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Correndo atrás da experiência prática

24 de dezembro de 2009 2

 

Olá visitantes do Blog.

Segue matéria realizada pela colega de comunicação Letícia Cunha da Costa.

Vale a pena conferir e opinar sobre as oportunidades no interior do grannnde Rio Grande do Sul.

Correndo atrás da experiência prática

No interior do Rio Grande do Sul, os estágios para quem cursa Jornalismo são escassos e nem se comparam aos das grandes cidades

Frederico Westphalen é uma cidade de 27 mil habitantes do interior do Rio Grande do Sul que no ano que vem terá sua primeira turma de Jornalismo formada na extensão da Universidade Federal de Santa Maria. Porém, mesmo com a vinda de uma instituição de ensino superior público, o Cesnors/UFSM, a cidade ainda peca na oferta de oportunidades.

Eliana de Souza é estudante desta primeira turma de Jornalismo do Cesnors, passou por duas experiências na área nos seus quase quatro anos de faculdade. A primeira na rádio Comunitária da cidade e a segunda na Assessoria de Imprensa do Fórum, mas nenhuma delas podemos chamar de estágio, assim como os que existem nas grandes cidades.

- Estágio mesmo eu não fiz. Fiz algumas práticas, mas nenhuma é considerada estágio, porque não tive um profissional para acompanhar meu trabalho. Eu comecei a fazer essas práticas em 2007, na rádio abriu vaga para locutor, e eu fiz o teste junto com meus colegas, fomos selecionados e passamos a atuar. Em 2009, no Fórum, foi a convite de uma colega que já realizava trabalho voluntário lá – explica Eliana.

Em ambas as situações os espaços foram abertos sem uma proposta concreta. Foram os estudantes que apresentaram um projeto do que pensavam em colocar em prática. Philipe Portela, colega de Eliana, foi uma das pessoas que concretizou o projeto de Assessoria para o Fórum da cidade.

- Foi a convite do juiz do fórum, elaborei um projeto com base no que vimos na disciplina de assessoria e encaminhei,ele gostou e me convidou para colocar em prática – conta Philipe.

Antes dessa experiência voluntária, sem nenhum salário e apoio do governo ou município, Philipe ficou dez meses “estagiando” no jornal da região, O Alto Uruguai.

- Para entrar lá eu mandei uma pequena pauta que gostaria de fazer através de um amigo que já trabalhava, aí eles me convidaram a ficar por um tempo, considero mais um trabalho como freelancer do que um estágio – comenta.

Para ele foi uma ótima oportunidade de presenciar a realidade de uma redação. Seu trabalho era remunerado por matéria que ia para o jornal, numa conversa entre ele e o editor. Prestes a se formar, Philipe ainda não conseguiu usar nenhuma dessas experiências para completar as benditas 180 horas de Atividades Complementares de Graduação, no quesito estágio. Atualmente Philipe também cursa Direito e acha que só conseguem essas oportunidades quem vai atrás e procura.

- Na área da comunicação é preciso ir atrás, meter a cara e se virar, o mesmo serve para o direito, para quem não é bom não anda tendo muito espaço. A não ser que tenha alguém que apadrinhe como ocorre em qualquer lugar do Brasil.

Para Eliana, a nova lei e a falta de profissionais formados no interior dificultam a abertura de verdadeiros estágios.

- Não existem muitas possibilidades de estágio, até porque não existem muitos profissionais na área atuando em Frederico Westphalen e região, com a “lei do estágio” ficam mais complicadas as contratações. Com isso a procura é bem maior que a oferta. O que eu acho que dificulta os estágios são os horários de trabalho, que em Frederico Westphalen geralmente são diurnos. Especificamente do meu caso, jornalismo é integral, os horários não facilitam para você estudar e trabalhar, são poucas empresas que estão dispostas a serem flexíveis – relata Eliana.

O mesmo jornal que Philipe trabalhou, hoje possui cerca de cinco estagiários do curso de Jornalismo, que muitas vezes trabalham muito mais que as seis horas determinadas por lei e ganham em torno de R$ 400,00. Nos casos de Eliana e Philipe, os trabalhos nunca passaram de seis horas, mas também nunca tiveram uma renumeração concreta e até mesmo digna. Estes relatos comprovam que quando uma universidade pública é instalada, não bastam vir os recursos financeiros do Governo Federal, precisa principalmente que a cidade aceite e queira aprender com esses jovens, que em sua maioria possuem mais conhecimento do que quem sempre trabalhou na área sem possuir nenhuma formação.

por Letícia Cunha da Costa

Obrigado Letícia pela ótima matéria e por expressar uma realidade que muitos desconhecem.

Uma ótima noite de natal a todos, tudo de bom!

Grande abraço,

Marcelo Bock

2 respostas para “Correndo atrás da experiência prática”

  1. Philipe diz:

    Gostei do txt Lê.

  2. Francieli diz:

    Parabéns Lê! É bem isso que enfrentamos hoje..

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