Confira texto do diretor, ator e historiador Luiz Paulo Vasconcellos, que está comemorando 50 anos de carreira em 2009.
Luiz Paulo escreve sobre Macbeth
Postado por Renato Mendonça
Dia Internacional do teatro é para montar o circo mesmo. O amigo do caco, Carlos André Moreira, estava lá e conta como foi a história. As fotos são do jefferson Bottega.
Primeiro foi a festa, a brincadeira, o humor. Depois, empurra-empurra, tumulto, troca de sopapos, e finalmente estabeleceu-se um começo de diálogo entre a da Secretaria Estadual da Cultura e os cerca de 50 integrantes da classe teatral que foram a pé, ontem, até o Centro Administrativo Fernando Ferrari onde fica a Sedac.
Em uma manifestação alusiva ao Dia Internacional do Teatro, as cinco dezenas de manifestantes foram até a sede da secretaria munidos de despertadores, travesseiros, e envergando um uniforme simbólico: pijamas, camisolas (às vezes pijamas E camisolas), chinelos, pantufas (desde o modelo clássico que a sua vó usa em combinação com o chambre até aquelas de bicinhos: tigres e ursos, por exemplo). A ideia por trás da extravagante indumentária estava expressa em dois cartazes pintados a mão erguidos acima do grupo: "Acorda Mônica"
_ É flagrante a inação do poder público estadual na área da Cultura. Hoje, como parte do dia do teatro, estão sendo feitas manifestações como essa em todo o Brasil, com cobranças tanto no nível federal quanto no estadual. Aqui nos concentramos na questão Estadual porque para nós é a mais urgente _ dizia Tânia Farias, uma das integrantes do Ói Nóis Aqui Traveiz, enquanto à sua volta, na sede do grupo, na João Alfredo, dezenas de outros representantes da classe teatral terminavam a preparação, com um pouco de maquiagem e e arrepiando os cabelos para dar a impressão de quem acordou agora. Mais adiante, um integrante do grupo, agachado, pinta com tinta preta uma das faces de um travesseiro. A frase é a mesma do cartaz escrito com pincel atômico vermelho: "Acorda Mônica"
_ Estamos levando um despertador e um travesseiro para dar de presente para a secretária. _ comenta Alessandra Carvalho, do grupo Povo da Rua.
Os manifestantes saem em cortejo pela rua João Alfredo às 14h30min. Tocam tambores, um bumbo, flautas e até uma gaita de botão, entoando a canção Maria Bonita (aquela do "Acorda Maria Bonita"). No caminho, entregam panfletos com as reivindicações da classe, as principais delas a dotação de 1,5% do orcamento do Estado para a Cultura e a implantação do Fundo de Amparo à Cultura. No caminho, uma temporária desorientação: o grupo atravessa a Perimetral e já está avançando em direção à Borges quando se dá conta de que está caminhando para o lado errado, o Centro Administrativo não é em frente, é à esquerda.
O grupo chega à frente da entrada 2 às 15h e os portões são fechados. Pede-se que a secretária desça, e enquanto não têm resposta, os teatreiros compõem de improviso uma nova versão da letra de Maria Bonita:
"Acorda Mônica Leal
Acorda, vem abrir o portão
A Cultura tá esperando
tá esperando uma solução".

Como a resposta não vem, o grupo se esgueira pela entrada de veículos, empurra os portões e o funcionário que tenta fechá-los e ganha acesso à entrada principal do edifício. Gritam o nome de Mônica Leal e pedem que a secretária desça. Os seguranças trancas as portas do edifício e os manifestantes deitam-se na frente do prédio, roncando e simulando sono. Um assessor desce e diz que a secretaria vai receber apenas cinco representantes do grupo. Cria-se um impasse. O protesto é coordenado por uma rede de grupos de teatro, não há uma representação formal. 
No momento em que ainda se decide quem sobe e quem não sobe, o ator e diretor Roberto Oliveira, que estava logo na porta, projeta o corpo para dentro do prédio e é imprensado na porta pela reação dos seguranças. É alvo de um tenso cabo-de-guerra entre os colegas que puxam de um lado e os seguranças que o puxam de outro. É puxado para dentro do Centro Administrativo e some de vista por trás da muralha de ternos escuros da segurança. Espalha-se a notícia do lado de fora de que Roberto está sendo agredido, e os manifestantes dão tapas e socos nas portas e janelas do centro pedindo que ele seja libertado. Há gritos, empurra-empurra, xingamentos.
