Com o PMDB alinhado ao PT, Colombo teria que substituir os peemedebistas alojados no governo pelos pepistas, aproveitando para abrir mais espaços aos tucanos, já de olho na reeleição de 2014.
O desafio de Raimundo Colombo será compatibilizar a equação administrativa. Até outubro do ano que vem, há como aparar as arestas, mas com a nova radiografia das urnas, um novo governo terá que ser montado na segunda metade do mandato.
Em compensação, os petistas vão procurar o PMDB para contrabalançar o jogo político, estimulados pela direção nacional e pelo próprio Planalto.
Não resta a menor dúvida de que liberais e tucanos serão os principais aliados dos pepistas nas eleições do próximo ano, reduzindo significativamente as coligações com o PT.
A tríplice até poderá ser reeditada em 2014, mas com o PP ocupando o espaço do PMDB, preservada a presença do DEM e do PSDB.
Raimundo Colombo nasceu politicamente pelas mãos de Jorge Bornhausen, ao final da década de 70, mas teve sua primeira grande oportunidade no primeiro governo de Esperidião Amin, quando ainda jovem foi nomeado secretário do Desenvolvimento Social, integrando por dois anos o Colegiado estadual.
Em 1985, com o advento do Colégio Eleitoral e o surgimento do PFL, que se desmembrou do PDS, Colombo seguiu as pegadas de JKB, desembarcando da administração Amin. Ao cabo de três anos, elegeu-se prefeito de Lages, para o primeiro dos três mandatos que viria a cumprir.
Com a eleição de Vilson Kleinubing, na sucessão de Pedro Ivo Campos, Raimundo Colombo presidiu a Celesc, em estratégia que objetivava transformá-lo em candidato a governador em 1994. Como Esperidião Amin e Jorge Bornhausen reataram relações, Kleinubing não teve como viabilizar o projeto de poder com o correligionário Colombo.
Mas a chapa idealizada não poderia ser mais perfeita: Amin e Colombo para o governo, com Kleinubing para a vaga única ao Senado. Os liberais só não poderiam imaginar que Esperidião Amin desistiria da composição, lançando-se à Presidência da República e colocando a então deputada federal Ângela Amin de candidata, fulminando com a composição.
Resultado: de candidato à vice, Raimundo Colombo acabou concorrendo à Câmara Federal, ficando na segunda suplência. Em 1996, disputou novamente à prefeitura e perdeu para o cunhado Décio Ribeiro (PDT). Depois de buscar abrigo no governo Paulo Afonso Vieira, como presidente da Casan, acumulou o segundo insucesso eleitoral à Câmara, em 1998, desta vez ficando de primeiro suplente.
Persistente, Colombo não desistiu, apesar de três derrotas consecutivas. O quadro começou a se reverter em 2000, quando voltou a exercer o mandato de prefeito de Lages, reeleito no pleito seguinte. Neste instante, renasceu o sonho de ser governador, que só foi possível graças à participação do PMDB, que com sua capacidade de mobilização, primeiro o elegeu senador em 2006, tendo também papel destacado no embate do ano passado.
Por mais que a convivência entre Raimundo Colombo e Eduardo Moreira esteja preservada, bem como do governador com Luiz Henrique da Silveira, apesar de alguns ruídos no início do governo, mas já superados, tanto o liberal quanto os peemedebistas enxergam que toda a conjuntura política conspira para afastá-los gradativamente.
Colombo é grato a LHS, que foi decisivo para transformá-lo em candidato da tríplice aliança em 2010. E também a Pinho Moreira, que abriu mão de sua pré-candidatura para compor a chapa. O problema é que antes da próxima eleição estadual, tem uma municipal no próximo ano.
Em Blumenau e Chapecó, cidades administradas pelos liberais João Paulo Kleinubing e José Cláudio Caramori, o DEM acaba de realizar movimentos para isolar o PT, trazendo os rivais PMDB e PP para um mesmo projeto, que visa emplacar a terceira gestão consecutiva de correligionários de Colombo: Jean Kuhlmann e o próprio Caramori em reeleição.
Só que é impossível ignorar que a correlação de forças em outros municípios, como Joinville e Florianópolis, por exemplo, é bem distinta, sinalizando para uma reaglutinação PMDB-PT, circunstância que poderá influenciar decisivamente em outras cidades, comprometendo, quem sabe, os encaminhamentos no Vale do Itajaí (Blumenau) e no Oeste (Chapecó).
Não bastasse a flagrante aproximação de pepistas e liberais também em municípios de médio e pequeno porte, não há como subestimar os desdobramentos da parceria do PT e do PMDB no poder central. A máquina federal, movida por orçamento portentoso, é capaz de persuadir as bancadas federais, com reflexos imediatos nos Estados.
Luiz Henrique e Casildo Maldaner, por exemplo, que se engajaram até a cabeça na campanha do tucano José Serra, não tiveram como votar contra o governo Dilma na semana que passou, respaldando no Senado o salário mínimo proposto pelo Palácio do Planalto.
A tendência é de que o alinhamento entre petistas e peemedebistas provoquem repercussão no contexto regional.
O eixo político em Santa Catarina começa a ganhar novos contornos. Apesar de só ter sido exitoso nos desafios majoritários graças ao concurso do PMDB, maior partido do Estado, com capilaridade invejável, Raimundo Colombo já começa a perceber que a história tem tudo para escrever novos capítulos, resgatando alianças e parcerias que caducaram com o passar do tempo.
A reaproximação do DEM (sucedâneo do PFL) com o PP (precedido originalmente pelo PDS) tem tudo para evidenciar que em política é proibido proclamar o antigo dito popular: desta água jamais beberei. Apesar de todos os contratempos de um passado relativamente recente, os partidos de Jorge Konder Bornhausen e Esperidião Amin caminham a passos largos para uma recomposição.
Com JKB e Amin saindo progressivamente de cena, novos protagonistas das siglas demonstram claramente que a convergência eleitoral já será uma realidade em 2012, resultado dos lances que marcaram o pleito do ano passado no Brasil e em Santa Catarina.
Assim como o PP sentiu-se abandonado pelo PT, decepção que representou a ruptura de um namoro iniciado no Estado em 2006, o PMDB vivenciou uma situação sui generis: em Santa Catarina teve o DEM e o PSDB como aliados, mas no plano federal coligou com o PT, inclusive apontando o companheiro de chapa de Dilma Rousseff.
O mais surpreendente é que os peemedebistas levaram a melhor tanto lá quanto aqui, elegendo Michel Temer vice-presidente da República e Eduardo Moreira vice-governador. De quebra, um senador, cinco deputados federais, dez estaduais e ainda assumindo uma segunda cadeira no Senado, com a eleição de Raimundo Colombo para o governo.