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Balardim: "Um bom espetáculo não tem faixa etária"

15 de maio de 2010 0

A companhia Caixa do Elefante estreia neste fim de semana a peça A Tecelã. As apresentações são hoje (15/5), às 21h, e amanhã (16/5), às 18h, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. O espetáculo, baseado em conto de Marina Colasanti, é sobre uma mulher (interpretada por Carolina Garcia) que utiliza a tecelagem para criar um universo imaginário que alivie a solidão. Tudo por meio de uma combinação de linguagens como teatro de bonecos, vídeo e dança.

A matéria sobre a peça você confere na edição de hoje de ZH. E, aqui no Quarta Parede, a entrevista que o diretor Paulo Balardim (na foto abaixo, ao lado de Carolina) concedeu, por telefone, para a reportagem.

Como defines o público-alvo do espetáculo?
Paulo Balardim -
A companhia Caixa do Elefante tem uma tradição de realizar espetáculos para o público familiar. Quando digo isso, perguntam: “O que vocês querem dizer com isso? Que não tem obscenidades?” (risos). Queremos que a família que vai ao teatro – tanto a criança quanto o adulto ou a vovó – curta o espetáculo. Um bom espetáculo não tem faixa etária.

Por que a ideia de resgatar histórias de tecelãs?
Minha formação é em literatura. Já no tempo da universidade era fã da mitologia grega. Quando conheci os contos da Marina Colasanti, tive uma identificação grande com o universo que ela abordava. A Marina resgata um série desses mitos de tecelãs famosas da mitologia. O mito de Aracne, a história de Penélope do Ulisses. Quando resolvemos montar o espetáculo, trabalhamos sobre esses mitos gregos, que identificamos ainda hoje em toda nossa cultura. A tecelagem é uma arte que trabalha muito com o universo feminino. Foi desenvolvida principalmente pelas mulheres.

Como foi o trabalho com os textos, tendo em vista que as atrizes não falam em cena?
Utilizamos os textos como fontes inspiradoras para compor uma dramaturgia visual. A música serve como fio narrativo. As pessoas do público que conhecem o conto da Marina e os mitos gregos vão identificar as imagens suscitadas, mas a dramaturgia é original.

E do ponto de vista da linguagem?
Fazemos uma mescla. É um trabalho de experimentação muito intenso que combina vídeo, teatro de bonecos e dança.

A peça tem um enredo ou é uma sequência de situações?
São cenas que vão se alinhavando, mas existe uma sinopse clara. É uma tecelã que tem o poder de transformar o material que tece em realidade. Ela é muito só e descobre que essa solidão pode ser preenchida com uma presença masculina. Exploramos as dificuldades da solidão que às vezes é mais uma sensação interna do que a ausência de alguém. Uma tecelã é capaz de tecer sua própria realidade e isso é uma metáfora do ato de criação, de criar uma história, um texto. Na peça, a Carolina (Garcia) é a protagonista, a tecelã, mas as três (Carolina, Alice Ribeiro e Rita Spier) são atrizes e ao mesmo tempo manipuladoras de bonecos. Temos usado um termo acadêmico para isso: atriz-animadora.

Vocês desenvolveram uma técnica de bonecos diferente da que vinham trabalhando?
O teatro de bonecos que temos desenvolvido é mais ligado às fontes tradicionais, homogêneas de teatro. O que estamos propondo agora é uma forma de teatro mais híbrida. São outros conceitos de teatralidade relacionados à plasticidade. Essa nova técnica de bonecos não foi criada por nós, mas estamos desenvolvendo. Caracteriza-se pelo uso de manequins, ou seja, bonecos em escala humana, como objetos simbólicos e manipuláveis. Exploramos as pausas, o silêncio.

Há inclusive uma relação entre a origem das palavras “tecelagem” e “texto”.
Exatamente. “Tecer” vem do latim tecere. É justamente isso: tramar fios, textos, palavras, ideias.

E a música do espetáculo, composta pelo Nico Nicolaiewsky?
Já vínhamos namorando o trabalho do Nico há algum tempo. Achamos que o tipo de música que ele faz estaria de acordo com o espetáculo: leve, divertido, mas com um conteúdo trágico. O Nico explora muito bem essa temática. Felizmente, ele se apaixonou pelo projeto. A música é imprescindível para o espetáculo.