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Posts de setembro 2009

Diones comenta Quartett

28 de setembro de 2009 3

O dramaturgo Diones Camargo foi um dos que escreveu sobre a peça Quartett, na edição de sábado do Segundo Caderno. A seguir, ele amplia o comentário sobre oa montagem de Bob Wilson que encerrou o 16º Em Cena.

Atores em Pele de Cordeiro

Hans-Thies Lehmann, na sua Bíblia sobre o teatro contemporâneo intitulada Teatro Pós-Dramático (talvez uma obra ainda muito recente pra ser chamada exatamente de Bíblia, mas que já tem inúmeros fiéis que a seguem como tal) cita constantemente os quatro cavaleiros do apocalipse da cena contemporânea: Heiner Müller, Bob Wilson, Elfried Jelinek e Nekrosius. Fosse o livro de Lehmann o jogo dos seis graus de separação, ao menos três destes nomes se conectariam instantaneamente depois deste Quartett.

Choderlos de Laclos compôs seu romance epistolar As Relações Perigosas valendo-se das figuras de nobres franceses para mostrar que a combinação entre conforto material e tédio profundo podem causar infortúnios múltiplos – especialmente àqueles que nada têm a ver com isso – numa crítica à falência moral do período em que viveu. Já Heiner Müller dividiu os cenários de sua peça entre um salão da aristocracia pré-Revolução Francesa e um bunker pós-Terceira Guerra Mundial, reafirmando a permanência destes males. Apesar disso, a dramaturgia de Müller – em que pese sua sempre pertinente atualização dos mitos, arquétipos e fatos históricos, e sua incrível capacidade de sintetizar o pensamento de uma obra ao transpô-la para as gerações atuais – tem, em Quartett, talvez o seu trabalho mais restrito e óbvio em termos imagéticos e metafóricos. Laclos, utilizando uma linguagem rebuscada (comum à época), ainda consegue ser mais cruel e infinitamente mais terrível do que o dramaturgo alemão. 

E é aqui que reside o principal mérito da montagem de Wilson: Quartett, como era de se esperar, é uma ópera de extremo apuro visual, uma máquina cênica precisa. O fascinante acúmulo de texturas sonoras expande o efeito puramente verborrágico e poético do texto de Müller (às vezes repetindo-o à exaustão), dissolvendo-o até torná-lo mero contraponto aos gestos e às imagens que aparecem no palco. Porém, é importante questionar se o que é alardeado por Lehmann nos seus escritos (que a primazia do texto acorrenta o espectador somente numa possibilidade da cena) também não acontece aqui, pelo seu oposto: uma visualidade sedutora, deliciosa e tecnicamente perfeita, porém igualmente escravizante. (voltando ao Nekrosius, o Fausto que ele dirigiu era bem mais impactante ao utilizar variações de texturas visuais e sonoras igualmente belas, baseando-se principalmente na inventividade que estas ofereciam à cena, o que tornava a conexão entres todos os elementos muito mais eficiente).   

Apesar disso, não há  como não ficar embevecido com as variações constantes de elementos e cores na cena arquitetada por Wilson. Os corpos que projetam signos instigantes e se distorcem (afastando qualquer possibilidade da representação tradicional baseada meramente em personagens) e as vozes que se animalizam. Aliás, esta escolha por transformar os atores em feras (tigres, répteis, lobos, cães, etc) intensifica ainda mais as figuras diabólicas de Isabelle Huppert e Ariel García Valdés que, desde os figurinos, passando pela maquiagem, mas principalmente nas atuações formidáveis, condensam em si a carga demoníaca dos personagens que “interpretam”. Esses símbolos do horror, colocados lado a lado a um deleite visual constante, nos obriga a lembrarmos de que se trata de uma luta entre o bem e o mal, onde os limites entre um e outro são confundidos o tempo todo – num jogo de ambiguidades complexas, como convém quando se analisa esses conceitos extremos. Algo como um aviso permanente de que existe sempre um Valmont e uma Merteuil à espreita para devorar suas caças, que são não apenas os outros personagens, mas também eles próprios. Esta é, evidentemente, uma reafirmação da estrutura dramatúrgica utilizada por Müller no texto, que por sua vez é baseada na constatação ferina de Laclos de que qualquer desvio de caráter é facilmente esquecido quando vemos à nossa frente uma bela arcada dentária e um vistoso aparelho de chá. E isso, quer Laclos, quer Müller tenham denunciado – e Wilson se deliciado como ninguém –, nunca muda. Vive La Révolution! 

