Defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de os corrigir.
Machado de Assis, escritor brasileiro.
Ideli Salvatti que chegou ao ministério da Pesca, em janeiro, pelas mãos da própria Dilma, terá esse segundo semestre para mostrar a que veio na articulação política do governo. Confirmada na posição em 2012, ganha folego para novos saltos a partir de 2014.
Considerando as eleições municipais, Dilma Rousseff tem tudo para aproveitar a minirreforma ministerial da virada do ano para montar a sua própria equipe, sem maiores ingerências externas, nem mesmo daquele que a pinçou como candidata à sucessão, que em situação natural não se elegeria deputada federal pelo Rio Grande do Sul.
A escolha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para a Casa Civil e o remanejamento da ex-senadora Ideli Salvatti para o Ministério das Relações Institucionais já não passaram mais por Lula. No preenchimento dos cargos, Dilma exerceu em plenitude a presidência.
Dos 37 ministros nomeados por Dilma Rousseff, pelo menos uma dúzia teve a digital de Lula da Silva. Antonio Palocci e Alfredo Nascimento entraram na cota do ex-presidente. Quanto às substitutas, a presidente já fez prevalecer a sua vontade.
O governo Dilma Rousseff deu a arrancada em janeiro com o pé direito, a ponto do antecessor Lula da Silva cair em um ligeiro esquecimento, apesar de sua indiscutível popularidade. Discreta, a presidente começou a impressionar pela sobriedade de suas declarações, conhecimento de causa dos problemas e desafios brasileiros, além de postura firme em relação à convivência com a base aliada no Congresso, repelindo as pressões por nomeações de apadrinhados pouco recomendáveis sob o aspecto ético.
Demonstrando espírito público e civilidade no trato com os adversários, Dilma levou a bom termo o discurso de posse, quando se comprometeu em dispensar tratamento condizente a própria oposição. Antes dos festejos dos 80 anos do tucano Fernando Henrique Cardoso, o convidou para a recepção ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Na sequência, a petista produziu uma carta endereçada a FHC, que mereceu elogios variados, com exceção de Lula e alguns segmentos mais sectários do PT.
Tudo caminhava maravilhosamente bem com o novo governo, até que explodiu a denúncia contra o homem forte de Dilma Rousseff. Depois de três semanas sangrando publicamente, o ministro Antonio Palocci foi obrigado a desembarcar da Casa Civil, antes que ampliasse o desgaste da própria presidente, que teve abalo em sua imagem, segundo pesquisas internas de opinião.
Ao cabo de um mês, novo escândalo envolvendo um integrante do ministério: Alfredo Nascimento (Transportes). Desta vez, tendo aprendido a lição do episódio anterior, Dilma demitiu três colaboradores ainda no fim de semana, e o ministro entregou o cargo no terceiro dia. Em 20 dias, a presidente tratou de fazer uma limpa na área, demitindo quase 20 colaboradores.
Tomando a rédea da situação, Dilma Rousseff recusou-se a ficar a reboque dos acontecimentos, mostrando pulso forte. De qualquer maneira, acumulou mais prejuízo pessoal, queimando precioso capital político, ainda no primeiro semestre da administração, por ter aceitado nomes impostos pelo padrinho, que a elegeu presidente graças a seu prestígio eleitoral.
O prefeito Carlito Merss, que administra o maior município do Estado, consequentemente principal cidade sob o controle do PT, já deve estar raciocinando que a ministra Ideli Salvatti representa sua válvula de escape preferencial para buscar um segundo mandato consecutivo em Joinville.
A estratégia do petista é lançar mão do poder de influência de Ideli sobre a presidente Dilma Rousseff e os ministros para arrancar recursos para benfeitorias em Joinville. Apenas um ritmo alucinante de obras para reverter à delicada situação vivida pela gestão de Carlito, que na primeira metade do mandato deixou muito a desejar.
