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Posts de setembro 2008

Arena abre edital

30 de setembro de 2008 0

O Arena abre amanhã o prazo de inscrição para a ocupação do teatro entre março e julho de 2009. O período de inscrição vai até 17 de novembro próximo, e os detalhes sobre o edital podem ser obtidos no blog do Arena (teatrodearenars.blogspot.com). Para conseguir informações, também há o e-mail teatrodearena@cultura.rs.gov.br e o fone (051) 3226-0242.

O edital repete providências bem-vindas que entraram em vigor já este ano: há maiores temporadas para dança, datas para música em finais de semana, um dia pra ensaio e montagem antes das temporadas de teatro e dança e períodos destinados a projetos especiais.

Postado por Renato Mendonça

O barulho que vem do Japão

30 de setembro de 2008 0

A versão japonesa de Muito Barulho por Nada, dirigida por Seiya Tamura, passou por Porto Alegre sem causar o barulho que mereceria. Talvez pela ressaca da overdose de teatro promovida pelo Em Cena, talvez pelo receio do público de encarar um texto de Shakespeare falado em japonês, mesmo que legendado, a montagem do Euro-Japan Theatre  Organization / Theatre du Sygne teve um público apenas médio em suas apresentações de sábado e domingo passados, no Theatro São Pedro.

A escolha de uma comédia romântica e despretensiosa em princípio garantiria a empatia de um público estrangeiro. Mas, como foi bem apontado por Roberto Oliveira no post baixo, esta aproximação foi prejudicada especialmente pelas legendas, escritas em português rebuscado e com uma projeção deficiente. Resultado: ruído na comunicação entre platéia e palco. Sem as risadas do público para ajudar a manter o timing da comédia, os atores tiveram de superar-se, destacando-se Norihiro Inoue (Benedito) e Gouki Ogawa (Dogberry).

Na verdade, assistir a um espetáculo tão distante dos padrões ocidentais implica a sensação de que se está perdendo, se não o melhor, uma boa parte da festa. Um exemplo: no início da peça, todo o elenco, que inclui dois músicos que tocam ao vivo música tradicional japonesa, veste ritualmente quimonos com inscrições. Que significam? A energia dos gestos dos atores é influenciada pelo ritmo frenético e sincopado da língua japonesa? O humor de Shakespeare, que baseia boa parte de sua eficiência nos jogos de palavra, sobreviveu?

Algumas coisas se percebe: a disciplina do elenco e a cenografia minimal, que expunha o despojamento oriental colocando em cena apenas duas árvores erguidas com tecidos. Mesmo assim, ainda que oferecendo mais perguntas que respostas, Muito Barulho por Nada mereceria um público melhor.


fotos de Genaro Joner

Postado por Renato Mendonça

Apaixonados pelo Bardo

27 de setembro de 2008 4

Heróis elisabetanos falando japonês, Macbeth usando celular, dois cavalheiros de Verona mostrando samba no pé, Hamlet com a cabeça feita por Xangô.

William Shakespeare (1564 – 1616) nasceu em uma cidadezinha inglesa, mas ganhou o mundo, morreu aos 52 anos, mas virou moda para sempre. A prova de sua universalidade pode ser vista em Porto Alegre esta semana: Muito Barulho por Nada será mostrada em japonês, com legendas em português, enquanto Dois Cavalheiros de Verona terá versão abrasileirada do grupo carioca Nós do Morro.

Muito Barulho por Nada, que estará no Theatro São Pedro, hoje, às 21h, e amanhã, às 18h, é uma prova do amor do Japão por Shakespeare.

