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Posts de junho 2010

Ensaio sobre a crueldade

23 de junho de 2010 0

Do Segundo Caderno de ZH:

De atores boa-pinta o mundo está cheio. Thiago Lacerda agora quer mais. Garante que o espetáculo que traz à Capital a partir de amanhã, em curta temporada no Theatro São Pedro, é um dos projetos mais significativos de seus 11 anos de carreira - senão o mais. Uma experiência "única e fundamental":

- Calígula me levou a um lugar aonde nunca tinha ido. A pesquisa técnica me tornou um ator mais interessante do que eu era antes - afirma a ZH, por telefone.

Se resta alguma dúvida, ele adverte:

- Quem for assistir esperando o ator de novela não vai encontrar.

Thiago deixou momentaneamente de lado os papéis de mocinho para incorporar o personagem-título da peça de Albert Camus (1913 - 1960), escrita em 1938 e revista antes de sua estreia mundial em 1945. O escritor francês nascido na Argélia inspirou-se no clássico da historiografia A Vida dos 12 Césares, de Suetônio, biógrafo que viveu no primeiro século da Era Cristã.

Calígula é tido como o mais insano e perverso dos imperadores de Roma. A peça começa com a morte de sua irmã Drusilla, com quem mantinha uma relação incestuosa. Em busca de um sentido para a existência, à maneira de um Hamlet às avessas, é acometido pelas mais extravagantes obsessões - como a abertura de um bordel público com as esposas dos nobres, concedendo uma ordem do mérito para os frequentadores mais assíduos.

Finalizado no pós-guerra, o texto de Camus pode ser entendido, entre outras leituras possíveis, como uma crítica ao absurdo dos regimes autoritários.

A equipe da montagem paulista que estreou no final de 2008, dirigida por Gabriel Villela, está preocupada com a imagem deixada pelo filme Calígula (1979), de Tinto Brass - produção de alta voltagem erótica que não foi baseada na peça de Camus, mas se tornou a mais famigerada referência artística sobre o imperador romano. Em comum entre os dois - filme e peça -, apenas o título. O diretor afirma que a herança maldita dificultou a captação de recursos para o espetáculo. Segundo ele, muitas empresas não quiseram associar suas marcas ao tema:

- Tinto Brass filmou um cult pornográfico que, de certa maneira, maculou o nome da peça - diz Villela.

Mais conhecido por seus romances e ensaios, como O Estrangeiro (que teve adaptação teatral com Guilherme Leme e direção de Vera Holtz apresentada na Capital em março), Camus tem em Calígula, no entanto, uma obra de maturidade.

A encenação opta por uma concepção próxima do teatro épico de Brecht, que valoriza a palavra: segundo o diretor, os atores relatam o texto mais do que o interpretam. Um procedimento brechtiano também é utilizado na composição do protagonista. Villela afirma que buscou referência na figura histórica de Garibaldi, que o próprio Thiago Lacerda interpretou na minissérie A Casa das Sete Mulheres, em 2003.

- Thiago tem o physique du rôle (o tipo físico do papel) dos pampas. A tendência que se tem é associar Garibaldi a um herói romântico, mas ele também foi um mercenário. Propus que o Thiago trouxesse ao Calígula essa dialética - explica o diretor.

CALÍGULA
Texto de Albert Camus, direção de Gabriel Villela.
Com Thiago Lacerda e elenco.
De quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Duração: 100 minutos. Classificação: 14 anos.
Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº), fone (51) 3227-5100.
Onde estacionar: no Estacionamento Multipalco (entrada pela Rua Riachuelo), a R$ 10.
Ingressos: R$ 40 (plateia), R$ 35 (camarote central e cadeiras extras), R$ 30 (camarote lateral) e R$ 25 (galerias). Desconto de 10% para titular do Clube do Assinante.

O novo começo de Eva Schul

20 de junho de 2010 0

Neste fim de semana foi encerrada a temporada de Dar Carne à Memória II, segundo espetáculo do projeto de mesmo nome em homenagem à trajetória da coreógrafa e professora Eva Schul, uma das pioneiras da dança moderna no Rio Grande do Sul. A primeira realização do projeto (foto acima, com a coreografia Catch ou Como Segurar um Instante) esteve em cartaz no final de maio.

Mesmo com o fim da temporada, as atividades continuam. Uma equipe está encarregada de resgatar e digitalizar materiais que documentam a carreira de Eva. Na entrevista abaixo, concedida na ocasião desta matéria publicada em ZH, a coreógrafa fala sobre o projeto e avalia a situação da dança no Rio Grande do Sul.


