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Como funciona o sistema de propriedade do Green Bay Packers

25 de maio de 2015 3
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Foto: Packers/Divulgação

Foto: Packers/Divulgação

Green Bay é uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes do Wisconsin. É um mercado pequeno, que pouco tem além do Packers — seu time da NFL, fundado em 11 de agosto de 1919. Mas há uma explicação para que nunca, ao longo da história, a franquia tenha saído de lá: o Green Bay Packers não tem um dono. São 360.584 donos — mais que o triplo do número de moradores de sua cidade-sede.

O Packers é a única franquia nas grandes ligas americanas que não é controlada por um dono, empresa ou grupo de empresários. Abrem-se processos de venda e qualquer cidadão pode comprar uma parte da equipe. Ao total, atualmente são 5.011.557 cotas. Ninguém pode ter mais de 200 mil cotas (pouco menos de 4% do todo) para evitar que um sócio se sobreponha aos outros.

Foram cinco processos de venda de ações do Packers ao longo da história. O primeiro, em 1923, contou com 1 mil compradores a modestos US$ 5. No último, entre 2012 e 2013, foram arrecadados US$ 64 milhões, que financiaram quase metade da reforma do Lambeau Field.

Até 1997, qualquer sócio que vendesse sua parte teria que doar o dinheiro para a Sullivan-Wallen Post. Desde então, o repasse vai para a Green Bay Packers Foundation. Mas o objetivo segue o mesmo: quem vende não fica com o dinheiro, tornando impossível na prática uma venda com intenção de mover a franquia da cidade.

Nenhuma outra franquia poderá adotar um modelo semelhante ao do Green Bay Packers no futuro. Durante a década de 1980, a NFL determinou que cada franquia pode ter no máximo 32 donos. Como o formato do Packers já existia há 60 anos, abriu-se uma exceção. Como não tem fins lucrativos, a franquia verde e dourada é a única que revela seu balanço financeiro anualmente — e isso revela dados importantes em relação a ganhos coletivos na liga.

Vendas de cotas:

1923: foram vendidas 1 mil cotas de US$ 5 para juntar US$ 5 mil.

1935: 300 compradores pagaram um total de US$ 15 mil para comprar cotas. A antiga Green Bay Football Corporation se tornou a ainda existente Green Bay Packers, Inc.

1950: 9,7 mil novos donos pagaram um total aproximado a US$ 118 mil. Foram 4,7 mil cotas de US$ 25. A nova venda de cotas se deu para evitar a realocação do time depois da saída do lendário técnico Curly Lambeau (que daria nome ao estádio do time no futuro).

1997-1998: no fim dos anos 1990, o Packers decidiu redividir as cotas. Cada cota comprada anteriormente valeria 1 mil cotas no novo sistema, e seriam criadas outros 1 milhão de cotas — totalizando 1.940.000 cotas antes das vendas se iniciarem. Isso se deu para que os antigos donos seguissem com maior poder de voto. Até o fim de março de 1998, a franquia arrecadou US$ 24 milhões vendendo 120.010 novas cotas para 105.989 novos donos — US$ 200 a cota.

2011-2012: a mais recente venda de cotas ocorreu entre 2011 e 2012, com o objetivo de capitalizar a franquia para reformar o Lambeau Field. Cotas de US$ 250 foram vendidas. Foram 250 mil compradores e 269 mil cotas comercializadas, arrecadando US$ 64 milhões. Donos dos 50 estados americanos foram adicionados e, pela primeira vez, canadenses também puderam adquirir uma parte da franquia (foram cerca de 2 mil compradores ao norte da fronteira americana). Aproximadamente 99% das vendas foram feitas via online.

Comentários (3)

  • Elias Junior diz: 25 de maio de 2015

    Ótima matéria Wendell, parabéns!

  • Edrey William diz: 24 de fevereiro de 2016

    Ótima matéria! Tem idéia de quando terá venda de ações novamente? E brasileiros podem compra?

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