A diferença entre o político e o ladrão é que o primeiro eu escolho, e o segundo me escolhe.
Alcione Araújo, escritor mineiro, radicado no Rio de Janeiro.
A diferença entre o político e o ladrão é que o primeiro eu escolho, e o segundo me escolhe.
Alcione Araújo, escritor mineiro, radicado no Rio de Janeiro.
A preferência do PMDB seria por atrair o PSDB, sabendo que o PT dificilmente comporia com o PSD na corrida sucessória. Isso significaria que dos cinco principais partidos de SC, sobraria apenas o PP para Raimundo Colombo.
Leonel Pavan elegeu-se senador e vice-governador e, na sequência, respondeu pelo governo do Estado. Mais recentemente, Paulo Bauer chegou ao Senado.
Independentemente de ganhar um senador, o PSDB preserva até hoje boas relações com Luiz Henrique, que sempre prestigiou o partido. Nos dois governos de LHS foi o período em que a sigla mais cresceu, elegendo prefeitos, deputados e vereadores por todo o estado.
Embora não admita nem em conversas reservadas, com interlocutores que privam de sua mais absoluta intimidade política, Luiz Henrique da Silveira poderá vir a ser uma alternativa do PMDB ao governo, em 2014, se o relacionamento administrativo com o PSD entrar em colapso.
Se por um lado, Mauro Mariani queimou seu patrimônio político nos três primeiros meses de 2011, com declarações equivocas, que o tiraram do eixo sucessório, por outro, as principais lideranças peemedebistas não acreditam na fidelidade do prefeito Dário Berger (Florianópolis), que já está no seu quarto ou quinto partido, não criando raízes por onde passa, justamente porque o foco não é partidário, mas os negócios da família.
Luiz Henrique resiste a ideia de buscar um terceiro mandato de governador, assim como tentou (sem sucesso) em duas oportunidades Esperidião Amin (2002 e 2006), mas certamente tudo dependerá da forma como a coalizão se comportará nos dois próximos anos. O divisor de águas não será a vitória ou derrota de Udo Döhler, mas como LHS será tratado por Kennedy Nunes e o PSD catarinense daqui para frente.
LHS não tem queixas do tratamento dispensado pelo governador a ele, no campo pessoal, com reiteradas manifestações de apreço e amizade. O problema é que o governo, como um todo, a atenção não é a mesma. Muito ao contrário. Outra situação que incomoda o senador peemedebista é a indiferença da administração para com a descentralização, implementada em seu primeiro governo. Sem falar que, ultimamente, parlamentares dos mais diversos partidos têm sustentado a tese do enxugamento das secretarias regionais, hoje em número de 36.
Dependendo do andamento da campanha eleitoral deste ano, bem como de seu resultado, o PMDB poderá colocar na rua a tese da candidatura própria, ainda mais se reduzir bruscamente o número de prefeituras sob seu domínio, hoje em 115.
O acirramento de ânimos entre o PSD e o PMDB poderia eventualmente recolocar Luiz Henrique no páreo sucessório estadual, mesmo aos 75 anos.
Não é novidade para ninguém que a eleição de Udo Döhler em Joinville é questão de “honra” para Luiz Henrique. Amigo do empresário há mais de 50 anos, foi o senador quem o sensibilizou de assinar ficha no PMDB e concorrer à prefeitura, interrompendo, aos 70 anos, uma carreira empresarial vitoriosa. Mesmo que LHS tenha acenado com a tríplice aliança (PMDB, PSDB e PSD), Udo está determinado a seguir firme no projeto eleitoral até o fim, mesmo que sem nenhum partido coligado ao seu.
Luiz Henrique também não precisa provar a ninguém a sua condição de maior articulador político de Santa Catarina, tendo sido tudo em 50 anos de vida pública. Foram vários mandatos de deputado federal, três de prefeito, dois de governador, com passagem pela Assembleia, sem falar em um ministério, liderança do PMDB na Câmara, presidência nacional do partido e hoje senador.
O sonho de LHS seria encerrar a trajetória de cinco décadas como presidente do Congresso, mas antes elegendo um companheiro de sigla prefeito da cidade, que acolheu como berço político. É por isso que o peemedebista já decidiu se licenciar do Senado por quatro meses, a partir de julho, quando começa propriamente a campanha, já que o prazo fatal das convenções homologatórias é 30 de junho.
A disposição de Luiz Henrique é mergulhar de cabeça na campanha de Udo Döhler em julho, agosto e setembro, na convicção de que o peemedebista irá ao segundo turno, que será realizado nos últimos dias de outubro. Se o empresário não é conhecido nas regiões periféricas da cidade, LHS o levará a todos os bairros, que conhece com a palma da mão. A intenção é transferir seu prestígio e popularidade ao candidato do PMDB.
Até hoje Luiz Henrique não absorveu plenamente a derrota de 2008, quando o deputado Mauro Mariani não só ficou fora do segundo turno, mas chegou em quarto lugar, atrás de Kennedy Nunes. Como elegeu-se e reelegeu-se governador com 70% dos votos de Joinville, assim como o sucessor Raimundo Colombo, LHS quer influenciar diretamente no embate deste ano, colando em Udo.
A decisão do PSD de lançar candidato próprio à Prefeitura de Joinville foi interpretada pelo grupo político do senador Luiz Henrique da Silveira como uma declaração de guerra, considerando que o deputado Kennedy Nunes, que até pouco tempo pertencia ao PP, jamais poupou LHS de duras críticas. Há o convencimento generalizado no PMDB de que o parlamentar, agora pessedista, acionará a metralhadora giratória na direção do empresário Udo Döhler.