Confira cenas de “Muito Barulho por Nada”: 

Postado por Renato Mendonça

Os vencedores do Braskem

23 de setembro de 2008 0

Terminou há pouco a premiação do troféu Braskem Em Cena, no palco do Theatro São Pedro. Os vencedores foram:

- melhor espetáculo segundo o público: Miséria, Servidor de Dois Estancieiros

- melhor atriz: Sandra Possani (A Megera Domada)

- melhor ator: Carlos Alexandre (A Comédia dos Erros) e Heinz Limaverde (A Megera Domada)

- melhor diretora: Adriane Mottola (A Comédia dos Erros)

- melhor espetáculo segundo o júri de jornalistas: A Comédia dos Erros

Postado por Renato mendonça

Adriana Calcanhotto de volta para casa

20 de setembro de 2008 1

Marcos Nagelstein

Se a reportagem fosse sobre futebol, e não sobre música, se poderia dizer que Adriana Calcanhotto sentiu a pressão da torcida ao jogar dentro de casa — pelo menos nos momentos iniciais da partida. Em sua primeira apresentação na capital gaúcha desde 2006, a porto-alegrense começou tímida e travada o show de lançamento do CD Maré, ontem à noite, no Bourbon Country, referindo a presença de familiares e amigos na platéia. Para descontrair, arriscou uma piada, algo como:

— É um prazer cantar aqui, Porto Alegre. Vocês podem achar que eu falo isso em todos os lugares. E falo mesmo. Mas aqui é verdade.

Oops, acho que já ouvi isso no show que ela fez há dois anos no Theatro São Pedro. Mas havia novidades no palco: Domenico Lancelotti e Marcelo Costa tocando percussão e bateria simultânea e integradamente valorizaram a seção de ritmo e introduziram um tom lúdico ao show, interagindo com prazer e cumplicidade. Sem falar no brilhante baixista Alberto Continentino. O tecladista Bruno Medina repetiu sua performance do tempo de Los Hermanos, distante e sem agregar muita coisa.

Felizmente Adriana desencantou logo. Umas quatro músicas se passaram, e ela percorreu toda a beira do palco olhando nos olhos do público. E virou o jogo. O repertório de jogadas era imenso: do CD Maré, Três, Mulher sem Razão, Porto Alegre e Seu Pensamento; dos hits, ela pescou Devolva-me, Vambora e Esquadros. À vontade, então, ela rebolava sutilmente roqueira com sua guitarra, jogava a cabeça para trás enquanto degustava um verso de Arnaldo Antunes ou Wally Salomão ou Rodrigo Amarante. A jogada de efeito foi homenagear a simplicidade sofisticadíssima de Dorival Caymmi cantando a jóia Quem vem pra Beira do Mar, gravada por ela no CD Maritmo (1998).

Chegou a dar prazer ver Adriana sorrindo aliviada ao se despedir do público. Finalmente ela tinha voltado para casa.

Postado por Renato Mendonça

O som da purificação

20 de setembro de 2008 0

Caco ainda não pôde ver O Amargo Santo da Purificação. Mas já tem imagens e um das músicas da trilha, que Johann Alex de Souza musicou sobre poemas de Carlos Marighella. Abaixo, Tudodó e fotos da estréia oficial do espetáculo, sexta-feira, ao meio-dia, na Praça da Alfândega. Todas as fotos são de Ivo Gonçalves/PMPA
Boomp3.com

Postado por Renato Mendonça

Uma história para lembrar

19 de setembro de 2008 0

O novo espetáculo do Ói Nóis Aqui Traveiz tem figurinos coloridos, muita música, pernas-de-pau e poesia, mas o tema são os escuros anos 60 e 70, marcados por enfrentamentos sangrentos entre militantes de esquerda e o aparelho de repressão política do Estado.

O Amargo Santo da Purificação, conta a trajetória de Carlos Marighella (1911 — 1969), desde o nascimento na Bahia até a morte em uma emboscada em uma alameda de São Paulo.

