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Feliz anivelsálio, Cebolinha!

18 de janeiro de 2011 0

Um simpático rapazinho com cinco fios de cabelos espetados e que fala errado acaba de completar 50 anos (embora aparente bem menos). Cebolinha, um dos personagens mais populares de Mauricio de Sousa fez sua estreia nos quadrinhos em uma tira do Franjinha em outubro de 1960.

Na época, Cebolinha tinha muito mais cabelo e seus traços eram bem mais rudes, longe do aspecto fofinho que ele adquiriu a partir dos anos 1980. A trajetória de meio século de vida do personagem pode ser acompanhada no recém-lançado Cebolinha 50 Anos, que compila várias histórias do melhor amigo do Cascão.

Embora tenha surgido em 1960, Cebolinha só foi ganhar uma revista própria em 1973. São as aventuras produzidas a partir desta data que estão presentes no livro.

O gosto que Cebolinha tem por planos infalíveis para derrotar Mônica, a dona da “lua”, já estava presente desde suas as primeiras histórias longas. Invariavelmente as elucubrações do garoto acabam do mesmo jeito: ele e Cascão terminam levando umas coelhadas da menina mais forte do mundo.

É curioso notar que vez por outra aparecem histórias com temáticas mais metafísicas no universo dos personagens de Mauricio. Nesta coletânea há duas. Em uma delas, uma entidade chamada “Senhor do Tempo” perde seu relógio, que vai parar nas mãos de Cebolinha & cia. Ao adiantar ou atrasar o relógio a turminha envelhece ou rejuvenesce.

Em outra, um ser pertencente a uma espécie mais evoluída que a humana vem à Terra para experimentar o que chama de “emoções bárbaras”, como frio, fome, sede, ciúme, amor e raiva.

Uma das melhores histórias é Brinquedos e Segredos, na qual um soldadinho de brinquedo abandonado por Cebolinha vê uma estrela cadente e deseja que seu dono vire brinquedo também. O tema é recorrente em histórias infantis como A Revolta dos Brinquedos eToy Story, mas aqui é abordado com bastante originalidade.

O livro aborda até a recente fase do Cebolinha Jovem, que mostra a adolescência do personagem, com traços de inspiração nos mangás japoneses. A história, feita especialmente para a edição, traz a turma armando uma festa de aniversário surpresa para o protagonista.

O livro seria muito mais rico, se houvesse mais informações que contextualizassem o leitor. Faltam, por exemplo, as datas das publicações originais da histórias e até mesmo a explicação para a inspiração de Mauricio para a criação do personagem. Segundo publicações anteriores, Cebolinha teria sido baseado em um menino que Mauricio conheceu em Mogi das Cruzes.

Fazem falta também os créditos para os roteiristas e desenhistas responsáveis pela criação das histórias. Há apenas um discreto agradecimento “aos profissionais que colaboraram com seus talentos para que as histórias chegassem até vocês”.

Edições especiais

Cebolinha 50 anos dá sequência a uma série de edições especiais da Turma da Mônica. Desde 2007, após a ida de Mauricio de Sousa para a Editora Panini, começaram a chegar ao mercado publicações diferenciadas, como as coletâneas das primeiras tiras dos personagens e a Coleção Histórica que trazia os primeiros gibis da turma compilados em caixinhas.

O projeto MSP 50 é um dos mais interessantes surgidos nos últimos anos envolvendo a Turma da Mônica. Já foram publicados dois volumes, nos quais 50 artistas são convidados para fazer suas versões dos personagens criados por Mauricio. Já participaram dele gente como Laerte, Angeli, Allan Sieber, Marcatti, além de desenhistas radicados em Santa Catarina, como Samuel Casal, Ricardo Manhães, Pablo Mayer e Fernanda Chiella. Um terceiro volume está previsto para ser lançado em 2011.

O lançamento da Turma da Mônica Jovem também foi uma tacada de mestre de Mauricio. As primeiras edições, lançadas em 2008, venderam o dobro das revistas regulares e o gibi continua a fazer sucesso.

Cebolinha 50 Anos. Editora Panini Books, 156 páginas, R$ 56

Texto publicado na edição de 18/01/2011 do caderno Variedades do Diário Catarinense

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