É voz corrente, entre as lideranças do PMDB, PSD e PT, de que uma das vagas no segundo turno pertencerá ao deputado federal Marco Tebaldi (PSDB), ex-prefeito durante sete anos, que lidera todas as pesquisas internas encomendadas pelos mais variados partidos, independentemente das simulações. Como não existe hipótese do pleito ser liquidado em turno único, o prefeito Carlito Merss, Udo e Kennedy disputariam a segunda vaga para enfrentar o tucano na grande final.
Tebaldi naturalmente será alvejado por todos os adversários, na expectativa de desestabilizá-lo, mas as candidaturas do PSD, PT e PMDB também vão se engalfinhar, na tentativa de carimbar o passaporte para o segundo turno. Pelo perfil de cada um dos candidatos, Udo Döhler é o mais avesso ao contraditório, até porque disputará pela primeira vez uma eleição. Já Carlito e Kennedy Nunes são afeitos a um bom combate.
Vale lembrar que o petista e o pepista já se enfrentaram em 2008, quando Carlito Merss inclusive recebeu o apoio de Kennedy no segundo turno, contra o deputado Darci de Matos (à época DEM), hoje seu correligionário no PSD. A parceria entre Carlito e Kennedy Nunes durou poucos meses. Ainda no primeiro semestre da gestão do representante do PT, o então parlamentar do PP rompeu publicamente, disparando pesado contra o prefeito, que não teria honrado compromissos assumidos em campanha, relacionados à tarifa do transporte coletivo e da água.
O silêncio é de ouro quando não se consegue pensar numa boa resposta.
Muhammad Ali, pugilista norte-americano.
O deputado federal Edinho Bez apresentou projeto que isenta os portadores de doenças graves, que ainda estão na ativa, do pagamento de Imposto de Renda.
Na pauta, a Lei da Ficha Limpa, o papel da justiça eleitoral, contas de campanha, propaganda eleitoral, condutas vedadas e registro de candidatura. O evento é organizado pela Comissão de Direito Eleitoral da Ordem, presidida pelo advogado Alessandro Abreu.
Ministro Arnaldo Versinani, do Tribunal Superior Eleitoral, desembarca amanhã, em Florianópolis, para participar da abertura do Congresso de Direito Eleitoral da OAB-SC. O tema do encontro é “Eleições 2012: Principais temas em discussão no TSE”.
Por indicação de Luiz Henrique da Silveira, o secretário Nelson Serpa (Fazenda) participará no próximo dia 30 de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que debaterá a partilha do ICMS dos produtos interestaduais importados.
Aprovada a proposta de LHS, Santa Catarina deixará de perder quase R$ 30 milhões anuais e poderá arrecadar cerca de R$ 40 milhões, já a partir do próximo ano. A PEC do senador catarinense foi acolhida parcialmente no substitutivo de Renan Calheiros.
Político experiente, com seis mandatos consecutivos como deputado (estadual e federal), João Matos reuniu ontem representantes do Fórum Parlamentar Catarinense, em almoço oferecido na sede da Secretaria de Articulação Nacional, em Brasília.
Titular da pasta no governo Colombo, Matos quer uma maior aproximação com os congressistas de Santa Catarina para facilitar a interlocução de materiais do interesse do Estado no Senado e na Câmara.
Coordenador do Fórum, o deputado Décio Lima (PT) enalteceu a iniciativa de João Matos.
Após ressaltar que o Brasil investe muito pouco em infraestrutura, Luiz Henrique voltou a insistir com o ministro Guido Mantega, que o governo acate proposta do PMDB e crie novas regras para o pagamento da dívida dos Estados e Municípios.
O senador catarinense quer a criação de um macro-programa de investimentos, não de custeio, que abata 30% dos débitos estaduais com projetos de educação, saúde, ciência e tecnologia.
Em longa audiência na Comissão de Assuntos Econômicos, o titular da Fazenda considerou “boa” a proposta de LHS, mas disse que o governo a analisará com cuidado, alegando que a alteração meche com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
José Cláudio Caramori (PSD) em Chapecó e Clésio Salvaro (PSDB) em Criciúma são os dois prefeitos dos maiores municípios do Estado que apresentam as melhores perspectivas de reeleição, em outubro. A diferença é que o pessedista navega em mar de almirante, enquanto o tucano anda sujeito a ventos e trovoadas.
O indiciamento de servidores, ex-funcionários e um empresário, resultado das investigações realizadas pela força-tarefa do Ministério Público Estadual em obras da prefeitura, supostamente com irregularidades, acendeu a luz vermelha na administração de Salvaro.
As eventuais ilegalidades apontadas pelo MP nos serviços do esgoto sanitário da principal cidade do Sul do Estado levaram os partidos de oposição a ampliar o cerco sobre o prefeito, com destaque para os vereadores da Câmara, que protestaram ontem, trajando preto em sinal de luto.
Não bastasse a pressão dos adversários sobre denúncias de corrupção, Clésio Salvaro ainda enfrenta a ameaça de não poder concorrer à recondução. Companheiros do próprio PSDB temem que o prefeito seja alcançado pela Lei da Ficha Limpa por não ter recorrido de decisão do TRE, que o condenou por abuso do poder econômico, quando candidato a deputado estadual, em 2006.
Até juristas ligados ao tucanato catarinense lançam previsões sombrias sobre a recandidatura de Salvaro.