Confira o vídeo com trechos da peça:

Postado por Renato Mendonça

Zé Adão e a aldeia

19 de setembro de 2008 5

O diretor e ator Zé Adão Barbosa comenta o vídeo de Adriana Calcanhotto e a entrevista de Fernanda Mandagará (confira nos posts abaixo). O asssu8nto dos três é Porto Alegre. Confira e comente:

Li e vi no Caco: Adriana Calcanhotto diz que “nunca se sentiu em casa em Porto Alegre (?????), que sente incomodada com o frio (?????).
Fernanda Mandagará, uma jovem atriz radicada em São Paulo diz que saía chorando do teatro porque representava pra 15 pessoas.
Eu devo ser maluco porque não só me considero gaúcho de nascimento e coração como me sentirei eternamente “em casa”, porque estou no meu chão, onde nasci, onde dei os primeiros passos, onde aprendi a falar com este sotaque lindo, onde me tornei ator, onde pisei pela primeira vez em um palco, onde, como professor, formei centenas de excelentes artistas, onde ganho a vida e onde, com a mais absoluta certeza, morrerei atuando.
Com 50 anos de idade e trinta de carreira acredito piamente que devo tudo a esta cidade e a este público que me respeita e me admira.
Inúmeras vezes já atuei para platéias lotadas, outras vezes nem tanto. O teatro é um fenômeno, sempre foi, o público reage das formas mais inusitadas, Peter Brook fala isso claramente em “O Teatro e seu Espaço”.
Porto Alegre tem público sim! Vide sucessos como As montagens da Cia Rústica, da Cia Stravaganza e tantas outras que estão ou já estiveram com platéias cheias!
Édipo Rei, uma tragédia de 2.500 anos com duas horas e meia de duração e lotações esgotadas em duas temporadas!
Apresentamos o “Fim de Jogo” pra 10, 15 pessoas e jamais saí do teatro chorando, achando o meu trabalho “um fracasso” e nem pretendendo ir embora para São Paulo, Rio de Janeiro ou qualquer outro lugar onde eu vou acabar fazendo o mesmo que faço aqui.
Já dizia o velho Tchekhov: “CONTA A TUA ALDEIA E CONTARÁS O MUNDO”!

Postado por Renato Mendonça

Maré de saudade

18 de setembro de 2008 4

Adriana Calcanhotto é uma das atrações mais aguardadas do último final de semana do 15º Porto Alegre em Cena, mostrando o show de lançamento do CD Maré, de sexta a domingo, no Bourbon Country.

Assista ao vídeo da entrevista coletiva da cantora:

Postado por Renato Mendonça

Longa jornada imaginação adentro

18 de setembro de 2008 0

Quarta-feira, mezanino da Usina do Gasômetro, 20h30min. Pouco antes de começar a estréia nacional de Os Bandidos, a atriz Camila Mota avisa que o intervalo está marcado para as…

- Ih, a gente não sabe quando vai ser, mas vai ter um intervalo.
Isso dá idéia da aventura, para público e artistas, que foi viver Os Bandidos pela primeira vez.  Depois vieram seis horas do melhor estilo Oficina. Zé Celso partiu do primeiro texto dramatúrgico do alemão Schiller (1759 – 1805) para criar um novelão épico sobre os novos tempos da globalização e as velhas vilanias do homem. O conflito básico opõe irmãos gêmeos: o inescrupuloso Cosmos (o excelente Aury Porto) e o arrebatado Damian (Marcelo Drummond, que teve sua atuação prejudicada pela deficiente dicção e projeção de voz). Eles são herdeiros do império de comunicação de Dom Um  (Ricardo Bitencourt) e disputam Ariadne Brasília (Sylvia Prado). Damian envereda pelo submundo do crime do 3º Mundo, e lidera uma revolução em que os desvalidos derrotem a mais-valia.

A carga autobiográfica é altíssima. A disputa com Silvio Santos pela área que cerca o Teatro Oficina recebe citações explícitas, a imagem do empresário surge sorridente nos telões que cercam o palco, e o criador do Baú da Felicidade é tratado como primo de Dom Um. O tom confessional, entretanto, é mais profundo: no texto brilhantemente adaptado em versos por Zé Celso, a arte é uma arma de revolução, e o teatro surge como um atalho para que se encontre sentido na vida e na morte.

