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Cena urbana dominical

21 de dezembro de 2009 1

São comuns os joões-de-barro e os sabiás. Frequentíssimos os cães, de todas as raças, cores, tamanhos. Gatos também aparecem. Lá de vez em quando, um cavalo puxando uma carroça passa na rua, em frente ao jardim. Mas a manhã de domingo me surpreendeu com a cena da foto. Não sei se são burricos ou jegues — é algo da família. Estavam bem abaixo da minha janela, passeando como se fossem cães.

Os donos (?) pararam em frente ao meu prédio, abriram uma sacola com milho e depositaram punhados do grão sobre a grama para que comessem ali mesmo. Em Porto Alegre, num domingo de manhã.

Lembrei das manhãs de domingo na minha cidade. Depois da missa das 9h, a cena se repetia com alguma frequência: em frente à janela da nossa cozinha desfilavam tropeiros, tocando cavalos ou bois. Eu gostava de ver, mas tinha medo. Faziam muito barulho, às vezes a terra parecia tremer. Acho até que tremia mesmo. O pior, porém, era o efeito residual da cavalhada/vaquejada… Por toda aquela semana, e até que passasse outra tropa, meu pai tinha de ouvir do meu irmão mais novo:

— Pai, compra um cavalinho pra mim? Compra! Compra!…

Como se fosse um cão ou gato qualquer, ele queria um cavalinho. A ideia era que fosse seu bicho de estimação.

Se meu irmão tivesse visto a cena dominical urbana de ontem, não duvido que tivesse descido para tentar negociar os animais. Eles pareciam mesmo bichos de estimação. Depois de comer tranquilamente o milho, saíram andando e dobraram a esquina. Em perfeita ordem e silêncio.

Comentários (1)

  • Antonio diz: 21 de dezembro de 2009

    Cara Rosane, parabéns pela sensibilidade em enxergar e captar este momento, estas coisas só acontece para quem já subiu vários degraus da espiritualidade humana. A beleza, a singeleza da vida em forma de relacao, convivencia, doacao e amor pelos animais …
    Grato, Antonio

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