Até que a porta se abre de novo e Mônica Leal sai do edifício, acompanhada de Roberto Oliveira. O cilma permanece instável por vários minutos até que, aos pedidos de "calma", "vamos ouvir", os manifestantes se acalmam e começa um diálogo tenso.
_ Não existe política cultural no Estado, por isso estamos aqui - diz Tânia Farias.
_ A diferença entre o real e o possível é grande, gente _ responde Mônica, e as vaias a interrompem.
_ Viemos em um protesto pacífico e fomos barrados e depois agredidos _ diz Marcelo Restori, do Falos & Stercus
_ Não foram barrados, estou aqui, ouvi que vocês estavam aqui e desci porque não ia subir tudo mundo. Eu já disse a vocês que as portas aqui estariam abertas.
_ Essa informação não chegou até nós, nos disseram para selecionar uma comissão de cinco pessoas, estávamos fazendo a seleção e aí fomos empurrados. Levaram o Roberto lá pra dentro. _ diz Tânia.
Aos poucos, o diálogo vai tomando o lugar do bate-boca. A secretária cobra educação e respeito, os manifestantes reclamam da ação dos seguranças. Mônica diz que o projeto relativo à regularização do Hospital São Pedro está sendo encaminhado para análise. Aos poucos, o clima fica menos tenso e uma definição é tirada: marca-se uma reunião entre a secretaria e a classe teatral às 9h de segunda-feira. A secretária volta a seu gabinete, mas, devido à altercação de há pouco, Roberto Oliveira lavra, com soldados da Brigada Militar chamados ao local, um termo circunstanciado por agressão.
O Sindicato dos artistas e técnicos de espetáculos de diversões do Rio Grande do Sul (Sated), manifestou-se oficialmente por meio de seu presidente, Vinícius Cáurio,
_ O sindicato considera pouco-proveitoso um diálogo que já começa truculento. Em uma manifestação pacífica que é basicamente comemorativa, humorada, uma manifestação deveria ser recebida de braços abertos, foi recebida com punhos fechados, portões trancados e depois agressões físicas, e só depois a secretária se manifestou e marcar uma reunião. Não existia e não existe nenhuma motivação pessoal contra a secretária para essa manifestação. Ocorreu porque era o Dia Internacional do Teatro, e nesse dia se reivindica posições de política cultural. Como nós da categoria e das artes não estamos sentindo um trabalho mais elaborado é óbvio que isso é uma reivindicação premente da categoria.
A secretaria divulgou um vídeo, editado, captado por câmeras do lado de dentro do edifício que mostram o empurra-empurra e as pancadas na janela pelo lado de dentro do edifício.
Postado por Renato Mendonca
Marília Gabriela estará no palco do Theatro São Pedro, amanhã e no domingo, estrelando Aquela Mulher. O monólogo tem várias atrações: é a estreia de Antonio Fagundes como diretor e é um dos raros textos para o teatro do angolano José Eduardo Agualusa, autor do romance O Vendedor de Passados.
Além disso, há a contemporaneidade de o texto ser inspirado na figura da política americana Hillary Clinton.
Clique aqui e acompanhe em áudio e vídeo Marília Gabriela comentando sobre a peça, sobre o poder feminino e outras questões.
Postado por Renato Mendonça

Breno Ketzer é iluminador, diretor, ator e produtor. A partir do início do ano, entretanto, ele está sob o foco dos spots na condição de novo coordenador de artes cênicas da SMC. A seu favor, a experiência de ser funcionário concursado da prefeitura desde 1992, grande parte desse período trabalhando na coordenação que agora dirige.
Outra arma de Breno é uma atitude administrativa que pode ser comparada a um choque de gestão.
- Sabemos que os recursos para a Cultura são estruturalmente limitados, e que a crise não ajudou em nada. Mas acredito que podemos utilizar melhor nossos recursos.
Os planos de Breno incluem medidas imediatas - mobilização dos funcionários da coordenação, máxima ocupação dos teatros, além de tolerância zero para fios desencapados, portas que não fecham e outros problemas desse tipo, tão pequenos como insuportáveis.
