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Quais os desacertos e consequências do impasse entre Chargers e Joey Bosa

25 de agosto de 2016 0
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Bosa chegou a participar do programa de intertemporada do Chargers, mas não compareceu ao training camp. Foto: Chargers/Divulgação

Bosa chegou a participar do programa de intertemporada do Chargers, mas não compareceu ao training camp. Foto: Chargers/Divulgação

Assim que o San Diego Chargers divulgou uma nota oficial para dar a sua versão sobre o impasse na negociação com Joey Bosa, novato draftado com a terceira posição geral do último draft, corri para ler o último Acordo Coletivo de Trabalho (CBA, na sigla em inglês) da NFL e tirar algumas dúvidas sobre como o processo se dá a partir de agora. E, sem dúvida, o processo é tão desgastante que se torna improvável pensar que não haverá um acordo nas próximas semanas. Ninguém ganhará caso contrário.

Desde 2011, quando o novo CBA foi acordado entre a liga e a Associação de Jogadores (NFLPA), é muito raro ver dificuldades nas negociações entre franquias e os seus novatos. A ideia do novo acordo foi exatamente reduzir ou quase impedir as longas negociações com os jovens — o que, além do desgaste psicológico e de imagem, geralmente fazia com que o novato perdesse um valioso tempo de desenvolvimento ao não comparecer aos primeiros treinos que teria como profissional.

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Assim, a NFL e a NFLPA acertaram em definir uma escala salarial para novatos de acordo com a posição em que o jogador foi selecionado. Quanto antes, maior o salário. Todos os jogadores draftados têm contratos válidos por quatro anos — o time tem uma opção de quinto ano para jogadores escolhidos na primeira rodada. Atletas não draftados viram agentes livres e podem assinar contratos de três temporadas com qualquer time.

Qual é o impasse na negociação entre Joey Bosa e o Chargers?

O San Diego Chargers, protegido pelo novo CBA, tem toda a vantagem na negociação. Como o salário e o tempo de contrato já são estabelecidos previamente, as negociações se restringem basicamente a como e quando o dinheiro será pago. Os contratos na NFL têm várias modalidades e formas de pagamento para que os times consigam flexibilizar suas folhas salariais. Os times dividem os valores pagos em bônus de assinatura (luvas) e base salarial — veteranos também podem receber outras formas de bônus por produtividade.

A questão no caso de Bosa é que o Chargers exige dividir o valor das luvas, que costuma ser pago no ato da assinatura, entre 2016 e 2017. Além disso, o time quer inserir a “offset language”. Este é um mecanismo para caso o jogador seja cortado e assine contrato com um outro time no futuro — neste caso, o Chargers estaria desobrigado de pagar ou receberia de volta pelo menos parte das garantias do contrato.

O jogador e seus agentes não concordam. Ainda que, segundo nota, os representantes afirmem que não irão expor a negociação publicamente como o Chargers fez, há reportagens na imprensa americana que apontam que Joey Bosa aceitará só uma ou outra condição, mas não ambas. A franquia de San Diego, apoiada nos acordos de Carson Wentz e Ezekiel Elliott, selecionados respectivamente antes e depois de Bosa, dizem que o mercado dita este tipo de regra. E tende a levar a melhor no fim das contas.

O que acontece a partir de agora?

Um time pode trocar os direitos de draft de um jogador até faltar 30 dias para a sua estreia na temporada regular. Como este prazo já passou, o Chargers só pode trocar Bosa a partir de agora se assinar o seu contrato. O prazo máximo para Bosa assinar o vínculo e ainda assim poder jogar em 2016 é a terça-feira posterior à semana 10 da temporada.

Depois deste prazo, o jogador até pode assinar um contrato futuro com o time que o draftou. Mas estará liberado para jogar apenas na temporada seguinte.

Se o San Diego Chargers e Joey Bosa não assinarem contrato até a véspera do draft do ano que vem, o jogador volta a ser elegível e pode ser escolhido por qualquer time, menos o Chargers, no novo processo de seleção. E o time não tem nenhuma compensação por isso.

O que deve acontecer?

Desde a assinatura do novo CBA em 2011, nunca um novato havia demorado tanto para assinar o primeiro contrato. E a tendência é que o caso não se arraste por muito mais tempo. As exigências de Bosa são ter o dinheiro do contrato garantido e receber as luvas imediatamente — e não parte agora e parte em março.

Se optar por não assinar com o Chargers e voltar a ser elegível no draft de 2017, a tendência é que Bosa caia posições em relação à terceira colocação deste ano. Ou seja: perderá dinheiro total de acordo com a escala estabelecida. Além disso, receberá a primeira parte dos seus ganhos somente, e na melhor das hipóteses, após o draft — pelo menos dois meses depois do que teria recebido a segunda parte das luvas de San Diego.

A verdade é que, apesar das complicações e do desgaste, o Chargers tem toda a preferência para fazer valer o seu desejo.

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