Postado por Renato Mendonca

A Diva em cena

25 de setembro de 2009 1

 A fotógrafa Angela Alegria, da assessoria de imprensa do Em Cena, capturou essas imagens raras (e, na mesma medida, encantadoras) de Isabelle Huppert no palco do Teatro do Sesi, estrelando Quartett. É a diva em seu estado mais fascinante.






Postado por Renato Mendonca

O Em Cena na visão dos gaúchos

25 de setembro de 2009 0

Bob Wilson, o puxador de tapetes

24 de setembro de 2009 13

RENATO MENDONÇA

Porto Alegre experimentou um tranco estético na noite de quarta-feira. A revolução durou quase duas horas e teve lugar no Teatro do Sesi durante a apresentação de Quartett, marcando a estreia da obra do diretor Bob Wilson em palcos gaúchos. A montagem encaminhou o encerramento do 16º Porto Alegre Em Cena, mas pode ser considerada como o início de uma nova cena em Porto Alegre.

Alguns desconfiados reclamaram que a obra do encenador americano chegou com um atraso de pelo menos 20 anos à capital gaúcha, que sua estética já estaria datada, que nada mais ele teria a acrescentar. Mas a importância do Quartett vai bem mais além que a atualidade de correntes artísticas. Quem foi ao Teatro do Sesi foi apresentado a um espetáculo de produção esmerada (e caríssima, fora de nossos padrões), pôde assistir ao vivo à performance apaixonada e apaixonante da diva Isabelle Huppert mas, principalmente, foi confrontado com uma forma de teatro total, inédito - e inesquecível.

O ponto de partida do Quartett de Wilson é o texto de Heiner Müller, por sua vez adaptado do original de Choderlos de Laclos. A trama opõe a Marquesa de Merteuil (Huppert) e o Visconde de Valmont (Ariel Garcia Valdés), dois ex-amantes viciados em juventude, sedução e sexo. De uma disputa entre esses gêmeos (gênios) do mal surge o desafio de Valmont seduzir a virginal sobrinha da Marquesa. Por trás do joguinho sexual, entretanto, reside o principal tormento da dupla Merteuil e Valmont: por que eles não são deuses? Por que lhes escapa o poder de manobrar tempo, matéria e juventude? Então, Bob Wilson entra em cena.

É impossível tentar descrever Quartett de maneira tradicional, isolando os elementos da encenação. A principal característica de Wilson é justamente a de que ele não distingue luz, gesto, som, intenção, cenografia - ao contrário, descobre suas complementariedades e as integra. Seu método parece começar pela identificação radical do que existe de essencial nas tramas e personagens. A partir daí, os personagens se constroem naturalmente na forma de andar, no penteado, no timbre da voz, na maneira como se replicam uns aos outros, no tipo de luz que exigem. A interpretação realista é repudiada - não se está em cena para reproduzir a vida, mas para investigar a vida. Cada encenação de Wilson se assemelha a um organismo original, à qual os espectadores têm acesso às vísceras e intenções.

Desse descarnamento do que é supérfluo surgem cenas fragmentadas, como se a realidade tivesse a dinâmica da memória e do sonho, que aproveitam o que é real para atribuir significados que são sonegados pela consciência vigilante. A insistência da Marquesa em repetir uma frase, por exemplo, não é gratuita: pode ser a urgência de sua vida, mas pode ser também a insistência do encenador em marcar um ritmo para a cena. O penteado da personagem de Huppert, um coque projetado no espaço, desafiando a gravidade e o bom gosto, expõe a compulsão da Marquesa em se dar ao mundo - mesmo que esse mundo seja seu objeto de ódio, pois carrega com ele a certeza da extinção, da velhice, da impotência.

Wilson, além de ser uma maiores diretores da atualidade, é um excelente puxador de tapetes. Se o público pensa em acompanhar a trama, Wilson picota as cenas. Se os espectadores tentam se fiar no texto, Wilson radicaliza ainda mais _ no final de Quartett, as falas da Marquesa e do Visconde estavam trocadas. Bom, restava encarar Quartett como um espetáculo normal, em que a plateia se envolve com o que está em cena. E, mais uma vez, Wilson puxa o tapete _ cada cena ou mudança de clima é marcada por um som, quase de chicote, quase de régua de professor batendo na mesa para chamar a atenção dos alunos, deixando claro que se está frente a uma forma de arte, que a realidade não está no palco.