Os alvos dos bandidos são vários: com humor e encenações brilhantes que não evitam a nudez e alguma escatologia, sobra para caretas em geral, religiosos, fundamentalistas de todas as cores, marqueteiros e grandes empresários (uma das cenas mais brilhantes é quando um comando de Damian submete religiosos do Vaticano à exótica penitência de serem vergastados com preservativos de borracha). Há sempre câmeras de vídeo multiplicando os pontos de vista das cenas nos telões, e uma banda toca a trilha e a sonoplastia ao vivo e também atua (destaque para Guilherme Calzavara). No final da jornada, percebe-se que Os Bandidos repete características do mundo atual: excessivo em estímulos e em informação.

Algumas passagens são dispensáveis, exercícios da opulência teatral do Oficina que poderiam ser cortadas, sem prejudicar a história. Bom, mas isso é característico das montagens criadas por Zé Celso, que desta vez não está diretamente em cena. O paulista de 71 anos assistiu à peça no meio da platéia e proporcionou um espetáculo à parte ao reger sutilmente algumas cenas e incentivar a reação do público. E ainda inspirar uma das passagens mais definidoras de Os Bandidos, quando o personagem Damian se disfarça de Zé Celso.

É o jogo de espelhos definitivo: um ator vive um personagem que vive um ator. É o teatro que Zé Celso sempre perseguiu.

As fotos da estréia são de Marcos Nagelstein, de Zero Hora.

Postado por Renato Mendonça

Baú de polêmicas

17 de setembro de 2008 0

É hoje a estréia de Os Bandidos no 15º Porto Alegre Em Cena. Segundo Zé Celso Martinez, é a peça mais autobiográfica do grupo Oficina, e tem tudo para a ser a mais polêmica também (embora concorra com pesos-pesados como Roda Viva, As Bacantes, Cacilda!,..).

O motivo são as claras referências ao conflito que opõe há vários anos Silvio Santos e Zé Celso, que quer impedir que o presidente do grupo SBY construa um shopping center ao lado do Teatro Oficina, em São Paulo. Quem já viu os ensaios, garante que há até um sósia do Homem do Baú em cena.

Fernanda Chemale, da divulgação do Porto Alegre Em Cena, registrou os primeiros passos de Os Bandidos na Usina do Gasômetro. A peça estará em cartaz de hoje até sexta, às 20h. Ainda havia ingressos à venda para Os Bandidos até esta postagem.

Postado por Renato Mendonça

Olivia Hime encontra Ruy Guerra

16 de setembro de 2008 0

Parece que tem muita gente com saudade da MPB dos anos 70 – pelo menos os 400 espectadores que já lotaram a sessão única do show Palavras de Guerras, marcado para amanhã, no Teatro do Ciee. Durante 55 minutos, Olivia Hime usa parcerias de Ruy Guerra com Chico Buarque, Francis Hime, Edu Lobo e Sérgio Ricardo para revolver clássicos como Bárbara e Tatuagem.

O Caco dá uma degustação do show. Acesse abaixo e ouça trecho de Meu Homem, de Ruy Guerra e Francis Hime! Acesse mais abaixo, e assista a Olivia cantando Tatuagem.
 Boomp3.com

Postado por Renato Mendonça

Ópera de Carnaval

16 de setembro de 2008 0

O autor e diretor de teatro Zé Celso Martinez conta um pouco da ópera que estréia no 15ª Porto Alegre em Cena, Os Bandidos. Para ele, é uma ópera de Carnaval. Para o público será garantia de prazer estético e de polêmica. Considerada a obra mais autobiográfica dos 50 anos do grupo Oficina, Os Bandidos tem como base a primeira peça escrita pelo alemão Schiller, mas a releitura de Zé Celso coloca em cena até um sósia do empresário e comunicador Silvio Santos, com quem o diretor mantém uma disputa para evitar que o grupo SBT construa um shopping center junto ao Teatro Oficina, em São Paulo.

