo Cecconi

Duas escolas táticas tradicionais na Copa

10 de setembro de 2009 25

Nesta semana os torcedores e analistas ficaram sabendo que serão privilegiados com a presença de duas seleções representantes de escolas tradicionais da tática de futebol na Copa do Mundo. Em 2010, Inglaterra e Holanda estarão na África do Sul.

A Inglaterra representa o original 4-4-2 em duas linhas, o sistema mais britânico do futebol. Mesmo com um técnico italiano, essa tradição se mantém, levando em consideração os mínimos detalhes exigidos pelas funções típicas.

Há dois wingers pelos lados (um de velocidade - Lennon - e um para diagonais pelo meio - Gerrard), um box-to-box que organiza a equipe (Lampard), um meio-campista marcador e com qualidade nas bolas longas (em lançamentos e chutes - Barry) são as principais características do 4-4-2 britânico da Inglaterra.

E Capello se dá ao luxo de ter Beckham, Milner, Defoe, Wrigth-Philipps, Ferdinand, Carlton Cole para entrar quando acionados.

inglaterra por você.

A Holanda é a representante do 4-3-3 à moda antiga, com atacantes abertos pelos lados e dois meias articuladores. É do tempo em que o camisa 8 era o meia-direita, e o camisa 10 o meia-esquerda. O desenho de meio-campo é chamado de triângulo alto, por ter um volante apenas no vértice, e os dois articuladores alinhados mais à frente.

Na Holanda, há ainda laterais que sobem, e dois canhotos pelos lados na frente, o que abre as opções de jogadas na linha de fundo com Robben ou na diagonal com Van Persie. Na área, o esforçado Kuyt vai na base da trombada.

O sistema é inspirado na "escola Cruyff", que repercute no Barcelona, clube onde a filosofia de jogo do cérebro da Laranja Mecânica se disseminaram até para as categorias de base.

Tem gente que desgosta a Inglaterra, tendo a imagem do antigo futebol do "chuveirinho" - que não existe mais - fresca na memória; e tem outros que repudiam a "faceirice" da Holanda. Mas eu admiro essas duas escolas, não apenas pela tradição, mas também por admirar seus sistemas táticos, suas estratégias, e as características de seus jogadores.

Postado por Eduardo Cecconi

A força da tradição tática na Inglaterra

31 de março de 2009 13

A Inglaterra atuou no 4-4-2 britânico na goleada de 4 a 0 sobre a Eslováquia, em amistoso disputado no sábado

Posso estar enganado, mas não lembro do italiano Fábio Capello armando alguma equipe no tradicional 4-4-2 britânico. Mas no comando da seleção da Inglaterra, ele é mais um treinador que se adapta à força da cultura tática do país, e adota o sistema das duas linhas de quatro jogadores. Assim como fez com êxito Rafa Benítez no Liverpool, por exemplo.

Assisti ao amistoso vencido pela Inglaterra por 4 a 0 contra a Eslováquia, no sábado, em Wembley. E a Inglaterra, em um insosso uniforme novo - não gostei do retrô escolhido pela Umbro - atuou no 4-4-2 britânico, de acordo com a maneira como cada jogador atua na maioria de seus clubes.

Capello escalou a equipe com dois wingers (meias extremos), e uma surpresa entre eles. Gerrard, que no Liverpool era apoiador centralizado, e agora joga como segundo atacante, foi o winger esquerdo, contando com Lennon na direita. Pelo meio, Capello colocou Barry à moda Scholes (mais defensivo), e Lampard à moda Lampard no Chelsea de Guus Hiddink. O camisa 8 da seleção, em outra atuação brilhante, foi o responsável pela articulação da equipe, aproximando-se com muita insistência da dupla de ataque.

Na frente, dois jogadores de velocidade e imposição física: Rooney e Heskey. Heskey acabou substituído por Cole, que também saiu para a entrada de Crouch. Rooney e Lampard foram até o fim, e deram no final da partida um fôlego à seleção inglesa, que não encontrava muitos espaços. Heskey abriu o placar aos 7min do 1º tempo, e a Inglaterra só foi marcar novamente aos 25min do 2º tempo, com Rooney. Nos minutos finais, Lampard e novamente Rooney fecharam o placar.

Posso ser considerado suspeito, porque sou fã de Beckham. Mas o jogador do Milan entrou no intervalo, substituindo Lennon, e demonstrou a velha categoria na posição onde surgiu no Manchester United. Beckham foi um competente e dedicado winger pela direita. Apoiou com qualidade, fez assistências e chamou Johnson para o apoio. Na comparação com o veloz Lennon, ainda sou mais Beckham na extrema direita da linha de meio-campo da Inglaterra, ainda que no Milan ele atue como um meia-marcador à frente do volante central.

Gerrard também saiu no intervalo, para a entrada de Downing - outro bom jogador. E dessa forma um assunto recorrente passa novamente pela minha cabeça: como uma seleção que conta com tantas alternativas de altíssima qualidade para o setor mais importante da equipe não emplaca? Quem hoje pode escolher entre Lampard, Beckham, Gerrard, Downing, Lennon...?

Talvez Capello consiga responder. Estava faltando à Inglaterra assumir sua vocação tática histórica. A seleção inglesa, no seu 4-4-2 britânico, recuperando a virtude de Beckham, valorizando o protagonismo de Lampard, e contando com as inspirações naturais de Gerrard e Rooney, pode enfim justificar em futuro próximo a expectativa de sucesso que costuma provocar.

Postado por Eduardo Cecconi