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Especial: qual o futuro do kickoff no futebol americano

22 de julho de 2016 0
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Foto: NFL/Divulgação

Foto: NFL/Divulgação

De jogada emocionante que dá início ao futebol americano, o kickoff passou a ser o grande temor dos responsáveis pela segurança no jogo. Aos poucos, o retorno do longo chute que ocorre no começo de cada tempo e logo após touchdowns e field goals passa a ser revisado — e o fim pode estar próximo.

Na NCAA, entidade que controla as regras do futebol americano universitário e serve como parâmetro para o esporte praticado mundialmente, há uma discussão que pretende alterar o formato do kickoff ou até mesmo eliminá-lo, transformando o lance em uma posse de bola automática para o ataque a partir da linha de 20 jardas, como se fosse um touchback. Os órgãos responsáveis pelo estudo são a AFCA (Associação dos técnicos de futebol americano dos Estados Unidos) e o Comitê de Fiscalização da primeira divisão do futebol americano da NCAA. Nos Estados Unidos, as entidades que controlam o futebol americano de base já eliminaram o kickoff nas categorias até 10 anos.

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— Estou empolgado que estamos começando a ter esta discussão. Parece que os dados apontam que há mais lesões nesta jogada. Se for este o caso, temos que avaliar eliminar a jogada, modificar a jogada, mudar o esquema de bloqueios — apontou Todd Berry, diretor executivo da AFCA.

Uma pesquisa do site Advanced Football Analytics aponta que o kickoff se tornou a jogada com o maior número de lesões na NFL, seguido por corridas, passes, punts e tentativas de field goal.

— Penso que tudo que envolva a segurança do jogador deve ser respeitado. Eu sou um tradicionalista, então eu odiaria ver isso mudar, seja tirar o kickoff ou qualquer mudança de regra que impactaria significativamente no jogo. Mas quando se trata da segurança do jogador, isso supera tudo — disse Nick Saban, técnico da Universidade de Alabama.

— De fato, são nos kickoffs a maior incidência de concussões, grande vilã do futebol americano. Isso ocorre porque temos, nesta jogada, todos os 22 jogadores na mesma direção. Posso citar um exemplo de uma jogada parecida: a lesão de Ricardo Lockette, wide receiver do Seahawks em um retorno de punt na semana 8 da temporada passada, contra os Cowboys. Ele recebeu um bloqueio direto no capacete e sofreu o chamado efeito “chicote”, lesionando seriamente a coluna cervical, tanto que se aposentou aos 29 anos — explica Pablo Oliveira, médico especialista em Medicina de Família e Comunidade e professor de medicina da UFSJ.

Em 2013, a NFL fez um acordo de US$ 800 milhões com ex-jogadores que sofreram concussões na carreira.

Não há, no Brasil, uma pesquisa que indique a quantidade de lesões em cada tipo de jogada. Em entrevista ao Prime Time, Gabriel Mendes, técnico da seleção brasileira de futebol americano, indicou que não é inicialmente favorável ao fim do kickoff até que dados mais consistentes indiquem que o lance, de fato, tem um risco elevado.

— Nos jogos que acompanho aqui no Brasil, não vejo o kickoff como um momento do jogo em que os jogadores se machuquem mais ou menos. Algumas regras são justamente para proteger os atletas. Eu, particularmente, acho o kickoff uma parte do jogo interessantíssima, cheia de alternativas, tanto para quem chuta quanto para quem retorna — avalia.

A NFL também já fez mudanças recentes para evitar as lesões no kickoff. Em 2011, avançou o chute da linha de 30 para as 35 jardas, a fim de aumentar o número de touchbacks. A partir de 2016, testará outra medida: em touchbacks depois de kickoff, a bola será colocada na linha de 25 jardas, e não mais na linha de 20, com o propósito de incentivar os jogadores a não retornar.

O principal motivo para não encerrar o kickoff de uma vez por todas é que, em momentos decisivos, um time pode optar por tentar um onside kick e recuperar a posse de bola em vez de simplesmente devolvê-la ao adversário. E vários jogos já tiveram viradas históricas por causa disso. Para Nick Saban, buscar alterações na regra sem eliminar o kickoff é o ponto ideal:

— Há estratégia envolvida nos kickoffs e nos retornos de kickoff que são muito significativas para o jogo. Mas, de novo, a segurança do jogador supera tudo. Deve haver outras formas de resolver este problema, então você ainda poderá ter um onside kick, ou fazer algo que não mude tanto a estratégia do jogo.

De acordo com Evandro Fernandes, diretor de arbitragem do futebol americano no Brasil, extraoficialmente já se discutem alternativas, como o chute de um punt para reiniciar o jogo, a chance de optar ou não pelo chute do kickoff (no segundo caso, o time sairia automaticamente da linha de 25 jardas), o que incluiria uma tentativa de field goal sem holder da linha de 50 jardas.

— É a jogada que oferece maior perigo, com os dois times dando o máximo de sua potência física em direções opostas e tendo contatos acima do normal do que em jogadas de scrimmage. Por isso, a NFL e a NCAA constantemente vêm discutindo essa jogada e buscando alterações para proteger mais seus jogadores. Há alguns anos, a NFL alterou o ponto inicial dos kickoffs. Com isso os retornos tiveram menos efetividade, e o número de touchbacks aumentou consideravelmente — comentou Evandro.

A garantia da saúde dos jogadores é vista como o próximo grande obstáculo do futebol americano. Para manter o nível do jogo e a sua popularidade, é preciso que os jovens sigam a praticá-lo — e, para isso, precisam da autorização dos pais. Além das concussões, lesões cervicais estão sob análise.

— Houve agora uma medida que acho fundamental, principalmente para diminuir as lesões de joelho: a proibição do chop block. Ou seja, poderá haver apenas um jogador bloqueando abaixo da cintura. Cito, ademais, o banimento do tackle pelo colarinho. Este tipo de jogada aumentava e muito as chances de lesões na coluna cervical e na musculatura da região — completa Pablo Oliveira.

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