Zero Hora - Quais foram as motivações do projeto Dar Carne à Memória?
Eva Schul -
Em 2008, coreografei um solo para a (bailarina) Mônica Dantas e ela me convidou para entrar em cena junto. Transformamos o solo em um duo e fizemos o espetáculo Tatuagens. Aí veio a ideia de fazer um projeto de memória, já que eu tenho um trabalho coreográfico há tanto tempo. Inscrevemos no Klauss Vianna (prêmio de dança da Funarte) e foi aprovado. Algumas dessas memórias, como a coreografia Um Berro Gaúcho, dos anos 1970, tiveram que ser recriadas. Eu tinha o roteiro, a trilha, mas não tinha registro das apresentações. Então, as coreografias foram recriadas sob um olhar atual. Um Berro Gaúcho foi um marco não só da minha carreira. Foi uma grande revolução na dança gaúcha.

ZH - Como foi tua volta para Porto Alegre, na dédada de 1990?
Eva -
Eu tinha sido uma das criadoras do Curso Superior de Dança da Faculdade de Artes do Paraná. Certa vez encontrei o pessoal do Ieacen (Instituto Estadual de Artes Cênicas do RS) em Salvador. Me convidaram para fazer uma assessoria em um projeto semelhante em Porto Alegre. Era 1991. Voltei para cá e montamos o Centro de Formatividade em Dança. Quando o projeto acabou, os alunos ficaram perdidos, então vieram para minha mão. Assim surgiu a Ânima Cia de Dança. O primeiro elenco contou com gente madura, que já tinha dançado comigo nos anos 1970 no grupo Mudança, onde surgiu muita gente de talento no panorama gaúcho.

ZH - Como estão as atividades do Ânima?
Eva -
Quando formo bailarinos, formo criadores. Eles começam a desenvolver sua própria linguagem. Então, também exportei muitos talentos. Alguns foram embora para grandes companhias. Muitos foram para o exterior e outros para companhias estáveis do país, como a Cena 11 (SC) ou o Tápias (RJ). O grupo estava parado há três anos, talvez mais. Então, era hora de criar um novo elenco. Agora, no primeiro espetáculo do projeto Dar Carne à Memória, tivemos bailarinos muito jovens com os quais pretendo retomar as atividades do Ânima a partir de agora. São bailarinos que estão mais ou menos começando sua vida profissional.

ZH - No segundo espetáculo do projeto (que esteve em cartaz até este domingo, 20/6, na Capital), o elenco é de bailarinos experientes, que já trabalharam contigo.
Eva -
Nesta segunda etapa é diferente. Não são obras completas, mas trechos extraídos de obras grandes. O elenco tem bailarinos que fizeram o primeiro Ânima, ao longo dos 20 anos da companhia. Todos também são criadores. O espetáculo pode ser definido como uma apropriação das obras em novos corpos.

ZH - Podes comentar a terceira e última parte do projeto?
Eva -
É uma grande documentação da minha trajetória que talvez mais tarde seja transformada em livro, exposição ou DVD. Por enquanto, estamos reunindo todo material que podemos: depoimentos, gravações, matérias. Tem um pessoal encarregado de digitalizar tudo. Conseguimos inclusive mobilizar pessoas que participaram do Mudança. O Nico Nicolaiewsky, que foi bailarino do grupo, deu um depoimento. Sempre privilegiei trilhas de compositores gaúchos. No primeiro espetáculo - Dar Carne à Memória I - , duas das três obras eram com trilha original. Teve Antonio Villeroy, Ricardo Severo, Celau Moreira, Toneco da Costa, Carlinhos Hartlieb, Nico Fagundes, Gunther Andreas.

ZH - Olhando retrospectivamente, tu separas a tua trajetória em fases?
Eva -
Com certeza. Quando comecei, nos anos 1960 e 70, era um trabalho experimental, laboratorial, em cima de ideias. Depois tive uma fase de dança moderna, em que usávamos muito mais a linguagem corporal do que o trabalho conceitual. Mais tarde, foi virando dança contemporânea, com influência da minha experiência no exterior (aos 16 anos, ela se formou em balé e foi morar nos EUA). Fui aprimorando o estilo e o conteúdo. Quando voltei dos Estados Unidos, reorganizei meu trabalho de uma maneira adequada à cultura e aos corpos brasileiros. Aí já estava experimentando com o pós-modernismo e a dança contemporânea.

ZH - Essa mudança estava retratada no espetáculo Dar Carne à Memória I?
Eva -
Sim. As obras dos anos 1980, 90 e 2000 são muito diferentes. A primeira é dança-teatro, mais naturalista. A segunda tem um pouco de pop art, uma linguagem mais midiática. Nos anos 2000, já se enxerga que é o corpo que está falando. O que me interessa é o corpo como linguagem, e não como narrativa. Ele é conceito, não está a serviço de nenhuma história. Hoje trabalho muito em cima de Adorno (Theodor Adorno, filósofo alemão).