Essa mania de puxar o tapete porém tem o efeito colateral de afastar o espectador, ao menos no campo emocional. Ao final de Quartett, o contentamento do público que lotou o Teatro do Sesi podia ser creditado muito mais à fruição estética e à descoberta de uma maneira original de se fazer teatro, em que atores, cenário, luz e som são um quarteto indissolúvel. Mas seria difícil identificar alguém que tivesse se comprometido emocionalmente com Quartett. O descarnamento citado acima também cobra seu preço. Ao oferecer apenas (como se não bastasse) o essencial, Bob Wilson reduz a margem de manobra do espectador, de alguma maneira sonegando-lhe o direito de elaborar por sua conta os personagens e as relações entre eles, de ter uma participação maior no resultado do espetáculo.
 
De quebra, Quartett ainda serviu de eco para as comemorações da Semana Farroupilha: é uma façanha para qualquer sala de espetáculos ter condições de suportar as exigências das montagens de Bob Wilson, que incluem iluminação e cenografia fora de série. E o Teatro do Sesi se saiu muito bem.

A cena final de Quartett, desta vez sutil e delicada, acabou ocorrendo depois de terminada a peça, por volta de 23h de quarta-feira. Ao agradecer aos aplausos em pé de quase 1,8 mil pessoas, Isabelle Huppert traía de leve um sorriso em seu rosto ainda concentrado. Talvez consciente de que foi a estrela de uma pequena revolução.

Postado por Renato mendonca

O Comentário do Prêmio Braskem

23 de setembro de 2009 1


Os vencedores do 4 Prêmio Braskem Em cena, em foto de Angela Alegria/PMPA

RENATO MENDONÇA

A montagem O Sobrado, dirigida por Inês Marocco, foi a grande vencedora do 4º Prêmio Braslkem Em Cena. Os outros vencedores, anunciados na noite de segunda-feira, no palco do Theatro São Pedro, foram Zé Adão Barbosa (melhor diretor por A Arca de Noé), Daniel Colin (melhor artista masculino pela atuação em A Vida Sexual dos Macacos e O Médico à Força) e Araci Esteves (melhor artista feminina pela atuação em MarLeni).

Os méritos dos vencedores são evidentes. Marocco utilizou o espaço alternativo do antigo prédio dos Correios para reinventar as história da família Cambará, recuperando o clima épico e telúrico sem ranço que caracterizam a obra de Erico Verissimo. Algumas irregularidades no elenco, formado por alunos do Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS, não desqualificam a montagem, que tem destaque na atuação de Rodrigo Fiatt.

Zé Adão Barbosa já havia montado A Arca de Noé nos anos 1980, e o tempo melhorou ainda mais a montagem. Não foi à toa que ele insistiu que a premiação devia ser dividida com Marcelo Delacroix, que fez a direção musical: A Arca de Noé pode ser comparada a um brinquedo perfeito, uma caixa de música que oferece emoção e diversão à vontade e às mancheias. Alguns peças  infantis chegam a desanimar quando se pensa que é aquele o primeiro contato das crianças com o teatro. A Arca de Noé é o contrário: o petiz certamente vai entender o palco como uma nau onde cabem todos os seus sonhos... e vai querer voltar.

A premiação de Daniel Colin como melhor ator se deveu objetivamente ao brilho e ao ecletismo que ele mostrou ao viver um obcecado pelas causas e efeitos da sensualidade (em A Vida Sexual...) e um mandalete divertidíssimo (em O Médico à Força). Mas, de alguma forma, é reflexo dos cinco anos que o grupo dele, o Teatro Sarcáustico, completou. Araci Esteves foi a melhor atriz por sua interpretação de Marlene Dietrich, em MarLeni _ atriz consagrada, o papel de uma diva temperamental e irônica lhe caiu como uma luva de gala.

