Do medo de todos nasce à baixeza de muitos.
Vittorio Alfieri, poeta italiano.
Esperidião Amin já acertou com Nelson Rolim, da Editora Insular, a publicação de sua tese de doutorado, sob a forma de livro.
As especulações que davam conta da provável troca de partido do governador Leonel Pavan, parecem não ter passado mesmo de meros balões de ensaios.
Idêntico desdobramento colocaria César Souza no Senado, na hipótese de Paulo Bauer concorrer e se eleger em Florianópolis.
Na eventualidade de Luiz Henrique retornar à prefeitura de Joinville, Dalírio Beber ganharia de graça seis anos como senador.
Representante do Conselho Federal da OAB no CNJ, o advogado catarinense Jefferson Kravchychyn adverte que “quanto mais pobre o Estado, mais caro o usuário paga”. A diferença de valores de um tribunal para outro se deve à falta de uniformização.
A investigação conduzida pelo conselheiro Kravchychyn choca com a realidade mundial, onde em países democráticos há uma conscientização crescente acerca da importância da ampliação do acesso à justiça, considerado um direito fundamental.
Ele sugere uma migração de todos os Estados para o modelo de cobrança da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho.
Discrepâncias absurdas na cobrança de custas judiciais pelos tribunais brasileiros estão na mira do Conselho Nacional de Justiça. A meta é uniformizar a tabela de valores, a partir de projeto de lei em exame hoje no CNJ.
O Conselho produziu uma tabela comparativa de valores estimados, em situações hipotéticas, e verificou que a cobrança oscila de acordo com o Estado. Uma demanda de R$ 50 mil, em Alagoas, pesa R$ 876 no bolso do contribuinte, enquanto que no Piauí, R$ 2.374.
O professor Neri dos Santos, historicamente ligado ao PMDB, acompanhou a defesa de tese de Esperidião Amin, sobre “modelo de gestão pública”. Diretor do curso na UFSC, do qual o ex-governador se matriculou, ao final Neri fez questão de dar seu depoimento.
Neri dos Santos foi generoso, registrando que, apesar de diferenças políticas, reconhecia não conhecer situação semelhante: pessoa com passagem expressiva na vida pública, professor da própria universidade, frequentar aulas como aluno, sem faltas, sem atrasos e com bom aproveitamento, contribuindo com uma tese inovadora.
A duplicação da BR-470, no Vale do Itajaí, que registra em torno de 100 mortes por ano, já poderia estar pronta, se tivesse sido iniciada há pelo menos cinco anos, quando a empresa Ecovale ganhou a concessão do governo do Estado, para implantar pedágio, nos mesmos moldes da BR-101.
Hoje, é verdade que não há pedágio, mas em compensação a comunidade sofre com a morosidade de um projeto que somente agora começa a sair do papel.
O que esperar dos acertos entre tucanos, peemedebistas e liberais nos municípios? São nas bases que a política corre nas veias. Ali, o sangue não se mistura. Difícil à tarefa de sucesso de implantes com sangues incompatíveis.
Resultado: falência de órgãos, mortes e moribundos à vista. Onde irão parar tais almas? No céu ou no purgatório?
Peefelista antigo, que não permite ser chamado de demista, confidenciou seu descontentamento com o quadro político atual e mesmo com Raimundo Colombo.
Segundo ele, quem combateu o cabide de empregos, hoje passa o tempo, ajeitando o guarda roupas, sem tirar o pó entranhado em alguns paletós que, já pendurados, se voltarão contra o próprio governador já nas próximas eleições.
Alguns peemedebistas e tucanos, que há quatro anos gargarejavam nos corredores do poder que o “ex-prefeito de Lages” não chegaria a lugar nenhum, referindo-se à candidatura de Raimundo Colombo ao Senado, hoje são agraciados no primeiro escalão do governo.
Colombo demonstra que não guarda mágoas, porém não conseguiu distribuir os cargos sem deixar na mão alguns parceiros que sempre estiveram ao seu lado.
Depois de oito anos no poder com Luiz Henrique, o PMDB frustrou-se com a desistência de Eduardo Moreira, que abriu mão da candidatura em favor do liberal Raimundo Colombo.
Quando os peemedebistas já estavam absorvendo o “golpe” de virar coadjuvante, veio à composição do governo, com o partido não merecendo de Colombo a atenção devida, até em observância à geografia das urnas, como havia ficado acertado no momento da reedição da tríplice aliança, em junho.
Para agravar o quadro, Raimundo Colombo busca uma reaproximação do DEM com o PP, provocando ceticismo no PMDB em relação à durabilidade da coligação vitoriosa em outubro. Hoje, peemedebistas falam abertamente em candidatura própria ao governo, em 2014.
Considerando cenário nacional amplamente desfavorável, com o PMDB dominado por Michel Temer e José Sarney, em fina sintonia com o governo Dilma Rousseff, Luiz Henrique da Silveira vai observar as condições para o exercício do mandato de senador, em 2011, para decidir o que fazer no ano seguinte.
LHS chegou a declarar que a eleição de 2010 tinha sido a sua última, mas a cada dia que passa percebe que o papel a ser desempenhado no Senado poderá estar comprometido pelo cerco peemedebista que se avizinha, até porque a possibilidade de capitular, aderindo ao esquema de poder do PT, é improvável.
Dependendo da evolução do quadro, Luiz Henrique poderia examinar a hipótese de encerrar sua longa e exitosa carreira política em Joinville, sua base eleitoral original, e não mais em Brasília, como tinha programado inicialmente.
Para atentos observadores, os out-doors espalhados pela cidade, neste fim de ano, poderia sinalizar claramente a possibilidade de reavaliação do quadro. Derrotar Carlito Merss, candidato natural à reeleição, seria a forma de LHS se vingar de Lula da Silva e do próprio PT.
Pelo seu perfil agregador em Joinville, Luiz Henrique seguramente asseguraria a reedição da tríplice aliança, que garantiu a recondução de Marco Tebaldi, em 2004.
No embalo de um eventual fato novo em Joinville com LHS, o senador eleito Paulo Bauer também poderia se sentir estimulado para colocar o seu nome à disposição do PSDB em Florianópolis, conforme já confidenciou com próximos interlocutores tucanos.
Com esse movimento, Bauer neutralizaria de pronto qualquer intenção do correligionário Leonel Pavan de trocar o domicílio eleitoral de Balneário Camboriú para a Capital.