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Dia dos Mortos é dia de festa no México

31 de outubro de 2008 3

Não sei quanto a você, mas eu não gosto de nada que se relacione à morte. E olhe que, desde cedo, como é costume na colônia italiana, freqüentar velórios e enterros era uma coisa absolutamente natural. Todos os pais levavam suas crianças pela mão para acompanhar o ritual.

Na caixa de fotografias de minha mãe havia, inclusive, fotos de pessoas mortas, parentes e conhecidos. Um dia contei isso a uma colega, e ela não acreditou. Ainda não encontrei as fotos para provar, mas dias atrás um primo me presenteou com um livro que a prefeitura de Doutor Ricardo, no Vale do Taquari, montou com fotos de famílias (Doutor Ricardo em Fotografia e Comentários) e lá está uma dessas fotos, na página 94.

Minha colega não entendia o motivo de se fazer uma foto dessas. Para mim, era natural: naquele tempo, muitas vezes, seria a única lembrança da pessoa, já que fotografia, até uns 40 anos atrás, não era tão popular assim.

Bueno, daí nossa dificuldade em entender (e uso a véspera do Dia de Todos os Santos e do Dia dos Mortos pra falar disso!) um costume como esse do MÉXICO. Veja a foto abaixo, por exemplo:

 
Fotos: Rosane Tremea

Essas simpáticas caveirinhas são deliciosos doces preparados especialmente para os Días de los Muertos. Foram fotografadas na Casa dos Azulejos, na Cidade do México, mas estão por toda parte, para comemorar esses dias.

A crença popular mexicana diz que a data é quando os mortos têm permissão divina para visitar parentes e amigos. E por isso são esperados com festa, jantares e decoração especial. Os campos ficam cobertos de “flor de muerto”, de um amarelo fortíssimo, que eu conheço, mas não sei como chamamos. E elas enfeitam altares que homenageiam os mortos. 

 

Nas vitrines das lojas os mesmos motivos, com destaque para a CATRINA, a caveirinha essa que é retratada inclusive em murais de artistas como Diego Rivera e Orozco. As fotos ao lado e as que aparecem abaixo são de vitrines de uma cidade chamada SÃO MIGUEL DE ALLENDE.

 

  

 

 

 

 

Essa estante com “catrinas” estilosas estava montada no hall de um simpático hotel da zona central de GUADALAJARA. Meio estranho a gente ser recebido por esse monte de esqueletinhas vestidas, não?

 

 

 

 

Mas, pensando bem, até que o Dia dos Mortos já significou isso para mim. Num tempo em que só meus avós, a quem não conheci, haviam morrido, o dia era de festa para esta que vos escreve também.

Era visita certa aos cemitérios de duas localidades vizinhas, acompanhando os pais e tios, onde encontraria meus primos para brincarmos entre túmulos e flores.

Nós calculávamos a idade das pessoas com base nas datas escritas nas lápides, tentávamos descobrir quem eram e o que faziam. Sem medo de fantasmas nem assombrações.

Postado por Rosane Tremea

Comentários (3)

  • Rosane Tremea diz: 19 de novembro de 2008

    Ieda, desculpe a demora em responder teu comentário. Obrigada por esclarecer sobre a flor. Eu não ganhei caveirinhas com meu nome!Ia achar estranho mas legal!

  • Aline diz: 25 de novembro de 2008

    Olá Ieda,
    Siim, a Cempazúchil, no Brasil é conhecida como Cravo de defunto…há bastante tempo passei por uma florista e, sabendo que minha avó gosta muito de flores, compre prá ela essas florzinhas, que achei bem bonitinha!
    Em casa, a vó contou que se chamam cravo de defunto e que são também cultivadas no méxico.

  • Ieda diz: 31 de outubro de 2008

    A “flor dos mortos”, no México, é chamada de Cempazúchil (Tagetes Erecta -Asteraceae). Eu a conheço como cravo de defunto, mas não sei se este é o nome popular dado a ela aqui no Brasil. Realmente, o Dia dos Mortos no México é uma festa! Só fiquei um tanto chocada quando me presentearam com várias caveirinhas simpáticas (e comestíveis) com meu nome inscrito nelas. Imperdível para quem viaja para lá nesta época é apreciar a beleza do “Altar de Muertos” e entender seu significado.

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