Os limites da premiação não devem, entretanto, não devem esconder outros motivos de comemoração. Teresa e o Aquário, direção de João de Ricardo, abre um campo de experimentação que mistura teatro físico, recursos multimídia e dramaturgia sem concessões. Desvario, de Tainah Dadda, apesar de seus problemas de ritmo e de desenho dramático, entusiasma pela prazer do elenco em cena e pela disposição da diretora em incorporar a improvisação no trabalho final. Os dois espetáculos de dança _ Ditos e Malditos (do Terpsi) e Mulheres Fortes em Corpos Frágeis (do Grupo Gaia) comprovam o bom momento dessa área ao buscarem inspirações e espaços diferenciados, usando o humor como elemento essencial em suas montagens.

(publicado no Segundo Caderno em 23/9/09)

Postado por Renato mendonca

A tradição da dança em cena

23 de setembro de 2009 1


Les Noces, foto de João Caldas e Alceu Bett


Durante a cobertura do Porto Alegre Em Cena 2009, o Segundo Caderno convidou vários artistas para registrarem suas opiniões no jornal sobre as atrações do festival. A opinião da Angélica Boff sobre a São Paulo Companhia de Dança não pôde sair em papel, mas sai aqui no Caco em versão "blog". Confira:

Angélica Bersch Boff

 

Este ano, o Poa em Cena nos traz um presente significativo. Na última 5ª e 6ª feira esteve em Porto Alegre, pela primeira vez, a mais recente companhia brasileira de bailarinos pagos, a São Paulo Companhia de Dança. Um presente, por ser mais uma companhia com bailarinos literalmente profissionais, tanto por sua condição de empregados, como pelo mais alto nível artístico.

 

Criado em 2008 pelo governo do Estado de São Paulo, este grupo é dirigido por Iracity Cardoso e Inês Bogéa, ambas figuras significativas para a dança no Brasil. Como parte de seus objetivos de trabalho trazem não apenas criações em dança contemporânea, mas também obras renomadas do século XX.

 

Com esta característica, a SP Cia de Dança brindou os gaúchos com dois ballets primorosos, criados na primeira metade do século XX. Les Noces é um ballet clássico – posto que criado para os Ballets Russes de Diaghilev – mas com cara do que havia de mais contemporâneo na época, em 1923. Trata-se de um trabalho revolucionário de Bronislawa Nijinska – irmã do famoso bailarino Nijinsky – com música de Stravinsky. Este Ballet é inovador por diversos aspectos. Em primeiro lugar, faz parte de uma seqüência de criações inovadoras, filiando-se às obras mais irreverentes daquela Companhia do início do século passado. Em sua concepção, acabou por ser dança contemporânea, desenvolvida a partir da técnica clássica. Porque Les Noces não traz nada do velho ballet clássico de “bonecas de porcelana”. Ele trata de um tema pouco usado até então, as tradições e costumes dos camponeses russos sobre o casamento. Temos, assim, um ballet nada colorido e muito diverso do visual da época, que era embalada pela Belle Époque. Com sapatilhas de pontas não tão delicadas, mas contundentes, e também homens dançando com muito vigor, demonstrando alta técnica e performance.

 

O outro Ballet apresentado pela companhia em Porto Alegre foi Serenade, 1935, de George Balanchine – emigrado dos mesmos Ballets Russes. Esta é uma obra criada como parte de aulas, quando Balanchine  desenvolvia seus primeiros anos de trabalho para o que viria a se tornar o grande American Ballet Theatre. Com música de Tchaikovsky, Serenade é uma série de variações da mais alta técnica do ballet clássico, e que apresenta uma das mais fortes características deste coreógrafo: seus ballets sempre parecem ser atemporais, como se pertencessem a cada nova época, a cada novo bailarino que os interpreta.

Historiadora e bailarina

Postado por Renato mendonca

E por falar em Falos

18 de setembro de 2009 0

Apesar da chuva de ontem à noite (para azar de todos nós, parece que estamos assistindo ao Porto Alegre Em Chuva), o Falos & Stercus não cancelou a performance na fachada da Fundação Iberê Camargo, para marcar o lançamento do livro Falos & Stercus / Ação & Obra - Trajetória Marcada Por Inconformismo e Prazer,  escrito pelo jornalista Helio Barcellos Jr.

O livro promete, não só pelo seu ineditismo - ainda são pouquíssimos os registros em livro na área das artes cênicas -, mas também pela sua voltagem polêmica _ Helio construiu seu texto a partir de sinceras e provocadoras entrevistas com quatro fundadores do F&S, os atores-diretores Marcelo Restori, Alexandre Vargas, Fábio Rangel e Fábio Cunha.

