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Machu Picchu revisitado em livro

22 de setembro de 2011 0

Passaram as comemorações dos cem anos da descoberta de Machu Picchu, em julho, e eu até já publiquei a dica sobre a reedição deste livro na coluna do caderno VIAGEM (sempre às terças), mas a Maristela Barrios, assessora da Artes e Ofícios Editora havia me enviado essa entrevista com um autor de um livro sobre a cidadela inca que vale a pena publicar. Lançado em 2001, Machu Picchu – na Trilha dos Incas, de Geraldo Abud Rossi, ganhou a terceira edição com atualização das informações de serviço – hospedagem, transporte, alimentação, população, temperatura local, eventos. Jornalista e mestre em design gráfico gaúcho radicado em Santa Catarina, Geraldo anexa ao relato de sua aventura rumo à cidade sagrada peruana informações históricas, geográficas e sociais. É, na minha opinião, uma viagem que todo mundo deveria fazer, pelo menos uma vez na vida. Leia a entrevista:



Pergunta -  Você encerra seu relato com uma frase que mostra uma sensação de dever cumprido. Foi esta mesmo a sensação do final da viagem?

Geraldo Abud Rossi – Exatamente. Tínhamos conseguido fazer um caminho desconhecido com sucesso, sem ferimentos. Tínhamos saltado no desconhecido e saímos vivos e felizes. Mais: a finalização da caminhada coroou o sucesso de todos os nossos preparativos físicos e mentais que fizemos nos dias anteriores no Vale Sagrado. Por fim, o dever foi cumprido e, com ele, houve muitos momentos maravilhosos, lugares incríveis e experiências que guardaremos para toda a vida.

Pergunta – O que te surpreendeu, o que te decepcionou e o que faltou nesta viagem?

Geraldo - O mais surpreendente é o visual, aquelas montanhas enormes criando vales inacreditáveis, de tirar o fôlego e, no meio disso, ruínas de cidades de pedras. Essas ruínas foram construídas em lugares muito altos, quase inacessíveis, com pedras enormes e pesadíssimas, isso nos deixa perplexos, surpreende. Nada me decepcionou, pois, quando viajo, tento me desprender de todos os desejos, de todas as manias, assim até os problemas, os perrengues, tudo, enfim, fazia parte da aventura e servia para ensinar algo. Dentro dessa concepção, nada faltou.

Pergunta – Já refez este caminho? O que mudou no procedimento, nos trajetos, nas buscas?

Geraldo - Não refiz. O que pude notar, atualizando o livro, é que pouca coisa mudou, parece que o tempo anda mais devagar lá. No entanto, o Caminho de Salcantay que era desconhecido, hoje já é frequentado por grupos e, em uma trilha paralela, já existem pousadas, proporcionando um maior conforto aos viajantes.

Pergunta – Dez  anos depois, o que ficou na tua memória afetiva desta viagem?

Geraldo - Me transporto para lá sempre que ouço músicas da região ou revejo fotos. As experiências voltam como se tivessem sido ontem. São lembranças de desafios, de surpresas, de amizades, de felicidade. São lembranças que renovam a alma. O que me emociona bastante também nesses 10 anos de livro são os relatos das pessoas que foram lá por causa do livro e que viveram experiências maravilhosas. Há também aqueles leitores que viajam sem sair da poltrona, se entusiasmam, trocam ideias comigo como se tivessem ido.


Pergunta – Machu Picchu não foi, pelo que seu relato mostra, o objetivo maior da viagem, e sim a caminhada, a proposta de descobrir coisas novas em meio a terrenos já palmilhados. É correta esta impressão?

Geraldo – O grande objetivo desde a saída do Brasil era chegar a Machu Picchu de alguma forma. Na verdade, nem tínhamos muita ideia de como chegaríamos lá. As caminhadas foram surgindo naturalmente durante a viagem, até porque os incas eram especialistas em construir trilhas e nós começamos a descobri-las. Até que descobrimos o Caminho de Salcantay, que era desconhecido. A partir daí, as caminhadas tornaram-se nossa atividade principal, nossa grande diversão.



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