ZH - Já chegaste aonde querias em tua carreira?
Eva -
Acho que a gente nunca termina. Quando o artista acha que já fez tudo é porque não fez nada. Sou uma eterna insatisfeita. Aos 62 anos, só sei que não sei nada. É justamente essa ânsia pela busca de algo mais, de estar sempre tentando atingir o outro com as tuas ideias, que faz a obra ser mais do que simplesmente diversão ou lazer. Estou sempre indo além, nunca me acomodo. Fora isso, aprendi que ninguém tem uma única verdade. Utilizo o que os outros têm a me dar. Os bailarinos que trabalham comigo sempre se colocam dentro da obra.

ZH - Como tu avalias a evolução da dança no RS desde que começaste?
Eva -
Quando comecei, eu era a única. Estava no meio do deserto. Hoje, tenho meus pares e digo com muito orgulho que os bailarinos que saíram do Ânima têm trabalhos de grande valor. A dança gaúcha sempre teve altos e baixos, sempre dependeu de ter espaço e alguma verba. Sem isso, a dança não se sustenta. O bailarino precisa estar o tempo todo se aprimorando. Uma montagem é muito cara. É difícil se manter sem subsídios. E tem que pesquisar por muito tempo.

ZH - Essa situação tem mudado?
Eva -
Não estamos mal. Mas infelizmente não temos qualquer política cultural que facilite a vida dessa gente. Fiquei 20 anos fora do Brasil. Aqui é muito sacrificado. A gente volta por amor. O que me surpreendeu foi principalmente a falta de políticas culturais. É impossível chegarmos algum dia ao nível da França, por exemplo. Os dançarinos de lá conseguem viver razoavelmente só fazendo pesquisa.

Sandra Dani volta às origens

08 de junho de 2010 0

Na peça, a personagem não tem nome, é apenas a Mãe do Noivo. Nos créditos do elenco, ela é Sandra Dani, 62 anos, que completará 40 décadas de teatro no ano que vem. Uma das atrizes mais experientes em atividade no Rio Grande do Sul, esteve em cartaz recentemente em Bodas de Sangue, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Com texto de Federico García Lorca e direção conjunta de Luciano Alabarse e Luiz Paulo Vasconcellos, a peça voltará no dia 15 de julho, no Teatro Renascença, também na Capital.

Em entrevista ao blog Quarta Parede por telefone, esta descendente de espanhóis relembra memórias pessoais envolvendo a cultura daquele país (presente no espetáculo do início ao fim), explica como é seu trabalho de composição de personagem e critica produções teatrais que flertam com a linguagem da televisão. "É um equívoco tremendo", afirma.

***

Zero Hora - De que maneira Bodas de Sangue te remete a memórias familiares?
Sandra Dani -
Minha mãe era filha de espanhóis e eu tive influência dessa cultura desde cedo, principalmente da língua. Em casa, minha mãe costumava falar em espanhol conosco. Quando pequena, eu  lia Pato Donald em espanhol, por exemplo. Uma prima minha com mais idade recebia as revistas da Argentina e depois mandava para a gente, que morava em Osório (RS), onde meu pai era médico.

ZH - As referências que aparecem na peça - a dança, a música - te remetem a determinados episódios pessoais?
Sandra -
Remetem aos Natais, aos aniversários, encontros de família. Os espanhóis são pessoas muito musicais, que falam alto, como os italianos. Meu pai era filho de italianos, mas a Itália nunca esteve presente na minha vida. O contato com a familia da minha mãe sempre foi mais intenso. Para se ter uma ideia, até os nove anos eu só conhecia música espanhola - canções folclóricas que minha avó ensinava, por exemplo. Como eu gostava muito de cantar - e me incentivavam muito - minha mãe me levou ao Clube do Guri (programa da rádio Farroupilha veiculado nas décadas de 1950 e 60) . Lá, o pianista me disse: "Tens a voz muito bonita. Quem sabe cantas uma canção brasileira?". Tive um choque, fiquei envergonhada por não saber. Mas nunca me senti espanhola. Nasci aqui, tenho orgulho de ser brasileira.

ZH - Que características procuraste ressaltar na personagem, a mãe do noivo?
Sandra -
Acho que o perfil dessa mãe é heróico. Trágico e heróico. Ela lembra grandes figuras femininas da história, a exemplo de La Pasionaria, uma figura política espanhola, e Rosa Luxemburgo. São mulheres que têm uma retidão de caráter e que foram endurecidas pela vida. A minha personagem explode de paixão internamente, mas externamente é fria, porque a vida provocou isso. Ela teve que lidar com a morte do marido e de um dos filhos, criando o outro filho sozinha e enfrentando uma sociedade que era muito preconceituosa com a mulher – e muito religiosa, cheia de tabus.