Ah, e o caco escreveu promete porque o livro não pôde ser distribuído ontem à noite, devido a problemas no acabamento gráfico. Na próxima quinta-feira, o Falos & Stercus deverá realizar a entrega de fato do livro.

Como homenagem ao F&S, o Caco publica fotos do membro mais jovem do grupo - e ator mais jovem do Em Cena 2009 - Fredericco Restori, filho de Marcelo. Quem quiser conferir o perfil que o Segundo Caderno publicou sobre Fredericco pode acessar o pdf  desse post.


Fredericco Restori em foto de Mauro Vieira, esclando a fachada da Fuindação Iberê Camargo


O diretor do Falos & Stercus, Marcelo Restori, e seu filho, Fredericco.
 Foto de Arivaldo Chaves

Perfil de Fredericco Restori, publicado no Segundo Caderno de Zero Hora

Postado por Renato mendonca

Ele vai rugir

18 de setembro de 2009 0

No caderno Cultura de sábado, confira um perfil do iluminador João Acir, o Tigrinho. Como aperitivo, o Caco publica duas das fotos que Tadeu Vilani fez de Acir, no palco da Sala Álvaro Moreyra.


Postado por Renato mendonca

Festival no fim, ingressos no fim

18 de setembro de 2009 0

A lista de montagens ainda com ingressos à venda às 11h de sexta:

A Arca de Noé

A Vida Sexual dos Macacos

Antes do Café

Dúplice

Les Noces e Serenade  

Luisa se Estrella Contra su Casa

O Dragão (hoje)

O Silêncio dos Amantes

Ouvidos ao Mistério

Rainhas (hoje)

Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores

Van Gogh (hoje)

Postado por Renato mendonca

Ainda tem lugar

17 de setembro de 2009 0

Lista atualizada na tarde de quinta-feira com os espetáculo do cena que ainda não estão com suas lotações esgotadas:

A Arca de Noé

A Vida Sexual dos Macacos

Antes do Café

Caio F – Três Monólogos

Cru

Dúplice

Les Noces e Serenade  

Luisa se Estrella Contra su Casa

Marleni

Medida por Medida

O Dragão (dia 18)

O Silêncio dos Amantes

Ouvidos ao Mistério

Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores

Tercer Cuerpo


Postado por Renato mendonca

Ainda há ingressos!

16 de setembro de 2009 2
Os espetáculos do Poa em Cena que ainda possuem ingressos à venda:

 

A Arca de Noé

A Vida Sexual dos Macacos

Antes do Café

Batata

Caio F – Três Monólogos

Cru

Ditos e Malditos

Dúplice

Kahlo Viva La Vida (dia 16)

La Madre Impalpable (dia 16)

Les Noces e Serenade  

Los Siete Gatitos

Luisa se Estrella Contra su Casa

Marleni

Medida por Medida (dia 16)

O Dragão (dia 18)

O Silêncio dos Amantes

Ouvidos ao Mistério

Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores

Tercer Cuerpo (dia 16)

Postado por Renato Mendonca

Misia e seu novo fado

15 de setembro de 2009 1

Misia em foto de Youssef Nabil, divulgação

Quando pisou no palco do Theatro São Pedro,  11 anos atrás, no 20 de setembro de 1998, Mísia já era aclamada a sucessora de Amália Rodrigues no posto de grande dama do fado. Na ocasião, a cantora portuguesa, veio à Capital como convidada de Maria Bethânia. Nesta quarta-feira, Mísia sobe novamente ao palco do São Pedro (ingressos esgotados), às 21h, consagrada como uma das grandes divas contemporâneas da canção, daquelas clássica, em que talento musical e vigor cênico comungam para criar uma artista rara.
Um dos grandes destaques da programação do Porto Alegre em Cena, a fadista tem um forte vínculo com o Brasil, como conta na entrevista que concedeu a Zero Hora, por e-mail. Susana Maria Alfonso de Aguiar, nascida no Porto, em 1955, tem na sua lista de contatos com a música brasileira a admiração por Chico Buarque e a amizade com Adriana Calcanhotto, que faz uma participação especial no show de hoje, já com ingressos esgotados.
Mísia vai apresentar o show 
Ruas, nome de seu mais recente disco, estruturado em dois atos. No primeiro, um momento mais lírico com um tributo a Lisboa, pelo ponto de vista de quem mora longe e tem saudades de casa. O segundo momento traz canções de artistas como Cameron de la Isla, Joy Division, Nine Inch Nails e Chico Buarque. Mísia se apresenta acompanhada de Bernardo Couto (guitarra portuguesa), João Bengala (viola de fado), Daniel Pinto (baixo), Luis Cunha (violino) e Geoffrey Burton (guitarra).

