Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

O olhar de um leitor sobre a Nicarágua/Manágua (1)

03 de abril de 2014 0

A primeira parte do relato de uma viagem à América Central enviada pelo leitor Constantin Sokolski, que outros leitores já se acostumaram a ver por aqui.

“Nicarágua !

País que não consta nos roteiros turísticos tradicionais.

Assolado por terremotos, revolução Sandinista, episódio dos “contra” e outras desgraças, foram manchete durante décadas.

Pois, contrariando os agourentos de plantão, foi esta terra que resolvemos visitar.

Chegamos a Manágua num sábado à noite. Iluminação precária no trajeto do aeroporto ao hotel.  Muitos “nicas” ( como são conhecidos os habitantes da Nicarágua) esparramados nos bares, em toscas mesas nas calçadas.

A cidade havia sofrido um violento terremoto em 1972.

Apenas 5 prédios do centro da cidade ficaram de pé.

Manágua, depois assolada por revoluções, nunca conseguiu se recuperar totalmente.

Qualquer visita, deve iniciar-se pela antigo centro, conhecido por “Zona Monumental”.

Fotos Constantin Sokolski, arquivo pessoal

Fotos Constantin Sokolski, arquivo pessoal

Acima vemos  a torre da Velha Catedral, uma majestosa edificação, mas que desde o terremoto está interditada. Foi um dos prédios que não desabou.

As rachaduras na imponente construção estão como a indicar o poético testamento da trágica história desta nação.

managua12

O Palácio Nacional foi sede do Congresso. Hoje alberga o Museu Nacional. Na fachada ,enormes cartazes de cunho político, constatando-se de que o “culto à imagem” é muito utilizado.

Manhã de domingo na área central. Umidade e calor envolviam os poucos  transeuntes. O termômetro marcava quase 38º C. Normal para o mês de junho.

managua13

Tanto a Catedral, o Museu Nacional e o Teatro Ruben Dario encontram-se ao redor da Plaza de La Republica, hoje rebatizada como Plaza de La Revolución.

Conforme a inclinação política, usa-se uma ou outra denominação.

Depois de tantos países visitados, alimento certas reservas quando confrontado com  estas mudanças de nomes.

Um dos recantos da arborizada praça foi transformada numa espécie de mausoléu, onde estão as tumbas de alguns dos revolucionários.

Nas lápides expressões como “comandante” seguida de frases como “Carlos é dos mortos que nunca morrem” chamam a atenção.

managua14

No interior do museu além de cerâmicas pré-colombianas e outros objetos pátrios, encontramos cópia de um mural, retratando em vivas cores cenas de um dos tantos ataques revolucionários a uma aldeia no interior do país.

managua15

Perto do antigo centro, às margens do Lago de Xolotlán,  em fase final de construção temos o Parque Salvador Allende. Trata-se dum conjunto de duas avenidas, com calçadas arborizadas, ladeados por restaurantes, lojinhas, artesanatos, música ao vivo.

Local procurado por famílias para passar o domingo.

Também existe o mall, como são conhecidos os shopping centers. Estes localizados perto dos modernos hotéis, distantes uns 5 quilômetros da Zona Monumental.

Mas é nos mercados que a vida realmente pulsa.

Visitamos o Mercado Roberto Huembes, um emaranhado de centenas de quiosques, conectados por estreitas passarelas, onde se encontra de tudo.

managua16

Almoço no parque Allende. Degustamos o “surtido tipico”. Estava gostoso.

Aceita-se o dólar americano, mas usamos a moeda nacional, o córdoba.

Nos dias seguintes, evitando o festival de frituras, nos contentamos com o galo pinto, um combinado de arroz, feijão mexido, banana , carne e ervas.

Já no café da manhã, ingere-se o galo pinto, uma instituição do país.

Outro prato típico é o “vigorón” que, apesar do sugestivo nome, é melhor evitar, devido ao alto teor de fritura e gordura envolvido.

managua17

Nicarágua é também o país dos lagos e vulcões.

Em Manágua, na cratera de um vulcão formou-se o lago de Tiscapa. Do lado mais alto de sua borda descortina-se vista panorâmica da cidade.

Conhecido como Parque Histórico, foi protagonista de eventos da história recente do país.

Tem masmorras, hoje abandonadas, onde nos tempos de Somoza (que foi fuzilado em Assunção, anos atrás ), os presos políticos eram reclusos.

Diz a lenda de que os restos mortais de Sandino foram ali enterrados, em local incerto e ignorado, para que não se transformasse em local de peregrinação.

Deixamos Manágua satisfeitos e com diversas peculiaridades a considerar.

Próximo destino: Granada, a jóia colonial.”

Envie seu Comentário