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Um relato sobre Rishikesh, na Índia

04 de novembro de 2015 0

Ele tinha mandado um relato sobre a Amazônia e, agora, o Eduardo Majewsky envia a descrição de uma viagem à Índia.

Sem mais, seguem abaixo o texto enviado e as fotos:

 

ÍNDIA – RISHIKESH

12. Rio Ganges e Shiva

Fotos arquivo pessoal

 

“Antes de viajar para a Índia me disseram, ou eu li em algum livro, que não era país de meios termos, quero dizer, ou você gosta tanto a ponto de querer voltar, ou você odeia a ponto de nunca mais querer saber.
Eu me incluo no primeiro grupo e ainda pretendo voltar, pois a Índia é como o Brasil, enorme, impossível de se conhecer numa única viagem.
Todas as cidades da Índia, mesmo as pequenas ou médias, são populosas.
O último censo apontou para 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, algo como 6 Brasis…
Fomos em 2012, primeiro ao Nepal e de lá direto a Delhi, mas no dia seguinte já estávamos no trem que nos levou a Haridwar, uma das sete cidades sagradas para os indianos, banhada pelo Rio Ganges.
Haridwar fica a 220 km de Delhi, o que na Índia significa tanto de carro, bus ou trem , umas seis horas de viagem.
Mas este ainda não era o fim da linha.
Mais 20 km de carro por uma estradinha cujo asfalto precário só passava um veículo, para chegarmos finalmente a Rishikesh.
Rishikesh, conhecida como Tapo Bhumi (o local de meditação dos Deuses) também é banhada pelo Ganges (lá se chama Ganga), que nasce bem ali pertinho nas montanhas do Himalaia, por isso a água é bem mais limpa e transparente que em outros lugares.
A cidade é pequena, mas populosa, tanto em moradores como viajantes, muitos destes praticantes ou estudantes de Yoga.
Rishi é a capital mundial da Yoga. A espiritualidade está no ar, no rosto das pessoas, muito indianos viajam para cá com o mesmo objetivo dos estrangeiros : a busca de aperfeiçoamento e evolução na doutrina Yogue, ministrada pelos gurus nos Ashrams, que se situam nas margens do Ganges.
Ashrams são centros de Yoga, que hospedam os praticantes pelo tempo ou projeto desejado, mas se você quiser só se hospedar como pousada, só para estar no “clima”, no problem!

09. Salão de Meditação II


A cidade é cortada pelo Ganges, mas tem duas pontes que a unem, a principal é a Lakshman Jhula, que é suspensa e tem uns 200 metros de extensão, porém bem estreita. Estreita a ponto de os macacos que vivem pendurados lhe roubarem alguma coisa. Tem que estar ligado. O alvo principal são as crianças, principalmente se estiverem com algum doce na mão. Por isso não estranhe se você enxergar um macaco pendurado comendo um sorvete, por exemplo…
A arquitetura local faz a gente confundir construções residenciais com ashrams ou com templos dedicados a santíssima trindade do hinduímo – Brahma, Vishnu e Shiva.

ATT_1446237504067_06. Oca 9

Outro atrativo imperdível em Rishikesh se refere à música, em especial aos Beatles. Em 1968, os Beatles viajaram a Rishikesh para mergulhar na Meditação Transcedental, cujo expoente era o guru Maharishi Mahesh Yogi, amigo dos Fab Four, especialmente de George Harrison, que sempre teve nitidamente uma antena voltada para a espiritualidade. Foram em um grupo de 60 pessoas, entre esposas, namoradas, outros músicos e o time da gravadora. Ringo e sua esposa não aguentaram mais do que uma semana, dizem que ele não conseguiu ficar lá sem carne e cerveja…(em Rishikesh não se encontram bebidas alcoólicas e a comida é 100 % vegetariana). Paul ficou um mês e John e George ficaram seis semanas. Nessa estada, passavam parte do tempo sob os ensinamentos do Guru ou meditando nas ocas numeradas. Na realidade, compondo. Foi nesse curto período que Lennon/McCartney compuseram a maioria das canções do Álbum Branco (The White Album), para mim o melhor dos Beatles – a revista Rolling Stone o coloca em 10º melhor de todos os tempos numa lista de 500 discos.

Hoje restam apenas ruínas daquilo que foi na década de 60 o maior templo de meditação transcedental da India, mas entre as ruínas estão as ocas, um tipo de iglu, brancos, arredondados, pequenos, cobertos de pedras, tem que se abaixar para entrar e dentro é difícil permanecer em pé. Um desses iglus tem o número 9 e, segundo o nosso “guru-guia”, era o preferido de John e Paul e/ou John e Yoko. Casualidade ou não, no White Album, uma das músicas chama-se “Revolution 9”, aonde na letra aparece em forma de mantra a frase ”number 9…” repetida dezenas de vezes e, mais tarde, em disco solo, John Lennon regravou a música com o nome “#9 Dream”…casualidades…

10. Ganga Aarti

11. Ganga II

 

Ao entardecer, acontece a cerimônia do “Ganga-Aarti”, às margens do Rio Ganges, que é sagrado aos hindus.

Antigos reis utilizavam a água do rio como purificação do corpo e da alma, passsou-se então a cremar os corpos de pessoas da família e espalhar as cinzas no rio.

Ganga vem do nome de uma deusa que é personificada nas águas do rio. Aarti é um ritual de devoção a Ganga, que usa o fogo como oferenda. Ele geralmente é feito na forma de uma lâmpada acesa, e, no caso do Rio Ganges, um pequeno suporte de apoio com uma vela e flores são colocados flutuando rio abaixo, tudo ocorre ao som de mantras, cânticos religiosos executados por músicos e toda a audiência.

Em poucos segundos você “decora” o mantra e sai cantando junto com a multidão, embalado por cítaras, flautas e percussão.

A sensação neste momento é que não termine mais…como disse Vinícius – que seja infinito enquanto dure…

O Ganga-Aarti mais tradicional em Rishikesh é o que acontece nas escadarias que descem ao Ganges, em frente ao Ashram Parmath Niketan.

No rio bem em frente à cerimônia, há uma enorme estátua de Shiva, o Deus guerreiro contra todos os males.

Assim acabam os dias em Rishikesh. Da cerimônia retornamos à pousada para um jantar vegetariano à luz de velas regado a água mineral…bem gelada!”

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