 
Zero Hora - Nasceste em Portugal, filha de pai português engenheiro e mãe espanhola bailarina. Tua formação artística se deu em Barcelona, e acabaste estabelecendo tua base entre Espanha, Portugal e França. Como essa vocação cosmopolita repercute em tua música?
Misia -
Não só estas circunstancias do destino, mas também e sobretudo os muitos anos de turnês. O mundo passa por mim e transforma-me, pois eu sou como uma esponja curiosa. Gosto de encontrar os signos da minha própria cultura em outros lugares da terra e gosto de me "contaminar", não há arte pura. Fico com tudo aquilo que me emociona e não amputo nada. O meu último álbum duplo RUAS (Lisboarium & Tourists) é o melhor exemplo pois é local (as sonoridades de Lisboa) e ao mesmo tempo procura o mesmo sentimento trágico com o destino que o fado tem, mas... noutras culturas, noutros intérpretes, noutras línguas.

ZH -_ Nos fados que cantas, há lugar para piano, acordeão e violoncelo, mas também para para guitarra elétrica. Existe alguma fronteira entre tradição e revolução? Ou o que é revolução agora vai se transformar em tradição, e vice-versa?
Misia -
Eu incorporei no fado, a partir do disco Garras dos Sentidos, ao lado do trio de guitarras tradicionais, as vozes musicais do acordeão e do violino, o que passou a ser considerado "o som de Misia", mas não foi com nenhuma intenção revolucionária. O fado é tocado nas ruas de Portugal por esses instrumentos e assim eu o ouvi pela primeira vez na minha vida. Pedi a Maria João Pires para me acompanhar ao piano e teria pedido mesmo se ela tocasse outro instrumento _ pedi pela sensibilidade e talento dela. Quanto à guitarra elétrica que Geoffrey Burton (músico de Iggy Pop) tocará também em Porto Alegre, ela esta presente no CD & Tourists acompanhando Love Will Tear us Apart, do Joy Division, e Hurt, dos Nine Inch Nails, etc... não tocando fado. Mas estou de acordo que o que às vezes é um sacrilégio acaba transformando-se em tradição. A tradição no fado e noutras músicas urbanas sempre foi a renovação. O que seria revolucionário seria não mudar! (risos)

ZH - Em várias entrevistas tuas, há referência sobre a tua franja de cabelos pretos, tua performance dramatizada e marcante no palco. Em que medida a imagem de um artista em cena pode determinar inclusive a maneira como sua musica é entendida pelo público?
Misia -
A minha franja......! Bom a franja é como o cortinado de cena que amoldura a cara que é branca como um papel vazio onde se escreverão as emoções.... Tudo isto foi pensado depois de tantas entrevistas que me fizeram pensar por quê a franja era tão importante para os outros A franja, o grafismo, o preto, tudo isto canaliza o barroco das minhas emoções, que são físicas e excessivas..... Gosto de artistas expressionistas. Cantar fado para mim é uma experiência emética, que me ajuda a viver e a passar um bálsamo sobre as cicatrizes da vida

ZH - Já colaboraste com José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Maria Bethânia e William  Christie. O que criadores tão diversos têm em comum contigo?
Misia -
É porque no trabalho deles há Inferno e paraíso, força e sensibilidade. É porque falam da vida naquilo que fazem. O que a mim me interessa, e é isso que sinto em comum com eles, é falar da vida, e o fado é so um meio não um fim. A obra desses artistas tal como a de Bill T. Jones, Patrice Leconte, Isabelle Huppert _ com quem também colaborei _, transcende a disciplina artística . Gostaria muito de colaborar com Sebastião Salgado e com Chico Buarque.... Talvez o Destino.....

