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No dia dedicado aos Finados, a sugestão não poderia ser nenhuma outra

02 de novembro de 2011 1

Finados pra mim nunca foi sinônimo de tristeza. Sempre soube que era dia de venerar os mortos. Mas acho que minha porção mexicana (no México, há doces, flores e catrinas por todo lado) sempre fez dele um dia de festa.

Talvez por ter aprendido a encarar a morte da mesma forma que o nascimento. Era levada pela mão, pequenininha, para um e para outro. Pai e mãe nos levavam pela mão tanto à maternidade quanto ao cemitério. Desde cedo aprendi que quando se nasce, já se começa a morrer. Não que a morte me agrade, já ressalvo.

E dia de Finados era dia de ir ao cemitério, de correr entre os túmulos com meus primos, de ir do cemitério da Linha Zanella, onde estavam os avós paternos, ao de Dr. Ricardo, onde foram enterrados os maternos. E por entre os túmulos íamos escolhendo quais eram os mais bonitos, os entes mais queridos, pela quantidade de flores, os ditos mais interessantes nas lápides, fazíamos cálculos precisos dos anos que a pessoa havia vivido, sua origem… Era uma descoberta.

Perdi meus pais num curto período de três meses, já adulta, e obviamente isso resultou em uma dor e uma saudade imensas. Mas ainda assim o cemitério não virou sinônimo de tristeza. Nem pra mim, nem para meus irmãos. Escolhemos, para colocar no jazigo, uma foto em que estão os dois juntos, sorrindo à larga, de mãos dadas. Todo mundo que passa acha estranho. Mas há 15 anos só vamos substituindo a foto por uma nova. Meu irmão mais novo, quando ainda morava na cidade, costumava ir tomar chimarrão ao pé do túmulo, no domingo de manhã, como fazia quando eram vivos, e aproveitava para repassar a semana em pensamento, como se a narrasse para eles.

Por isso nunca passo longe de cemitérios. Aliás, quando posso, até os procuro. Gosto do que se chama de arte cemiterial, das esculturas, das lápides… Por isso, nesse dia, a dica é: visite cemitérios.

No ano passado, no dia 3 de novembro, estive num dos mais famosos do mundo, o Pere Lachaise, em PARIS. Fiquei horas e horas e só fui embora porque começou a chover.

Inaugurado em em 1804, seu nome é uma homenagem ao padre François d’Aix de La Chaise (1624-1709),o Père La Chaise (o padre La Chaise), confessor do rei Luís XIV da França.

Estão ali enterrados escritores e poetas como Balzac, Oscar Wilde, La Fontaine, Proust; músicos como Maria Callas, Chopin, Piaf e Jim Morrison (um dos túmulos mais procurados); e atores e cineastas como Sarah Bernhard, Molière, Marcel Marceau,Maria Schneider…

É um passeio pela história, pela música, pelo cinema, pelas artes.

Esse painel homenageia os mortos no acidente da Air France.

E havia também, quando eu visitei, uma exposição fotográfica com cemitérios do mundo inteiro.


Fotografei o único representante brasileiro, neste painel.

OUTROS TÚMULOS E CEMITÉRIOS FAMOSOS, esses selecionados pelo site Adoro Viagem.

  • Al Capone, o mafioso ítalo-americano, no cemitério de Monte Carmelo, no subúrbio de Chicago.
  • O cineasta Federico Fellini está no cemitério de Rimini, na Itália.
  • Eva Perón, no cemitério da Recoleta, em Buenos Aires.
  • Elvis Presley foi enterrado em Graceland, mansão onde vivia, junto com seus familiares, em volta de uma fonte no jardim da mansão.
  • Karl Marx foi enterrado em Londres, no cemitério de Highgate.
  • O corpo de John Lenon foi cremado e entregue a sua mulher Yoko Ono, mas um memorial chamado Strawberry Field Forever, com a inscrição Imagine, pode ser visitado no Central Park, próximo ao edifício onde viveu e foi assassinado.


E esta semana meu irmão mais velho me chamou a atenção para um cemitério da aldeia romena de Sapanta, com coloridas pinturas e epitáfios emocionados que contam a história de cada pessoa enterrada ali, um costume iniciado por um morador chamado Stan Ioan Patras, que foi quem esculpiu a primeira lápide com essas características, em 1935, e chegou a fazer mais de 800 até morrer, em 1977.


Comentários (1)

  • Pedro Fagundes Azevedo – Porto Alegre diz: 2 de novembro de 2011

    Uma pena ela não ter registrado uma visita ao túmulo de Allan Kardec no Père La Chaise. Visitantes de todas as partes do mundo, especialmente do Brasil onde a doutrina por ele codificada é muito popular, trazem diariamente flores ao seu túmulo, que tem a fama de ser um dos mais visitados e floridos do Cimetière. O corpo de sua esposa Amélie Gabrielle Boudet também está enterrado ali. Na parte superior de sua câmara mortuária está escrita uma frase, muito copiada pelos visitantes e que se tornou um dos lemas do Espiritismo: Naitre, mourir, renaitre encore et sans progresser cesse, telle est la loi (“Nascer, morrer, renascer novamente, e assim progredir sem cessar, tal é a lei. “) Allan Kardec, amparado em numerosas pesquisas e pelo próprio Evangelho de Jesus deu novo alento à antiguíssima crença da Reencarnação.

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