Postado por Renato Mendonça

Indisposição, atraso e talento no superdomingo

15 de setembro de 2008 0


Fausto, de Nekroius crédito da foto: Dulce Helfer

Não, o 15° Porto Alegre Em Cena não tem Macbeth na programação, mas a bruxa está solta. A menção a Macbeth se justifica pelo grande número de acidentes relacionados às montagens deste texto de Shakespeare, que alguns artistas chamam apenas de “a peça escocesa”, para evitar o mau olhado.

Mas o superdomingo, talvez o mais quente do festival (apesar dos 11°C na capital gaúcha) em termos de atrações, já que teria montagens de Nekrosius e Peter Brook em cartaz, acabou sendo um dos mais atribulados de toda a história do festival.

Foi o último capítulo da novela Fausto, contada pelo próprio coordenador do festival, Luciano Alabarse, em um post abaixo. O atraso na entrega da carga de Fausto – que foi parar em Buenos Aires -,  acabou minguando a participação da peça de três no Theatro São Pedro para uma apresentação  no Salão de Atos da UFRGS. Apesar de ser perceptível a pressa com que se aprontou a montagem –o primeiro intervalo durou 30 minutos! – a montagem de Nekrosius confirmou o seu prestígio. Em cena , mais que uma peça – um devaneio visual e auditivo, a cargo de atores que não desperdiçam um movimento. O encenador lituano continua praticando o que prega – “teatro é para ser visto, não ouvido” -, e arranca efeitos espantosos e sublimes usando materiais simples e imaginação complexa. Dois exemplos: com cordas estendidas de um lado ao outro do palco, cerca Fausto de oscilações, que parecem refletir as batidas de seu coração; o sucesso de Fausto aparece na forma de vários livros dispostos lado a lado no palco, mas constantemente abanados pelos atores, fazendo com que as páginas oscilem e pareçam dar vida ao papel.

Mas é forçoso observar que não é uma peça que envolva o espectador. Nem tanto pelas quatro horas de duração – o tempo que Nekrosius considera o mínimo para se contar uma história -, mas pela fragmentação do texto e por um aparente descaso com qualquer convenção dramatúrgica e desenho emocional da ação. A língua lituana, irreconhecível em sua dramaticidade, funciona como uma interferência aos ouvidos e sentimentos da platéia. Com efeito, nas cenas em que não há falas, parece que fica ainda mais visível a excelência do elenco e a inventividade da encenação.

Cabe registrar ainda a falta de educação de parte do público. Claro que houve atrasos, mas não se justifica a atitude de alguns espectadores de gritarem e baterem palmas para chamar a atenção quando a legendagem eletrônica saiu do ar por alguns minutos. Já havia sido percebido o erro, mas algumas pessoas – talvez querendo participar da encenação a seu modo – mesmo assim se manifestaram.


Fausto, de Nekroius crédito da foto: Dulce Helfer

Ah, e O Grande Inquisidor? O Caco ainda não viu, mas todos os relatos indicam que se confirma o enorme talento do ator Bruce Myers. Que teve de ser algo como um enfermeiro no ensaio de hoje à tarde. Durante o ensaio, o ator gaúcho escolhido originalmente para viver Cristo, Ismael Caneppele, sofreu duas indisposições em cena. Na apresentação à noite, ele foi substituído por Lucas Fontoura. Não se sabe se Lucas continuará ou se Ismael assumirá o papel. Myers deverá decidir isso.

Que domingo… Imagine se tivéssemos Macbeth no Em Cena!

Postado por Renato Mendonça

Alabarse explica os contratempos de Fausto

14 de setembro de 2008 1

Luciano Alabarse, coordenador do 15° Porto Alegre Em Cena, explica os bastidores das confusões que cercaram a vinda da montagem Fausto à capital gaúcha.