ZH - Podes contar como foi tua aproximação com Adriana Calcanhotto? Tu e ela farão participações uma no espetáculo da outra. Podes adiantar em quais músicas?
Misia -
Há muitos anos que sigo O Caminho de Adriana (um bom titulo para um disco) e estou atenta. Eu que sou só uma intérprete com a única autoria das minhas escolhas, admiro o talento dela para compor canções com uns textos tão perfeitos, onde o coração pensa e a cabeça sente. Cantei fado para ela em Lisboa numa casa de Fados. Depois convidei-a para o meu concerto no Festival Unicas no Palau da Musica de Barcelona. Em seguida, ela convidou-me noutro ano no mesmo Festival para o concerto dela em Madri, e agora convidamo-nos mutuamente na cidade dela em Porto Alegre. Adoramos animais e trocamos gatos, cães, salchichas, pinguins e passarinhos lindos por internet pois eu sou mocho e adormeço muito tarde, e ela ainda esta acordada no Brasil.... Talvez até editemos um livro com nossos mails!

ZH - No teu site contas que ouves tanto a cantora lírica sueca Anne Sofie Von Otter quanto a música eletrônica e pop do Depeche Mode. Há lugar também para a música brasileira? Que influência a música brasileira pode ter tido em tua formação? Qual música brasileira gostarias de incluir no teu repertório?
Misia -
A música brasileira teve imensa influência na formação da minha sensibilidade musical e artística. Pessoas como Caetano Veloso , Chico Buarque e sobretudo Maria Bethânia foram ouvidas por mim toooodos os dias na minha adolescência em Portugal. No meu primeiro disco cantei Samba em Prelúdio, depois cantei um poema de Carlos Drummond de Andrade no disco Paixões Diagonais, no meu projeto Saudades Sinfônicas canto Modinha. Fiz quatro concertos no Brasil com Bethânia, depois de ela ter sido a minha convidada no programa Afinidades na Expo de Lisboa. Foi uma linda colaboração. No meu repertório futuro gostaria de fazer um disco inspirado pelo Brasil, não só pela música. Manoel de Barros teria de estar, Raduan Nassar também, Chico Buarque (cruzo os dedos), um tema inspirado pela Clarice Lispector, outro por Tarsila do Amaral, etc, etc, e outros que vou descobrir...

ZH - É costume se dizer que a música brasileira incorporou um quê de melancolia dos portugueses, que pode ser percebida especialmente nas melodias e harmonias do fado. Concordas com isso? O fado é mesmo uma música triste?
Misia -
Não acho o fado triste, mas, sim, profundo. A saudade brasileira é mais sensual que a saudade portuguesa. Quando numa canção brasileira eu ouço "saudade", penso em presença física, desejo de carícias, beijos, etc. Sentimos a vida de maneiras diferentes, e isso é bom.

Postado por Renato mendonca

Lotação esgotada

10 de setembro de 2009 1

Lotações esgotadas às 11h de quinta-feira:

- A Mulher que escreveu a Bíblia (dias 14 e 15)

- Ato (dias 13 e 14)

- Balangandãs - Ná Ozzetti (dia 20)

- Batata (dia 15)

­- Crépuscule des Océans (dias 12 e 13)

- Giacomina en Voyage (dias 15, 16 e 17)

- In Paradisum (dias 19 e 20)

- Kahlo Viva la Vida (dias 15, 16 e 17)

- La Madre Impalpable (16, 17 e 18)

- Medida por Medida (dia 17)

- O Dragão (dia 19)

- O Médico à Força (dia 12)

- O Sobrado (dias 13)

- Qualquer Coisa de Intermédio - Adriana Calcanhotto (dia 15)

- Quartett (dias 23 e 24)

- Rainhas – Duas atrizes em busca de um coração (dias 18 e 19 – sessão das 18h) 

- Ruas - Mísia (dia 16)

- Senhora dos Afogados (dia 12)

- Tempo Fragmento (dia 11)

- Tercer Cuerpo (dia 17)

- The Voca People (dias 13 e 14)

- Van Gogh (dias 18, 19 e 20)


Postado por Renato Mendonca

A marcha dos ingressos

09 de setembro de 2009 0

Atualização do espetáculos do Em Cena que estão com lotação esgotada, ao meio-dia de quarta-feira:

- A Mulher que escreveu a Bíblia (dias 14 e 15)

- Ato (dias 13 e 14)

- Balangandãs - Ná Ozzetti (dia 20)

- Batata (dia 15)

­- Crépuscule des Océans (dias 12 e 13)

- Giacomina en Voyage (dias 15, 16 e 17)