Como os petistas não podem mais recorrer ao discurso da moralidade, tema que sustentava as formulações do partido, que sempre foi implacável com os oponentes, o jeito é apelar para os investimentos, fazendo ver que a presença de correligionários na presidência e na prefeitura de Joinville só renderia frutos para a cidade.
Resta saber se o governo Dilma terá interesse de cerrar de cima para baixo com Carlito Merss, na medida em que outros candidatos estarão abrigados em legendas que integram a base aliada do Congresso, como o PMDB de Udo Döhler e até o recém-criado PSD, que já deixou claro que não vai fazer oposição à presidente.
Com a transferência de Kennedy Nunes do PP (também fechado com Dilma Rousseff) para o PSD, a primeira legenda ficou sem nome natural, enquanto a segunda com duas opções: Darci de Matos e o próprio Kennedy.
De oposição ao governo Dilma, apenas o enfraquecido DEM e o PSDB de Marco Tebaldi e Ivandro de Souza.
Os contratempos do governo Dilma Rousseff acabaram se transformando no calcanhar de aquiles do PT para enfrentar as urnas municipais. Em conversas reservadas, os petistas de Santa Catarina não escondem o desconforto pela exploração dos últimos escândalos administrativos na campanha eleitoral de 2012.
O governo Lula da Silva também foi acometido por variados lances de vulnerabilidade ética, com destaque para os episódios do mensalão e dos aloprados, mas nem por isso o partido acabou massacrado nos pleitos, graças à desenvoltura política do presidente, cujo carisma neutralizou o estrago provocado pelos desatinos comportamentais de alguns petistas.
Dilma até pode ser uma boa gestora, o que viria a assegurar obras e investimentos até outubro do próximo ano, mas o problema é que não desfruta sequer de empatia perante a opinião pública. Carecendo do encantamento e da persuasão de Lula, ela não necessariamente se constituirá em alentadora eleitora de candidatos do PT às prefeituras, ainda mais que Santa Catarina, um dos Estados mais politizados do País, não costuma votar pelas realizações da União.
Em contrapartida, obras federais empacadas, como as BRs 101 (Sul), 470 (Alto Vale), 280 (Norte) e 282 (Oeste), servem para subtrair votos do governo de plantão, já que são promessas que se arrastam de várias administrações que sucederam no poder central. O catarinense anda incomodado com tanta protelação e desrespeito às suas reivindicações mais prementes.
Em avaliações preliminares, o PT de SC já constata que a federalização das eleições pode não ser a melhor forma para tentar suplantar obstáculos eleitorais, especialmente nos maiores conglomerados urbanos do Estado.
Essa projeção só mereceria uma abordagem diferenciada, diante de algum fato novo muito relevante, capaz de tornar vantajosa a presença da máquina federal em território catarinense.
Não tenho muita consideração por um homem que não é mais sábio hoje do que era ontem.
Abraham Lincoln, 16º presidente americano.
O governo autorizou a liberação de R$ 7 milhões para obras de infraestrutura do sistema viário de Imbituba. O crédito foi garantido por meio do programa Badesc Cidades, em convênio assinado por Raimundo Colombo e Beto Martins.
O deputado Maurício Eskudlark aproveitou o recesso para reforçar contatos, fazendo visitas e atendendo a população em seu gabinete regional de São Miguel do Oeste. Para ele, a atuação in loco é a forma mais fácil de trazer a Assembleia para perto da comunidade.
Pela mobilização produzida nas reuniões macrorregionais fica evidenciado que o PP continua aglutinado em Santa Catarina. A avaliação é do presidente Joares Ponticelli, que lidera roteiro do partido pelo Oeste.
Leitor observou que no programa eleitoral gratuito do PDT, veiculado em rede nacional na noite de quinta-feira, foi exibido um mapa do país, destacando todos os parlamentares eleitos nos Estados. Santa Catarina ficou de fora, já que o deputado Sargento Soares não apareceu.