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Um ano para viajar (!?)

04 de janeiro de 2016 0

Encerrei 2015 e comecei 2016 terrivelmente triste.

Perdi um amigo querido que, entre outras coisas, compartilhava o gosto por viagens. Ele, muito mais aventureiro do que eu, gostava de esportes, de ciclismo, de corrida… Viajava o mundo atrás de uma nova aventura e de superação.

Começamos juntos no jornalismo e, na faculdade, fizemos duas viagens inesquecíveis pelo interior do Rio Grande do Sul: um curto final de semana em Rio Pardo e quatro dias de um mergulho improvável pela Estação Ecológica do Taim

O Taim recém havia recebido essa distinção e nos fomos lá, sem nenhum dinheiro no bolso, com uma vaga ideia na cabeça, as câmeras emprestadas do Hilário, o Passat enjambrado do meu amigo carregando as nossas juventudes e ideais, com os colegas/amigos Luís, Kátia, Paulo, Andrea, Marilene.

Vivemos quatro dias intensos, com a cumplicidade/parceria dos administradores da reserva, percorrendo os canais em aerobarco, em canoas de lata, andando por banhados, percorrendo trilhas…

Compartilhamos os improvisados alojamentos ocupados por pesquisadores onde nós, urbanos, nos assustávamos com o tamanho dos insetos, das rãs que habitavam os banheiros, do desconforto…

Compartilhamos, na volta, a ilha de edição para montar o documentário que, na nossa cabeça, ganharia o mundo, como se fôssemos produtores da National Geographic, mas ficamos mais do que satisfeitos em vê-lo exibido na faculdade e na TV local.

Depois, viajamos, todos nós, por mundos diferentes.

E foi duro, saber agora, que nossos caminhos não se cruzarão mais.

Fiquei sem vontade de viajar. Sem vontade de escrever.

Deixei o blog à própria sorte.

Despertei de minha letargia nesse primeiro sábado/domingo de 2016.

Primeiro porque minha querida amiga Nina me presenteou com uma lembrança (pós) natalina que eu amei.

Ela me deu um pequeno (mesmo) Diário de Ushuaia, produzido pela Ana Cândida Sommer, do Ateliê de Bolso (com o querido Antonio Vasques, ela faz outras coisas lindas!).

Veja o tamanhinho do livro, comparado a esse guia que nem grande é.

Foto Rosane Tremea

Foto Rosane Tremea

Ela já fez outros também, como esse de Berlim abaixo.

Foto Ateliê de Bolso, arquivo pessoal

Foto Ateliê de Bolso, arquivo pessoal

Ana conta as viagens com seus desenhos delicados e pequenas frases/acontecimentos, para lembrar de tudo além das fotos e das memórias.

É ela quem descreve:

“Os mini diários desenhados começaram quando percebi que não conseguiria guardar apenas na lembrança esses acontecimentos ou pensamentos que ocorrem quando estamos viajando.”

Eu também, Ana, escrevo diários, mas não desenho nem faço coisas lindas como essa com a qual fui brindada.

 ***

Depois de recebido o mimo, e talvez por isso, tive um sonho. Estava numa roda de conversa sobre viagens. Era um pátio, com vários ambientes diferentes, meio aberto, e chovia.

Eu devia falar sobre experiências de viagem e tinha levado uma dessas indefectíveis apresentações em powerpoint, que insistia em não funcionar. E íamos rodando o pátio atrás de uma TV ou projetor que aceitasse minha apresentação. Era quase um pesadelo.

Enquanto isso, para distrair a plateia, que curiosamente aumentava em lugar de diminuir, fui pedindo que cada um dissesse qual tinha sido a primeira e a última viagem. Surgiram histórias lindas, cada um querendo falar mais do que o outro.

E contei a minha: a primeira, no Ford 1949 do meu tio, rumo à casa italiana com porão de pedra dos meus avós, numa vila de uma cidade minúscula do Rio Grande do Sul. A última, neste Natal, com quase toda a família em comboio, num porão italiano do interior de Garibaldi que tem a propriedade de me fazer sentir em casa.

 

Foto Rosane Tremea

Foto Rosane Tremea. A casa de meus avós.

Foto Thaís Sellini Tremea

Foto Thaís Sellini Tremea. O porão de Garibaldi

***

De volta ao começo.

Que 2016 nos reserve muitas viagens. Mas, principalmente, que elas nos tragam/devolvam o melhor de nós mesmos.

 

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