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O olhar de um leitor sobre o Panamá (1)

05 de fevereiro de 2014 0

O Constantin, que volta e meia aparece por aqui com alguma contribuição, agora mandou um texto sobre o PANAMÁ.

Antes de escrever sobre o país da América Central, Constantin, que mora no Canadá, fez observações sobre PORTO ALEGRE, após uma visita recente à Capital:

“Anualmente de regresso ao Brasil, costumo passar alguns dias em Porto Alegre, revendo imagens guardadas do passado, perambulando por seus bairros, em caminhadas sentimentais.  Deixando a nostalgia de lado, a cidade iniciou sua decadência, no mínimo, há umas 4 décadas. Não foram somente maus prefeitos, mas sim toda uma conjuntura, formada por vereadores despreparados, obtusos formadores de opinião pública, má vontade política na esfera estadual, federal, etc…

Sei que você seguidamente publica artigos sobre pequenos e aconchegantes enclaves, escondidos na cidade, como diminutos bistrôs, confeitarias, livraria, etc… Neste aspecto, estás de parabéns. É a iniciativa privada, quase familiar, fazendo sua parte. Uma pena que faltem as grandes ações dos órgãos públicos.

Tenha um boa semana,

Constantin”

E, a seguir, escreveu sobre o PANAMÁ.

“P A N A M Á ….  Famoso pelo canal que o atravessa, recentemente um surto de desenvolvimento tomou conta deste país de pouco mais de 3 milhões de habitantes.

Após os sombrios anos do governo de Noriega, que aliás continua preso perto da capital, uma estabilidade política tomou conta, alavancando o progresso da região.

Geralmente a porta de entrada é por sua capital, Panamá City, onde os visitantes são recebidos num grande e moderno aeroporto. O governo local investiu muito neste quesito, inclusive na companhia aérea local, a COPA Airlines , que tem vôos diários para o Brasil, inclusive Porto Alegre.

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Uma das visitas necessárias na capital é percorrer o chamado Casco Viejo ou Casco Antiguo (Old Quarter) e que recentemente foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

Acima vemos a fachada da Catedral Metropolitana que, juntamente com outras construções da virada do século passado, relembram a influência espanhola, italiana e francesa em sua arquitetura.

Localizada numa península, ainda alberga alguns prédios públicos, museus, o teatro nacional, conventos e a Igreja de São José, com seu altar de ouro em estilo barroco.

 Diz a lenda que um padre mandou pintar o altar de preto quando este soube  de que o pirata Henry Morgan havia invadido a cidade.

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Era junho de 2012, e grande parte das estreitas ruelas, bem como das residências, estavam sendo restauradas no Casco Antiguo.

Praticamente não existe tráfego de veículos nesta área, tornando mais agradável ao visitante o perambular suas ruas, o descobrir de novos encantos a cada esquina… Enfim, naquela busca de fragmentos de felicidade, que somente a revelação de novos sítios pode proporcionar.

Por outro lado, testemunho de décadas de abandono, verificamos  a existência de dezenas de construções desocupadas, com fachadas dilapidadas, tetos caídos .

Em alguns lugares a vegetação tomou conta,  misturando-se a colunas e paredes, tal qual uma Angkor Wat, porém colonial.

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A Plaza de Francia, historicamente importante, passa por uma ala conhecida por “bóvedas”, que num passado distante formavam as masmorras da Era Espanhola, depois transformadas em prisão, depósito e atualmente em escritórios.

Bounganvilias ornamentam a praça e ruas adjacentes, criando uma atmosfera atraente para a  exposição de artesanato geralmente confeccionado pelos  Emberá e Kuna Indigenas.

O mais popular trabalho são coloridas tapeçarias denominadas “molas”, envolvendo cenas com animais e plantas.

 Lembramos que o “chapéu do Panamá”, apesar do nome e  aqui também ser oferecido, é produzido no Equador.

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Outra atração é a visita ao local onde em 1519 os espanhóis fundaram a capital mais antiga das Américas, agora chamada de  Panamá Viejo (Old Panama).

São várias ruínas espalhadas por 23 hectares, perto do centro moderno, conectadas por trilhas e cartazes indicando a natureza das edificações.

A mais importante relíquia é a Torre da Catedral, e que depois de 340 anos permite novamente ao visitante, subir ao topo, donde se descortina panorama da outrora urbe, construída para ser o portão de entrada e saída das riquezas do Império Inca.

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Provavelmente, a imagem acima, teria escassa possibilidade de ser relacionada como sendo no Panamá.

Pois o fato é que, devido a certas medidas governamentais, adicionadas à devolução do Canal do Panamá pelos Estados Unidos, catapultaram a economia do país, antes estagnada.

Largas avenidas, recentemente concluídas, como a Avenida Balboa, em homenagem ao vulto mais relevante da história panamenha fazem parte desta nova fase.

 Ao longo fileira enorme de arranha-céus, erguidas com capitais estrangeiros e atraídos pelas facilidades oferecidas aos investidores, como isenção de imposto predial por períodos de 10 a 20 anos, taxas de imposto de renda baixas, etc…

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Bairros como Punta Paitilla (foto acima), Punta Pacífica demonstram a pujança da construção civil na capital.

Mais da metade dos 10 prédios mais altos de toda a América Latina se localizam em Panamá City.

Muitos deles ultrapassando os 70 andares, sendo o mais alto com 104.

O país desenvolveu agressiva campanha para atrair não somente investidores com elevados recursos, mas também interessou-se em conseguir aposentados de outros países. Estes ao provar terem uma renda mensal de 1.000 dólares, mais US$ 200 por pessoa extra da família, obtém visto de residência, na categoria aposentado.

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Outro prédio que chama a atenção, é o apelidado pelos locais de “tornillo” , ou seja “parafuso”. Sem comentários.

O preço médio dos imóveis ainda é barato comparado com outras grandes capitais, apesar de algumas unidades, geralmente enormes, em Punta Paitilla, serem cotadas acima dos 2,5 milhões de dólares.

Consegue-se um excelente apartamento de 250 m2, em bairro nobre, por cerca de 400 mil dólares.

Apesar de todo progresso, verifica-se que ainda há muito para ser melhorado, pois bolsões de miséria são visíveis ao se percorrer a capital e o interior do país.

A moeda atualmente utilizada é o dólar americano em substituição ao antigo “balboa”. Este existe apenas em moedas de 5, 10, 25 e 50 centavos ou cents.

Para quem aprecia uma boa caminhada, recomenda-se, após explorar a Panamá Antiguo, regressar ao centro moderno, via “cinta costanera”, flanqueado pela Av.Balboa e pela Baía do Panamá, cujas águas estão sendo despoluídas.

Ao longo de vários quilômetros de percurso, aproveita-se para descortinar, ao largo, o boom imobiliário.

 

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