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Estrela da WNBA, Érika afirma: "A intensidade é sempre dobrada"

26 de maio de 2015 0
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Foto: Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images/AFP

Foto: Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images/AFP

A brasileira Érika de Souza tem uma carreira consolidada no basquete dos Estados Unidos. Aos 33 anos e com duas aparições no All-Star Game, ela se prepara para mais uma temporada do melhor basquete feminino do mundo — que começa no próximo dia 5 de junho.

Érika chegou à WNBA pela primeira vez para uma temporada com o Los Angeles Sparks em 2002 — seu único título na liga. Depois de uma longa ausência, voltou de forma sólida em 2007, pelo Connecticut Sun, e está desde 2008 no Atlanta Dream. Na Geórgia, chegou ao topo com as duas seleções para o jogo das estrelas. Mas, apesar de três finais, ainda não conquistou o título — o principal objetivo do novo ano.

A pivô conversou com exclusividade com o Prime Time e falou sobre as experiências na WNBA, força do Atlanta Dream e o momento do basquete feminino brasileiro.

Confira:

Prime Time — Você é uma jogadora experiente e está há muito tempo na WNBA. Considera que é a melhor fase de sua carreira?
Érika de Souza — Estou passando por uma das melhores fases da minha carreira sim. Neste ano entro em minha décima temporada da WNBA, o que não é algo fácil de conquistar quando se é uma estrangeira. Além disso, estou prestes a atingir marcas muito importantes, como 3 mil pontos e 300 jogos, que nenhuma outra latina alcançou por lá. Hoje tenho a confiança plena do meu técnico e das minhas companheiras de equipe, sem contar o respeito de minhas adversárias e o carinho da torcida. Tudo isso, somado ao fato de que não sou norte-americana ou de outro país de língua inglesa, tem um peso muito grande, que torna tudo ainda mais importante.

Prime Time — Como você avalia que o Atlanta Dream entra na próxima temporada?
Érika — Nesses primeiros dias de treino aqui nos Estados Unidos nossa equipe traçou um único objetivo: sermos as campeãs dessa temporada. Conseguimos chegar a três finais, mas ainda não conseguimos conquistar um anel, que é o que mais desejamos. Estamos com um time que se conhece há muito tempo. Eu, Angel McCoughtry, Sancho Lyttle e Tiffany Hayes jogamos juntas por muitas temporadas, no ano passado ganhamos a Shoni Schimmel, e ainda temos Matee Ajavon, Roneeka Hodges e DeLisha Milton-Jones, que são veteranas que contribuem muito com o nosso jogo. Tenho certeza que conseguiremos chegar a mais uma final.

Prime Time — Você acha que o fato de jogar fora da WNBA durante a intertemporada atrapalha o seu foco no basquete americano ou te ajuda de alguma forma?
Érika — A temporada na WNBA e a offseason são dois momentos completamente diferentes. O estilo de jogo da liga norte-americana para os torneios FIBA são diferentes, a começar pelas próprias regras. Apesar de normalmente eu enfrentar as mesmas jogadoras que encontro nos Estados Unidos, algumas adaptações são necessárias. Não posso dizer que atrapalha porque, na verdade, me dá mais conhecimento e posso levar o que aprendi de uma liga para outra. Posso adaptar algo que faço na WNBA para a LBF, por exemplo, ou para a Turquia, agora que vou para lá. Ou vice-versa.

Prime Time — Como você avalia o momento do basquete feminino brasileiro?
Érika — A LBF está evoluindo a cada temporada. Quando eu cheguei aqui era de um jeito e agora está de outro bem diferente. Vemos uma evolução muito grande no jogo, com mais equilíbrio, o que pode ser exemplificado pela classificação de uma equipe estreante, como Presidente Venceslau, para os playoffs. Muitas séries foram emocionantes, como as quartas de final de São José x Santo André e Sport x Maranhão, mas o que realmente espelha isso foi a final, que tive o prazer de disputar com o América, contra Americana. Pela primeira vez a LBF precisou de todos os jogos de uma série de decisão para definir o campeão e os placares foram muito próximos. Perdemos por apenas dois pontos o terceiro jogo.
Vemos também o quanto temos torcedores de todos os cantos do Brasil nos apoiando, seja indo ao ginásio assistir aos jogos ou mandando mensagens. E, claro, o Jogo das Estrelas com o NBB, que foi um grande show, mostra que a LBF cada vez mais próxima do melhor do basquete no país.

Prime Time — Para você, quais são as principais diferenças de estilo entre o basquete da WNBA e o jogador fora dos Estados Unidos?
Érika — Acredito que as principais diferenças estejam na intensidade. Dos treinamentos aos jogos, na WNBA a intensidade é sempre dobrada. Meu técnico no Atlanta Dream, o Michael Cooper, nos passa alguns exercícios que às vezes achamos que não vamos conseguir fazer. Tem vezes que eu penso que ele esquece que somos mulheres (risos). E o extraquadra também faz toda a diferença. Na WNBA e em alguns lugares da Europa vemos uma cultura de basquete muito maior do que, por exemplo, no Brasil. O reconhecimento e a valorização são muito maiores.

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