Mas as mudanças devem chegar ao plano conceitual. Breno reconhece a importância de se oferecer os aparelhos culturais da prefeitura em boas condições, mas insiste que também se deve apoiar e estimular o teatro que não se faz na sala:
- Vamos apoiar o festival de teatro de rua marcado para ocorrer entre abril e maio e organizado pelo coletivo dos grupos. Defendo que a gente ofereça salas multifuncionais, não necessariamente com palco italiano. Entre as prioridades, estaria a instalação delas na Restinga e na zona Leste.
A ideia é inovar na busca de recursos. Breno exemplifica com os prêmios Açorianos e Tibicuera:
- Por que não oferecer o patrocínio dos prêmios à iniciativa provada? Poderíamos melhorar o valor da premiação e não seria tão traumático assim.
Outro plano é definir perfis para as principais salas da prefeitura. Por exemplo, o Teatro de Câmara Túlio Piva teria a vocação para a discussão e a exposição de talentos emergentes (festivais de teatro amador e de esquetes seriam alternativas), a Álvaro Moreyra receberia montagens mais experimentais, o Renascença receberia espetáculos com produção mais esmerada.
Breno ainda falou da possibilidade de mudanças no Concurso Carlos Carvalho, nos editais das salas (que voltariam a separar a programação adulta da infantil) e comemorou que a coordenação deve receber seis técnicos, graças a um dos raros concursos públicos que beneficiam a área das artes cênicas. E comentou entusiasmado sobre a criação do Observatório Cultural, órgão criado pela SMC para tentar quantificar a importância da Cultura na economia.
- Não adianta chegar para o secretário da Fazenda e dizer como o teatro e a dança são lindos. É preciso saber quantas pessoas frequentam as salas, as oficinas, quantos grupos existem e qual seu impacto na vida das pessoas, inclusive no aspecto econômico.
Postado por Renato Mendonça
A comédia Alma Boa de Setsuan está em cartaz sexta e sábado (20 e 21/03), às 21h, e domingo (22/03), às 18h, no Theatro São Pedro, na Capital. O espetáculo é estrelado por Denise Fraga. Pela atuação na peça, Denise foi premiada como melhor atriz na temporada paulista de 2008 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes).
Clique na foto e confira uma entrevista com a atriz e fotos da peça.
Postado por Renato Mendonça

Na quinta-feira à tarde, fui até Viamão para entrevistar Régis Albino Marques Gomes e Carla Marques Gomes, casal que é protagonista da série Porto Alegre dos Açores, que estreia hoje na RBS TV, às 12h25min. A série, dirigida pelo caxiense André Constantin para o Núcleo de Especiais da RBS TV, quer investigar a influência e herança açoriana no Rio Grande do Sul. E o primeiro acerto de Gilberto Perin e sua equipe foi usar Carla e Régis para isso. Carla, 34 anos, nasceu na Ilha Terceira dos Açores. Régis, 48 anos, é gaúcho. Os dois se conheceram lá mesmo no arquipélago, quando o grupo de dança ao qual Régis pertencia, do Departamento de Tradições Gaúchas Província do Quero-Quero, de Gravataí, foi se apresentar lá. Os dois se apaixonaram, casaram, e Carla veio para o Rio Grande do Sul. Para se surpreender.
- Quando morava nos Açores, só ligava o Brasil a Carnaval, futebol e samba. Não se falava que havia influência açoriana no Sul do Brasil. Muito menos que os gaúchos se orgulhavam tanto disso - diz Carla, falando com o que ela chama de sotaque português/porto-alegrês.
Régis, filho de pai português e de mãe nascida em Gravataí, observa que de uns anos para cá a informação sobre o Brasil cresceu em Portugal, ainda que de maneira, digamos, excêntrica:
- Hoje em dia, são sete novelas brasileira no ar ao mesmo tempo. Sem dublagem, claro.
Régis conta que o desconhecimento sobre a importância açoriana em nossa terra se deve às circunstâncias em que a colonização se deu. A vida dos açorianos se deu em metade do século 18, e o destino deles deveria ser as Missões gaúchas.
- Mas a região estava em guerra, opondo portugueses, espanhois e índios. Parte dos açorianos se radicou em Santa Catarina, esperando passar a agitação, outra desceu para o Rio Grande do Sul e se espalhou.
