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Posts do dia 12 março 2011

Bastidores do Resgate

12 de março de 2011 2

**Por Vanessa Franzosi (Correspondente Grupo RBS - Sucursal da Serra – Gramado)

Pé no barro por boas histórias

Para grandes histórias serem narradas, muitas vezes é preciso quase vivenciá-las, no mínimo, estar perto. Na quinta-feira, eu senti que precisava estar no Itaimbezinho para ver o que estava acontecendo, falar com parentes, tentar entrar no cânion (com guias, claro). Era o que eu precisava para contar aquela história.
Depois de várias ligações entre a editora da Zero Hora, a coordenadora da TV e editores do Pioneiro, foi decidida a minha ida, de Gramado, com o Valmir, motorista do Pioneiro, e o editor de fotografia do Pio, Ricardo Wolffenbüttel, que saíram de Caxias.
No caminho, dezenas de ligações para antecipar a matéria para o jornal do outro dia e também para atualizar informações das buscas. No meio do caminho, decidimos não ir a Cambará e descer a Praia Grande, em Santa Catarina, para acompanhar a possível saída dos bombeiros naquela ponta do parque Aparados da Serra. Só não imaginávamos que era tão longe e que fosse tão difícil chegar.
Depois de estar na cidade catarinense, pegamos uma estrada de chão e todos nos falavam pra não seguir até o Rio do Boi, onde precisávamos ir. O rio estava alto, invadiu a estrada de chão, cheia de pedras. Fomos passando por água e mais água até que deu, parou. Em uma descida, havia uma lagoa no lugar de chão. Ao lado, uma pinguela.
Nós precisávamos passar dali, já estava escurecendo, precisávamos chegar à guarita do parque (e ainda faltavam uns três quilômetros). Sem pensar muito, saí do carro com o Ricardo, vestimos as capas de chuva, cobrimos nossos equipamentos (ele a máquina fotográfica e eu minha câmera), e atravessamos a pinguela, seguiríamos a pé. Mas o Valmir, nosso motora, arriscou e passou a lagoa para acelerar nossa chegada ao destino.
Chegamos, já no escuro, sem poder entrar no parque, sem sinal de celular, sem telefone fixo e eu tinha que dar sinal de vida. Tinha que mandar matéria para os jornais impressos e imagens para a TV. Pelo rádio da guarita, pedi que outra base ligasse para a ZH e avisasse da situação.


Chequei mais algumas informações e voltei para a cidade, onde há comunicação. Ricardo continuou na base à espera  dos equipamentos dos bombeiros que estavam chegando. Somente depois, de carona, ele me encontrou em uma lan house. Pausa para a janta e depois procura por hotel em Praia Grande. Precisava de um local com banda larga, para mandar as imagens para a TV. Deu tudo certo e à 1h estava tentando dormir no meio de um mundo de mosquitos.
Na manhã seguinte, 6h45min toca o despertador. Precisávamos estar às 8h na guarita do parque para acompanhar a troca da equipe de buscas. Antes, pausa no meio do caminho, para gravar um boletim por telefone para o JA, falando do recomeço das buscas.
Mas ai, na chegada, nem saí do carro e me gritaram a boa notícia. Encontraram os desaparecidos. O Ricardo ficou no local e eu voltei até onde conseguisse sinal do celular. Liguei para a ZH, que alertou a Rádio Gaúcha, e para a TV. Gravamos um novo boletim. Entrei ao vivo na rádio e voltei ao local à espera do grupo de guias que entraria na mata fazer o resgate.


Quando eles chegaram, fiz imagens, Ricardo fez fotos e voltamos à cidade mandar o material, na corrida. Já era 11h e comer? Eu nem lembrei. Senti a falta de água e glicose três horas depois quando precisei correr, no meio da lama, para pegar imagens do homem sendo resgatado. Ela já havia saído e estava tentando entrevistá-la, quando, do outro lado, dentro da mata, ele apareceu. Corri, me senti tonta, quase desmaiei. Parei. Respirei. Não precisei ser resgatada por nenhum bombeiro.

Com o pé enlameado, tênis encharcado desde a noite anterior, mas imagens feitas, entrevistas gravadas, voltamos ao centro. No meio do caminho, digitalizei alguma imagens e editei para enviá-las para a TV. Parei no hospital para entrevistar Márcia, a resgatada, que não aceitou falar antes. Ricardo foi ao hotel enviar nosso material. Trabalho em equipe importante nessas horas. Márcia falou sem aceitar ser gravada nem fotografada. Nem mesmo sua voz, deixou registrar. Mas falou, explicou o que aconteceu.
Por volta das 18h foi que cheguei no hotel. Escreve texto para o jornal, revisa as entrevistas, escreve texto para a TV. Depois das 20h, foi que saímos de Praia Grande e, enfim, paramos para comer. Começava o fim de uma aventura jornalística que, assim como a do casal de perdidos no Itaimbezinho, também teve seu happy end.

Doações para São Lourenço

12 de março de 2011 0

A região da Serra está mobilizada para ajudar as comunidades atingidas pela enxurrada no sul do Estado.

Em Garibaldi, doações de água, alimentos não-perecíveis, material de limpeza e roupas podem ser entregues na Prefeitura.

Em Caxias do Sul, a Defesa Civil recolhe os donativos, no quartel do Corpo de Bombeiros, Rua 20 de Setembro, 2533,  até segunda-feira. Neste fim-de-semana, as entregas serão recebidas das 8h às 19h. Na segunda-feira, até as 15h. A direção de uma transportadora já se disponibilizou para levar gratuitamente o material arrecadado até São Lourenço do Sul.

No DOMINGO, também em Caxias, o 26º Distrito Escoteiro vai estar na Praça Dante Alighieri, das 9h às 17h, recolhendo doações para os desabrigados da região sul do estado.