ZH - O que pesquisaste para compor a personagem?
Sandra -
Li muito a respeito disso. Tenho em casa a primeira adaptação cinematográfica da peça, de 1938. Também tenho o filme do (diretor Carlos) Saura, mas nele não existe a figura da mãe. O drama é centrado na relação da noiva com o noivo e o Leonardo. O que não gosto é de ver montagens recentes. Para mim, isso interfere um pouco na composição da personagem. Cada um tem sua maneira de trabalhar, e eu gosto de ficar mais livre na minha concepção. Às vezes, tu encontras em outra montagem uma interpretação tão boa, tão poderosa, que depois fica difícil de se desligar daquela imagem.

ZH - Depois de tantos anos de trabalho com Luciano Alabarse e Luiz Paulo Vasconcellos, o ambiente de trabalho adquire um clima familiar?
Sandra -
Eu me formei em teatro com o Luiz Paulo, fui aluna dele (hoje são casados). O que se cria é uma situação de confiança. Quanto ao Luciano, ele sabe como me pedir as coisas, e eu sei o que ele pretende. Ele me dá espaço para criar, porque gosto de mostrar minha concepção da personagem – afinada com o diretor, obviamente. Nessa montagem ocorre também outro aspecto enriquecedor. Alguns são atores há muito tempo, como eu, que completarei 40 anos de teatro no ano que vem, ou a Lurdes (Eloy). E tem uma parte do elenco que é muito jovem. Há um crescimento de parte a parte, uma troca de energia, como o que ocorre com o Fabrizio (Gorziza), que faz o meu filho na peça. A cena com ele teve uma sincronia muito boa.

ZH - Como avalias a presença do público no teatro no Rio Grande do Sul?
Sandra -
O pessoal se queixa que tem diminuído, mas eu não sei. O que acho é que o povo do Rio Grande do Sul, e o porto-alegrense especificamente, precisa valorizar mais o trabalho de teatro feito aqui. Temos excelentes diretores, atores, músicos, técnicos, iluminadores, cenógrafos, figurinistas. Trabalhos belíssimos. E as pessoas às vezes preferem ver um trabalho que vem de fora simplesmente porque é feito por atores da Globo – que às vezes pode ser um bom espetáculo, mas na maioria das vezes não é assim. Não preciso nem dizer os nomes daqui que estão trabalhando no Rio e em São Paulo, pessoas que foram em busca de um mercado maior. Se o público se voltasse também para o teatro local, estaria favorecendo esse aspecto de mercado.

ZH - O teatro está perdendo espaço para outras formas de arte e entretenimento?
Sandra -
Cada segmento tem seu espaço. Mas as pessoas levam uma vida cada vez mais atribulada, às vezes têm dois, três empregos. Muitas vezes preferem tirar um DVD na locadora ou assistir a peças de teatro mais leves. Existem grupos que buscam trazer a linguagem da televisão para o teatro, achando que assim podem atrair um número maior de pessoas. É um equívoco tremendo, porque cada veículo tem sua linguagem.  Penso o contrário: que é justamente valorizando a linguagem do teatro que vamos fazer com que nosso trabalho se imponha.

ZH - Quais papéis da dramaturgia que ainda queres interpretar?
Sandra -
São vários, mas gostaria muitíssimo de fazer Esperando Godot, do Beckett. Está na minha perspectiva. Outra personagem que amaria interpretar é a Mãe Coragem (da peça Mãe Coragem e Seus Filhos) do Brecht.

Adeus a Kazuo Ohno (1906 - 2010)

03 de junho de 2010 0

Kazuo Ohno foi um dos principais nomes do butô, gênero que une dança e teatro criado no Japão na década de 1950, sob influência (entre outras referências) da dança de vanguarda europeia.

O dançarino e coreógrafo, que morreu nesta terça-feira (1º/06) aos 103 anos, estreou nos palcos aos 43. Teve influência de Tatsumi Hijikata, outro nome fundador do butô, responsável pelo espetáculo Cores Proibidas (baseado no romance de Yukio Mishima), de 1959, um marco do gênero.

Ohno obteve repercussão em 1977, com Admirando La Argentina, homenagem à dançarina espanhola Antonia Mercé (que tinha esse apelido), cujo trabalho o inspirou a se iniciar no mundo da arte. Foi a partir da década de 1980 que ele ficou célebre, dançando sempre caracterizado como mulher e maquiado com pó-de-arroz.

Kazuo Ohno esteve três vezes no Brasil, em 1986, 1992 e 1997. Sua influência nas artes cênicas por aqui pode ser vista, por exemplo, no histórico espetáculo Macunaíma (1978), de Antunes Filho. O Lume Teatro, de Campinas, é uma das companhias que têm no butô uma referência constante.

Confira nos vídeos abaixo por que Kazuo Ohno fará falta.