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Gato sobre livros em Montevidéu

29 de fevereiro de 2012 0

Pode parecer que larguei, mas não abandonei os GATOS DE VIAGEM, seção criada bem lá no início deste blog e à qual os leitores e eu somos muito fiéis.

Volto a eles agora com uma sequência que eu adorei. Foi trazida de MONTEVIDÉU por um colega, o Marcelo Sarkis, que separou as fotos feitas, segundo ele, especialmente para a seção.

Nas imagens, que falam por si (não gosto de humanizar animais, mas que parece que o gato está lendo, isso parece…), um detalhe me chamou a atenção: o nome da editora do livro sobre o qual o gato está esparramado, na vitrine de uma loja de antiguidades.

“Bruguera” me remeteu imediatamente à infância.

Fui à estante e procurei um bloco amarelado com uma encadernação caprichada que eu mesma intitulei “Primeiras Letras”. Eram primeiras mesmo, pois eu nem matriculada em escola estava. Minha mãe, professora licenciada por circunstâncias adversas, e um de meus irmãos mais velhos se dedicavam a me alfabetizar, e eu anotava alucinadamente tudo o que via pela frente.

Nesse bloquinho, datado do final dos anos 60, encontrei a referência que havia na minha memória. Ali está anotado com minha letra claudicante: “Infantis Bruguera”.

Minha obsessão pela escrita era tamanha que até o nome da editora eu copiava dos livros, ia da primeira à última página. Fui pesquisar e vi que essa editora, cuja sede era em Buenos Aires, teve uma porção brasileira pelos anos 70, com uma filial no Rio, que se dedicava a produzir clássicos no formato de livros de bolso.

O engraçado é que só lembrei desse nome agora, com a foto trazida pelo Marcelo. E mais engraçado foi que, na mesma página onde anotei isso está outra frase: “O gato está em cima da mesa”.

Tá, e o que essa coincidência despropositada tem a ver com viagens, você deve estar se perguntando?

É que para mim as viagens têm o poder de me transportar para qualquer lugar, no mundo ou na memória. O gato de Montevidéu me levou de volta ao meu primeiro caderno e à descoberta mais maravilhosa que eu tive na vida: a da leitura e da escrita, que viriam por ser, afinal, minha profissão e minha vida.

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