“As algemas de ouro são piores que as algemas de ferro”.
Mahatma Gandhi, ativista político indiano.
Quando LHS estiver em Florianópolis, usa o escritório montado por Paulo Bauer, assim como o tucano recorre à estrutura do peemedebista em Joinville.
Funcionário categorizado do Banco do Brasil, mas já aposentado, Marcos Moser já acertou com a equipe de Luiz Henrique para otimizar os espaços políticos dos dois senadores eleitos em 2010.
Em Balneário Camboriú, onde o prefeito Edison Piriquito (PMDB) é candidato forte na reeleição, Leonel Pavan será empurrado pelas bases para uma disputa plebiscitária, que bem sucedida, representaria um reforço considerável para o PSDB.
Em Criciúma e Tubarão, prefeituras administradas pelos tucanos Clésio Salvaro e Manoel Bertoncini, a aposta passaria naturalmente por suas reeleições.
O desafio do PSDB e de Paulo Bauer é viabilizar candidaturas em cidade de expressão eleitoral como em Chapecó, Lages, São José, Itajaí, Jaraguá do Sul e Brusque.
Embora preserve bom relacionamento com o mineiro Aécio Neves, Paulo Bauer circula com maior desenvoltura entre os tucanos paulistas, com destaque para Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e José Serra, que esteve na semana retrasada em Santa Catarina, desfilando pelo mercado público da Capital, repleto de tainhas.
Em Joinville, por exemplo, onde as relações entre o PSDB e o DEM sempre foram muito boas, até porque Marco Tebaldi e Darci Matos não se largavam, a expectativa é de problemas futuros, a partir do surgimento do PSD. O deputado Darci, apoiado pelo prefeito Tebaldi, em 2008, e que disputou o segundo turno contra Carlito Merss (PT), corre o sério risco de ser atropelado pela direção estadual.
Independentemente da chegada de Kennedy Nunes no PSD, o governador será pressionado por Luiz Henrique para fechar com o empresário Udo Döhler, que paralelamente está atraindo o PP, agora sem candidato, com o desembarque de Kennedy. A articulação de Udo é por intermédio do também empresário Moacir Thomazi, seu amigo de longa data.
A estratégia de LHS é isolar o PSDB de tal forma que acabe arrastando os tucanos para a candidatura de Udo Döhler. Marco Tebaldi, que por não desejar disputar a eleição lançou o empresário Ivandro Souza, poderá ser levado a assumir a condição de candidato para evitar a polarização do pleito no maior município catarinense, considerando a recandidatura de Carlito. E aí compor com o DEM e outros pequenos partidos.
Apesar da ligação com Luiz Henrique, Paulo Bauer seria levado a respaldar uma candidatura própria do PSDB, sob pena de suas pretensões em 2014 ficarem sensivelmente comprometidas. O partido tem que eleger prefeitos e vereadores, ampliar sua base estrutural. Se não avançar, fica sem base para um projeto majoritário.
Por isso que Bauer também vai estimular candidaturas nas principais cidades de médio e grande portes. Em Florianópolis e Blumenau, a sigla não pode deixar de ter candidatos. Na Capital teria que encontrar um nome com perfil empresarial ou comunitário, já que a legenda não dispõe de opção viável na esfera política.
Quanto a Blumenau, apostar todas as fichas no vereador Napoleão Bernardes, jovem e de fala fácil, que como candidato a deputado federal, em 2010, totalizou 45 mil votos só no município, suplantando o deputado Décio Lima (PT), prefeito de dois mandatos, que ainda assim se reelegeu.
Apesar da condição de senador, Paulo Bauer não se sentiu prestigiado nem pelo governo nem pelo governador, circunstância que o levou a desistir da nomeação de Marcos Moser para uma diretoria da SC-Par. Apontado por ele para a posição, Moser acabou assumindo a chefia do seu escritório político no Estado.
Segundo Bauer, apenas um indicado seu foi aproveitado no governo: Michel Becker, diretor Técnico da Celesc Geração. Mas ele já tomou o cuidado de chama-lo, comunicando que daqui para frente sua permanência na diretoria da estatal fica vinculada exclusivamente à cota do próprio presidente, Antonio Gavazzoni.
Paulo Bauer tomou essa iniciativa para ficar totalmente livre em relação à gestão de Raimundo Colombo. Não pretende fazer oposição, mas quer estar totalmente desatrelado de compromisso administrativo, o que poderá pavimentar um caminho alternativo para 2014.
O PSDB está instalado no governo estadual, mas sua representatividade deixou muito a desejar, se comparado com os espaços proporcionados por Luiz Henrique, especialmente no segundo mandato. Para começo de conversa, os tucanos foram alojados nas Secretarias da Saúde, Educação e Cultura, Esporte e Turismo, sem falar na presidência do Badesc.
Já Colombo, preservou a Educação, trocou o Badesc pela Casan, remanejando Dalírio Beber, mas trocou a Saúde e a Cultura, Esporte e Turismo pela esvaziada Secretaria da Ação Social e a do Planejamento, que uma pasta meio, sem capilaridade política. O PSDB também ficou insatisfeito com as Secretarias Regionais disponibilizadas.
Como 2012 é ano de eleição municipal, quando conflitos regionais geram dificuldades, não está descartada a possibilidade do PSDB começar a avaliar a hipótese buscar nova inserção político-eleitoral, ainda mais que o PP foi atraído pelo governador. Não faz parte da estrutura de poder, mas parece com mais intimidade com Raimundo Colombo do que os próprios tucanos.
Tendo um nome natural para a disputa sucessória de 2014, o PSDB pode identificar no pleito do próximo ano uma oportunidade para ganhar musculatura.
O primeiro adversário de Raimundo Colombo, no projeto de recondução em 2014, saiu da própria aliança que o elegeu governador em outubro de 2010, e antes de completar o primeiro semestre de administração. Trata-se do senador Paulo Bauer (PSDB), que em conversas reservadas, dentro e fora do partido, já tem acenado para a disposição de concorrer ao governo do Estado.
Vice-governador de Esperidião Amin, entre 1999 e 2002, Bauer era nome natural para repetir a dobradinha, mas à época, o seu partido (PFL) o atropelou, indicando o senador Geraldo Althoff, que abriria espaço para Paulo Bornhausen, como de fato abriu. O problema é que Amin não aceitou Althoff, que tem o Sul como reduto eleitoral, ponderando que o nome teria que vir do Norte do Estado, fazendo assim um contraponto à candidatura peemedebista de Luiz Henrique.
Novamente candidato à Câmara, Paulo Bauer precisou reiniciar sua trajetória política. Como o tempo não conspirava contra ele, considerando a baixa faixa etária, em questão de poucos anos ele deu a volta por cima e hoje é senador, em confortável mandato que se estende até 2018. Isso quer dizer que no próximo pleito majoritário pode entrar como franco atirador, tendo mais quatro anos de Senado pela frente, característica semelhante a Colombo no ano passado.
Bauer não teve nenhum contratempo com Raimundo Colombo, que dispensa a ele tratamento diferenciado e até afável, mas no contexto político, o atendimento deixou a desejar. Como o presidente do PSDB, Leonel Pavan, assumiu postura de neutralidade na campanha, enquanto respondeu pelo governo, os tucanos acabaram ficando sem interlocução formal, o que levou o presidente da Casan, Dalírio Beber, a fazer a ponte partidária, privilegiando alguns poucos parlamentares.