FAUSTO E SUA CARGA INFERNAL

(Uma explicação necessária)

 

        “Há muitos anos acordo com o barulho da Zero Hora que o entregador atira pelo muro da minha casa. O barulho quase imperceptível é a minha senha para levantar da cama, antes do despertador, ler o jornal e começar o dia. Na madrugada do dia 10, eu já estava acordado, tratando de encontrar a melhor solução para realizar a ameaçada estréia do “Fausto” dentro do 15º Porto Alegre em Cena, uma das atrações mais aguardadas do festival.

      Espetáculos internacionais exigem logística e organização com meses de antecedência, o que realmente aconteceu. Contratada uma das mais renomadas empresas de transporte de carga do mundo, a Waiver, a carga foi embarcada em 21 de junho da Lituânia. Esta empresa já havia prestado serviços ao Em Cena, e sempre cumpriu a contento suas obrigações, inclusive em megaoperações, como a responsabilidade de conduzir os quatorze containeres do cenário de “Les Éphémères”, de Ariane Mnouchkine, no ano passado.

     Quem abre o material cenográfico é sempre o diretor técnico da companhia visitante e, por isso, o contrato de entrega coincide com a chegada do grupo à cidade visitada. No caso de Nekrosius, tudo estava previsto para o dia 10 de setembro, dois dias antes da estréia prevista, no Theatro São Pedro. Por isso, até esse dia, tudo corria sob um céu de brigadeiro.

    Quando a carga não foi entregue e chegaram as notícias de que ainda estava parada em Buenos Aires, terceirizada sua entrega à uma companhia marítima, sem nosso conhecimento, acionamos todas as instituições e pessoas que poderiam ajudar a solucionar o problema: a própria empresa argentina, o navio encarregado, as Prefeituras de Porto Alegre e Rio Grande, a Receita Federal, a Alfândega portuária. A carga, na melhor hipótese, e com a solidariedade incomum de todos os possíveis agentes responsáveis por solucionar o caso (liberação da papelada correspondente, antes da confirmação da carga, e num sábado, dia sem expediente burocrático no porto), chegaria a Porto Alegre à meia-noite do dia 13.

    Dona Eva Sopher, minha “ídala” máxima, ao saber da situação e que, na melhor hipótese, só conseguiríamos apresentar a função programada para domingo no Theatro São Pedro, me pegou pela mão e me aconselhou a cancelar inclusive essa, para não criar ainda mais frustração naqueles que, com ingresso para os dois outros dias cancelados, poderiam, com razão, reclamar. Sérgius Gonzaga, meu estimado Secretário de Cultura, me aconselhou a procurar uma outra solução: a de encontrar um teatro maior, acomodar todos os que tinham ingresso comprado, mesmo que isso demandasse uma força-tarefa gigantesca.

     Foi o que, afinal, fizemos – para não privar Porto Alegre da chance de assistir a uma das principais atrações do 15º Porto Alegre em Cena. Acionados todos os grandes teatros da cidade, novamente uma solidariedade vibrante que esbarrou em agendas previamente ocupadas, menos o Salão de Atos da UFRGS, cujos funcionários encarregados se mobilizaram prontamente.

     Foi uma corrida contra o tempo, uma gincana e tanto. Quando o caminhão com o container retido estacionou na porta da Reitoria, exatamente três minutos antes da meia-noite, uma legião de técnicos já trabalhava. Uns desmontando o equipamento do show de Mercedes Sosa, todas as equipes do Em Cena a postos, os técnicos do grupo lituano – que trabalharam incansavelmente para adequar o espetáculo ao novo espaço.

    Relato publicamente um pouco dos bastidores do festival, para agradecer a todos que nos ajudaram a tornar possível a apresentação única do “Fausto” na programação do Em Cena e, principalmente, ao público porto-alegrense que, em maioria esmagadora, acompanhou sem stress todo o episódio, entendendo as mudanças e emprestando compreensão e civilidade ao transtorno coletivo.

    Não é por nada que os artistas reconhecem os méritos da platéia gaúcha. Nesse episódio, com pouquíssimas exceções, comprovei eu mesmo, um santo da casa, a grandeza do público local. Muito obrigado a todos.”

 
                                                                 

Postado por Renato Mendonça