Isso explica por que representação açoriana em SC é tão concentrada, enquanto a gaúcha masi extensiva, mas não menos profunda. Ao longo dos quatro episódios de Porto Alegre dos Açores, ilhéus confessam sua surpresa ao se defrontarem com as versões rio-grandenses do Pezinho. Na verdade, o Pezinho açoriano é dançado com os bailarinos em roda, enquanto aqui no RS eles geralmente estão em filas. Carla observa que o movimento dos pés e as letras de muitas manifestações folclóricas, destaque para o Pezinho, são parecidas com as que ela aprendeu quando pequena, no arquipélago.
- Mas a música é diferente - diz Carla.
- Só nos Açores, existem mais de 40 tipos diferentes de dança do pezinho - completa Régis.
Sobraram emoções na viagem que Carla e Régis fizeram ao Açores. E não foi quando se desceu à cratera de um vucão extinto, ou quando se enfrentou o mar revolto que separa as nove ilhas do arquipélado, sequer quando se falou que ocorrem de 20 a 30 tremores de terra nos Açores, abalos imperceptíveis mas que marcam a precariedade de uma terra que se equilibra entre três placas tectônicas sempre em atrito.
A grande emoção ficou por conta de quando Carla cantou com seus pais cantigas folclóricas dos Açores e da infância, prova viva de que naquelas ilhas ou você canta, ou toca algum instrumento.
- Nossa música é melancólica mesmo. Talvez porque muitas delas se inspiram em açorianos que emigram parar tentar a vida. São canções de perda, de saudade - e, aí, Carla já está usando uma palavra que se diz que só os brasileiros usam.
Régis e Carla conseguiram até um lugar para cultivar essa comunhão das ilhas do Açores com o Continente de São Pedro - ele dirige a Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, instalada em um casarão construído em 1877 pela família Fonseca em Gravataí. É lá que a série Porto Alegre dos Açores será exivbida, no próximo dia 23 de março. Será mais um capítulo de dois povos tão próximos que nem mais de 8 mil quilômetros de distância conseguem separar.
Postado por Renato Mendonça
Abaixo, imagens captadas durante a gravação da série Porto Alegre dos Açores. O crédito é do Núcleo de Especiais da RBS TV.

Postado por Renato Mendonça
"O Bairro" direção de Marco Fronchetti, estreia hoje no Teatro de Câmara Túlio Piva, depois de fazer algumas apresntações em regime de scratch night no Espaço Ox, junto ao Bar Ocidente. O Caco mostra algumas imagens da peça, feitas por Fernanda Chemale, com o apoio de dois trechos do texto, do escritor português Gonçalo M. Tavares.

O senhor Valéry tinha um animal doméstico, mas nunca ninguém o tinha visto.
O senhor Valéry deixava o animal fechado numa caixa e nunca o tirava para o exterior.
Atirava-lhe comida por um buraco da parte de cima da caixa e limpava-lhe as porcarias por um buraco da parte de baixo da caixa.
- É melhor evitar os afetos por animais domésticos, eles morrem muito, e depois é uma tristeza para o coração.
Quem poderá ganhar afeto por uma caixa?
Para treinar os músculos da paciência o senhor Calvino utilizava uma minúscula colher de café para executar a tarefa de transportar um monte de terra de um ponto para outro, segurando-a com todos os músculos disponíveis.
Com a colher pequenina cada bocado de terra era como que acariciado pela curiosidade atenta do senhor Calvino.
Paciente, cumprindo a tarefa, sem desistir, Calvino sentia estar a aprender várias coisas grandes com uma pequenina colher.

Postado por Renato Mendonça
Confira vídeos do espetáculo Quidam, montagem do Cirque du Soleil que estará em cartaz em Porto Alegre a partir de 27 de maio de 2010. Os ingressos para Quidam começam a ser vendidos já no dia 6 de maio próximo, no estacionamento do Zaffari Ipiranga (Ipiranga, 3.000). Mais detalhes em um próximo post.
Postado por Renato Mendonça
A mais recente - e ótima - montagem da CIA espaço EM BRANCO volta a cartaz todas as quartas de março no Espaço OX, ao lado do Bar Ocidente. E tem mais dois vídeos da peça na internet, dando um idéia de como ficou a mistura de fragmentos de memórias, música ao vivo e recursos multimídia que o diretor João de Ricardo propôs para Teresa e o Aquário. Confira:
Postado por Renato Mendonca