- In Paradisum (dias 19 e 20)

- Kahlo Viva la Vida (dias 15, 16 e 17)

- Kiss Bill (dia 9)

- La Madre Impalpable (16, 17 e 18)

- Medida por Medida (dia 17)

- O Dragão (dia 19)

- O Médico à Força (dia 12)

- O Sobrado (dias 13)

- Pássaro da Noite (dia 9)

- Qualquer Coisa de Intermédio - Adriana Calcanhotto (dia 15)

- Quartett (dias 23 e 24)

- Rainhas – Duas atrizes em busca de um coração (dias 18 e 19 – sessão das 18h) 

- Ruas - Mísia (dia 16)

- Senhora dos Afogados (dia 12)

- Tempo fragmento (dia 11)

- Tercer Cuerpo (dia 17)

- The Voca People (dias 13 e 14)

- Van Gogh (dias 18, 19 e 20)

  

Postado por Renato mendonca

Kiss Bill não acerta o passo

09 de setembro de 2009 4



"Kiss Bill" em imagens de Tadeu Vilani

RENATO MENDONÇA

O espetáculo de dança canadense Kiss Bill abriu há pouco a programação do 16º Porto Alegre Em Cena. Antes dos três toques, o público que lotou o Teatro do Bourbon Country exibia o estado de espírito esperado: euforia e nervosismo, na expectativa do iníco de um festival que reunirá quase 60 atrações de nove países. A criação da coreógrafa portuguesa Paula de Vasconcelos, entretanto, frustrou a expectativa, ao menos em parte.

Não que Kiss Bill tenha desagradado ao público, ou que tecnicamente seja condenável, mas passou longe de provocar entusiasmo. A ideia inicial era desconstruir o machismo a partir da obra do cineasta Quentin Tarantino, e Paula soube perceber muito bem o potencial coreográfico e de histrionismo que as "lutas" retratadas pelo diretor americano carregam.

O problema fundamental, no entanto, é que a criadora não percebeu que a principal qualidade de Tarantino é manipular pastiches e paródias, sem nunca - isso é importante - perder a capacidade de rir de si mesmo e de sua obra. O diretor americano sabe que muitas vezes é apenas um reprocessador do que já viu e gostou (chega a escorregar no plágio), mas não esconde isso - convoca o público a compartilhar com ele essa compulsão imitativa. Assume uma estética de glorificação de estereótipos machistas, marcados pela estrita definição de papeis do homem e da mulher e pela simplificação característica da dramaturgia minimal e precária dos quadrinhos, mas não se leva a sério.

Paula, não. Kiss Bill começa bem, marcando claramente dos dois lados - homens dançando ao som de Santa Esmeralda em movimentos viris, enérgicos. A mulher também está encharcada dessa estética, e dança atrás de um biombo, resumida a uma silhueta. Para garantir o humor, estão em cena, com falas tradicionais de teatro, um diretor de cinema e sua assistente discutindo compromissos inadiáveis da produção de um filme.

A proposta de Paula mostra-se dramaturgicamente limitada. Os homens começam de preto e sapatos, a mulher de verde e descalça. Ao longo do tempo, os homens se humanizam, perdem os sapatos, ganham cor verde em sua roupa. As coreografias, que antes afastavam os bailarinos, passam a aproximá-los. Seria, como deu para perceber, o triunfo da sensibilidade sobre a frieza.

Problemas: esse desenho dramatúrgico é muito previsível, e torna-se perturbador (no mau sentido) quando o Eden é atingido tendo ao fundo uma mata verde. Algo como o bom selvagem pródigo à casa torna. Também acaba se perdendo o momento exato de encerrar o espetáculo: quando a mulher executa mais ou menos a mesma coreografia do início de Kiss Bill, só que desta vez à frente do biombo, afirmada em carne e osso. E, finalmente, homens e mulheres dançam juntos e em harmonia. Mas, pena, se seguem cenas visualmente agradáveis, mas carentes de sentido maior. E Kiss Bill chega ao seu  final sem clímax - coisa que Tarantino sabe fazer como poucos.

Leia, quinta-feira no Segundo Caderno, comentário do coreógrafo Airton Tomazzoni sobre Kiss Bill, abrindo a série O Artista na Plateia, em que artistas gaúchos são convidados a darem sua visão soobre as atrações do Em Cena

Postado por Renato Mendonca