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Croniqueta de sábado: o valor de um azeite (extra-virgem)

08 de outubro de 2011 3

Não são hábito meu as compras em viagem. Em geral, suvenires ou algo simbólico, que me lembrem do lugar. Ou algum perfume ou bebida no aeroporto. Nada que me faça perder um tempo que considero precioso. Quando a viagem é curta, menos ainda.

Pois estava eu no aeroporto de Florença, na Itália, que é pequeniníssimo (sim, há aeroportos menores que o de Porto Alegre), matando o tempo, quando entrei na loja com produtos locais. Não me pergunte a marca, eu não saberia dizer, o que me chamou a atenção foi a garrafa do azeite de oliva extra-virgem. Linda.

Parecia um pequeno vaso de cristal. Eu já conseguia vê-lo com minhas flores preferidas na mesa de centro da sala. Dentro dele, ervas finas, que deixavam a embalagem ainda mais apetitosa. Comprei, e o vendedor o colocou, como de praxe, na embalagem transparente para a bagagem de mão quando a quantidade de líquido é superior a 100ml.

Passado o entusiasmo com a compra, lembrei que na mochila levava laptop, câmera fotográfica, sem contar documentos e etc, e fiquei imaginando tudo isso boiando em azeite de oliva, ainda que extra-virgem. Como o vendedor disse que não poderia colocar uma outra embalagem ou plástico bolha (sim, eu sabia que não podia), resolvi eu mesma tomar minhas providências.

Peguei todas as sacolas plásticas que tinha à mão e fiz uma proteção quase indevassável, coloquei na mochila e… esqueci. Só fui lembrada disso ao passar pelo raio X no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. O que eu levava na mochila? perguntou o agente. Nada, respondi, com a cara de pau dos inocentes. Nada? Então desenrole o que está enrolado nisso, disse ele com cara e inglês de poucos amigos. E então lembrei do meu azeite!

– É só um suvenir – observei com um sorriso de quem acaba de fazer uma traquinagem.

– Para nós, é só líquido – retrucou ele, com a preocupação de quem tenta detectar explosivos e terroristas.

Tirei o sorriso do rosto e desembrulhei e embrulhei tudo com a mesma rapidez após a inspeção. Mais uma pequena lição de viagem, aprendida à custa do azeite. Ainda que extra-virgem.

Comentários (3)

  • Daniela Briscoe diz: 8 de outubro de 2011

    Jamais li nada mais empolgante! Tem gente que tudo faz por um mero azeite, mesmo que extra-virgem. Imagine se fosse um Château D’yquem…

  • Cecilia Medeiros diz: 8 de outubro de 2011

    Não foi um azeite, nem uma viagem a Europa.
    Foi uma grappa em uma viagem a Porto Alegre:fui barrada no raio-x e proibida de levar uma garrafa pequena (tipo mini garrafa) de grappa porque o rotulo não continha o selo ou autorização do ministério da fazenda! fiquei surpresa pq nunca li nenhuma restrição a esse respeito no Brasil.
    Mas fazer o que? Perdi meu tempo, dinheiro só antes de entregar a mini garrafa abri e joguei o líquido fora.Para completar me foi solicitado retirar os suportes do banner que estava em meu poder, argumentei que já havia passado por 3 aeroportos e ninguem havia pedido tal coisa. Então de lembrança para o aeroporto Salgado Filho deixei uma mini garrafa vazia e dois suportes de banner.

  • Alessandro diz: 9 de outubro de 2011

    Eheheh…só os “fiorentini” chamam aquela pista de aeroporto. É que eles têm raiva que a arquirrival histórica Pisa tem um de verdade, pequeno mas pelo menos digno de se chamar aeroporto. Então resolveram chamar o “Amerigo Vespucci” de aeroporto…..
    Abraços.

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